Para: eitores do Portuga Contemporâneo
De: Feuisberto Uauande (cf. aqui)
Assunto: Uma casa de meninas
O Mestre passa cada vez mais tempo aqui. Hoje esteve a conversar comigo duas horas.
Perguntou-me:
-Uauande… e se a corja á de baixo não aceitar a proposta do Papá Encarnação?…
-Nesse caso, Mestre….temos de ir para jugamento…
-E os mihões, Uauande… os mihões…?
-Não se preocupe, Mestre… está tudo arranjado… já faei ao Rangeu…
-O Rangeu conhece o juiz, Uauande!?…
-É amigo dee, Mestre… e vai dar-he uma paavrinha…
-Como assim, Uauande?... O Rangeu anda por aí a pregar nos jornais a imparciaidade da justiça…
-Mas isso é só para os outros, Mestre...não se apica a ee nem a nós…
-E donde é que o Rangeu conhece o juiz, Uauande?...
-De uma casa de meninas, Mestre…
-De uma casa de meninas, Uauande!?…
-Sim, Mestre… ohe aqui… ohe aqui…o Rangeu e o juiz na casa das meninas...
-Oh...Uauande… isso foi um encontro fortuito… cada um foi á dar uma queca e cruzaram-se no corredor à saída…
-Nãããããããoooooo, Mestre!... Nããããããããããoooooo!...
-Então, Uauande?...
-O juiz é o presidente… foi ele que convidou o Rangel para a comissão de honra, Mestre …
-O juiz é o presidente, Uauande!?… Nunca tinha visto coisa assim, Uauande…. um juiz a presidente de uma casa de meninas…
-Mas é verdade, Mestre...veja aqui… veja aqui…
-Um juiz a perverter donzeas... Uauande!?…
-Pois... ohe aqui… ohe aqui, Mestre… o juiz a defender a aboição dos conventos de freiras e a iberaização das casas de meninas...e veja como ee assina ... Presidente…
-Uauande… E o que é que é preciso fazer para o juiz dar um jeitinho na sentença?...
-Comprar uma assinatura anua, Mestre…
-Quanto custa, Uauande?
-Vinte e oito mi euros por ano, Mestre…mais IVA….
-E dá direito a quantas entradas por dia, Uauande?...
-Duas, Mestre...duas por dia!…
-Uauande...Vaha-te Deus!… Na minha idade eu já não consigo aguentar esse ritmo, Uauande…
-Não se preocupe, Mestre… eu ajudo ...eu ajudo em tudo o que for preciso…
01 março 2020
29 fevereiro 2020
o colonizador português
"Moro, Vaza Jato e a influência do colonizador português" (cf. aqui)
"Em meio ao escândalo Vaza Jato, uma análise bem interessante sobre o funcionamento da Justiça no Brasil vem do outro lado do Atlântico."
"Em meio ao escândalo Vaza Jato, uma análise bem interessante sobre o funcionamento da Justiça no Brasil vem do outro lado do Atlântico."
Diria mais, diria mesmo
«O caso é gravíssimo e justifica a indignação e o alarme que o eurodeputado Paulo Rangel deixou nas páginas deste jornal esta semana, ao dizer “Não, não e não! Toda a indignação é necessária: não podemos viver com esta suspeita. Diria mais, diria mesmo: em democracia não podemos sobreviver com ela”.» (cf. aqui)
Fevereiro
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Cartas do Purgatório (12)
Para: eitores do Portuga Contempoâneo
De. Feuisberto Uauande (cf. aqui)
Assunto: Uma pechincha
O Mestre passa cada vez mais tempo aqui, sinto-o ansioso. Hoje desceu do andar de cima para me perguntar:
-Uauande… tu achas mesmo que vou conseguir empochar os dez mihões?… Precisava tanto de comprar um carrito…
-Mestre... dez mihões não digo… mas um mihãozito é garantido…
-Já chegava para as primeiras impressões, Uauande… a Maria só me pede dinheiro, Uauande…
-É como a minha Uiuiana, Mestre… só sabem pedir dinheiro…
-E o rapaz, Uuauande… o rapaz … aém do curso de chef… agora quer ir fazer o curso de taberneiro… imagina, Uauande, taberneiro… e as propinas estão tão caras, Uauande…
-Taberneiro, Mestre!?…
-Sim, Uauande...para servir vinho de graça aos convidados…
-Não se preocupe, Mestre… o Papá Encarnação já está a eaborar a queixa… enquanto a sociedade de advogados conversa os juízes e os magistrados do Ministério Púbico… e o Rocha de Matosinhos estuda a CEDH para se certificar que ea não se apica á no rectânguo…
-E o Papá Encarnação está-se a queixar de quê, Uauande!?
-Que a tropa á de baixo he chamou padreca, Mestre!...
-E depois, Uauande!?…
-Depois, Mestre… o Mestre ficou como o Rangeu…
-E como é que ficou o Rangeu, Uauande…?
-Ohe, Mestre… eia aqui… eia aqui… humihado… vexado… triste… irritado… desgostoso...revotado...
-Coitado do Rangeu, Uauande...E depois... Uauande... como é que a gente saca o mihão à matosa á de baixo…?
-Deixe isso com o Papá Encarnação, Mestre…
-(…)
-À boca do jugamento, Mestre...o Papá Encarnação propõe à cambada á de baixo desistir da queixa se ees pagarem um mihão…
-E ees vão nisso, Uauande?
-Garantido, Mestre… um desconto de 90% numa queixa certificada pelo Ministério Púbico, Mestre...é uma autêntica pechincha ...Quem é que não aproveita, Mestre?...
De. Feuisberto Uauande (cf. aqui)
Assunto: Uma pechincha
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-Uauande… tu achas mesmo que vou conseguir empochar os dez mihões?… Precisava tanto de comprar um carrito…
-Mestre... dez mihões não digo… mas um mihãozito é garantido…
-Já chegava para as primeiras impressões, Uauande… a Maria só me pede dinheiro, Uauande…
-É como a minha Uiuiana, Mestre… só sabem pedir dinheiro…
-E o rapaz, Uuauande… o rapaz … aém do curso de chef… agora quer ir fazer o curso de taberneiro… imagina, Uauande, taberneiro… e as propinas estão tão caras, Uauande…
-Taberneiro, Mestre!?…
-Sim, Uauande...para servir vinho de graça aos convidados…
-Não se preocupe, Mestre… o Papá Encarnação já está a eaborar a queixa… enquanto a sociedade de advogados conversa os juízes e os magistrados do Ministério Púbico… e o Rocha de Matosinhos estuda a CEDH para se certificar que ea não se apica á no rectânguo…
-E o Papá Encarnação está-se a queixar de quê, Uauande!?
-Que a tropa á de baixo he chamou padreca, Mestre!...
-E depois, Uauande!?…
-Depois, Mestre… o Mestre ficou como o Rangeu…
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-Ohe, Mestre… eia aqui… eia aqui… humihado… vexado… triste… irritado… desgostoso...revotado...
-Coitado do Rangeu, Uauande...E depois... Uauande... como é que a gente saca o mihão à matosa á de baixo…?
-Deixe isso com o Papá Encarnação, Mestre…
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-E ees vão nisso, Uauande?
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28 fevereiro 2020
Crime não é trabalho
No post em baixo citei o parágrafo final do artigo do Francisco Teixeira da Mota de hoje no Público.
Neste post, proponho-me transcrever um trecho mais longo do mesmo artigo para, no final, tirar uma conclusão e deixar uma pergunta (os ênfases são meus):
"Os factos já foram abundantemente divulgados: em 2006, Ricardo Sá Fernandes foi abordado pelo empresário Domingos Névoa com o intuito de corromper o seu irmão José Sá Fernandes e gravou a conversa que o corruptor teve consigo sem, naturalmente, o informar que ia proceder a tal gravação. De seguida, foi à Polícia Judiciária, entregou a gravação e, já com autorização judicial, procedeu à gravação de uma outra conversa com o corruptor, assim permitindo que o mesmo viesse a ser condenado pelo crime de corrupção.
(…)
Certo é que o construtor civil em causa, incomodado por ter sido exposto nacionalmente como um corruptor, moveu contra Sá Fernandes as mais diversas ações, cíveis e criminais, nunca tendo tido qualquer êxito em nenhuma delas, salvo no processo em que eu patrocinei Sá Fernandes, nacional e internacionalmente, e sobre o qual o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem se pronunciou esta semana"
Conclusão: O construtor civil cometeu o crime de corrupção pelo qual viria a ser condenado. E cometeu também os crimes de acusar falsamente um inocente [Sá Fernandes] e de litigar de má-fé contra ele.
Nestes últimos crimes, o construtor civil teve a cumplicidade do seu advogado.
Pergunta: O que é que acontece ao advogado que, em nome do seu cliente, acusa falsamente uma pessoa de crimes que ela não cometeu e litiga de má-fé contra ela?
Gostava que o Teixeira da Mota respondesse a esta questão num dos seus próximos artigos. A Ordem dos Advogados ou a Lei terão alguma penalização para este advogado?
Não venha dizer que o advogado está a trabalhar. Não está. Está a cometer um crime (na realidade, vários crimes). Crime não é trabalho.
O cirurgião que propositadamente retira o fígado ao seu paciente não está a trabalhar. Está a cometer um crime [de homicídio]
Quando os advogados deixarem de ter licença para serem criminosos - criminosos legais, é certo, mas, ainda assim, criminosos - a Justiça em Portugal vai melhorar substancialmente. O mesmo vale para os magistrados do Ministério Público que, na prática, são os advogados de acusação por parte do Estado.
Quando uns e outros responderem pelos crimes que cometem no exercício da sua profissão, como qualquer pessoa normal (v.g., médico, motorista), o mundo da Justiça no país vai mudar para muito melhor. E o negócio dos crimes - que tem normalmente os advogados como intermediários e principais beneficiários - vai baixar drasticamente.
É muito curioso - e, certamente, bastante corporativo - que o advogado Teixeira da Mota mencione pelo nome o empresário Domingos Névoa mas nunca mencione o nome do seu colega a quem o Domingos Névoa pagou para cometer crimes contra o Sá Fernandes (e dos quais, o Teixeira da Mota, por via indirecta, também beneficiou).
Neste post, proponho-me transcrever um trecho mais longo do mesmo artigo para, no final, tirar uma conclusão e deixar uma pergunta (os ênfases são meus):
"Os factos já foram abundantemente divulgados: em 2006, Ricardo Sá Fernandes foi abordado pelo empresário Domingos Névoa com o intuito de corromper o seu irmão José Sá Fernandes e gravou a conversa que o corruptor teve consigo sem, naturalmente, o informar que ia proceder a tal gravação. De seguida, foi à Polícia Judiciária, entregou a gravação e, já com autorização judicial, procedeu à gravação de uma outra conversa com o corruptor, assim permitindo que o mesmo viesse a ser condenado pelo crime de corrupção.
(…)
Certo é que o construtor civil em causa, incomodado por ter sido exposto nacionalmente como um corruptor, moveu contra Sá Fernandes as mais diversas ações, cíveis e criminais, nunca tendo tido qualquer êxito em nenhuma delas, salvo no processo em que eu patrocinei Sá Fernandes, nacional e internacionalmente, e sobre o qual o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem se pronunciou esta semana"
Conclusão: O construtor civil cometeu o crime de corrupção pelo qual viria a ser condenado. E cometeu também os crimes de acusar falsamente um inocente [Sá Fernandes] e de litigar de má-fé contra ele.
Nestes últimos crimes, o construtor civil teve a cumplicidade do seu advogado.
Pergunta: O que é que acontece ao advogado que, em nome do seu cliente, acusa falsamente uma pessoa de crimes que ela não cometeu e litiga de má-fé contra ela?
Gostava que o Teixeira da Mota respondesse a esta questão num dos seus próximos artigos. A Ordem dos Advogados ou a Lei terão alguma penalização para este advogado?
Não venha dizer que o advogado está a trabalhar. Não está. Está a cometer um crime (na realidade, vários crimes). Crime não é trabalho.
O cirurgião que propositadamente retira o fígado ao seu paciente não está a trabalhar. Está a cometer um crime [de homicídio]
Quando os advogados deixarem de ter licença para serem criminosos - criminosos legais, é certo, mas, ainda assim, criminosos - a Justiça em Portugal vai melhorar substancialmente. O mesmo vale para os magistrados do Ministério Público que, na prática, são os advogados de acusação por parte do Estado.
Quando uns e outros responderem pelos crimes que cometem no exercício da sua profissão, como qualquer pessoa normal (v.g., médico, motorista), o mundo da Justiça no país vai mudar para muito melhor. E o negócio dos crimes - que tem normalmente os advogados como intermediários e principais beneficiários - vai baixar drasticamente.
É muito curioso - e, certamente, bastante corporativo - que o advogado Teixeira da Mota mencione pelo nome o empresário Domingos Névoa mas nunca mencione o nome do seu colega a quem o Domingos Névoa pagou para cometer crimes contra o Sá Fernandes (e dos quais, o Teixeira da Mota, por via indirecta, também beneficiou).
Justiça e decência
"Até quando terão os portugueses de se deslocar a Estrasburgo para encontrar Justiça e decência?" (cf. aqui)
27 fevereiro 2020
Cartas do Purgatório (11)
Para: eitores do Portuga Contemporâneo
De: Feuisberto Uauande (cf. aqui)
Assunto: "Os indígenas do rés-do-chão"
Hoje o Mestre passou aqui no primeiro andar com um ar muito apreensivo e perguntou-me:
-Uauande… tu achas mesmo que eu tenho aguma chance de empochar os dez mihões?...
Eu respondi como podia:
-Mestre... á no meu rectânguo tudo é possíveu
-É que dava mesmo jeito, Uauande… tenho andado com tantas despesas…
-Pois, Mestre... eu sei o que isso é… com a minha Uiuiana Uauande…
-A Maria só me pede dinheiro… e o rapaz quer ir tirar um curso de chef…
-Chef, Mestre… chef de quê?...
-Chef de peixes, Uauande … mutipicação de peixes...vê á tu, Uauande… mutipicação de peixes…
-Mestre... o que é preciso é constituir uma boa equipa…o resto tudo se arranja…
-Para aém do Rocha de Matosinhos e do Papá Encarnação… quem é que me sugeres mais, Uauande?...
-Mestre... sugiro aqui o meu vizinho do ado...o Vasco…
-Para quê, Uauande?...
-Para escrever crónicas para o Diário do Purgatório, Mestre…
-(…)
-Já estou a ver o títuo da primeira crónica, Mestre… "Os indígenas do rés-do chão"...
-E mais… quem mais, Uauande?…
-Mestre... uma grande sociedade de advogados com um sóido currícuo a comprar juízes e magistrados do Ministério Púbico, Mestre…
-E tens aguma sugestão, Uauande?...
-Tenho, Mestre… mas só he posso dizer ao ouvido…
-Então diz, Uauande…
-Cuatre…
-Quatro quê, Uauande!?...com a idade estou a ficar muito surdo deste ouvido...
De: Feuisberto Uauande (cf. aqui)
Assunto: "Os indígenas do rés-do-chão"
Hoje o Mestre passou aqui no primeiro andar com um ar muito apreensivo e perguntou-me:
-Uauande… tu achas mesmo que eu tenho aguma chance de empochar os dez mihões?...
Eu respondi como podia:
-Mestre... á no meu rectânguo tudo é possíveu
-É que dava mesmo jeito, Uauande… tenho andado com tantas despesas…
-Pois, Mestre... eu sei o que isso é… com a minha Uiuiana Uauande…
-A Maria só me pede dinheiro… e o rapaz quer ir tirar um curso de chef…
-Chef, Mestre… chef de quê?...
-Chef de peixes, Uauande … mutipicação de peixes...vê á tu, Uauande… mutipicação de peixes…
-Mestre... o que é preciso é constituir uma boa equipa…o resto tudo se arranja…
-Para aém do Rocha de Matosinhos e do Papá Encarnação… quem é que me sugeres mais, Uauande?...
-Mestre... sugiro aqui o meu vizinho do ado...o Vasco…
-Para quê, Uauande?...
-Para escrever crónicas para o Diário do Purgatório, Mestre…
-(…)
-Já estou a ver o títuo da primeira crónica, Mestre… "Os indígenas do rés-do chão"...
-E mais… quem mais, Uauande?…
-Mestre... uma grande sociedade de advogados com um sóido currícuo a comprar juízes e magistrados do Ministério Púbico, Mestre…
-E tens aguma sugestão, Uauande?...
-Tenho, Mestre… mas só he posso dizer ao ouvido…
-Então diz, Uauande…
-Cuatre…
-Quatro quê, Uauande!?...com a idade estou a ficar muito surdo deste ouvido...
actividade celestial
Aquilo que o Público (cf. aqui) tem revelado é que a Justiça em Portugal se tornou um negócio.
Eu não tenho nada contra os negócios.
Desde que não seja em crimes onde os descontos podem ir até 95% (cf. aqui).
Se é para ser negócio, a justiça tem de ser institucionalizada como negócio.
Não como actividade celestial.
Eu não tenho nada contra os negócios.
Desde que não seja em crimes onde os descontos podem ir até 95% (cf. aqui).
Se é para ser negócio, a justiça tem de ser institucionalizada como negócio.
Não como actividade celestial.
Público
O Público é o jornal que mais e melhor tem trabalhado em prol da reforma democrática da justiça, uma reforma que nunca foi feita, mas que é urgente fazer.
Desta reforma depende uma democracia saudável em que as instituições estejam ao serviço de todos e não apenas de alguns.
Parabéns ao Público e que mantenham o bom trabalho!
Desta reforma depende uma democracia saudável em que as instituições estejam ao serviço de todos e não apenas de alguns.
Parabéns ao Público e que mantenham o bom trabalho!
Cartas do Purgatório (10)
A: eitores do Portuga Contemporâneo
De: Feuisberto Uauande (cf. aqui)
Assunto: O Rocha de Matosinhos
-Uauande… estou a pensar pôr um processo por difamação aquea mata á de baixo…,
disse-me hoje o Mestre.
-Sim, Mestre… já tenho o teefone do magistrado do Ministério Púbico que o pode ajudar, Mestre…,
respondi eu
-Quem é, Uauande?
-É o Rocha, Mestre...o Rocha de Matosinhos…
-O ta que diz que a Convenção Europeia dos Direitos do Homem não se apica á no teu rectânguo, Uauande?...
-Esse mesmo, Mestre…
-Então, é esse que me convém… Quanto é que achas que devo pedir de indemnização, Uauande?...
-Dez mihões, Mestre…nunca menos…
-Tanto, Uauande?...Será que a gajada á de baixo tem essa massa para me pagar, Uauande?...
-Não faz ma, Mestre… Eu depois recomendo-he um advogado que hes faz 99.9% de desconto, Mestre…
-99.9% de desconto, Uauande… isso é negócio de ciganos, Uauande!?...
-Sim, Mestre… é o Papá Encarnação...
De: Feuisberto Uauande (cf. aqui)
Assunto: O Rocha de Matosinhos
-Uauande… estou a pensar pôr um processo por difamação aquea mata á de baixo…,
disse-me hoje o Mestre.
-Sim, Mestre… já tenho o teefone do magistrado do Ministério Púbico que o pode ajudar, Mestre…,
respondi eu
-Quem é, Uauande?
-É o Rocha, Mestre...o Rocha de Matosinhos…
-O ta que diz que a Convenção Europeia dos Direitos do Homem não se apica á no teu rectânguo, Uauande?...
-Esse mesmo, Mestre…
-Então, é esse que me convém… Quanto é que achas que devo pedir de indemnização, Uauande?...
-Dez mihões, Mestre…nunca menos…
-Tanto, Uauande?...Será que a gajada á de baixo tem essa massa para me pagar, Uauande?...
-Não faz ma, Mestre… Eu depois recomendo-he um advogado que hes faz 99.9% de desconto, Mestre…
-99.9% de desconto, Uauande… isso é negócio de ciganos, Uauande!?...
-Sim, Mestre… é o Papá Encarnação...
explicar no Parlamento
"Van Dunem terá de explicar no Parlamento o que se passa na distribuição de processos judiciais" (cf. aqui)
É simples. De vez em quando a máquina avaria. (cf. aqui).
Como medida de emergência tem de se recorrer ao velho método das sortes: "Este vai ter sorte, aquele vai ter azar… este vai ter sorte, aquele vai ter azar…" (cf. aqui)
É simples. De vez em quando a máquina avaria. (cf. aqui).
Como medida de emergência tem de se recorrer ao velho método das sortes: "Este vai ter sorte, aquele vai ter azar… este vai ter sorte, aquele vai ter azar…" (cf. aqui)
Oliveira Martins
A referência do Vasco Pulido Valente era o Oliveira Martins, o autor do livro - Portugal Contemporâneo - que dá o nome a este blogue.
Um dia dei-me ao trabalho de reler o Portugal Contemporâneo do Oliveira Martins à procura de encontrar um português de quem ele dissesse bem. Não me lembro de ter encontrado algum.
O Vasco Pulido Valente era igual. Dizia mal de tudo aquilo que era português e de todos os portugueses.
Excepto de um - ele próprio.
O grande milagre da vida do Vasco Pulido Valente foi o de ele ter conseguido viver a vida inteira no meio de 10 milhões de abencerragens.
Seria o próprio Oliveira Martins a baptizar a Geração de 70 como Os Vencidos da Vida (cf. aqui).
Passaram a vida a falar de portugueses derrotados pelo que, eles próprios, só poderiam acabar derrotados.
Um dia dei-me ao trabalho de reler o Portugal Contemporâneo do Oliveira Martins à procura de encontrar um português de quem ele dissesse bem. Não me lembro de ter encontrado algum.
O Vasco Pulido Valente era igual. Dizia mal de tudo aquilo que era português e de todos os portugueses.
Excepto de um - ele próprio.
O grande milagre da vida do Vasco Pulido Valente foi o de ele ter conseguido viver a vida inteira no meio de 10 milhões de abencerragens.
Seria o próprio Oliveira Martins a baptizar a Geração de 70 como Os Vencidos da Vida (cf. aqui).
Passaram a vida a falar de portugueses derrotados pelo que, eles próprios, só poderiam acabar derrotados.
Cartas do Purgatório (9)
Para: eitores do Portuga Contemporâneo
De: Feuisberto Uauande (cf. aqui)
Assunto: Rangeu
Esta manhã o Mestre passou por aqui de fugida e perguntou-me:
-Uauande!... O que é que se passa á em baixo com o Rangeu!?
-São dois..Mestre...
-Dois... Uauande!?...
-Sim... Mestre… são dois … o juiz … e o poítico…
-Faa-me do Rangeu juiz, Uauande!...
-O Correio da Manhã chamou-he caoteiro e ee ficou ofendido, Mestre…
-E o Rangeu poítico, Uauande…?
-Ah...isso foi o Arroja que he chamou poitiqueiro e ee também ficou ofendido...
-Estou a ver que é do nome, Uauande...os Rangeus ofendem-se muito... Uauande…
-Pois é... Mestre…
-E o que é que aconteceu depois, Uauande?…
-O Rangeu juiz e o Rangeu poitico queixaram-se ao Ministério Púbico…
-(…)
-Os jornalistas foram condenados a pagar ao Rangeu juiz 50 mi e o Arroja foi condenado a pagar ao Rangeu poítico 10 mi…
-Uauande!… teefona já ao Arroja para te dar os nomes dos magistrados do Ministério Púbico que ee conhece…
-Para quê, Mestre!?
-Ontem fui á a baixo ao rés-do-chão e aquea canahada ofendeu-me... imagina… chamaram-me padreca, Uauande...
De: Feuisberto Uauande (cf. aqui)
Assunto: Rangeu
Esta manhã o Mestre passou por aqui de fugida e perguntou-me:
-Uauande!... O que é que se passa á em baixo com o Rangeu!?
-São dois..Mestre...
-Dois... Uauande!?...
-Sim... Mestre… são dois … o juiz … e o poítico…
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-O Correio da Manhã chamou-he caoteiro e ee ficou ofendido, Mestre…
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o funcionário público
O Vasco Pulido Valente era o exemplo acabado do funcionário público presunçoso sempre a dizer mal da mão que lhe dava de comer - a dos contribuintes portugueses.
Só se lhe conhecem empregos no sector público à parte o gancho da Católica. Talvez porque, no sector privado, ao segundo dia, seria despedido.
Aquilo que dá importância social decisiva ao intelectual, e torna o intelectual verdadeiramente livre, é a sua desinstitucionalização. O Vasco Pulido Valente nunca fez isso. Criticava o sistema mas não podia passar sem ele.
Da Geração de 70 só o Antero de Quental parece ter sido excepção.
No fundo, era um saudosista da sociedade fechada, aristocrática, retrógrada e pomposa do passado e um adversário da democracia. Para ele, o povo eram os indígenas.
Aquele detalhe de ter rejeitado os apelidos do pai para adoptar os da mãe diz muito acerca do seu pensamento social. Para ele, a relevância social vinha do nome de família, não do trabalho aplicado e do mérito como é próprio de uma sociedade aberta, progressiva e democrática.
Sempre crítico dos políticos da democracia, não recusou ele próprio fazer umas perninhas pela política partidária e até pelo poder. A ultima, como deputado do PSD, durou poucos meses e veio embora queixando-se que o restaurante do Paramento era um cochicho.
Só se lhe conhecem empregos no sector público à parte o gancho da Católica. Talvez porque, no sector privado, ao segundo dia, seria despedido.
Aquilo que dá importância social decisiva ao intelectual, e torna o intelectual verdadeiramente livre, é a sua desinstitucionalização. O Vasco Pulido Valente nunca fez isso. Criticava o sistema mas não podia passar sem ele.
Da Geração de 70 só o Antero de Quental parece ter sido excepção.
No fundo, era um saudosista da sociedade fechada, aristocrática, retrógrada e pomposa do passado e um adversário da democracia. Para ele, o povo eram os indígenas.
Aquele detalhe de ter rejeitado os apelidos do pai para adoptar os da mãe diz muito acerca do seu pensamento social. Para ele, a relevância social vinha do nome de família, não do trabalho aplicado e do mérito como é próprio de uma sociedade aberta, progressiva e democrática.
Sempre crítico dos políticos da democracia, não recusou ele próprio fazer umas perninhas pela política partidária e até pelo poder. A ultima, como deputado do PSD, durou poucos meses e veio embora queixando-se que o restaurante do Paramento era um cochicho.
sem descanso
A Justiça sem descanso: "Ex-presidente da Relação usou tribunal para ganhar 280 mil euros com julgamento privado" (cf. aqui e aqui)
26 fevereiro 2020
150 anos de atraso
O Vasco Pulido Valente - Deus lhe tenha a alma em descanso - era o intelectual da Geração de 70 com 150 anos de atraso.
Sobre decência e vergonha
Há dias dediquei-lhe um post (cf. aqui) e hoje já o citei em baixo, mas gostaria de reiterar que é mais um excelente artigo do juiz Manuel Soares, presidente do sindicato do juízes, aquele que ele assina hoje no Público (cf. aqui).
É assim que deve ser, como ele diz. Muito bem.
É assim que deve ser, como ele diz. Muito bem.
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