16 abril 2014

o libertarianismo é mais de esquerda do que de direita


Frédéric Bastiat foi um pensador libertário que serviu como deputado à Assembleia Constituinte de 1848 (França). O seu lugar no parlamento era na extrema-esquerda do hemiciclo, curiosamente ao lado de Proudhon.
Vem esta reflexão a propósito de inquirir se o pensamento libertário é de esquerda ou de direita. Eu penso que nem uma coisa nem outra porque tanto a esquerda como a direita pretendem colocar o Estado ao serviço de ideologias e de interesses particulares enquanto o libertarianismo pretende libertar os cidadãos do Estado.
Para os que consideram o Estado um Bem supremo – esquerda e direita – os libertários são o demónio. Para os que consideram que o Estado é um Mal, embora necessário, os libertários são os filósofos da soberania popular e dos direitos cívicos. Eu enquadro-me neste último grupo.
Tomemos um assunto concreto, da agenda política actual, para analisarmos as diferentes perspectivas: o salário mínimo nacional – SMN. A esquerda é a favor, a direita mais ou menos e os libertários são claramente contra.
Para a esquerda o aumento administrativo do SMN é um  meio de redistribuir a riqueza e de aumentar a “justiça social”; não se importam que aumente o desemprego. Para a direita (representada por António Saraiva da CIP, por exemplo) é uma medida que até não é má; obviamente aumenta a procura agregada e favorece o comércio e alguma indústria.
Para os libertários o SMN não devia sequer existir porque é uma interferência do Estado na liberdade individual e em contratos do foro privado. Os libertários não andam a fazer fretes aos sindicatos, não andam a comprar votos, nem promovem pacotes de Twinkies e garrafas de Super-Bock.
Contudo, bem vistas as coisas, o libertarianismo é o que defende os mais desfavorecidos. Combate o desemprego, facilita os empregos temporários e os part-times e, de um modo geral, diminui a dependência do Estado Social, que o libertarianismo também rejeita.
Tudo somado, se tivesse portanto de qualificar o libertarianismo, entre esquerda e direita, diria que é mais de esquerda porque se preocupa com todos por igual e por essa razão nunca esquece os mais desfavorecidos. De direita é que não é, porque a direita é conservadora e os libertários não querem conservar nada.

10 comentários:

Ricciardi disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ricciardi disse...

« e os libertários não querem conservar nada.» Joachim
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Exacto. Os libertários acham que uma nação, que é constituida por pessoas com uma historia comum e tradições, pode perfeitamente funcionar sem uma autoridade.
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A ser assim nenhuma nação teria sido constituída. Cada cabeça sua sentença. O mesmo é dizer que sem mecanismos que interliguem as pessoas (na saúde, na educação, na segurança juridica e defesa) a nação cai.
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Ser libertário (para serem coerentes com a lógica tem que ser ancaps) é sinonimo prático de inexistencia de Bem Comum.
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Nenhum libertário pode achar existir um Bem Comum. O Bem Comum não existe na suas cabecitas. Se não há Bem Comum não existem interdependencias entre as pessoas. Se não existem interdependencias não existe nação.
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A existência de um SMn é caso paradigmatico. Como é que um liberal prova que a simples existencia de SMn causa desemprego?
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Não prova. Acham que a actividade humana é lógica cartesiana. Mas eu posso provar que um SMn até determinado nível não causa desemprego algum e sendo adequadamente calibrado com o Salário Médio pode ser indutor de coisas boas.
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Rb

Anónimo disse...

Caro Rb,

Das poucas certezas que há em economia é que os SMN's provocam desemprego.

Joaquim

Ricciardi disse...

Vc não é economista.
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A certeza que eu tenho é que um SMN até determinado nivel não afecta o desemprego.
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É como tudo na vida.
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Se vc colocar um SMn de 1 euro por mês afecta do desemprego?
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Não.
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E se for de 2 euros por mês, afecta o desemprego?
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Não.
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Se for um SMn superior a 500 euros afecta do desemprego?
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Começa a afectar progressivamente.
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Em suma, o SMn não causa desemprego. O nível do mesmo é que pode causar.
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A ciencia economica, atraves de estudos estatisticos da OCDE, prova que um SMn fixado inferior a 60% do Salário Médio NÃO afecta o desemprego.
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Rb

Ricciardi disse...

A existencia de um SMn economicamente adequado incita os empresário a ganharem maior produtividade pelas vias correctas; acrescentando mais Valor aos seus produtos. Inovando.
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A inexistência de um SMn propicia a importação de mao de obra barata que substitui a nacional, causando mais desemprego.
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Rb

mujahedin مجاهدين disse...

Então e se em vez de "um" salário mínimo, existissem "vários"?

Anónimo disse...

No fundo são todos uma cáfila de anarcas!… em termos de ideias também já reparei que o Joaquim é socialista… está tudo entregue à esquerda… não posso ganhar. -- JRF

Ricciardi disse...

´Vários' Muja parece-me bem. O nível de SMn adequado à região e ao sector de negócio. É, aliás, assim, em boa parte dos países da europa.
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Precisamente para não liquidar sectores de mao de obra intensiva que ainda não conseguir dar o salto, permitindo praticar salários abaixo da do SMn, e por outro lado, em concordancia com a realidade local ou regional.
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Em Portugal a única variação que existe ao valor de SMn é em contratação de jovens. Os jovens podem ser contratados, salvo erro, por 80% do valor do SMn ou seja, por 388 euros por mês.
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Rb

Ricciardi disse...

Os liberais, na sua cartilha cartesiana, acham que um jovem portugues vai aceitar trabalhos abaixo de 388 euros porque querem sobreviver.
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É falso. Não aceitam esse valor, senão numa pequnissima percentagem. Emigram em massa à procura de alternativas porque ganhar menos de 388 euros não dá sequer para comer.
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E é isto que não percebem. A lógica apontava para que aceitassem qualquer coisa desde que lhes desse algum dinheiro para uns copos. Mas eles não fazem essa vontade aos liberais. E bem. Eu tambem nao fazia. Então se podem bazar e ganhar 5 vezes mais por que carga de agua haveriam de se sujeitar a ganhar umas codeas?
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Resta aos liberais lutar pela abolição do SMn para, à falta de jovens nacionais interessados em salários baixos, conseguirem importar jovens de outros paises subdesenvolvidos.
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Afiançarão ainda os liberais que os imigrantes tambem são pessoas e que, afinal, o emprego gera-se com salarios mais baixos. E eu concordo. Eu tambem sou emigrante. Mas as minhas preocupações não vão para o emprego de estrangeiros...
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Por isso é que as ideologias internacionalistas, como é o librealismo e socialismo, são perniciosas a cada país especifico, numa lógica que destitui nações do seu sentido real metendo tudo no mesmo saco. A globalização.
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Rb

zazie disse...

Muito acertado tudo o que o morgadinho disse.