Numa das suas "Notas do Exílio" (Lello & Irmãos, Porto, 1986), escritas entre 1891 e 1893, Sampaio Bruno (1857-1915) propôs-se comparar a brutalidade da polícia portuguesa com a brutalidade da polícia de Paris, onde então vivia.
Eu saltei logo vários parágrafos para chegar à conclusão, que me pareceu adivinhar. E, na verdade, lá estava ela, que se pode resumir assim: até para apanhar umas bastonadas da polícia, as do estrangeiro são melhores do que as de Portugal. São mais doces, menos brutas.
Mais adiante, noutro texto, ele reconhece esta tendência dos portugueses para depreciarem tudo aquilo que é português, a começar pelos próprios portugueses, e para valorizar tudo aquilo que é estrangeiro. Mas ele nunca chegou a compreender porquê. E, no entanto, a resposta estava mesmo debaixo dos olhos.
Uma cultura católica (universal), como é a portuguesa, só se mantém universal se fôr capaz de trazer para si, e integrar, tudo aquilo que há no mundo. Para isso, é necessário que as pessoas nascidas e criadas nesta cultura possuam espontaneamente um interesse, uma avidez e um desejo por tudo aquilo que lhes é estranho ou estrangeiro. O passo seguinte é imitar tudo isso. Uma cultura universal é uma cultura curiosa, que valoriza necessariamente tudo aquilo que não conhece ou lhe é estranho, em detrimento daquilo que conhece, e é uma cultura de imitadores.
Mas, então, uma cultura católica (universal), só tem pessoas curiosas, que dizem bem do estrangeiro e mal dos seus, e pessoas imitadoras? Não, uma cultura católica tem de tudo. Também tem pessoas muito originais, mas estas, que são uma minoria, tratarei noutra ocasião.
O ponto a que eu quero chegar é que ninguém consegue ser original a dizer mal de Portugal e dos portugueses. Nasceu e cresceu num ambiente cultural que o programou para isso. Ao fazê-lo actua como uma mera máquina falante. Diz aquilo que lhe mandaram dizer.
7 comentários:
Bons olhos o leiam Prof.
Perfeito!! Concordância integral.
olá. um problema de elites bobas ignorantes e pobres de espírito que levaram o coitadinho e esforçado povo a achar que são menos que os escandinavos pq não conseguem elevar uma cambada de burros ( elite) ao píncaros do cosmopolitismo. tarefa inglória , a do povo tuga , por os burros que os governam ao nível , sei lá , dos suecos? é que não os deixam , como diz o Joaquim , por excesso de regulação desses tais burros no seu afã de inducar o povo.
O facto de o centro espiritual estar localizado fora das fronteiras (Roma) não explicaria esta tendência infeliz e secular para a depreciação nacional dos portugueses ?
Monti
A lembrar-me a opinião de um polaco sobre os Portugueses de 1484:
"coarse, poor, lacking in good manneres...At least less cruel and insensate, more loyal, and more sober than the English"
"The Last Crusade", 547 pg.
Não tem nada a ver com religião PA, mas com dinheiro e estatuto. O português comum gosta de imitar o que vem do estrangeiro...dos países estrangeiros mais ricos e com nome. Os outros é abaixo de cão.
Comportamento tipicamente português: bajular quem considera estar acima e espezinhar quem considera estar abaixo.
bump
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