"Durante a Idade média, era comum se depositar ouro nas oficinas dos ourives visando à segurança do ouro contra eventuais ladrões. Em troca, os ourives emitiam títulos onde se obrigavam à devolução do ouro depositado. Para efetuar transações envolvendo o ouro depositado, as pessoas começaram a utilizar esses títulos como moeda, em vez de resgatar o ouro e efetuar as transações com o próprio metal, por uma questão de praticidade e segurança. Era o início das cédulas monetárias e dos bancos."Ora bem, a partir de que momento é que estes títulos e contas correntes deixaram de representar prata/ouro depositado na sua totalidade mas sim uma "promessa de entrega" sem constituir umta obrigação de manter valores à guarda/custódia? Quando perceberam que a fraude era fácil de realizar. O status continuou a ser de valores à guarda mas começaram a emitir títulos e contas correntes que não existiam para conceder crédito ou mesmo adquirir património.
De resto, com o tempo que estou a demorar a convencer alguns comentadores de que existe uma raiz histórica fraudulenta, trata-se na verdade da fraude perfeita.
8 comentários:
heheeh
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Foi como se fizesse luz sobre o ourive.
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Quando os gajos perceberam que o pessoal não levantavam os seus bens à guarda, senão numa pequena medida, o ourives, numa espécie de Iluminação transcendental, pensou:
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- epá estes malotas não usam a massa toda, xacaber, se emprestar uma parte dessa massa a outro malota de confiança a um juro porreiro, vou ganhar dinheiro com a massa dos primeiros malotas. Assim como assim, ouro é ouro, dinheiro é dinheiro, a coisa é fungivel.
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Pronto, foi isso mesmo. Ainda hoje o fazem. Não faltam por aí tipos a fazer isso, à socapa das leis. Eu quando desempenhava funções na banca, há muitos anos, tinha um cliente riquissimo cuja actividade era emprestar massa naqueles moldes.
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No entanto, nos dias de hoje, os bancos PAGAM para poder emprestar.
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É verdade. E é essa a maravilha do sistema. Remuneram-me o dinheiro que eu deposito com uma taxinha de juro, e depois emprestam o mesmo a uma taxona maior.
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Quando sentem falta de liquidez, se por qualquer motivo os levantamentos forem maiores do que o previsto, garantida que está a solvabilidade, os bancos recorrem ao mercado interbancário ou, em ultima instancia, aos bancos centrais, para fazer face à regra de ouro do sistema bancário: DISPONIBILIDADE garantida.
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Não é, pois, verdade, que a disponibilidade (bem como a solvencia), não estejam acauteladas.
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Refiro-me, evidentemente a situações normais, fora do ambito criminal.
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Rb
Não quero dizer com isto que um banco não possa falir, mesmo não tendo conduta criminosa ou apropriação indevida.
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Pode, pois. Pode falir. Se o pessoal a quem emprestou a massa desatar a não cumprir, numa percentagem anormal, o banco corre o risco de falir. Ainda assim, os depositantes são credores PRiVILIGIADOS, em termos legais.
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Eis o motivo acessorio, embora importante, pelo qual eu estou perfeitamente em desacordo com a deflação que os austriacos defendem e que estão a provocar infiltrados que estão nas diversas organizações mundias. As troikas, enfim. É que se desatam a deflacionar a torto e a direito não vai haver cliente com emprestimos que sobreviva.
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Assim, se viermos a assistir à falência dos bancos comerciais, é preciso que se saiba que os culpados são os austriacos da modernidade. A taxa de incumprimento à banca está sempre a aumentar.
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Se esta gente não for posta na rua, o melhor é mesmo retirar a massa dos bancos e coloca-la num cofre.
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Eu até já tenho alguma, no cofre, mas é porque penso que o EURO pode acabar a qualquer altura, pois depende dos humores dos parlamentares alemães.
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Rb
Mas, meu caro CN, este seu post deve ser levado em boa conta.
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A sério. O meu caro veja bem como são as coisas, não é que haviam casas, naquela altura, os tais ourives, nos moldes que v.exa. defende.
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E o que é que aconteceu???
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Como o ser humano tem muitos defeitos, a gula, a avareza etc, aos quais os ourives não escapam, o SISTEMA que o CN defende descambou logo.
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Afinal, os depositos num sistema como aquele que apregoa podem estar em muito maior risco. Porque mesmo que a lei tivesse proibido os ourives de emprestar, a REALIDADE demonstrou que eles de FACTO emprestavam.
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Fica assim demonstrado, quão virtuoso é o sistema fraccionario actual, que é aberto e claro e regulado, em comparação com o sistema que coloque as minhas poupanças nas mãos das tentações humanas individuais.
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Rb
Se não emprestassem havia de ser lindo com os assaltos.
Voltávamos ao he Curse of the Jade Scorpion
Constantinople!
Madagascar!
":OP
Caros
Conseguem focar-se na quesrão "fraude".
Há duas fraudes: emprestam aquilo que está à guarda, emitem recibos de depósito falso.
E faziam-no não só para crédito mas para benefício do banco comprr simplesmente activis.
Ora se uns beneficiam outros perdem, neste caso.
Eu acho que fraude é o caro CN dizer que é fraude.
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Como é que pode ser fraude? vc não sabe que os bancos usam o dinheiro que vc lá deposita para emprestar a terceiros? Sabe, pois. Toda a gente sabe. Não o fazem à sucapa.
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Fraude seria se eles utilizassem a massa para fins contrarios à lei que regula o sistema bancário. Como no caso BPN. Isso sim, é fraude.
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Rb
Rb
A legislação moderna acabou a estabelecer como legal aquilo que antes era uma fraude.
Tem que ter em conta que não é só emprestar os valores à guarda.
É criar recibos de coisas que não existem.
Este exemplo dos ourives parece claro.
O negoócio de depósito tornou-se frequentemente fraudelento e isso sempre provocou as bolhas seguidas de crises bancárias.
Ainda hoje se fazem inquéritos e há uma percentagens de 1/3 de pessoas que julgam ter os depósitos seguros sem que os bancos os utilizem para outros fins com risco.
Se é assim ainda hoje, imaginemos há 100 anos e mais.
É claron que é fraude e que tem tido consequências graves.
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