01 dezembro 2012

"resituar" o País II

"Resituar" = Reset? (ver post anterior)

A infeliz expressão ‹‹resituar o País›› tem, pelo menos, a virtude de transmitir uma ideia de impossibilidade. Portugal não pode ser resituado (ressituado?) ou relocalizado. E a verdade é que a nossa geografia condiciona de tal forma a nossa cultura que também esta não pode ser objecto de nenhum "reset". Hofstede afirma que a cultura é tão estável como o clima, pode mudar, mas só ao longo de centenas de anos. O António Guterres precisa de ler o Hofstede e já agora, ler também o Pedro Arroja, aqui no Portugal Contemporâneo.

10 comentários:

fec disse...

em suma, nada se pode fazer

isto faz-me lembrar um maluco que conheci, um alemão que esteve em Portugal há uns anos durante uns meses por razões profissionais e que andou esses meses sempre aterrorizado porque acreditava piamente na tese que a geologia do país (isto é, os componenetes do solo português) provocavam uma alteraçao maligna nos espíritos

devia ser um discipulo do Hofstede

Anónimo disse...

Este blog (ou lá o que lhe chamam) lembra-me as saudosas recitas de finalistas dos liceus perdidos da provincia, de outros tempos: pais babados com a casquinha da casa. E o assadito à espera à mesa para comemorarem a carreirita que assim se ia desenhando para os pimpolhos.
E a presidirem ao repasto, lá estavam o crucifixo, o sacrosanto retrato do outro, e a fotografia esbatida dos antepassados que finalmente tinham emergido da mal-cheirosa e dobrada plebe. Pensavam eles.

Populaça, enternecido.

Ricciardi disse...

Oh Joachim porque é que é que o meu caro escreve resituar e não ressituar?
.
Rb

zazie disse...

Escreve assim porque tem a mania que é americano

":OP

joserui disse...

A cultura é tão estável como o clima, nas palavras de alguém que entretanto se desactualizou... o clima está a mudar e a cultura nunca mudou tão rapidamente... -- JRF

Anónimo disse...

Caro Rb,
É um termo que eu não uso e fiz copy paste do DN. Obrigado

Anónimo disse...

Bem... esse tal de Guterres está à espera da oportunidade de se perfilar como candidato à Presidência da República?

Isto está mesmo mau!

lusitânea disse...

Eu bem digo que se deve "restaurar" a partir do ponto de restauro de 24Abr74...

José Lopes da Silva disse...

Este congresso do PCP relembra o quão semelhante é o funcionamento da governação comunista ao do Vaticano, e isto talvez vá em linha com o que diz o PA sobre o facto de os protestantes acabarem por fazer o mesmo caminho intelectual que a Igreja já tinha percorrido. A democracia do PCP é restrita a um elite de pares, que escolhem democraticamente o melhor de entre eles, e que depois lá permanece até morrer (ou quase...) A figura do secretário-geral do PC, em todos os países comunistas, é semelhante à do Papa, e os Comités Centrais às do colégio de cardeais.


Isto é especialmente curioso, e extrapolando da forma de governação aos valores defendidos, se repararmos que os partidos comunistas tiveram mais aceitação nos países católicos: os famosos PCF, PCI, o PC grego, e o PCP, claro, antes deles a esquerda da guerra de Espanha, e a América Latina de um modo geral. Afinal, foi no Chile que um PC chegou ao governo por eleições, e não na ortodoxa Europa de Leste. (Um dia poderemos tentar perceber melhor as diferenças fundamentais entre a igreja de Moscovo e a de Roma.)
Talvez porque nos países católicos o sentido de "comunismo" se aproximou mais do sentido de "comunidade" que já aqui existia, em vez de ser o "colectivismo" que de facto é. Um colectivismo "à católica". Eu nunca fui à Festa do Avante, mas os relatos que ouço (entre eles o insuspeito MEC) apontam neste sentido.
E depois há o sentido de missão e de fé que tem permitido a sobrevivência destes partidos, em Portugal, em França. Será este sucesso do PCs uma irónica vitória da visão católica sobre a visão protestante?

marina disse...

mas é engraçado ver como estas pessoas que até estudaram algures , aposto , que mudanças de cima para baixo não resultam acham que com eles, super homens , vão resultar. daaa.