25 agosto 2012

Vida Além da Crise

Artigo de Rui Ramos, no Expresso:

Hoje, não é possível a felicidade na pobreza. Em parte, porque trocámos o ideal da salvação da alma pela perspectiva de uma vida longa e sem dor, e esta depende de meios que só a riqueza e a ciência proporcionam. Talvez tenha havido um tempo em que terá sido possível ser feliz com muito pouco, no meio dos prados. Hoje, não.
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Não é, portanto, pela limitação do que precisamos, nem pela abdicação do que queremos, que podemos ultrapassar esta crise. É encontrando maneiras de satisfazer as nossas necessidades e as nossas aspirações de um modo efetivo e sustentado, sem ilusões nem desequilíbrios. Como? Eis a questão.

24 comentários:

zazie disse...

Fechando as fronteiras.

E cá ainda é possível viver-se feliz e com pouco. Basta ir a Alfama e bairros populares no género.

E no campo ainda era, há bem pouco tempo.

Nos países ricos até para se ser pobre com vida decente é preciso muito dinheiro.

Porque o resto passou a marginal.

zazie disse...

Em todos os países mais isolados isto ainda existe.

Desaparece quando desaparece a tradição.

Anónimo disse...

«Nos países ricos até para se ser pobre com vida decente é preciso muito dinheiro.» zazie
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Pois é isso mesmo. Já não se pode ser pobre à vontade. Comprasse um carrito de uns 500 ou 700 euros, em terceira mão, e tem que se ir à inspeção... as motas tambem elas vão ser obrigadas a ir ao centro de inspeção... queres produzir maças para vender nas mercearias e exigem uma série de coisas; o perimetro da maça deve ser o adequado, inscrever nas finanças e seg social com os pagamento por conta de impostos inerentes, a contratação de um contabilista e o correcto acondicionamento em paletes, fora a compra de um sistema informatico com software permitido aonde se facturam as coisas.
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Podia haver regimes simplificados para este tipo de economia familiar. Aonde não era preciso nada e reduzissem o pagamento de impostos a uma coisa simples e directa.
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Nunca percebi porque é que Portugal embarca nestas modernidades. Vejamos, importamos tudo quanto há dos emergentes. Existem produtos à venda sem qualquer qualidade. Alguns são retirados à pressa porque contem um quimico qualquer hiper perigoso. Ao mesmo tempo a Alemanha, a França e a Italia conseguiram evitar a importação de Carros da china e da India. Alegam que não passarm nos testes de qualidade e segurança. Esses carros podiam vir a um preço entre os 1500 euros e os 3000 euros. Nas actuais condições finaceiras dos Portugueses, e num mercado com um parque automovel com a idade média de 12 ANOS, não consigo compreender porque é que se pode importar brinquedos chineses e baterias ou papel da indonesia ou outro produto qualquer, que são fabricados sem critérios ambientais e de segurança, e ao mesmo tempo restringe-se a importação de carros.
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A isto chama-se favorecer uma industria. Uma industria que não é a nossa. É um proteccionismo encapotado que tanto criticam mas que praticam. Ora, se há protecionismo, e se os paises mais ricos o praticam, não se percebe porque é que Portugal não faz o mesmo nas industrias aonde pode gerar negócio e emprego.
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Se aos portugueses foi retirado salário, se estão desempregados e se os impostos não param de subir, os preços relativos de tudo o resto tambem tem que baixar. Se querem o empobrecimento das pessoas, entao os preços em geral tambem tem que baixar. É permitir que entrem carros indianos e chineses. É permitir investir numa fabrica sem ter que construir uma ETAR. Não se pode cortar salarios, que já eram baixos que chegue, e ao mesmo tempo exigir padroes de qualidade ao nivel de uma alemanha.
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A bota tem de bater com a perdigota.
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Não vejo interesse, tambem, em reduzir a factura energetica do pais. Continuamos a importar combustivel para produzir energia. Ninguem lança a ideia, ninguem se lembra de colocar uma central nuclear que permita baixar os custos? Se já temos umas 4 ou 5 na fronteira do lado espanhol, mais valia fazer outras tantas no mesmo sitio. Isso permitiria reduzir os preços da energia para os consumidores a quem foi retirado salario.
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Rb




Fernanda Viegas disse...

Não precisamos inventar a felicidade, basta senti-la, como se sente a brisa. E num sentido mais pragmático, pois a Zazie tem toda a razão:"Nos países ricos até para se ser pobre com vida decente é preciso muito dinheiro" - frase magistral.

Anónimo disse...

Mas para gáudio disto tudo, cereja em cima do bolo, um proprietário rural ou urbano, que a unica coisa que possui é a sua terra ou predio, vai ser esmifrado até ao tutano. Quanta gente não há que a unica coisa que tem é a sua casinha ou o seu quintal. Muitos deles velhotes sem qualquer rendimento. Mas que colhem as suas couves, criam as suas galinhas. Vão obrigar estas pessoas a pagar pela posse de uma coisa que já foi paga e mais que paga. Isto vai dar muitos problemas, acreditem. As pessoas das cidades grandes não se apercebem bem disto, talvez. Mas se aumentarem, 20 euros que seja, os impostos sobre algumas propriedades, em pessoas que ganham cerca de 300 euros é uma violencia. E parece que existem cerca de 3 milhoes de pessoas com esses rendimentos. O minstro Gaspar garantiu esse numero.
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É claro, num economia assim, disfuncional, não admira que só não fuja aos impostos quem nao pode.
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Rb

Fernanda Viegas disse...

Entrámos ao mesmo tempo Ricciardi e repetimos a Zazie! Só prova que ela tem mais do que razão no que diz.
Pois também concordo consigo. É tão fácil arranjar soluções havendo vontade para isso! Isto não terá uma saída antes de ficarmos todos exangues?

lusitânea disse...

Fechar as fronteiras e cambiar para o escudo que ninguém aceitará lá fora é meia solução.Veriam a quantidade de parasitas que nos deixavam.Depois é voltarem aos hábitos de trabalho do antigamente em que só quem trabalhava é que comia...

Anónimo disse...

Na europa a 27, Só pouco mais de metade é que aderiram ao euro. Nao consta que nao aceitem as outras moedas. Até porque existe um mecanismo proprio no BCE, chamado de target2 que gere as outras divisas da UE para, precisamente assegurar a sua liquidez e aceitacao.
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Portugal, neste momento, tem um saldo primario orcamental positivo. Quer dizer que, só depois de adicionarmos os juros é q se revela um defice. Se pensarem que a Alemanha tem um defice orcamental total na ordem dos 0,5% e paga juros a 0%, rapidamente se percebe que se ela pagasse juros ao nosso nivel de taxas, cerca de 5%, estaria com um defice semelhante ao nosso. Isto é, se nao estivesse a beneficar desta bizarria, de juros negativos, imagine-se, estaria como nós.
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Isto leva-me a considerar que somos nós, os pigs, que estao a financiar indirectamente o orcamento germanico., precisamente porque partilhamos uma moeda comum à alemanha.
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Li um artigo que concluia uma coisa simples. A alemanha se abandonasse o Euro veria as suas exportacoes cair a pique. Os seus bancos teriam de ser resgatados.
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Nao se importam, claro. Enquanto beneficrem da desconfanca que os mercados impuseram aos pigs, eles nao quererao mexer no que quer que seja. se eles beneficiam de taxas negativas, se os mercados pagam para comprar bonds alemas porque mexer no assunto.
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Rb

mujahedin مجاهدين disse...

Pois era...

E cojones? Donde los hay?

marina disse...

bem , metade da felicidade está em não ver publicidade !

marina disse...

e se repararem bem , a publicidade apela ao de mais baixo de ser humano : gula , inveja , luxuria e tal .

Cfe disse...

RB,

Muito boa análise.

Anónimo disse...

RB, não concordo nada com isso dos carros... Nunca li, nem vi nada de positivo sobre eles... A solução é exactamente outra: fechar também a entrada a brinquedos, pilhas e outros atentados ambientais chineses... -- JRF

Anónimo disse...

Este artigo é sobre a gestão de expectativas... Um problema... E acaba por ser verdade. Alguma dessas universidades de prestígio como a independente, devia criar um doutoramento em gestão de expectativas... -- JRF

Vivendi disse...

A frase da Zazie é magistral.

A civilização ocidental vai em breve bater de frente na parede baseada no crescimento da dívida e na utilização máxima de recursos que são cada vez mais escassos. Um novo paradigma vai ter que ser encontrado.

O curso do crash:

http://vivendi-pt.blogspot.com/2012/08/o-curso-do-crash.html

Anónimo disse...

Jrf, tambem nao concordo. O meu ponto é que a bota tem de bater com a perdigota... O pau com a bordoada, a cara com a careta. Ou comem todos ou ha moralidade.
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Rb

CCz disse...

com o que vou lendo percebo que a maioria concorda com a decisão de Salomão. Já que uma cria morreu, mate-se a outra, para haver equidade.

Anónimo disse...

Falar à populaça por parábolas resulta se forem entendidas.... Por exemplo, a mim ocorre-me perguntar quais são essas crias todas... A ver se a populaça está realmente a dizer isso... -- JRF

Fernanda Viegas disse...

Até estou com receio de perguntar acerca das "crias", pois ainda me mandam tirar um curso de sexologia. Juro que esta, nem com créditos, nem com muita convicção vai lá. Qué passa?

Anónimo disse...

Bem, CCZ, a decisão de Salomão não foi essa. Foi mesmo cortar a criança a meio... e dar metade a cada uma das pretendentes.
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A mãe verdadeira nunca aceitaria isso, obviamente; mas a falsa aceitou... na verdade, a verdadeira não aceitou e prescindia da maternidade para assegurar a vida do filho.
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A falsa mãe são os nossos governos que acolhem qualquer decisão sem dó nem piedade... sem pensar que estão a ser superiormente comandados. A verdadeira mãe seria aquele governo que se recusaria a aceitar a inevitabilidade do que se nos põe à frente dos olhos.
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Veja bem, o caro CCZ conhece algum dossier acerca de comercio externo da UE aonde Portugal esteja presente e possa acomodar os interesses da nossa industria. Não conhece. As negociações em curso com os EUA para reduzir as taxas alfandegárias para uma média de 5% entre estes dois blocos (que eu concordo em absoluto- por serem paises com nivel de civilidadse semelhante) está a ser negociada nas costas dos interesses de portugal. Não existe qualquer negociação de tarifas para as industrias aonde temos maior pujança. Mas estão a ser negociadas tarifas para os medicamentos alemães, carros franceses, italinaos e franceses.
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Os grandes negocios, aqueles que mexem com um país, passam por estas coisas. Não duvide. Mesmo as negociações entre a UE com a China foi feita directamente com a Alemanha. Mas será que, nessas negociações, os Alemães (em representacao da UE) pensam alguma vez em defender as industrias de outros paises?
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Claro que não. Só quando portugal recomeçar a negociar directamente com quem interessar negociar é que melhoraremos substancialmente o comercio externo. É que, quando as negociações são bilaterais, as partes comprometem-se com valores... e se eles exportam para portrugal um valor nós ficamos com credito para exportar a mesma quantidade para lá.
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Acontece que estas negociações permitem aos chineses exportar tecidos e sapatos e brinquedos e outras porras para a UE (e que nós fabricavamos para consumo interno e externo), e permite aos alemães exportarem para lá, em contrapartida, mercedes. Os alemães vendem um espaço de 350 milhoes de pessoas que nao é deles, porque eles são cerca de 80 milhoes.
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Rb

CCz disse...

Caro Rb,

A "culpa" não é dos alemães...
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Já agora conhece algum exemplo de uma mercadoria que empresas portuguesas não possam exportar para um mercado por estar protegido? O Brasil não conta.
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PS: Já agora compare a manufactura brasileira e a portuguesa. Por que é que a nível exportador o Brasil está a ter um desempenho tão mau nos últimos dois anos?

Anónimo disse...

Caro CCZ,
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Eis as exportações Brasileiars (em usd):

Anos:

1990 - 31.414
2000 - 55.086
2010 - 201.915
2011 - 256.040
2012 (Jan a Abr) - 74.646
Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior
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Como pode ver as exportações Brasileiras sobem ano após ano. As commodities representam, desde o periodo em análise, 40% do valor das exportações; o ouro, a soja, o cafe, o ferro e outros metais o petroleo etc.
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O saldo comercial é superavitário.
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Produzem carros, aviões, comboios etc internamente. Não abrem o mercado ao desbarato. Era o pior que podiam fazer numa economia que está ainda com necessidades em crescer para, finalmente, empregar pessoas que é o objectivo ultimo de qualquer politica duradoura.
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Mesmo nos petroleos, não desbaratarm a Petrobrás aos interesses Gringos. E bem. Se o tivessem feito há muito que não ganhavam com essa industria.
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Portanto, abrir o mercado? SIM, quando e só quando e depois de ter cimentado o mercado interno. SIM, mas primeiro os interessados têm de investir no país.
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Olhe veja o caso da UNICER. Quer vender cerveja para o Brasil, vai ter que montar lá uma fábrica. É mau para as exportações Portuguesas? É, sim. Mas é bom para os Brasileiros.
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O caro CCZ deve tirar a ideia de que o mundo é um local fantastico aonde os interesses são bondosos. Não é assim. Se não formos nós a cuidar dos nossos interesses ninguem o faz por nós.
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Rb

Anónimo disse...

Mais a mais, CCZ, Privatizar empresas não pode significar AUSENCIA de estratégia. Quer dizer, num mundo aonde a proliferação de navios está em crescendo acelerado, o governo tem uma estratégia brilhante. Vender os estaleiros. Pronto, está feito. Não se fala mais disso. Os Brasileiros estão interessadissimos. Os alemães tambem. Pudera. Por meia duzia de patacos obtem uma empresa com um potencial fantástico.
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Acha que os novos donos querem saber se em Portugal fica um centro de inovação e desenvolvimento. Acha que os novos donos não vão transferir todo o potencial para outros paises? Claro que vão.
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Ao governo não cabe gerir empresas, mas já que, por cousas relacionadas com a nossa história, ficou dono de muitas empresas que actuam em sectores importantes, seria util fazer, neste momento, exactamente o contrario, isto é, promover o crescimento da empresa fora de portas. Se o Brasil e Angola e a China precisam de muitos navios, seria de todo do interesse de Portugal investir naqueles paises com unidades de produção com a base tecnologica, de know how, de desenho, de engenharia em Portugal.
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Os brasileiros querem comprar aquilo que não têm. O conhecimento de saber fazer navios. Nós não temos interesse em vender esse conhecimento. Temos, isso sim, interesse em proporcionar esses bens, mesmo que isso signifique investir nos paises de destino.
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Enquanto o pessoal de lá não é formado, os estaleiros ainda vão dar qualquer coisita. Mas é apenas uma questão de tempo, como é bom de ver.
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Quando a estupidez se alia à ideologia importada resulta, necessáriamente, na perda de tudo e de todo o potencial que ainda iamos mantendo nas áreas de tradição e savoir fair portugues.
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O governo demite-se de pensar. De estudar formas de crescimento organico em parceria com os privados.
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Vender é mais fácil. A curto prazo.
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Rb

zazie disse...

Grande lição de pragmatismo.