03 janeiro 2014

enganados

Eu tenho andado às voltas com a figura da Virgem Maria.

A minha questão é a seguinte. Como é que na tradição católica portuguesa, a Virgem Maria aparece como a figura central - ao ponto de o país lhe ter sido dedicado aquando da sua independência -, enquanto que que na teologia católica moderna, saída do Concílio Vaticano II, Maria possui uma importância secundária, subordinada (a Cristo), é apenas uma fiel de Cristo - a primeira entre os seus pares, é certo -, mas, não obstante, apenas mais uma fiel de Cristo?

A resposta está mesmo no Concílio Vaticano II. O Concílio desvalorizou a importância de Maria.

A questão não foi pacífica. Um facção, liderada por teólogos mediterrânicos, queria que o Concílio redigisse um documento autónomo sobre Maria. A outra facção, liderada por teólogos do centro da Europa (tocados pela influência protestante), pretendia que o texto sobre Maria fosse incluído no documento sobre a Constituição da Igreja.

A primeira facção ficou conhecida por maximalista ou cristológica porque maximizava a importância de Maria e enfatizava a sua íntima relação com Cristo. A segunda facção ficou conhecida como minimalista ou eclesiológica porque minimizava a importância de Maria enfatizando a sua relação com a Igreja ou a comunidade dos fieis.

A primeira facção tinha mesmo a esperança de que o Concílio viesse a declarar Maria Mediatrix, ou Co-redentora, colocando-a no mesmo plano de Cristo. A segunda facção entendia que só existe um e um único Mediador entre o homem e Deus - Cristo.

A votação foi cerrada, a mais cerrada de todas as votações do Concílio Vaticano II. Ganhou a segunda facção por uma pequena margem - a facção minimalista ou, digamos assim, a facção "protestante". (O Papa Emérito Bento XVI, que participou no Concílio como assistente do Cardeal Frings, arcebispo de Colónia,  pertencia a esta facção).

Para o catolicismo português, e para o catolicismo tradicional (mediterrânico), mais a sua descendência na América Latina e em outras partes do mundo, isto foi uma derrota. É como se o Concílio tivesse dito a gerações e gerações de portugueses: "Vocês têm andado enganados ao longo dos séculos: para chegarem a Deus, vocês, e todos os vossos antepassados, deviam ter-se dirigido, em primeiro lugar, a Cristo e não, como sempre fizeram,  à Virgem Maria".

Para quem, como eu, anda à procura de conhecer as tradições portuguesas e acredita que Deus se manifesta através da tradição, esta conclusão de Ano-Novo foi como receber um grande soco no estômago.

Será que me vou ficar com ele?

2 comentários:

Anónimo disse...

Não há nada como uns bons Fariseus para lixar tudo.
eao

josé luis oliveira gonçalves disse...

voce esta completamente enganado a nao a teologia portuguesa ou estranjeira a doutrina catolica e igual em todo o mundo e mais o concilio vaticano 11 proclamou a virgem maria como mae da igreja leia o catecismo da igreja catolica bom ano