Um dos principais mistérios da civilização cristã é a longevidade da Igreja Católica. Atravessou todos os males da humanidade - guerras, revoluções, epidemias, catástrofes - e continua aí dois mil anos depois.
A que se deve este milagre?
Ao seu sistema de governação, que está preparado para lidar com todo o tipo de crises, incluindo a crise permanente. No topo, um homem de elite com poderes supremos e absolutos. Abaixo dele uma força de homens que lhe prometeram submissão (voto de obediência), que não têm outras lealdades, por exemplo, a mulheres e filhos (voto de castidade) e que estão prontos a viver sob condições as mais difíceis (voto de pobreza).
Uma força assim organizada consegue milagres.
Acontece o mesmo na aviação. Em condições normais de voo, o comandante pode dar liberdade aos passageiros para passearem na cabine, às hospedeiras para dormitarem nos seus postos e ao co-piloto para ir aos lavabos. Mas numa situação de emergência, não há liberdade para ninguém e todos fazem o que ele manda. Ninguém imagina o comandante a decidir democraticamente as manobras a efectuar numa emergência.
A instituição militar tem muitas semelhanças com a Igreja Católica.
Com o Almirante Gouveia e Melo a presidente da República e a comandante supremo das Forças Armadas, os diques já estariam reconstruídos, as estradas reparadas, os caminhos desobstruídos, a electricidade já tinha chegado onde faltou e as populações teriam sido prontamente evacuadas. Pelo contrário, com o presidente Marcelo temos abraços e beijinhos, e discursos para a televisão que só atrapalham os operacionais. O mesmo se diga do primeiro-ministro Montenegro.
Uma conclusão a tirar da longevidade da Igreja Católica é a de que o seu sistema de governação está preparado para enfrentar crises permanentes. A outra é que o sistema de governação democrático não é eficaz em situações de crise. É por isso que, até na muito democrática América, emergiu recentemente um homem com poderes quase absolutos (e que já declarou que gostaria de ser Papa).

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