01 março 2013

leis universais: os inimigos

"O empirismo

O empirismo considera a natureza e as ciências naturais seus modelos. De acordo com o empirismo, os exemplos de proposições econômicas mencionados acima possuem a mesma condição lógica das leis da natureza: Assim como as leis da natureza elas expressam relações hipotéticas entre dois ou mais eventos, basicamente na forma de declarações do tipo se/então. E assim como as hipóteses das ciências naturais, as proposições da ciência econômica requerem contínuos testes vis-à-vis experiência. Uma proposição referente a relação entre eventos econômicos jamais pode ser absolutamente validada de uma vez por todas.
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Tudo que uma confirmação provaria é que ainda não foi revelado que a hipótese é falsa. Por outro lado, a experiência pode refutar a hipótese. Isto certamente provaria que alguma coisa estava errada com a hipótese da maneira que ela foi elaborada. Mas isto não provaria que as relações hipotetizadas entre os eventos descritos jamais poderiam ser encontradas.  Isto apenas mostraria que levando em conta e controlando durante as observações apenas o que até então tenha sido realmente levado em conta e controlado, a relação ainda não foi revelada. No entanto, não pode ser descartado que ela poderia ser revelada tão logo alguma outra circunstância venha a ser controlada.  
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A postura que esta filosofia incentiva, e que de fato se tornou característica da maioria dos economistas contemporâneos e de seus modos de conduzir suas tarefas, é uma de ceticismo: o lema é "não se pode ter certeza de que nada seja impossível no campo dos fenômenos econômicos".

O historicismo

O outro desafio veio por parte da escola historicista. Na verdade, durante o período que Mises morou na Áustria e na Suíça, a filosofia historicista era a ideologia dominante das universidades de língua alemã e de suas elites acadêmicas (...) Hoje ele nos acompanha em toda parte sob nomes como hermenêutica, retórica, desconstrucionismo e anarquismo epistemológico.
...
Os fenômenos econômicos, segundo a doutrina historicista, não são magnitudes objetivas que possam ser medidas. Ao invés disso, elas são expressões e interpretações subjetivas desenrolando-se na história para serem compreendidas e interpretadas pelo economista do mesmo modo que um texto literário desenrola-se diante de seus leitores e é interpretado por eles. Sendo criações subjetivas, a sequência de seus eventos não segue nenhuma lei objetiva. "

A praxeologia e os fundamentos praxeológicos da epistemologia - A Ciência Econômica e o Método Austríaco" Hans Hermann Hoppe

20 comentários:

zazie disse...

Ontem ainda vi o que era isso da praxeologia.

Uma anormalidade pegada a imitar o Marx, juntando economia, ética e política, como se pudessem ser uma única ciência.

Com imbecilidades destas depois admirem-se que a escardalhada passe a perna.

zazie disse...

Ah, e confirmei o texto do outro brasieleiro que explicava que esta Lei Natural era um desvio da clássica e da Medieval.

Pelo mesmo motivo que ele indica no texto. Porque voltam ao primeiro que deturpou o sentido e o racionalizou, ao ponto de dizer que mesmo sem Deus era Verdade e que Deus até teria de concordar com isso-

Ao Grocius.

CN disse...

Zazie

Já lá vou a esse texto.

Quanto a praxeologia, também já la vou.

zazie disse...

Obrigada CN, por responder.

Eu não quero ser incómoda e v. seria das últimas pessoas a quem eu quereria incomodar.

Porque é muito simpático e porque sempre escreveu coisas bem pertinentes acerca das relações internacionais e das guerras de "exportação da democracia".

Mas, neste caso, há um problema e não é consigo, é com uma coisa que não é nada-

A coisa chama-se "Filosofia Económica".

Eu tenho formação em Filosofia- a única que existe- a Filosofia a sério, feita por Filósofos.

E, para quem a tem, é impossível, de todo, pegar em tretas destas que não são nada.

Mas, para quem nunca na vida teve a menor iniciação filosófica, não entende e isto torna-se uma conversa de surdos.

Se v. pegasse no Hobbes, por exemplo, ainda podíamos conversar, porque aquilo, por muito erro que tenha, tem pensamento.

Agora isto não é nada. Nada de nada.

Eu podia apenas limitar-me a dar-lhe um exemplo em como isto não é nada de nada, e nenhum prova nada, nem descobre nada.

Ontem tentei fazê-lo mas ninguém mais acompanhou.

Se aparecer alguém que queira acompanhar, tudo bem.

Por exemplo- v. precisava apenas de contar como é que aquele Rothbard explicou as leis da Natureza Humana.

Porque eu ainda andei aqui a ser ingénua, pensando que o problema era seu, por não conseguir explicar um tipo teórico que não tinha entendido.

Mas não- o tipo é que não é teórico de nada e não explicou rigorosamente nada em meia dúzia de linhas que vendeu, como se fossem explicação ou fundamento de alguma coisa.

Bastava pegar no primeiro capítulo da Ética a Nicómaco, do Aristóteles e perceber como ele tem de desenvolver conceitos até atingir o de Bem e Felicidade.

E contrapor isso ao Bem e Felicidade que o pascácio do Hobbes, arruma, sem saber do que fala ou o que vende.

zazie disse...

Mas, no fundo, nem sei para que isto interessa e nem sei a que título isto aparece agora em Portugal, pelo menos aqui na net, como sendo o último hit.

Não sei. Não conheço sequer boas universidades onde se estude uma treta destas e nem sei o que fazem com tretas destas.

Se imaginam que com tretas destas ainda podem enfrentar o neo-marxismo, ponham-se a pau que levam tamanha banhada que nem se endireitam.

zazie disse...

Será que é com este marxismo às avessas que julgam que estão a encontrar teoria para vender ideologia libertária?

eehhehe

Se é isso, levam outra gigantesca banhada porque até o Bakunine metia estes pascácios num chinelo.

zazie disse...

É que aquele Rothbard até chega a ser intelectualmente desonesto.

tudo o que ele quer vender tem uma intenção escondida e explica a sua intenção pelo motivo mais estúpido que algum teórico poderia usar.

Diz que vai chegar a leis universais da praxis humana por uma via diferente da tradicional, porque a tradicional determinística andava mal vista por ser religiosa.

Isto é lixo. Um gajo teórico não tem de usar opinião pública para justificar nada e muito menos modas para agradar a grupos sociais contra outros.

Ora este idiota quer agradar e depois inventa para um público alvo previamente escolhido.

zazie disse...

Outra coisa que estranhei, e estranho, é que é isso de Instituto Mises onde se vende estas tretas em todas as línguas, como se fosse doutrina daqueles maluqinhos que andam de porta em porta.

zazie disse...

É que só encontro paralelo com essas anormalidades à amaricana, onde se doutrinavam uns ingénuos para depois venderem doutrina a donas-de-casa.

Isto parece mesmo uma seita muito chunga.

zazie disse...

Pascácio do Rothbard, claro, não do Hobbes.

Ele nem fala em Hobbes, tem de se agarrar ao toino do Locke porque foi esse que vendeu a propriedade privada à mistura com a Liberdade.

zazie disse...

Mas isso de uma Ciência Comum que junta Ética, Economia e Política é cá uma coisa.

O Marx deve dar pinotes na cova- vejam só no que havia de acabar o que eu andei a vender para ser usado pelos líderes do proletariado.

Uma Ciência revolucionária com Ética cientifica onde a Moral tem de ficar à porta


ahahahahahhaha

zazie disse...

Os fins justificam os meios.

Resta saber que fins são estes porque os do Marx todos sabemos e esse ainda teorizou e escreveu coisa que não é apenas doutrina para dona-de-casa.

muja disse...

Eu acompanharia com prazer, mas receio não ter a bagagem necessária, nem sequer o tempo para arranjar alguma que me permita contribuir com alguma coisa de jeito.

Em Filosofia, isto é. Mas posso tentar.

Mas o que a Zazie diz até dispensa ler os tipos para se concluir. É o prpblema das Leis Universais. O CN, como esse Rothbard pelos vistos, parece pensar que pode extrair Leis Universais da Natureza, sem as confirmar nela.

Como se fosse possível escapar ao empírico. Como diz o Rui Silva, nem as mais estabelecidas leis físicas estão dispensadas disso. Pela simples razão de que é impossível prever o futuro com absoluto grau de certeza, porque amanhã as leis podem mudar, sabe-se lá. Por isso, na dúvida, é preciso verificar outra vez.
Por motivos sobretudo prácticos e porque a Natureza parece (pelo que se viu até hoje, e apenas isso) que se mantém constante no essencial, ninguém anda a verificar todas as leis todos os dias, mas quase, se se pensar na forma distribuída como todos os cientistas se ocupam a tentar verificar se alguma lei ou leis se mantém válida e a ajustá-las melhor à experiência ou a criar novas que melhor se ajustem.

E o problema nem é só do domínio temporal. Também é espacial, porque não há forma de se ter a certeza que as leis se aplicam aos confins do Universo, sem as lá ir verificar.

Agora o CN diz é que através da ciência, do empiricismo, não é possível fazer melhor em economia fo que se fez. Eu discordo, porque acho é que os economistas são totós e querem fazer tudo dentro do modelo que criaram, apesar de básico e simplista. A economia precisa de abrir portas às contribuições de outros ramos da ciência, nomeadamente a física, que é onde há mais traquejo a lidar com fenómenos complexos, e à computação que começa a ser capaz de os simular, portanto verificar.

zazie disse...

Mujah:

Não existe "ciência do empiriscismo" contra "ciência do racionalismo".

O CN não percebe isto. Enquanto não se perceber que "empiricismo" e "racionalismo" nada têm a ver com o modo como se faz ou não faz ciência, nem merece a pena.

Existe, como v. diz, ciência que é verificada na prática ou ciência que é mera teoria por impossibilidade de verificação experimental.

Mas neste caso, de política e economia, nem poderia nunca, em parte alguma, em planeta algum- existir uma Ciência Humana com leis Verdadeiras. que até Deus, se existisse tinha de concordar com elas.

A imbecilidade de base é esta.

E o CN entra em contradição porque papagueia esta imbcilidade, julgando estar a dar consistência ao mesmo que os outros dizem como bases do mesmo que eles querem.

Mas, ao mesmo tempo o CN diz que nós é que somos palermas por acreditarmos que pode haver um humano sem falhas, um humano robot.


enjejeje


Eles querem Liberdade e Propriedade Privada e Direitos do Eu. como base de tudo, por serem liberais.

E querem leis da Economia, por serem cientoinos e virem das luzes, tal como o marxismo.

Mais nada.

zazie disse...

E eu tenho é mais que ler e fazer do que perder tempo com estas coisas.

Porque, se há mal que nunca devemos seguir é a facilidade.

Isto é demasiado fácil e até eu posso julgar que estou a ser esperta apenas por isto ser estúpido.

":O))))))

Harry Lime disse...

Há um aspecto em que até concordo com o CN:as, ciências humanas com a economia à cabeça querem imitar as ciencias exactas.

Mas fazem-no no que não devem: numa certa rigidez alegadamente matematica na procura de leis alegadamente universais (que por falar nisso bem sequer é actual... é mais caracteristica da ciência do sec. XIX). Altas a, linguagem hieratica usada pelos economistas diz tudo.acerca das suas ambições...

A parte boa das ciências exactas não é usar matemática (a biologia por exemplo usa pouca) nem sujeitar todos os factos a uma rigorosa análise quantitativa. O processo científico (muito bem descrito por Karl Popper) é que é o ponto a imitar.

Rui Silva

Harry Lime disse...

Ora o que observamos nos economistas é apesar de usarem os rituais e a linguagem das "ciências naturais", recusam-se a usar o processo, especialmente a exigência rigorosa de qualquer teoria ser confirmada por factos.

Isto não me afligiria se estivessemos a tratar de lunaticos com pouca ou nenhuma influência. Mas quando esta miopia em relação à experiencia se traduz em políticas que afectam a vida de milhoes de pessoas já começamos a ter muiyos,problemas.

Rui Silva

Harry Lime disse...

Há um aspecto em que até concordo com o CN:as, ciências humanas com a economia à cabeça querem imitar as ciencias exactas.

Mas fazem-no no que não devem: numa certa rigidez alegadamente matematica na procura de leis alegadamente universais (que por falar nisso bem sequer é actual... é mais caracteristica da ciência do sec. XIX). Altas a, linguagem hieratica usada pelos economistas diz tudo.acerca das suas ambições...

A parte boa das ciências exactas não é usar matemática (a biologia por exemplo usa pouca) nem sujeitar todos os factos a uma rigorosa análise quantitativa. O processo científico (muito bem descrito por Karl Popper) é que é o ponto a imitar.

Rui Silva

Harry Lime disse...

Há um aspecto em que até concordo com o CN:as, ciências humanas com a economia à cabeça querem imitar as ciencias exactas.

Mas fazem-no no que não devem: numa certa rigidez alegadamente matematica na procura de leis alegadamente universais (que por falar nisso bem sequer é actual... é mais caracteristica da ciência do sec. XIX). Altas a, linguagem hieratica usada pelos economistas diz tudo.acerca das suas ambições...

A parte boa das ciências exactas não é usar matemática (a biologia por exemplo usa pouca) nem sujeitar todos os factos a uma rigorosa análise quantitativa. O processo científico (muito bem descrito por Karl Popper) é que é o ponto a imitar.

Rui Silva

zazie disse...

Mas, acvaso eles propõe algo diferente ao dizerem que chegam a leis universais acerca da Natureza Humana?

Eu nem sei o que é isso. E, se é como o CN diz, que não servem para mais nada, a não ser reflectir, não são leis nenhumas.

Quanto ao Popper a coisa é diferente.

O que ele diz pode fazer algum sentido na prática da ciência contemporânea mas é um afcto que, a ser aplicado a tudo, então não havia base para o mínimo caminho e compreensão do que quer que fosse.

Porque o cepticismo dele é exagerado e, mesmo em Física- que é no que ele deve estar a pensar- um suposto modelo não se substituiu por se encontrar um detalhe que invalida outro detalhe das suas consequências.

Acho bem mais interessante a posição do Kuhn que se apercebe do factor social em tudo, incluindo na Ciência.