25 dezembro 2007

não sabem


Utilizando dados de 2005, a revista britânica The Economist calculou um índice de qualidade de vida para os diferentes países do mundo. Em seguida, estabeleceu o ranking dos países segundo este índice, comparando-o com o ranking baseado somente no PIB per capita (cf. pág. 4). O índice de qualidade de vida inclui, para além do indicador da riqueza material (PIB per capita), outros indicadores como a cultura familiar e comunitária, o clima e a geografia, a liberdade política, a segurança de emprego, etc. (cf. pág. 2).

Algumas conclusões importantes emergem do estudo. Primeira, o ranking da qualidade de vida no mundo é liderado pela Irlanda, talvez o país mais ortodoxamente católico do mundo.

Segunda, praticamente todos os países de tradição vincadamente católica - a única excepção é a Áustria - sobem no ranking da qualidade de vida, face ao ranking baseado no PIB per capita. Portugal sobe 12 lugares, a Espanha 14 e a Itália 15. Os países católicos da América Latina sobem sem excepção. O Brasil, por exemplo, sobe 19 lugares.

Terceira, no que respeita aos países protestantes, a performance é mista quando se compara o ranking da qualidade de vida com o ranking do PIB per capita. Entre os países nórdicos, a tendência é para subir; já entre os países anglo-saxónicos da Europa e da América (Reino Unido, EUA, Canadá), a tendência é para caír.
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No balanço, a conclusão é a de que, do ponto de vista da riqueza material, os países protestantes tendem a levar a melhor sobre os países católicos, mas quando outras dimensões da vida são incluídas, não existe diferença apreciável entre eles. O primeiro lugar pertence mesmo a um país católico. Portugal é o 19º melhor país entre os cerca de 200 que existem no mundo - um facto notável quando os seus intelectuais possuem uma longa e irreprimível tradição de dizerem mal do seu país, significando que, geralmente, eles não sabem do que é que estão a falar. Finalmente, o ranking foi elaborado por técnicos ingleses, sugerindo que se existem enviesamentos culturais nas apreciações, eles não são certamente em favor da cultura católica.

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