05 março 2013

como bancos e poder político enganam o povo há séculos III

Afinal em que é que consiste o engano e de onde derivam as consequências apontadas (bolhas económicas seguidas de crises)?

No momento em que os bancos passam a tratar os depósitos bancários sem ser à luz de um depósito civil (onde moeda depositada é moeda à guarda) - os bancos passam a criar no balanço depósitos à ordem sem que possuam moeda base.

O balanço de um banco, no acto de concessão de crédito, passa de (exemplo) uma situação original de

Activo - cofre: 100 moedas de ouro
Passivo - depósitos à ordem: 100 moedas de ouro

para

Activo - cofre: 100 moedas de ouro
Activo - crédito concedido: 100 moedas de ouro
Passivo - depósitos à ordem: 200 moedas de ouro

Aqui, o banco já só tem realmente metade da quantidade de moeda que o seu passivo de depósitos à ordem diz ter. Os depositantes de 200 moedas agora confrontam-se com o risco do banco só possuir 100 moedas. Na terminologia moderna, dizem que o banco não tem um problema de solvabilidade, "apenas" de liquidez.

Mas pelo direito civil comum deveria ser:

Activo - cofre: 100 moedas de ouro
Activo - crédito concedido: 100 moedas de ouro
Passivo - depósitos à ordem: 100 moedas de ouro
Passivo - depósitos a prazo ou outra forma de financiamento: 100 moedas de ouro 

Questão jurídica:

O que se passa na primeira versão é que o banco para conceder crédito limitou-se a fazer um registo contabilístico de um depósito à ordem que não existe (o ouro em cofre não existe). A partir deste momento o banco deixou de cumprir o contrato de guarda de moeda.

O menos gravoso que se pode dizer é que o banco passou a oferecer contas correntes de "promessas de pagamento" e não de depósito civil. A "promessa de pagamento" tem risco de crédito e está sujeito a corridas a bancos, o depósito civil não. 

A questão crucial é que os bancos, a partir do momento que começam a infringir o contrato de depósito civil têm todo o interesse em que o status jurídico desse depósito seja ambíguo, até porque, uma das primeiras motivações para praticarem esta criação de depósitos sem cobertura foi (e ainda é) financiar o poder político. Mas como uma corrida ao banco é sempre possível, essa ambiguidade e secretismo foi sempre característica do negócio bancário. Nos anos 50, por exemplo, foram descobertos uma série de registo do famoso banco dos Médici em Florença dos séculos 14 e 15 e tais livros continham mesmo a designação "secreto" e onde registavam esses créditos para os quais concediam saldos nos balanços que depois eram utilizados. Isso é possível porque esses saldos tendem a circular entre clientes do próprio banco, nunca chegando estes (até uma crise) a pedir a sua transferência de moeda física para outra entidade enquanto... existir confiança.

É aqui que tem origem aquilo que chamo de "Confiança Economics"...enquanto existe confiança parece estar tudo bem, embora existam todas as boas razões para não a ter de todo. Depois a confiança desaparece e a crise desenvolve-se dramaticamente. Os economistas em vez de prescutar as razões fundamentais passam a desenvolver uma nova disciplina do conhecimento... a "confiança", chegando mesmo a culpar os clientes por comportamentos irracionais de pânico.

O outro aspecto importante é que dado o lucro auferido pelos bancos com esta ambiguidade retira qualquer incentivo a que os bancos concorram pela diferenciação do estatuto contratual da moeda, em especial porque ao uniformizar as notas e o estatuto jurídico e contabilístico dos depósitos, estes circulam sem diferenciação de risco.

Questão económica:

Com a emissão de depósitos para a concessão de crédito, introduz-se a possibilidade da expansão do crédito sem que poupança prévia tenha sido formada sendo assim possível uma taxa de juro abaixo do que seria se assim não fosse. É este efeito que induz as ilusórias bolhas económicas e que desaguam numa crise económica e bancária, sempre recorrentes na história.

O fim do padrão-ouro:

Como as crises foram sendo cada vez maiores pelo efeito do aparecimento dos bancos centrais que tentavam prevenir as corridas aos bancos (apesar de tudo, eram um mecanismo de reposição da verdade contratual e económica) mas com isso introduzindo vagas maiores de desequilíbrios, o que se passou é que a pirâmide de de crédito e depósitos foi crescendo até chegar ao ponto que os Estados (cada situação com uma história diferente mas na prática com os mesmos factores em presença) para fazerem mais uma fuga para a frente e evitarem a falência dos bancos, nacionalizaram (roubaram) o ouro físico e declararam a não convertibilidade.

O sistema monetário:

O actual estatuto legal dos depósitos deriva desta história e os bancos agora expandem o crédito e os depósitos pelo mesmo mecanismo e os efeitos são  os mesmos mais muito mais globalizados e com a total sanção da legislação.

30 comentários:

Ricciardi disse...

Em suma, o caro CN defende a extinção dos bancos.
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Os bancos podem, e devem, em função da taxa de reserva legal em vigor, e da taxa média de levantamentos, emprestar mais 9 vezes do que aquilo que tem em depositos.
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Note bem, NOVE vezes.
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Esta operação NÃO afecta a disponibilidade dos clientes. Sendo certo que os clientes usam/levantam em media cerca 20% do seu dinheiro depositado e fazendo contas à taxa de reserva legal, os bancos podem tranquilamente emprestar sucessivamente por NOVE vezes.
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Sempre foi e será assim. É uma questão puramente aritmetica sem qualquer risco de solvabilidade.
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O máximo perigo que pode acontecer seria se houvesse uma corrida ao banco para sacar a massa toda de todos os clientes. Isso só seria possivel com a liquidação do banco. Quer dizer, o banco tinha de cobrar os creditos todos para reembolsar os seus debitos todos.
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Mas o caro CN deve querer partir daqui para anunciar os males desta expansão, na linha do Huerta. Ora, não há mal algum na expansão. Foi este mal que nos deu a vida que temos. A expansão é perfeitamente previsivel e tem um limite aritmetico que eu atras referi.
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Rb

Harry Lime disse...

Eu sabia que a coisa ia desaguar ao padrão ouro...

Harry Lime disse...

De qualquer forma o CN não compreende que se os bancos não tivessem "fractional reserve" não seriam muito diferentes de vulgares agiotas dos filmes do Scorsese e do Coppola.

É que o que permite aos bancos emprestar a baixos juros (relativamente) e mesmo assim ter retornos consideraveis é o facto de estarem "alavancados". Se o capital disponivel para emprestar fosse igual aos depositos as taxas de juro seriam muito mais altas (que é o problema dos loan sharks de Little Italy).

Ora as bolhas não são causadas pela quantidade excessiva de dinheiro, são causadas pela degradação da qualidade dos credito concedido. E para evitar isso há uma solução simples: regulação. No sentido de evitar que os bancos, cuja função social é promover a circulação de dinheiro, não se comportem como casinos.

Rui Silva

Harry Lime disse...

E como é evidente assino por baixo de tudo o que o Rb escreve.

Rui Silva

Harry Lime disse...

No fundo uma bolhs forma-se quando há uma inversão da logica: quando se empresta dinheiro a juros baixo para investimento em activos de alto risco (que em condições normais exigiriam taxas de juro muito mais altas). Isso leva a uma inflação no preço do activo (devido à procura maior)

A) o torna ainda mais apetecivel para o comum dos mortais
B) como consequencia de A, torna o dinheiro para a,sua aquisição ainda,mais barato
C) Como consequência de A e B a procura aumenta ainda mais
D) como consequência de A,B e C, o activo torna-se ainda mais arriscado (mas o risco é ignorado porque ninguém quer que a musica pare)

(e o loop continua até alguém reparar que o rei vai nu)


Ora isto tem muito mais a ver com psicologia de massas do que com o padrão ouro. Alias, no séc XIX, o padrao ouro não evitou inumeros panicos, euforias, recessões e crises.

Rui Silva

Harry Lime disse...

Mas sim, concordo que.as taxas.de.juro do banco central baixas alimentam estas bolhas .

Mas no final esse comportamento por parte dos banqueiros centrais não é mais do mais uma expressão da euforia que se instala durante uma.bolha (quer seja de imobiliario em Espanha ou dot-coms na California ou tulipas na Holanda, ou caminhos de ferro nos EUA ou mares do sul em Inglaterra).

Rui Silva

CN disse...

Caros

Qual é a dificuldade em ver que:


- é o processo de criação de moeda que faz com que a taxa seja artificialmente baixa?


- que o processo descrito em cima assenta numa fraude contratual?


Como é que o rb diz que "não há problema" se por séculos os bancos mais tarde ou mais cedo ficam sujeitos a corridas aos bancos?

Ricciardi disse...

Ficam, alguns, realmente, como fica outra empresa qualquer.
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O problema da corrida aos bancos não é do 'processo' bancário, é isso sim da falta de confiança politica e economica.
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O 'processo' é impossível ser de outro modo.
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Como é que vc explica então que existam seguradoras??
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Não vê que se toda a gente tivesse um acidente a seguradora não podia reembolsar os danos a todos?
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O sistema que o caro CN defende NÃO existe. Nem nunca existiu. Nem com o ouro como padrão.
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É que não tem nada a ver uma coisa com outra. Vc está a confundir os conceitos. Desde logo a diferença entre moeda e dinheiro.
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A única forma de limitar a aritmetica da expansão, que é perfeitamente previsivel, é subir as taxas de reservas legal.
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Isso até podia acontecer, mas faria desmoronar a banca tal como sempre foi. Receptor e emprestador de fundos.
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Como diz o Rui Silva, e bem, subir as taxas de reservas legal, não só faria disparar os juros dos créditos para NOVE vezes mais (no limite) como faria com que os nossos depositos tivessem que ser pagos inves de serem remunerados.
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Rb

Ricciardi disse...

Eu pensava que vc defendia uma taxa de cobertura a 100%.
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Mas afinal vc não defende isso. Vc acha que o crédito concedido em dinheiro tem que ser igual ao valor depositado em dinheiro. E que o dinheiro obtido atraves de crédito não possa ser usado para emprestar a outra pessoa.
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Mas quem é vc para me limitar a liberdade de emprestar o dinheiro a quem eu quiser?
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Se o RUI me emprestar dinheiro que o CN lhe emprestou, eu posso usar esse dinheiro para emprestar à Zazie. Qual é o problema???
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Não há problema algum.
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A solvabilidade está sempre assegurada. Mesmo que a Zazie não me devolva a massa, não existe só ela. Existem milhioes de Zazies a quem eu emprestei dinheiro que tomei emprestado. E a taxa de incumprimento anda na casa dos 3 a 5%.
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Rb

CN disse...

Rb

Vamos lá organizar o pensamenos:

- a actividade seguradora é uma de artilha de riscos

- a actividade de receber depósitos de moeda é uma activade de guarda de moeda

- a actividade de um banco receber financiamento de clientes (depósitos a prazo) pagando um juro para depois conceder crédito com um juro mais alto é pacífico.


O problema das bolhas e crises e corridas aos bancos surge com um problema jurídico.

Os bancos pegam em valores à guarda e concedem crédito e com isso têm capacidade de criar crédito criando moeda.

Eu não defendo aqui teoria nenhuma. Só defendo o direito civil em primeira linha e depois rediro a consequência económica de conceder crédito por criação de moeda, o que baixa a taxa de juro por definição.

Ricciardi disse...

«Os bancos pegam em valores à guarda e concedem crédito e com isso têm capacidade de criar crédito criando moeda.» Cn
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Certo. Mas aonde está o problema disso?
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As bolhas existem, existiram e sempre hao-de existir.
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O que vc diz é que as bolhas são induzidas pelos bancos porque os seus clientes não sabem aonde investir a massa.
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É verdade. O pessoal vai em manada, por feelings, por confiança, por ouvir dizer, e pode ser convidado a contrair financiamentos para investir em sectores aonde as garantias vs juros são mais baixos.
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Na construção por exemplo. Os bancos emprestavam a taxas de juro mais baixas porque percepcionavam menor risco, já que a garantia da hipoteca era boa.
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Isso é o mercado a funcionar.
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O problema não é esse, meu caro CN. O problema é outro. A nível macro e não micro. Isto é, os governos ou bancos centrais tem a obrigação de ver os grandes numeros e deveriam ter visto que pacotes de credito a habitacao estavam a ser feitos sem qualquer qualidade ou regulação.
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Não se pode impedir ninguém de contarir um emprestimo, seja para o que for, mas podemos ajustar os grandes numeros através da regulação. Devia ter chegado a altura dos bancos centrais terem dito epá está aconcentrar-se demasiado crédito habitação e isso tem perigos vários. vamos aumentar a taxa de provisões para este tipo de emprestimos. Pronto, está resolvido o problema.
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Não pode o CN querer impedir a liberdade individual das pessoas e agentes, mas pode limitar as massas.
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Na prática não me pode impedir de querer construir uma casa, mesmo que seja na altura errada e em cima de uma bolha, mas pode desencorajar através da regulação e obter com isso macro numeros ajustados.
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Rb

CN disse...

Rb

Ainda não está a perceber.

Não quero limitar nenhuma capacidade das pessoas e bancos contraírem crédito.

O que quero é que os contratos sejam cumpridos.

Depositar moeda à guarda é um contrato.

Emprestar moeda ao banco para ele fazer com ele o que entender é outra coisa.

Um banco que oferce contas correntes de guarda de moeda pode chamar-lhe depósito.

Um banco que gere contas correntes de "promessas de entrega" tem lhe chamar isso com o contrato subjacente a avisar disso mesmo.

Quanto às bolhas, o argumento é que só existem bolhas por causa desta capacidade de conceder crédito por criação de moeda, criação esta assente nesta deturpação/fraude contratual.

zazie disse...

Os milhões de zazies dizem que isso se chama separação entre bancos comerciais e bancos de investimento.

CN disse...

Não chega Zazie.

No âmbito em que esteproblema existe (os bancos incumprem o contrato de guarda de valores) seria necessário separar:

- as entidades de depósito de moeda, que não teriam qualquer juro, mas estariam seguros sem risco de falência do banco, e serviriam para fazer pagamentos em contras correntes.

- entidades que pagam juro em depósitos a prazo e concedem crédito.

Ricciardi disse...

Para isso, os bancos tem o aluguer de cofres.
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Rb

Anónimo disse...

E agora a pergunta do milhao:
Nao é bem certo que a regulaçao que se produz depois do crack de 29 vai precissamente nesse destino. Evitar crédito fácil, bolhas imobiliarias e separar banca de Investimento da Banca Tradicional.
Nao é por nada que parece que a gente pedia crédito...para jogar na Bolsa?
Responda a isso mais nao a mim senao a este blog que vao falar do mesmo que o CN mais desde uma perspectiva completamente distinta. Outra posiçao.

http://royalbluetulip.wordpress.com/tag/crack-del-29/

Ricciardi disse...

Perfeitamente de acordo como o comentário do Espanhol(?) anónimo acima.
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Rb

Anónimo disse...

Caros CN, PA e comentadores,

Achei este artigo (link abaixo) na insuspeita The Atlantic, foi o mais lido da semana. Como sou pró-liberal e pró-lucro privado apreciava mesmo que se dessem ao trabalho de comentar/explicar pois gerou muita perplexidade:

http://www.theatlantic.com/business/archive/2013/03/corporate-profits-are-eating-the-economy/273687/

JE

Anónimo disse...

Viva o socialismo!!! Toca a imprimir dinheiro à fartazana para conceder empréstimos...para quem os quer...pois é uma liberdade que os assite! Viva o fractional reserve system! E só é 9 Vezes por uma inevitabilidade matemática...direi que é ...como dobrar uma folha 7 vezes...Viva o Keynesianismo....tadinhos...sois uma anedota!!!

Espanhol

CN disse...

" Ricciardi disse...
Para isso, os bancos tem o aluguer de cofres."



Ricciardi

isso não permite a função de conta corrente e fazer pagamentos (débitos e créditos)

Não estou a ver porque tanto esforço em desculpar um acto de fraude pelos bancos ainda por cima com as consequências de originar as bolhas (que alguns auferem e muito) e as crises (desemprego, etc...)..

Ricciardi disse...

CN, pronto eu não me esforço mais.
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Mas fique a saber que não é fraude nenhuma. Vc assina um contrato quando deposita dinheiro num banco. Leia-o.
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Em termos juridicos vc está redondamente enganado. Na volta não sabe isto, a saber:

«-Acordão STJ - contrato de depósito bancário

«I - O depósito bancário pode caracterizar-se como o contrato pelo qual uma pessoa entrega uma determinada quantidade de dinheiro a um banco, que adquire a respectiva propriedade e se obriga a restituí-lo no fim do prazo convencionado ou a pedido do depositante. O banco adquire a propriedade e a disponibilidade do dinheiro, e o depositante um direito de crédito sobre o banco.»
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Portanto, a propriedade juridica da massa é do banco ou transferida para o banco. No entanto temos um DIREITO de Credito sobre o mesmo.
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Assim, não há fraude juridica alguma. Se vc não quiser abrir uma conta não abre. Se quiser fique a saber que o banco, enquanto 'tutor' ou proprietário temporario do mesmo pode (e deve) empresta-lo à sociedade.
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É para isso que servem os bancos.
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Se vc pensar no que está a dizer verá que não tem lógica alguma. Na verdade se vc subtrair ao total de depositos o total de creditos concedidos verá que a diferença é o dinheiro REAL. A diferença, isto é o dinheiro real, é tão baixo que não serve para nada. Ninguém podia ter uma ideia e financia-la. Seria impossivel crescer e desenvolvermo-nos sem o sistema fraccionário.
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Rb

CN disse...

Rb

Como eu disse no meu texto, historicamente demonstra-se que o contrato original era de depósito.

Foi no próprio interesse dos bancos e não dos clientes que primeiro foi subvertido e que depois os estados para protegerem os bancos acabaram a nacionalizar o ouro e a estabelecer por legislação legalizando a fraude.

Mas mesmo hoje têm sido feito inquéritos e mesmo no Reino Unido 1/3 das pessoas pensam que os depósitos estão seguros e não em risco.

Isso prova a"ambiguidade" no interesse dos bancos antes, e mesmo hoje.

Ricciardi disse...

Ok, CN, risco há sempre em tudo.
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Não podemos dizer que os depositos estão em risco. Não.
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Como vc referiu, e bem, pode haver um problema de liquidez se toda a gente quiser levantar a massa ao mesmo tempo. Mas não há um problema de solvabilidade. E isto é muito importante.
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Mas risco há sempre. Olhe o BPN, não é?
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Agora, o risco de solvabilidade existe se não for SEPARADA a Banca Comercial da Banca de Investimentos. Aí sim. Porque os activos investidos são de grande risco, ao contrario do credito comercial concedido.
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Rb

CN disse...

rb

Vamos lá a ver se conseguimos manter a objectividade.

- existe risco legitimo quando as pessoas acordam correr risco, e quando as pessoas querem possuir poder de compra imediato sobre a forma de moeda, é supostos ser ,.. moeda(algo sem risco de crédito), porque se quisessem correr risco, punham num depósito a prazo ou aplicação

- a capacidade de criar moeda beneficia bancos e novos credores que gastam a moeda na economia com preços que ainda não reflectiram as novas quantidades de moeda

- essa capacidade provoca as bolhas e crises por causa do efeito de taxas de juro artificialmente baixas (porque os credores não pagam a taxa de juro que deviam pagar a aforradores,mas sim ao banco que simplesmente cria a moeda)

CN disse...

"Não podemos dizer que os depositos estão em risco. Não."

Claro que estão.

Vivendi disse...

O cancro da dívida

(tradução google com alguns arranjos)

Parte I
"O fato de que estamos aqui hoje para debater a elevação do limite da dívida da América é um sinal de fracasso da liderança. A América tem um problema de dívida e uma falha de liderança. Os americanos merecem melhor. Eu, portanto, tenho a intenção de me opor ao esforços para aumentar a dívida dos Estados Unidos."
Barack Obama, 16 março de 2006

O relógio da dívida global da economist.com acaba de cruzar a marca de 50 trilhões de dólares. A acumulação de todos estes défices está a empurrar o nível de endividamento de muitos países ao ponto de ruptura.
O fenómeno atingiu uma epidemia global, e o cancro da dívida está agora a devastar todos os continentes.
Vamos dar uma olhada na dívida pública em percentagem do PIB para 2011 e 2012 em algumas importantes economias mundiais (Fig. 1) Clique aqui para a Figura 1 .


Parte II
Desde que o presidente Barack Obama tomou posse em janeiro de 2009, mais de US $ 6 trilhões de dólares foram adicionados para a dívida nacional.

"Sem alarde, os representantes da Dívida Pública do Departamento do Tesouro tranquilamente apresentaram no seu relatório diário mostrando que a o valor total da dívida pública do governo dos EUA superou $ 16687000000000 (Para ser exato: $ 16,687,289,180,215.37).", relata Mark Knoller da CBS .
"Em 20 de janeiro de 2009, o dia em que Obama tomou posse, a dívida era de $ 10626000000000. Os dados mais recentes refletem um aumento de mais de US $ 6 trilhões*."
E a dívida deverá aumentar em cerca de outro trilhão este ano. "No entanto, o Escritório de Gestão e Orçamento projeta que a dívida nacional vai continuar a aumentar em mais de 800 bilião dólares este ano e por valores na faixa de US $ 500 bilhões a US $ 800 bilhões em anos fora - o que contribuirá para a dívida nacional. "
É uma conquista histórica para Obama...
"É o maior aumento até ao momento, sob qualquer presidente dos EUA. Durante a presidência de oito anos de George W. Bush, a dívida subiu 4,9 trillion dólares."

Alguém empresta aí mais uns trocados ao Obama??

http://viriatosdaeconomia.blogspot.com/2013/03/o-cancro-da-divida.html

Vivendi disse...

E quando os chineses se estremecerem.

http://news.goldseek.com/GoldSeek/1362402000.php

O sistema de poder chinês continua a ser o mesmo de sempre mas lá os comunas foram capaz de liberalizar totalmente a sua economia para conseguirem manterem-se no poder. E qualquer dia irão puxar o tapete aos americanos para que o nível de vida dos chineses possa subir exponencialmente.

Ricciardi disse...

Vc insiste nisso. Mas parece não querer ler o que lhe disse. Quando vc faz um contrato de abertura de conta e deposita lá dinheiro a PROPRIEDADE do dinhero e DISPONIBILIDADE do mesmo é transferida para o Banco. O cliente, até pode nem saber disso, mas é assim. O cliente tem um DIREITO de crédito sobre o banco.
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Portanto, trata-se de um contrato legitimo efectuado entre duas partes. Nem o obriga a abrir uma conta. É um contrato de ADESÃO. Quando o subscreve tem de ler as condições e sujeitar-se à figura juridica decorrente.
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O mesmo se passa quando vendo a crédito uma mercadoria para um cliente meu. A mercadoria passou a ser propriedade dele. Eu tenho um direito de crédito sobre o cliente.
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« a capacidade de criar moeda beneficia bancos e novos credores que gastam a moeda na economia com preços que ainda não reflectiram as novas quantidades de moeda» CN
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Beneficia os bancos e os seus clientes. A actividade bancária é precisamente isso que referiu. No fundo é vender TEMPO. Antecipar o Tempo. O juro é o preço de usar Tempo.
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As bolhas podem ser induzidas pela politica de credito da banca, de facto, mas a decisão de usar crédito cada um de nós. Em ultima análise cabe ao Regulador regular (passo a redundância) os excessos que possam colocar em causa ou degenerar em bolhas.
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Note-se que esta bolha do imobiliário não existiu porque existia credito fraccionáro. Não. Existiu porque foi possivel a cada banco gerar Creditos Hipotecários e viram que a Banca de Investimentos, atraves de fundos de investimento, podia compra-los em pacotes e revende-los pela aldeia global aos seus clientes.
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Estes creditos foram, pois, metidos em fundos. E esta procura intensa por fundos fez com que o negócio fosse vender-lhes creditos o mais possivel, mesmo a quem não tinha perfil de credito (lixo tóxico).
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Já sabemos, o ser humano é avido por dinheiro. Os gestores bancários não são diferentes. Se houver oportunidade de fazer mais e mais negócios e vender esses negócios a chineses e europeus, eles fazem-no sempre.
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A única forma de limitar esta pouca vergonha não é acabar com o sistema bancário fraccional. Isso não é possivel. Regulação é a melhor resposta. E regular não quer dizer proibir que se façam credito. Quer dizer que se tem de estar atento aos volumes globais e controlar caso atinjam desvios capazes de gerar bolhas.
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Em suma, capitalismo SIM, mas com regras.
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Rb

Vivendi disse...

Certa tarde, um famoso banqueiro ia para casa na sua “limusina” quando viu dois homens, à beira da estrada, a comer relva. Ordenou ao seu motorista que parasse e, saindo, perguntou a um deles:
- Porque estão vocês a comer relva? Não temos dinheiro para comida. – disse o pobre homem.
- Por isso temos que comer relva.
- Bem, então venham a minha casa que eu lhes darei de comer – disse o banqueiro.
- Obrigado, mas tenho mulher e dois filhos comigo. Estão ali, debaixo daquela árvore.
- Que venham também – disse novamente o banqueiro.
E voltando-se para o outro homem, disse-lhe:
- Você também pode vir.
O homem, com uma voz muito sumida disse:
- Mas, senhor, eu também tenho esposa e seis filhos comigo!
- Pois que venham também. - respondeu o banqueiro.
E entraram todos no enorme e luxuoso carro. Uma vez a caminho, um dos homens olhou timidamente o banqueiro e disse:
- O senhor é muito bom. Obrigado por nos levar a todos!
O banqueiro respondeu:
- Meu caro, não tenha vergonha, fico muito feliz por fazê-lo! Vocês vão ficar encantados com a minha casa...
A relva está com mais de 20 centímetros de altura!
Moral da história: Quando você achar que um banqueiro o está ajudando, não se iluda… Pense mais um pouco! Reflicta, antes de…

Vivendi disse...

Os Mestres do Dinheiro - The Money Masters (1996)

http://www.youtube.com/watch?v=hWpy4iTCjww

http://www.youtube.com/watch?v=ZrPrOIqlDhw