07 março 2013

democracia e SMN

Perguntem a cada pessoa desempregada, muito em especial, fora das grandes cidades, ou nas grandes cidades mas de naturalidade de fora, se elas próprias acham que devem ser proibidas por lei de aceitar um emprego que gostariam de aceitar por um valor abaixo do SMN (mais segurança social).

Numa mercearia numa aldeia? Numa loja da vila? Num qualquer micro-negócio? Quantos negócios poderiam começar assim, e mais tarde crescerem? Quantas pessoas são obrigadas contra sua vontade a deslocar-se para centros urbanos por causa deste limite que actua sobre a oferta e procura? Quantas pessoas com problemas de produtividade, por muitos factores, psicológicos e físicos,  poderiam de outra forma ser empregados formalmente  e sentirem uma dignidade autónoma?

Como explicar que Portugal tem um SMN, se outros estados têm o dobro, mas certas regiões de Portugal deveriam ter metade do SMN porque o desequilíbrio de produtividade e rendimento médio é o mesmo que com esses estados?

Pergunto-me o que dá na cabeça das pessoas para acharem que têm o direito de decidir o que deve ser proibido que outras pessoas decidam neste capítulo. Será um "direito natural", será "divino"? não, é a sagrada "vontade geral".

19 comentários:

muja disse...

E V. a dar-lhe...

Como explicar que Portugal tem um SMN, se outros estados têm o dobro, mas certas regiões de Portugal deveriam ter metade do SMN porque o desequilíbrio de produtividade e rendimento médio é o mesmo que com esses estados?

Já referi como era dantes... E V., se não sabe, facilmente pode saber em querendo...

Além do mais, ninguém proíbe ninguém de aceitar seja o que for. O que se proíbe é de "oferecer" trabalho pago a menos que x.

Isto é perfeitamente razoável, contanto que o valor de x seja razoável para a actividade em questão. Até pode, em casos extraordinários, ser zero.

Eu também acho parvoíce haver um salário mínimo cego às actividades económicas. Mas o que V. propõe é a cegueira inversa: não é o salário mínimo porque sim, é o não-salário mínimo porque não.

muja disse...

Diga-nos lá, que pensa de as pessoas pagarem para trabalhar?

No fundo, receberem um salário negativo. Afinal, se não há salário mínimo, porque não salários negativos?

Anónimo disse...

há por aí muito trabalho clandestino pago abaixo do salário minimo...

a produtividade de Lisboa é em grande parte artificial, resulta muito de uma transferencia de dinheiro do resto do pais para Lisboa, aonde está a sede das maiores empresas.
é uma produtividade um bocado "colonialista", em que a metropele é a capital e o resto do pais funciona como colonia.

xyz

Anónimo disse...

Muja,

Desculpe mas não consigo perceber o que defende. Deve ou não haver um salário mínimo fixado administrativamente?

Parece-me que se está proibído que se ofereça um salário abaixo de x, na realidade ninguém o pode aceitar. Ou não?

Cump.
Rato Mickey

CN disse...

"Diga-nos lá, que pensa de as pessoas pagarem para trabalhar?"

Isso de certa forma sempre existiu.

Por exemplo, trabalhar como estagiário não-remunerado.

Proibir esta prática é outro acto tolo.

Anónimo disse...

Alguém que está disposto a pagar para trabalhar é porque tem uma expectativa de recuperar mais tarde aquilo que investiu.

Rato Mickey

Anónimo disse...

O SMN nao impede trabalho a salario inferior. Isso é outra, digamos, fraude discursiva que os libertarios tem usado sem correspondencia com a realidade.
.
A prova disso está no facto de sermos o país da europa com maior numero de trabalhadores independentes. Ora, o trabalahador independente, o tal dos recibos verdes, nao tem salario.
.
Está, pois, disponivel mao de obra aos precos negociados entre as partes. Quem quiser um servicinho abaixo do SMN tem toda a liberdade do mundo para contratar servicos de terceiros para o efeito. Até tem disponivel empresas de mao de oba temporaria.
.
O que os libertarios jamais entenderao, mesmo que a realidade os contrarie, é que o estabelicimento do SMN nao é bom nem mau em todos os casos. Depende. Depende de muito factores.
.
O que está estatisticamente provado sao duas coisinhas simples. O SMN pode ter um impacto no emprego na ordem dos 0,32% no caso portugues. Uma merdice portanto. Mas pode servir, por outro lado, de grande valia aumenta-lo quando precisamos de garantir determinados niveis de consumo, já que a esse nivel de rendimentos tudo o que se ganha é totalmente para consumo, como quem diz, sobrevivencia.
.
Por outro lado, a ocde publicou uma estatistica bonita que dizia, simplesmente, que se o SMN for equivalente a 60% do salrios MEDIO, nao prejudica o emprego.
.
Contra factos nao ha argumentos. Mas concordo genericamente com o que diz o Muja. Que a coisa deve ser circunstanciada a casos concretos. Por sector de actividade e regionalidade etc.
.
Rb

Ricciardi disse...

E agora, vamos lá ver a coisa, o Hayek defendia a existencia de um subsidio de desemprego nos moldes daqueles que vigoram nos dias actuais. Ele chamava-lhe, seguro-emprego ou coisa que o valha.
.
E o que é que significa isto?
.
Que as pessoas que ficasse desempregadas iriam receber um valor (indeminização) equivalente aos seus descontos (prémio) e portanto em linha com o salário anterior enquanto pessoa empregada.
.
Ora, quando os libertário afirmam que a abolição do SMN geraria maior emprego, isto quer dizer, descodificando, que o emprego aumentaria porque as pessoas desempregadas aceitariam trabalho a preços (salários) menores ao SMN.
.
Isto significa que, como Hayek bem disse, as pessoas deixavam de aceitar trabalhos abaixo do subsidio de desemprego (seguro-emprego no caso de Hayek). Ou seja, era preferivel manter-se no desemprego do que aceitar trabalhar por uma codea.
.
Este problema tambem existe no actual sistema com SMN. No entanto, é um problema gerivel. Quer dizer, o governo tem instrumentos para desincentivar o comodismo dos subsidio-dependentes, nomeadamente baixando os valores do subsidio de desemprego.
.
Rb

Anónimo disse...

CN, até parece que em Portugal o trabalho só pode ser remunerado...


"estágio curricular em design e comunicação web Não remunerado.
Horário: tempo inteiro.
Competências: Curso Técnico em Design de Comunicação, Marketing e Design ou equivalente; Forte conhecimentos em gestores de conteúdos (Joomla, WordPress ) e linguagem web 2.0; Forte conhecimento de HTML e CSS; Competências sociais, Facilidade de relação interpessoal, de comunicação, adaptabilidade e de resolução de problemas; Espírito de equipa; Atitude pró-ativa;
Funções a desempenhar: Apoio na criação e manutenção dos sítios web da AIDGLOBAL e dos seus projectos, redes sociais e da E-letter; Apoio na criação de conteúdos e design para a comunicação on line da Organização.
Ver oferta de emprego em http://www.cargadetrabalhos.net/#ixzz2MrWH4Za1

"produção de conteúdos na área cultural (estágio curricular não remunerado )
Part time ou full time. Competências transversais (redação, comunicação, produção, etc…). Ver oferta de emprego em http://www.cargadetrabalhos.net/#ixzz2MrTaKqKE"
"webarketing e comunicação para startup (estágio curricular)
Precisamos de alimentar redes sociais (Fb + Pinterest + tweeter), rever SEO do site, gestão de adwords e Fb ads, e procuramos pessoa criativa e com iniciativa, que esteja disposta a 'alinhar' num novo projecto, e ser remunerada em função de resultados. Ver oferta de emprego em http://www.cargadetrabalhos.net/#ixzz2MrSiQ24l"
"non-paid internship / graphic & web design
Funções: Improvement and updating of the artists portfolio, Design of a logo/business cards/Facebook page/banners, Creation of a newsletter, Web Design of a blog and our website/landing page
skills: Good/Excellent knowledge of Adobe CS (Illustrator, InDesign, Photoshop, Flash, DreamWeaver) – the more knowledge the better, but not all of them are necessary. HTML/CSS would be a great bonus ;) Be self-motivated and creative on a day-to-day basis Fluent in English (written and spoken). Duration : 3 months (starting immediately), but there is a possibility of staying with us afterwards! Ver oferta de emprego em http://www.cargadetrabalhos.net/#ixzz2MrS815KS"


"estágio para designer gráfico com conhecimentos de webdesign
Horário: De 2ª a 6ª das 09:30 às 17:30, Local: Lisboa, Parque das Nações
Condições: Curso de Nível 5 em Multimédia ou Licenciatura nas áreas de Multimédia, Design de Comunicação, Design Gráfico ou equivalente; Conhecimentos sólidos em Adobe InDesign, Adobe Photoshop e Adobe Illustrator; Criatividade e muita vontade de aprender;Facilidade de integração e relacionamento com equipas multidisciplinares. Ver oferta de emprego em http://www.cargadetrabalhos.net/#ixzz2MrRbsBKi"

"recém-licenciado ou estagiário em design ou arquitectura de interiores (curricular)
Oferecemos neste momento ajudas de custo/transporte e se tudo correr bem podemos pensar noutra solução a médio prazo -Ver oferta de emprego em http://www.cargadetrabalhos.net/#ixzz2MrQdqAGP"

É livre de escolher ( se tiver as competências técnicas, claro)

CN disse...

Sim, eu seu que existe trabalho não remunerado, o que acho é que vão pretender acabar com ele, como aliás já tentaram e não sei se na prática não dificultaram (via "regulamentação"...).

Ricciardi disse...

Os estágios nem demonstram bem a coisa, já que se pode tratar de uma espécie de formação final das pessoas.
.
O melhor exemplo da bestialidade da abolição do SMN são alguns países asiaticos aonde prolifera a inevitável escravidão no trabalho.
.
Trabalho a troco de comida é o desígnio ultimo de qualquer libertário que se preze. Eles até já aplaudem o sistema laboral chinês, o que demonstra à saciedade aonde nos leva o sistema do qual emitem rasgados elogios.
.
Pessoalmente, estou à espera de mais. Eu achava bem que as trabalhadoras, além de trabalharem a troco de comida, ainda disponibilizassem o corpinho para os colegas e patrões.
.
O que eu não ganhava com isso. Era só facturar. Com o trabalho e com o corpinho.
.
Eu assisti, por diversas vezes, à contratação de chineses nas obras. E é coisa fantástica. Um contentor de 40 pés, com duas camas para TRES turnos de trabalhadores. A cama nunca ficava 'fria'. Rodavam pessoas por ela de acordo com os turnos. O que acabasse o turno acordava o colega e deitava-se na sua caminha. Uma delicia.
.
O almoço era uma panela de uma mistela liofilizada da qual cada chines retirava uma dose para a sua malga e comia... com as mãos.
.
O salário, esse, existia, mas só começava a ser pago quando o patrão descontasse o valor do investimento na viagem e do contentor. O valor da energia e água deveria ser suportado pelos habitantes do contentor. O salário era comida e cama quente... e a promessa de 200 dolares a partir do payback do trabalhador.
.
Rb

muja disse...

Eu não defendo nada, porque não sei ao certo em que ponto estamos nem para onde vamos.

Agora, do meu ponto de vista, a solução adoptada durante os Governos do Estado Novo, e que foi não um salário mínimo nacional, mas vários; cada um no contexto de cada corporação e adaptados à realidade económica respectiva, parece-me um solução muito mais equilibrada do que a que os extremistas democráticos defendem: um e apenas um salário mínimo transversal à economia, ou o que os extremistas libartários defendem: nenhum salário mínimo.

Eu defendo que se pense em vez de ir a correr atrás de ideologias. Pronto, é basicamente isso.

muja disse...

Quanto ao Rb, já está a entrar na dança deles ao puxar dos Hayeks para justificar uma coisa que não precisa disso para nada:

É evidente que sendo os sectores económicos díspares em termos de rendimento e facturação i.e. o valor do trabalho varia; não faz sentido nenhum ter apenas um salário mínimo uniforme. Não é preciso cursar Economia para entender isto.

Da mesma maneira, é evidente que é necessário um mecanismo qualquer para evitar a exploração das pessoas, que por vicissitudes da vida estejam dispostas a trabalhar por tuta e meia, por parte de patrões sem escrúpulos. Daí o Estado intervir para regular e estabelecer - em conjunto com as partes interessadas - um limiar mínimo de recompensa pelo trabalho efectuado que permita às pessoas uma subsistência mínima.

Também não é preciso Hayek nenhum para perceber isto: basta a humanidade própria de cada um enquadrada pela moral cristã, que ainda é em larga parte inata em cada um de nós.

---

Vivendi, acho que estão aqui a precisar do Sr. Dr....
Olhe que aquele comentário do José** que V. pôs ali abaixo é muito interessante. Aplicava-se aqui também.

José Lopes da Silva disse...

O PA tem de voltar, para comentar a forma aberta e despreocupada como os cardeais americanos se puseram a comentar as circunstâncias, antes de o resto da Cúria os remeter para o tradicional silêncio.

Ricciardi disse...

Pois, não, mas a virtude passou a ser outra. Vejamos, numa situação de desemprego massivo, os libertários alegam o emprego aumenta se não houver SMN.
.
Isso é falso. Nem estatisticamente se consegue dizer uma coisa dessas, já que os estudos académicos apontam para uma eventual melhoria de 0,36% no emprego.
.
O que acontece, se desaparecer o SMN, numa situação de muitos desempregados é simples: os patrões que tem um arquitecto a ganhar o salário minimo, vão imediatamente ao mercado dos desempregados buscar outro arquetecto por um salário menor. Esta pessegada não pára até se trocar trabalho por comida.
.
Aonde é que o emprego melhora? em nada. Há uma simples transferencia de pessoal. Uma substituição salarial.
.
Mas piora tudo o resto na economia. O incumprimento, a pobreza, o consumo, a poupança etc.
.
Ora, o que está estatisticamente provado pela OCDE é que se o SMN for equivalente a 60% do salário medio, as vantagens são maiores em fixar um SMN nesta proporção do que não fazê-lo.
.
A experiencia efectuado num dos estados amercianos, cujo nome me escapa, ilustra bem como o estabelicimento de um SMN foi benefico.
.
Rb

Anónimo disse...

CN, até sou a favor da liberalização das leis do trabalho, tenho dúvidas quando a existir ou não salério mínimo (talvez um custo/hora mínimo...)

O que sei da minha área é que há um ciclo vicioso nos estágios. Um estágio devia ser para aprender um ofício. Começa logo aí: se pedem reponsabilidades à partida, se a empresa no fundo só quer receber (trabalho qualificado) sem dar algo em troca, está mal. É incrivel - mas só aceita quem quer- pedir um estagiário para criar um logotipo, fazer o website da empresa, etc (que não tem kow-how para partilhar, como agora um cabeleireiro que pede um estagiário para isso) com a cenoura de que depois, quem sabe, pode ficar. Claro que não pode ficar...è só para ter trabalho de graça. Quanto a isso soube que na Suíça são muito rigorosos, apesar de um avançado sistema de estágios: não há trabalhos de graça. Os alunos de escolas profissionais, tão cedo quanto aos 14 anos, devem estagiar em empresas. Começam com um ganho simbólioco e a cada ano vão ganhando mais. A maioria fica nas empresas, ficam qualificados e preparados. Baldas e borlas como aqui é considerado inconcebível.

E isso está certo, isso valoriza o trabalho e responsabiliza ambas as partes. É trabalho, é sério e não esta fantochada nacional.


Anónimo das 2:15

Vivendi disse...

«A luz que intensamente se projeta na vida material, no desenvolvimento económico, nos aumentos indefinidos dos níveis de vida vai deixar na obscuridade toda a parte espiritual do homem, do que me parece dever esperar-se o tempo materialista por excelência, a época dos povos ricos sem alma.»

Salazar


Sobre os salários mínimos tanto as empresas e as pessoas tem necessidades diferentes logo não faz sentido que exista um salário mínimo tabelado.

Quanto ao hipotético aproveitamento de alguns empresários sobre os trabalhadores para a descida da massa salarial bastaria que houvesse algum tribunal ou instância capaz de ajuizar algum abuso explicito para com o trabalhador com capacidade de analisar os níveis de produtividade.

Salários mais baixos e livres permitem também mais facilmente a inclusão de toda a sociedade pois os mais incapazes e os deficientes passam a ter uma maior oportunidade de desempenharem um trabalho.

Mas de nada adianta falar ou fazer sem antes se reparar primeiro a comunidade.

Se calhar hoje os portugueses já são ricos mas não têm alma e por isso a sociedade lhes parece sempre injusta e viram uns idealistas protestam contra tudo e invejam a vida dos outros como se os outros não tivessem os seus próprios problemas.

Vivendi disse...

Sobre o idealista:

Idealismos...
Com todos estes desfiles a exigirem mudanças de políticas e de políticos, fica sempre a dúvida:
Mas mudar para onde? Apostar em que políticas?
E como já referiu o Vazelios, ouvindo os manifestantes (festivaleiros), a pobreza franciscana das ideias do pessoal entrevistado é enorme. É mesmo de fugir.
Mas enquanto que toda esta massa de gente chega às 18.30 e decide regressar a casa, outros há que ficam, refletem e organizam a próxima manifestação, e esses, meus caros, são exatamente aqueles que fomentam e semeiam as ideias fáceis na população.
As suas soluções são apelativas:
Que se lixe a troika
Demissão do governo
Acabar com a pobreza
Acabar com a miséria
Acabar com este governo e meter lá outro (Qual?)
Acabar com o desemprego
As pessoas não são números, etc, etc
Soubessem eles quão difícil é fugir da miséria e gerar riqueza PELOS SEUS PRÓPRIOS MEIOS, sem heranças nem cunhas, e não andavam a propalar ideais fáceis de entrar no ouvido.
A julgar pelo que dizem na televisão, só posso considerá-los idealistas no mau sentido do termo.
Pseudo-Idealistas inteligentes que sabem muito bem retorcer as ideias e apresentá-las de bandeja, sem mácula, prontas a servir a quem queira ouvir e se sinta revoltado com o que se está a passar.
Com esta conversa da treta acabam por conseguir cativar todos aqueles e aquelas que se sentem perdidos e que procuram desesperadamente uma âncora.

Vivendi disse...

Soubessem eles a realidade que esta conversa mole esconde e fugiriam mais depressa deles do que de Passos Coelho.
O problema destes idealistas é que se focam demasiado no que está mal no sistema vigente e idealizam o que de diferente poderia ele ser. Esquecem-se do que está bem e deve ser mantido.

Pseudo-Idealistas tivemos no 25 de Abril, que deslumbrados com ideais estrangeiros, quiseram aplicá-los aqui, fazendo tábua rasa ao que já havia de bom ou então silenciando e apropriando-se do mérito do que já vinha de trás.
Os pseudo-idealistas, como qualquer homem que sonha demais e vê de menos, escapa-lhe o que de bom o mundo já tem, e só pensa no que de mau tem, e de como poderia ser muito bom, bastando para tal irem eles lá para o poder.
O idealismo exacerbado e míope colide com a força da realidade, e o que acaba sempre por acontecer depois é que o futuro nunca se desenrola como o tínhamos imaginado, e quanto mais o imaginamos à nossa maneira, mais os resultados são diferentes do que se esperaria.
Idealistas ignorantes temos hoje aos pontapés:
- Idealistas na política que prometem uma coisa mas depois a realidade afinal não lhes deixa fazer o que queriam.

- Idealistas nas relações amorosas que acham que a pessoa que conheceram recentemente é muito melhor do que o parceiro(a) que já têm. Depois "provam" e afinal não é aquilo que julgavam ser.
- Idealistas nas empresas que acham que o novo fornecedor desconhecido será sempre melhor do que o fornecedor que é leal há anos.
Enfim, o idealismo não deixa de ser um vício de raciocínio, baseado na nossa ignorância, em que apenas nos focamos numa parte da questão, a que nos interessa, e deixamos o resto de fora, como se não existisse.

E normalmente os idealistas só são idealistas porque vivem BEM, queixando-se sempre de tudo.
Há aquele exemplo clássico de que só valorizamos a saúde quando estamos doentes.
Pois quem padece de doenças e tem que se agarrar à vida com todas as forças, dificilmente é idealista, porque valoriza o que de bom a vida tem, e nada desperdiça, sobretudo em assuntos que não levam a lado algum.

Os ideais simplistas que vemos hoje serem defendidos na rua deveriam primeiro ser ensaiados num pequeno laboratório social, e depois dos resultados logo veriam o que lhes calhava na rifa. Acabavam-se logo os idealismos fáceis.
Para se ser um idealista a sério é preciso conhecer muito da história dos povos e muito do perfil intelectual do ser humano. Só depois de juntar muitas peças do puzzle é que o nosso idealismo pode ter alguma colagem à realidade.

Ser idealista só porque não gosto do prato que me põe à frente não é idealismo, é excesso de presunção e défice de vida.
Insinuações, difamações, registos humorísticos e lugares comuns são mais que muitos.
Mas ideais realistas que apelam à lógica das coisas, nem vê-los! (até porque nem cabem num cartaz)


Tiago Mestre

http://viriatosdaeconomia.blogspot.com/2013/03/idealismos.html