04 novembro 2012

Portugal está a mudar


Na minha opinião, Portugal está a sofrer uma mudança cultural intensa. É natural que esta mudança esteja a ocorrer porque se reuniram um conjunto de circunstâncias determinantes:
1. Alterações económicas
2. Novas tecnologias
3. Intervenção estrangeira
A principal mudança que eu registo é o descrédito total do Estado. Os portugueses confiavam no Estado e nas instituições públicas, de uma maneira quase cega, até há cerca de 3 ou 4 anos atrás. Atualmente, não.
Atualmente, os portugueses desconfiam do Estado e não reconhecem autoridade aos seus representantes. Sentem-se ludibriados e “gato escaldado, de água fria tem medo”. Penso que esta mudança está aí para durar umas dezenas de anos.
Outra alteração importante é no sentimento de colectividade. Os portugueses estão a tornar-se mais individualistas, porque perceberam que a família e as comunidades a que pertencem já não os conseguem apoiar como antigamente. Agora, dependem mais de si próprios e têm objectivos mais concretos. A sociedade está a tornar-se mais masculina.
Por fim, começamos a preocuparmo-nos um pouco mais com o longo prazo. Como é que vamos viver daqui a 10 ou vinte anos? Quem é que vai pagar as nossas reformas?
Se o Hostede nos revisitasse para reavaliar o nosso posicionamento cultural, penso que chegaria à conclusão de que o Distanciamento ao Poder está a diminuir (já não acreditamos na autoridade patriarcal — simbolizada pelo Estado), somos mais Individualistas (temos de nos desenrascar à nossa própria custa), somos mais Masculinos (objectivos), estamos dispostos a Correr mais Riscos (emigrar, por exemplo) e começamos a pensar mais a Longo Prazo (é perigoso pensar apenas no momento presente).
Qual é a importância desta mudança e será duradoura? Não sei. O que sei é que é isto que me comunicam os compatriotas com quem falo diariamente.

6 comentários:

BLUESMILE disse...

Clara Ferreira Alves, hoje, no Expresso, tem uma crónica de uma acutilante limpidez sobre este tema. Estamos na linha de um tsunami, o colapso do sistema financeiro global, mais nada. Daqui a décadas haverá palavras e teorias para explicar o que estamos a viver.
Em situação de catástrofe as pessoas tendem a usar mecanismos atávicos de sobrevivência-,
Eu não lhe chamaria mudanças culturais, nada disso.Apenas respostas adaptativas.

João Soares disse...

Não queria acreditar nisto, mas de facto já não sei se vamos a tempo de evitar o colapso de tudo.
"Nós sabemos, mas vocês talvez não saibam, porque isso não vos é dito pelos vossos dirigentes, que esse dinheiro acumulado nos vossos bancos, foi por eles aplicado, à falta de melhor alternativa, em empréstimos a baixo juro aos bancos do sul da Europa, entre os quais os bancos portugueses, e por eles emprestado de novo com muita publicidade e matreirice a famílias do sul cujos salários também não cresciam por aí além, mas que desejavam ter casa, carro e um modo de vida parecido com o vosso.
As nossas economias sujeitas à concorrência criada pela globalização que tanto convinha às vossas empresas exportadoras cresciam pouco. Mas o crédito que os vossos bancos nos ofereciam, por intermédio dos nossos, lá ia permitindo que as nossas famílias tivessem acesso a bens de consumo, muitos deles com origem nas vossas empresas exportadoras. Durante algum tempo este estado de coisas parecia ser bom para todos.
Quando em 2008 todas as bolhas começaram a estoirar, os vossos bancos descobriram que não podiam continuar a arriscar tanto e cortaram o crédito aos bancos do sul e mesmo aos Estados. Se a União Europeia não tivesse decidido que nenhum banco podia abrir falência, responsabilizando os Estados pelas dívidas bancárias, teríamos assistido a uma razia quer dos bancos endividados, quer dos bancos credores. Mas a UE decidiu que os governos iam «resgatar» os bancos e que depois ela própria, com o BCE e o FMI, «resgatariam» os Estados. Foi desta forma que os vossos bancos, que haviam emprestado a juros baixos para lá de todos os critérios de prudência, se salvaram eles próprios da falência. Foi assim que eles conseguiram continuar a cobrar os juros dos empréstimos e a obter a sua amortização. Doutra forma, teriam falido. Talvez vocês não saibam, mas os empréstimos concedidos à Grécia, à Irlanda e a Portugal são na realidade uma dívida imposta aos povos destes países para «resgatar» os vossos bancos.
Talvez vocês não saibam também que até agora, os vossos Estados, todos vós como contribuintes, não gastaram um euro que fosse nos «resgates» à Grécia, à Irlanda e Portugal. Até agora o vosso governo concedeu garantias a um fundo europeu que emite dívida a taxas quase nulas para emprestar a 3% ou 4% aos países «resgatados».
Talvez vocês não saibam que em breve este estado de coisas se pode vir a alterar. A austeridade imposta em troca de empréstimos está a arrasar os países «resgatados». Em breve, estes países, chegarão ao ponto em que terão de suspender o serviço da dívida. Nessa hora, haverá perdas, perdas pesadas para todos, contribuintes alemães incluídos.
Talvez vocês não saibam, mas no final, todo o esforço que haveis feito na década passada para tornar a Alemanha «competitiva» e excedentária se pode esfumar num ápice. Afinal os vossos excedentes, são os nossos défices, os créditos dos vossos bancos são as nossas dívidas. Os vossos dirigentes deviam saber que uma economia é um sistema e que a economia do euro não é exceção. Quando as partes procuram obter vantagens à custa umas das outras, o resultado para o conjunto e cada uma delas não pode deixar de ser desastroso.
Talvez vocês não saibam, mas os vossos dirigentes andam a enganar-vos há muito tempo.
Perdoe-me senhora Merkel se entre uma e outra palavra deixei transparecer amargura em excesso. É que não sou capaz de o esconder: o espetáculo de uns povos contra outros é para mim insuportável, sobretudo quando afinal todos eles se debatem com um problema que é comum – o da finança que governa com governos ao serviço de 1% da população, como o seu e o nosso. À memória ocorrem-me tragédias passadas que deviam ser impensáveis. Concordará comigo pelo menos num ponto: é preciso evitar esses inomináveis regressos ao passado."
As mentiras são muitas. Desejava o contrário: união e menos "desenrasca-te". http://bioterra.blogspot.pt/2012/11/poema-sonoro-sobre-eternidade-raymond.html

João Soares disse...

Já agora Bluesmile, Clara Ferreira Alves é uma parva. Há anos que não lhe ligo bóia. É uma verme, rastejante como muitos corruptos que por aí abundam.
Nojenta. Não tenho outro nome. O melhor eufemismo que tenho para ela é que é uma sociopata.

Anónimo disse...

Menos divorcios mais familia!
Os Portugueses emigram há seculos...
Os Portugueses querem a tal figura patriarcal e personalizada do poder não vão em Estados...

Anónimo disse...

Mania de confundir o MUNDO com Portugal e os vizinhos mais próximos... não admira que quem manda pense que Portugal acaba nos arredores de Lisboa...

marina disse...

concordo com a Blue. e sobrevirá quem se adapte.