10 abril 2026

O cartoonista (1)

 



1. O cartoonista Fernando Arroja

O cartoonista Fernando Arroja foi uma fonte de humor e de inspiração. Assistiu a todas as sessões do julgamento no Tribunal de Matosinhos, vindo do Montijo onde vive.

Quando se apercebeu que aquilo não era propriamente um julgamento mas uma palhaçada judicial, começou a desenhar as principais figuras da farsa naquele seu estilo naif quando, ainda criança, retratava os membros da família, em especial um dos seus irmãos mais velhos. 

Um cartoon do princípio dos anos 60 ficou célebre com o título "Excesso de Personalidade". O irmão, então com 13 ou 14 anos, tinha-se metido em trabalhos alegadamente por ter "excesso de personalidade", o mesmo defeito que, segundo ele, 50 anos mais tarde o levaria ao banco dos réus.

O irmão acabaria condenado no Tribunal de Matosinhos e a sentença seria agravada no Tribunal da Relação do Porto por aquele especimen de juiz retratado em baixo - um juiz do de um tribunal superior que também é dirigente da Igreja Católica, chefe de redacção de uma revista religiosa,  colunista de jornal, presidente da AG de uma IPSS, membro de tribunais eclesiásticos e de comissões que investigam crimes de pedofilia na Igreja, e só não é astronauta porque não lhe sobra tempo.

É claro que, depois, os acórdãos que escreve têm de ser uma merda (shit em inglês), e  o juiz passa a ser um juiz-de-merda.

(Continua acolá)

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