No seu artigo de ontem, no Público, VPV fala do fim do Estado-Providência e vaticina que este fim de uma época vai ser especialmente doloroso para os portugueses, que tentarão resistir “contra a lógica e a realidade”.Concordo inteiramente com esta avaliação de VPV, embora só recentemente a tenha compreendido. Se analisarmos todas as prestações do Estado-Providência, logo verificamos que todas, sem excepção, são consideradas indispensáveis pela maioria dos portugueses. Até porque todas se enquadram em áreas sensíveis, como a educação, a saúde e a assistência social.
Quando Maria de Belém foi Ministra da Saúde, ficou célebre a sua resposta à pergunta de um jornalista que inquiria sobre o aumento do défice: Querem que eu não trate os doentes? Ora, pela mesma lógica, poderíamos perguntar se não queremos educar as criancinhas, tratar dos deficientes ou manter o rendimento social de inserção. Ou quaisquer outras benesses do Estado.
Contudo, não podemos gastar mais do que produzimos e se não soubermos definir as nossas prioridades iremos progressivamente empobrecer, como acontece a todos os que gastam mais do que ganham.
A economia submergente define-se precisamente por um empobrecimento continuado, sustentado e possivelmente irreversível. Só conseguimos perceber esta última característica quando tomamos consciência que não podemos mudar porque teríamos que abandonar muito do que consideramos prioritário e indispensável. É por isso que o empobrecimento se torna irreversível.
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