A eleição de Mamdani em Nova Iorque é mais do que um episódio eleitoral: é um sintoma. Um sintoma de revolta contra o status quo, contra a oligarquia dourada que transformou o “sonho americano” num condomínio fechado, onde só entra quem tem convite e capital de risco. Quando até o coração financeiro do mundo decide escolher um “bolchevique muçulmano”, algo de muito profundo está a mudar — e não necessariamente para melhor.
Durante décadas, os americanos foram educados na crença libertadora do Be all you can be. Trabalha, esforça-te, e conquistarás o teu lugar ao sol. Mas hoje, a classe média está exausta, endividada, esmagada entre impostos, crédito estudantil e inflação urbana. A promessa de mobilidade social foi substituída por uma escada rolante que desce — e a cada degrau, o desespero cresce.
O resultado? A revolta veste-se de ideologia. Quando o centro não aguenta, os extremos florescem. E eis que surge o “candidato comunista” a prometer justiça, redistribuição e dignidade. O eleitor vota menos por convicção do que por vingança — uma bofetada simbólica nos oligarcas de Wall Street, nos magnatas do Vale do Silício, nos políticos profissionais que há décadas fingem não ver o sofrimento de quem trabalha e já não chega ao fim do mês.
Mas esta rebelião tem um preço. O povo, em nome da justiça, arrisca-se a entregar o poder aos mesmos fantasmas que destruíram metade do mundo no século XX. É a bandeira vermelha a tremular sobre a experiência americana.
Benjamin Franklin avisou: “A Republic, if you can keep it.” Pois bem — está a escapar-se entre os dedos. A liberdade individual e o respeito pela propriedade privada, pilares da república, estão a ser corroídos pela demagogia igualitarista e pela inveja institucionalizada. Curiosamente, nos países que mais sofreram com o comunismo — Rússia e China —, a propriedade privada voltou a ser tratada com uma reverência quase sagrada. Ironias da História: o capitalismo sobrevive melhor entre ex-comunistas do que entre liberais envergonhados.
Em última análise, a eleição de Mamdani é um aviso. Um grito. Um espelho.
Ou o sonho americano renasce, ou o pesadelo comunista reaparece — desta vez, com sotaque nova-iorquino e uma aplicação no telemóvel.
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