29 novembro 2023

PANTEÃO

O Panteão de Roma é um dos raros edifícios que sobreviveu dois milénios e que, apesar de algumas renovações, mantém o espírito do projeto inicial.

 

É constituído por um pórtico de entrada e por uma rotunda, colmatada por uma abóboda, que delimita um óculo no topo, uma abertura para o céu que deixa entrar a luz e facilita a ventilação do espaço.



O minimalismo da conceção arquitetónica e a relação perfeita das suas dimensões levou Michelangelo a dizer que o Panteão era ‹‹obra de anjos e não humana››.



Ao longo dos séculos, o Panteão inspirou milhares de obras de criadores que procuravam a essência do sublime. A Rotunda Thomas Jefferson, na Universidade da Pensilvânia (1828) é um excelente exemplo. A Biblioteca do British Museum é outro.



Nestes espaços o espírito humano adquire asas e voa mais alto, procura alcançar perspectivas diferentes e dar contributos inovadores para a matriz cultural. A lista de leitores da Biblioteca do British Museum parece indicar isso mesmo: Oscar Wilde e George Orwell, por exemplo. Mas também Karl Marx e Vladimir Ilyich Lenin (por vezes voa-se tão alto que se perde a noção).

 

A renovação do British Museum e a forma como a Rotunda foi integrada no conjunto — do arquitecto Norman Foster — é outra obra deslumbrante.



O feixe de luz que atravessa o óculo projeta-se nos diferentes quadrantes da Rotunda como um relógio de Sol e no Equinócio de Março foca-se na entrada do Panteão. O Imperador Hadriano visitava o Panteão por essa altura para demonstrar aos presentes, à sua chegada, como era abençoado pelo Sol.

 

O pintor Rafael, que faleceu aos 37 anos (1520), solicitou que o seu lugar de eterno descanso fosse o Panteão; no túmulo podemos ler: "Ille hic est Raphael, timuit quo sospite vinci Rerum magna parens, et moriente mori" — "Aqui jaz Rafael, que fez temer à Natureza por si fosse derrotada, em sua vida, e, uma vez morto, que morresse consigo".

 

Raphael, como Michelangelo, via a mão de Deus no Panteão e desejaria ficar mais próximo do céu.

 

‹‹Ars Suscitat›› — a arte acorda e eleva o espírito. 

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