31 dezembro 2018

A figura do ano

Papá Encarnação
(fonte: aqui)

o meu herói

Para mim, o mistério do ano foi este Grande Mistério (cf. aqui: um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete).

Tem como protagonista principal essa figura secreta e enigmática que se tornou o meu herói de 2018 - o magistrado X.

Trata também de influências estranhas que se mexem no nosso sistema de Justiça. Em Espanha, a Cuatrecasas já age às claras. Este ano empregou um juiz do Supremo (cf. aqui) para poder influenciar ao mais alto nível.

30 dezembro 2018

a martelo

Para mim, em termos pessoais, o acontecimento do ano foi esta condenação a martelo (cf. aqui: um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez).

29 dezembro 2018

Os dez

Durante o ano de 2018 foram publicados no Portugal Contemporâneo cerca de 1000 posts.

Os dez mais partilhados foram os seguintes:

1. TVI (1949)
2. hereges (1424)
3. o retrato (1329)
4. A armada (1164)
5. Cañones contra pajaritos (981)
6. do seguinte modo (846)
7. a liberdade é coisa antiga (755)
8. Limpacasas (728)
9. case-os, pedro (720)
10. o tango (698)

nunca parece chegar

"...para um dia que nunca parece chegar" (cf. aqui)

28 dezembro 2018

a da SIC

Afinal, a peça jornalística de que eu gosto mais, não é a da RTP (cf. aqui), que passa para segundo lugar, mas a da SIC, que ainda não tinha visto (cf. aqui)

(Aquela obra que se vê em acção é a da  Associação Joãozinho. As imagens são de 2 de Novembro de 2015, o dia em que a obra começou. O actual Governo entrou em funções a 26 desse mês e bloqueou a obra.)

27 dezembro 2018

A obra começou

A obra começou em Janeiro de 2017 (cf. aqui).

A obra começou em Junho de 2017 (cf. aqui).

A obra começou em Abril de 2018 (cf. aqui).

A obra vai começar até ao final do próximo ano (cf. aqui)
(Mas com eleições a 6 de Outubro a Ministra já lá não estará para cumprir a promessa).

26 dezembro 2018

Foto de 2010

Foto de 2010
(Fonte: cf. aqui)

preferida

Praticamente todos os órgãos de comunicação social estiveram ontem no HSJ a reportar sobre o tema da ala pediátrica do Hospital.

De todas as peças jornalísticas, a minha preferida é a da RTP que foi hoje de novo para o ar no telejornal da hora do almoço (cf. aqui)

25 dezembro 2018

este passo decisivo

"...esperando-se que seja possível ainda este ano..." (cf. aqui, áudio).

"Obras da ala pediátrica do HSJ arrancam até ao final de 2019" (cf. aqui)

"Marcelo garante..." (cf. aqui).

"Estive aqui em 2010 ... quando a causa estava no seu início... e ser possível... agora...em 2019...este passo decisivo..." (cf. aqui, vídeo).

"E é bom que neste dia de Natal, em que nós vivemos tempos em que normalmente as notícias são mais más do que boas..." (cf. aqui).

"Riscos existem sempre..." (cf. aqui).

"Vamos tratar disso...vamos tratar disso...com aquele artigo...que é um artigo só sobre isso..." (cf. aqui, vídeo).

" 2010 ...2019...é uma razão de alegria para todos nós" (cf. aqui).

"...estamos no início de uma nova fase...tem calendários muito precisos..." (cf. aqui)

"Não consigo dizer a data exacta..." (cf. aqui)

"...as decisões estão tomadas, agora é uma questão de tempo..." (cf. aqui)

"...aquilo que suscitou tanta preocupação...da parte da sociedade civil... uma causa que é uma causa de tanta gente..." (cf. aqui)

"...e isso dá-me uma alegria particular porque estive aqui em 2010... e agora ser possível em 2019..." (cf. aqui)

"Está pensado o esquema para uma solução transitória..." (cf. aqui)

pais do Joãozinho

"Não adianta disfarçar..." (cf. aqui).

Nem fazer vista grossa (cf. aqui).

"Obras de fachada..." (cf. aqui).

24 dezembro 2018

Natal

Votos de um Santo Natal a todos os leitores do Portugal Contemporâneo.

23 dezembro 2018

Sérgio Conceição

Sérgio Conceição dedica a vitória de hoje às crianças internadas na ala pediátrica do HSJ (cf. aqui).

de vento em pôpa

O Projecto Joãozinho nasceu em 2009 no HSJ para construir por via mecenática a ala pediátrica do Hospital (cf. aqui).

Quando me perguntam sobre a história do Joãozinho, eu só sei metade, a partir de 2014 quando o então presidente do HSJ, Professor António Ferreira, me pediu para dar continuidade ao Projecto.

Foi então criada a Associação Joãozinho (13 de Janeiro de 2014) que, em breve, e por força da lei, se tornaria completamente autónoma do HSJ, embora trabalhando com ele para um fim comum - construir a ala pediátrica do HSJ por via mecenática. O HSJ nunca cumpriria a sua parte.

A história do Joãozinho a partir de 2014 tenho-a vindo a contar neste blogue (cf. aqui, contada até Setembro de 2017 e, posteriormente, dispersa em vários posts que ainda não tive a oportunidade de reunir).

Sobre o período anterior a 2014 sei pouco, e o pouco que sei é recente. Por exemplo, trouxeram recentemente ao meu conhecimento um artigo que retrata a situação do Joãozinho em 2010 (cf. aqui). Já dei conta de outro em que o Professor Marcelo Rebelo de Sousa se associa ao Joãozinho nesse mesmo ano (cf. aqui).

Sobre o primeiro, a minha avaliação de economista é que o Projecto Joãozinho ia de vento em pôpa um ano após o seu nascimento. O custo da ala pediátrica estava nessa altura orçado em 14 milhões de euros, e os dois principais mentores do Projecto Joãozinho, o então presidente do HSJ, Professor António Ferreira, e o seu actual presidente, Dr. António Oliveira e Silva (na altura director clínico e membro da administração) já tinham angariado 4 milhões de euros em mecenato.

A este ritmo, a obra estaria pronta e paga em cerca de 3 anos, isto é, em 2013.

Não percebo porque é que o Professor António Ferreira me veio chamar para assumir o Projecto Joãozinho em 2014. Somente para me fazer gastar inutilmente dinheiro, perder tempo e passar por muitas outras maçadas, como aconteceu este ano.

Ou então - que é aquilo em que eu acredito - foi Deus que me quis dar esta cruz, que eu carrego, desde o primeiro dia, com enorme entusiasmo.

os caminhos de Deus

Na crónica do Porto Canal referida no post anterior, a certa altura eu digo que vou ter de resolver este problema sozinho - não me ocorrendo incomodar os mecenas - e que conto apenas com a ajuda de Deus para levar por diante esta obra.

Acrescento que a figura de Deus é a de um Pai e que todos os pais querem esta obra.

Passados quase três anos, é caso para perguntar:

-E Deus ajudou mesmo?

-Sim.

-E como é que se revelou?

-Através de um pai.

-Como se chama?

-Jorge Pires.

(Nos últimos meses ele tem sido a pessoa mais importante para levar por diante esta obra.)

Esta foi uma das principais revelações do Cristianismo, cujo nascimento se comemora nestes dias.

Os judeus acreditavam que Deus se revelava principalmente através das Leis (de Moisés). Cristo veio dizer que Deus se revela principalmente através das Pessoas (de que ele próprio era o exemplo paradigmático). Em suma, os caminhos de Deus fazem-se, em primeiro lugar, através de Pessoas, e não de Leis.

22 dezembro 2018

"Isto vai acabar mal"

Foi há quase três anos, a obra tinha parado há duas semanas apenas.

Refiro-me a esta crónica no Porto Canal (cf. aqui).

O tema é a obra do Joãozinho e o Presidente Marcelo, acabado de ser eleito.

em 2010

O Professor Marcelo Rebelo de Sousa com o Joãozinho em 2010 (cf. aqui, ao fundo da página).

Nesta altura, as crianças já estavam internadas em contentores.

Citando:

"...o Professor Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou o processo de modernização por que passa todo o hospital".

Foi uma modernização fantástica. Hoje, chove dentro da enfermaria das crianças e as infestações de moscas são normais. Mas a maior modernização de todas foi divulgada esta semana: os caixotes do lixo são guardados nos berços dos bebés. Alguém imaginaria maior modernização do que misturar caixotes do lixo com bebés?

(Joãozinho é o nome e o símbolo do Projecto de construção da nova ala pediátrica do HSJ por via mecenática. Este Projecto foi lançado em 2009 pelo anterior presidente do HSJ, Professor António Ferreira e, em 2014, a pedido deste, foi autonomizado na Associação Joãozinho, criada para esse fim).

Até hoje

O Professor Marcelo Rebelo de Sousa conhece o Joãozinho muito antes de eu próprio o conhecer, era ainda este projecto mecenático conduzido pelo HSJ.

Em Outubro de 2017, faz agora pouco mais de um ano, entrei em contacto com os serviços da Presidência para pedir ao Presidente da República uma audiência para lhe falar sobre o assunto. Na altura não havia ainda a celeuma mediática em torno da ala pediátrica do HSJ, que só começaria em Abril deste ano.

Havia uma obra parada há ano e meio por incumprimento do HSJ de um Protocolo que tinha assinado. Eu já tinha esgotado todos os recursos. O último tinha sido um almoço de trabalho com o Ministro da Saúde e o presidente do HSJ em que ambos se comprometeram a libertar o espaço para a obra prosseguir e depois nada fizeram. (cf. aqui).

Aquilo que eu tinha a pedir ao Presidente é que exercesse a sua magistratura de influência e pressionasse o Governo a ordenar ao HSJ que cumprisse aquilo que assinou e a obra pudesse prosseguir.

As semanas foram passando, o Presidente nunca mais arranjava agenda para me receber, até que em Abril, pela voz de Jorge Pires, actual presidente da Associação de Pais, o escândalo rebentou.

O embaraço oficial foi enorme.

Nesse dia, a TVI contactou-me para, no dia seguinte, prestar declarações sobre o assunto.

Eu conheci o Professor Marcelo Rebelo de Sousa quando ambos éramos comentadores da TSF no início dos anos 90. Ele é um homem da comunicação social e eu também tenho alguma experiência na matéria.

Tinha agora a oportunidade de o fazer mover, já que pelos canais oficiais não o tinha conseguido fazer.

A frase tinha de ser certeira e fatal.

E assim foi. No dia seguinte de manhã, a TVI entrevistou-me. Eu estava visivelmente agastado. O assunto era escândalo nacional e já podia estar resolvido.

Disse à TVI que já tinha esgotado todos os recursos para pôr a obra a andar, inclusivamente que desde há seis meses pedia uma audiência ao Presidente da República sem que ele me recebesse. E acrescentei: "O Presidente deve estar à espera que morram crianças para depois vir cá dar beijinhos aos pais" (cf. aqui)

Nessa tarde, em Coimbra, o Presidente foi confrontado com as minhas declarações, que saíram à hora do almoço, e estava bastante embaraçado.

Dias depois, a 20 de Abril, recebi uma carta do seu Chefe da Casa Civil, Fernando de Melo,  a dizer-me que o Presidente estava à espera de receber informações do Governo sobre o assunto e que logo depois eu seria recebido.

Até hoje.

vista grossa

No Dia de Natal, à tarde, o Presidente da República vai visitar os contentores onde estão internadas as crianças no HSJ.

Da porta dos contentores, a cerca de 200 metros de distância, avista-se o estaleiro da obra da Associação Joãozinho num azul reluzente (cf. aqui).

O Presidente vai ver o problema mas não quer ver a solução.

Um caso de "vista grossa".

21 dezembro 2018

não aceitou

O Presidente da República não aceitou o meu convite para visitar o estaleiro da obra do Joãozinho no HSJ.

o risco

O Presidente da República já recebeu o meu convite para visitar o estaleiro da obra do Joãozinho quando se deslocar ao HSJ no Dia de Natal à tarde.

Os serviços da Presidência prometeram-me uma resposta ainda para hoje.

Para que não haja surpresas, fiz questão de salientar o risco político que está envolvido num Sim (cf. aqui, este blogue é muito lido).

Eu vou mostrar ao Presidente uma obra que está parada há três anos e que já poderia estar pronta.

A atenção mediática que a visita do Presidente suscita poderá levar os portugueses, que andam há oito meses a ouvir falar da ala pediátrica do HSJ, a colocarem-se as seguintes questões:

-Já existe uma obra? (Sim)
-E quando é que foi parada? (Depois deste Governo tomar posse, há 3 anos)
-E por que é que está parada? (Porque o Governo não a quer)
-E o Governo não fez nada em 3 anos? (É o que se vê).
-E essa obra pode ser recomeçada imediatamente? (Sim)
-E se fôr o Governo a fazê-la, quando é que a obra começa? ("Depois do Verão...")

Um Sim do Presidente aumentaria enormemente a probabilidade de a obra ser retomada a muito breve prazo, beneficiando as crianças e os seus pais.

Não é fácil a decisão do Presidente. Mas um homem tem de tomar, às vezes, decisões difíceis.

Pela minha parte, dou maior probabilidade ao Não (60%) do que ao Sim (40%). O pior seria o silêncio ao meu convite, e esse já está excluído.

Só existe mais um

Tenho afirmado e reafirmado que o objectivo deste Governo e desta administração do HSJ, por ele nomeada, é não fazer nem deixar fazer a ala pediátrica do Hospital.

Num post que escrevi há cerca de três semanas em abono desta tese (cf. aqui), perguntava-me se, desde que o Governo tomou posse, e decorridos mais de três anos, estamos hoje mais perto ou mais longe da conclusão da ala pediátrica do HSJ.

A minha resposta foi a de que estamos mais longe. A 26 de Novembro de 2015, quando o Governo tomou posse, havia um projecto e uma obra em curso.  Agora - respondia eu há três semanas - nem projecto existe, porque o Governo/HSJ mandou refazê-lo e só estará pronto no final do primeiro semestre de 2019.

Estamos hoje inequivocamente mais longe da conclusão dos trabalhos. Estes três anos serviram, não para dar passos em frente, mas para dar um passo atrás, regredindo da obra para o projecto.

Esta semana falou-se num dado novo e que até aqui nunca tinha sido mencionado. Em notícia lançada para a comunicação social, o HSJ dizia que iria receber o anteprojecto na Quarta-feira, o qual lhe seria enviado pela empresa de arquitectura (Aripa). A isso fiz referência neste post (cf. aqui).

Não sei se o anteprojecto chegou, mas admito que sim, embora não saiba a hora. (Normalmente os anteprojectos são entregues da parte da tarde, entre as 4:00 e as 5:00 com uma tolerância de 5 minutos para mais cedo ou para mais tarde. Vindo de Lisboa para o Porto, a tolerância é alargada para 7 minutos. A minha estimativa é que terá sido entregue às 4:47. Admira-me que não tenha saído nos jornais).

Não é esse, porém, o ponto importante. O ponto importante é que a introdução do anteprojecto no processo da ala pediátrica do HSJ representa mais um passo para atrás. Se até aqui se tinha regredido da obra para o projecto, agora regrediu-se do projecto para o anteprojecto. Dando a sensação de que está a fazer alguma coisa pela ala pediátrica, o Governo/HSJ está na realidade a andar para trás.

Qual é o próximo passo atrás que o Governo/HSJ pode dar neste processo?

Só existe mais um: dizer que a obra não é necessária. E é esse passo que, dentro de pouco tempo, se prepara para dar. E o objectivo do seu mandato fica atingido.

20 dezembro 2018

F.C.Porto

Jogadores e treinador do F.C.Porto visitaram hoje a ala pediátrica do HSJ (cf. aqui).

O F.C. Porto e o seu Presidente, Pinto da Costa, são desde o início grandes mecenas do Joãozinho.

Um Jantar de Gala organizado no Pavilhão do Estádio do Dragão em Abril de 2015 proporcionou à Associação Joãozinho cerca de 250 mil euros destinados à construção da ala pediátrica.

Associação Joãozinho convida PR

Associação Joãozinho convida Presidente da República a visitar estaleiro da obra (cf. aqui).

Caso o Presidente aceite - julgo que serão imensas as pressões para que não o faça -, aquilo que lhe vou mostrar é o estaleiro da obra (cf. aqui).

Irei mostrar-lhe os trabalhos de demolição já efectuados e  o "Serviço de Sangue" que é para ser demolido, e que desde há três anos está a impedir o progresso da obra.

Farei também uma descrição do edifício que se pretende construir e as suas várias valências.

Dar-lhe-ei um dossier com toda a documentação relativa ao Projecto Joãozinho, incluindo o contrato de empreitada em vigor e o Acordo de Cooperação celebrado com o HSJ.

Dir-lhe-ei que a Associação Joãozinho está pronta a recomeçar os trabalhos a todo o momento (assim o HSJ desimpeça o Serviço de Sangue) e a levá-los até ao final por via inteiramente mecenática, sem rejeitar a possibilidade de o Governo se lhe associar e fazerem a obra em conjunto.

um caixote

A SIC foi lá ver e confirma-se o risco (cf. aqui)

Um dia destes às escuras (com as falhas de electricidade que por lá existem...), um funcionário atira um bebé para dentro da camioneta do lixo julgando que está a atirar um caixote.

deitar fora o bebé

A ala pediátrica do HSJ é hoje tema de capa do JN: "Caixotes do Lixo em Berços na Pediatria do S. João" (cf. aqui), ocupando duas páginas no interior.

Trata-se, desta vez, de um excelente trabalho jornalístico, objectivo e imparcial, sem ponta de propaganda política ao Governo e à Maioria Parlamentar que o apoia (que é a linha editorial do JN).

Tudo mérito da jornalista Marisa Silva.

No interior, o tema central é o das queixas dos pais. É também referida a reunião que teve lugar esta semana para transferir a titularidade da obra da Associação Joãozinho para o Governo, e ainda o convite feito há duas semanas pela Associação de Pais ao Presidente da República para visitar a ala pediátrica do HSJ durante o Natal.

É ainda referido o convite feito pela Associação Joãozinho ao Presidente da República para visitar o estaleiro da obra que está em curso (cf. aqui).

O título do JN trouxe-me ao espírito uma expressão muito popular na cultura anglo-saxónica para referir a situação em que, para deitar fora um mal, se deita conjuntamente fora um bem ainda maior: "To throw the baby out with the bath water" ("Deitar fora o bebé juntamente com a água do banho").

Na pediatria do HSJ, o risco é o de alguém deitar fora o bebé julgando que se trata de lixo.

solteira

A culpa morre geralmente solteira (cf. aqui)

(Mas talvez não desta vez)

(Série Blunder #3, cf. aqui)

sádicos

Os administradores do HSJ não são sádicos (cf. aqui).

(Embora durante os três anos do seu mandato, que termina no próximo dia 31, tenham bloqueado uma obra que estava em curso, sem fazerem nada em troca, mantendo as crianças à chuva e às moscas)

(Série Blunder #3, cf. aqui)

para avaliar

Governo pede relatório para avaliar a viabilidade da ala pediátrica do HSJ (cf. aqui)

(Série Blunder #1, cf. aqui)

a promoção

A Ministra da Saúde, Marta Temido, começou a construção da ala pediátrica do HSJ muito antes de ser Ministra (cf. aqui).

Daí a promoção.

(Série Blunder #2, cf. aqui)

há mês e meio

A Ministra da Saúde não dorme tranquila há mês e meio (cf. aqui).


(Série Blunder #3, cf. aqui)

em Janeiro

A construção da ala pediátrica do HSJ começa em Janeiro (cf. aqui)

(Série Blunder #3, cf. aqui)

A massa cresce

Em finais de Abril a autorização ainda não tinha chegado (cf. aqui). Chegaria uns dias depois.

Afinal, não são 19 milhões (cf. aqui) a massa que o Hospital tem em caixa. São 22 milhões. Em Janeiro de 2017 eram só 21 milhões (cf. aqui).

A massa cresce na caixa do HSJ.

(Série Blunder #3, cf. aqui)

concurso

Já está lançado o concurso para a nova ala pediátrica do HSJ (cf. aqui).

(Série Blunder #3, cf. aqui)

em caixa

Em Maio, o Hospital de São João tinha 19 milhões em caixa para fazer a ala pediátrica.

Entretanto, devem ter sido comidos pelas moscas (cf. aqui).

(Série Blunder #3. cf. aqui)

em Agosto

Presidente do Hospital de São João demitiu-se em Agosto (cf. aqui).

(Série Blunder #3, cf. aqui)

dinheiro disponível

O dinheiro para a construção da ala pediátrica do HSJ já está disponível desde final de Abril deste ano (cf. aqui).

Não se compreende do que é que estão à espera para começar a obra.

(Série Blunder #3, cf. aqui)

Já não era sem tempo

A construção da ala pediátrica do HSJ começou "...em Outubro ou Novembro" de 2017, não se sabe exactamente ao certo, mas foi por essa altura (cf. aqui).

Já não era sem tempo.

(Série Blunder #2, cf. aqui)

Quem me dera

A Ala Pediátrica do HSJ canta para o seu amado, o Governo

Quem me dera
Abraçar-te no Outono, Verão e Primavera
Quiçá viver além uma quimera
Herdar a sorte e ganhar teu coração
Quem me dera...
(cf. aqui)

19 dezembro 2018

Despacito

La Ala Pediatrica del Hospital de San Juan cantando para su amado, el Gobierno Luso

Dejame sobrepasar
Tus zonas de peligro
Hasta provocar tus gritos
Y que olvides tu apellido
Despacito...
(cf. aqui)

We are the children

Portuguese Government officials singing for children at St. John's Hospital in Oporto:

We are the World
We are the children
We are the ones
That make a better day
So let's start giving
(cf. aqui)

Con dinero y sin dinero

El Gobierno luso cantando a su amada, la Ala Pediatrica del Hospital de San Juan:

Con dinero y sin dinero
Yo hago siempre lo que quiero
Y mi palabra es la ley
No tengo trono ni reina
Ni nadie que me comprenda
Pero sigo siendo el rey
(cf. aqui)

Blunders

Desde que bloqueou a obra da Associação Joãozinho, levando à sua paralisação, o Governo passou a anunciar efusivamente que seria o Estado a fazê-la.

No decurso deste processo, o Governo, em articulação com a administração do HSJ e, ocasionalmente, também com a Administração Regional de Saúde-Norte (ARS-Norte), cometeu três grandes blunders. (A palavra tem aqui o sentido de uma mentira racionalmente planeada mas que sai estrondosamente mal).

Cada blunder é precedido de numerosas notícias que alimentam a esperança durante meses que o Governo vai construir a ala pediátrica do HSJ. Até que chega o dia fatal e o blunder explode. O Governo passa imediatamente a alimentar o seguinte, e o processo repete-se. É curioso notar que é o Governo que cria o blunder e é ele próprio que o faz explodir.


Blunder #1 - O Blunder da Comissão

O primeiro blunder começa no final de 2016 e ganha intensidade no princípio de 2017, atingindo o auge com este artigo do Público em Janeiro desse ano (cf. aqui): o Governo tinha libertado 21 milhões de euros para fazer a ala pediátrica do HSJ. O artigo era precedido de um outro na véspera descrevendo as condições de internamento das crianças.

Em Março, porém,  sai um despacho do Secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado,  a revelar que, afinal, não havia dinheiro nenhum. O Secretário de Estado mandava nomear uma Comissão para estudar se a obra era ou não necessária e, caso afirmativo, estudar as formas do seu financiamento (cf. aqui).  

(Como mais tarde o Secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Fernando Aráujo, admitiria perante mim: "Essa, de facto, saiu muito mal...") 


Blunder #2 - O Blunder do Memorando

Aproveitando a celebração do Dia Mundial da Criança, o Governo organiza uma cerimónia no Hospital de São João no dia 1 de Junho de 2017, que atrai as televisões e restante comunicação social, para anunciar o início das obras na ala pediátrica do Hospital de São João, através da assinatura de um Memorando de Entendimento entre o Hospital de S. João, a ARS-Norte e o Ministério da Saúde, representado pela Administração Central dos Serviços de Saúde (ACSS).

Estão presentes os Secretários de Estado Manuel Delgado e Fernando Araújo.

O Memorando anuncia  o início das obras ainda em 2017 e prevê o escalonamento dos seus pagamentos: 2 milhões em 2017, 15 milhões em 2018, 6 milhões em 2019.

Assinam o Memorando pelo HSJ, o seu presidente, António Oliveira e Silva; pela ARS-Norte, o seu presidente, António Pimenta Marinho; pela ACSS, a sua presidente, Marta Temido. O Memorando é homologado pelo Secretário de Estado Fernando Araújo.

Em Outubro de 2018, Marta Temido, agora Ministra da Saúde, é confrontada com o Memorando pela comunicação social e não sabe onde é que se há-de meter (cf. aqui).


Blunder #3 - O Blunder do Despacho

Em Abril de 2018, o pai de uma criança oncológica, Jorge Pires, indignado com as condições de internamento no HSJ, vem a público e lança o escândalo.

O Ministro da Saúde reage dizendo que a obra vai começar imediatamente, o HSJ até já lá tem o dinheiro, o que o presidente do HSJ confirma. Só falta é a autorização do Ministro das Finanças (cf. aqui).

Durante meses, a autorização esperada do Ministro das Finanças alimenta as notícias, chegando mesmo a especular-se se a autorização teria viajado de Lisboa para o Porto em avião ou a pedais.

O Governo chega a anunciar em Setembro que a verba foi desbloqueada (cf. aqui).

Nesse mesmo mês, porém, o que vem do Ministério das Finanças não é a autorização para utilizar o dinheiro, mas um despacho. O Ministro das Finanças publica um despacho conjunto com o Ministro da Saúde a autorizar o HSJ a abrir concurso para mandar refazer o projecto de arquitectura e engenharia da ala pediátrica do HSJ (cf. aqui). Dinheiro, nicles.


uma bomba de Natal

Escrevi ontem ao Chefe da Casa Civil da Presidência da República:

Exmo. Sr. Dr. Fernando de Melo,

No seguimento da sua comunicação de 20 de Abril passado, e sabendo da vinda à ala pediátrica do Hospital de São João, no próximo Dia de Natal, de S. Exa. o Presidente da República, queira, por favor, considerar-me à disposição do Senhor Presidente para

-lhe facultar o acesso e uma visita ao estaleiro da obra em curso respeitante à construção da ala pediátrica do HSJ;

-lhe prestar todas as informações pertinentes sobre o assunto.

Com os melhores cumprimentos.

Pedro Arroja
Presidente
Associação Joãozinho

Se a referência, há cerca de um mês, à obra do Joãozinho por parte do Presidente da CMP, Rui Moreira, produziu pânico no Governo e na maioria parlamentar que o apoia (cf. aqui), uma referência - para já não falar numa visita ao estaleiro da obra (cf. aqui) -, por parte do Presidente da República seria uma bomba de Natal. E a maneira de pôr a obra rapidamente a andar.

até às eleições

O que é que vai acontecer daqui até às eleições de 6 de Outubro da parte do Governo e da administração do HSJ em relação à ala pediátrica.

Vão dar continuamente espectáculo para a comunicação social dos progressos (ou impedimentos) para a realização da obra, como se estivessem seriamente a trabalhar para a realizar.

E é assim, através deste espectáculo mediático envolvendo vários episódios (amanhã é o "episódio anteprojecto") que vão entretendo a opinião pública até às eleições, altura em que não haverá obra nenhuma no terreno.

Nessa altura, o objectivo terá sido conseguido: não fazer nem deixar fazer e atirar esta "batata quente" para a próxima legislatura.

O maior risco ao sucesso da estratégia do Governo é a Associação Joãozinho no terreno, pronta a recomeçar a obra a todo o momento.

Por outras palavras

Por outras palavras, o presidente da Associação Joãozinho não acredita que o Governo queira fazer a obra (cf. aqui).

E o presidente da Associação de Pais também parece muito desconfiado. A mensagem dele é a seguinte: "Esta obra divide-se duas fases, a fase de estruturas (fundações) e a fase de acabamentos, não dependendo a primeira da revisão do projecto de arquitectura que está em curso. Se o Governo é sério acerca da urgência em fazer a obra, então que avance já em Janeiro com a fase de fundações por ajuste directo".

Em Março de 2016 a obra da Associação Joãozinho foi bloqueada pelo Governo sem qualquer explicação.

Porém, só ontem o presidente da Associação Joãozinho ficou a saber de forma explícita que o Governo não quer que seja a Associação Joãozinho a fazer a obra, sem que tenham sido adiantadas as razões.

O resultado está à vista: uma obra suspensa há quase três anos e as crianças nas condições "miseráveis" e "indignas" descritas pelo presidente do HSJ.

défice de gestão

Há défice de gestão em Portugal? Sim, com certeza que sim.

Podemos confirmar esta perceção por duas vias distintas, através da análise de dados macroeconómicos e também pela nossa experiência pessoal enquanto consumidores.

Os dados macroeconómicos demonstram um crescimento económico anémico, uma balança comercial com um saldo negativo e uma dívida explosiva. Em simultâneo há um desemprego elevado, especialmente entre os jovens, e salários que se estão a tornar incompatíveis com uma vida digna.

Nos últimos anos fomos ultrapassados, em termos de PIB/ capita (PPP), pela República Checa, pela Eslovénia, pela Eslováquia, pela Lituânia e pela Estónia.

Isto acontece porque não fomos capazes de criar valor, somos pouco produtivos na transformação de recursos em utilidadee, portanto, não geramos a riqueza de que necessitamos. Vivemos a crédito e acima das nossas possibilidades.

Não soubemos gerir da melhor maneira os nossos recursos e daí podermos diagnosticar o tal “défice de gestão” a que me referi, sem hesitar.

Claro está que o contexto, para as empresas, também não é o melhor. Antes de investir, os manuais aconselham a proceder à PEST, uma análises das condições Políticas, Económicas, Sociais e Tecnológicas do país. E, começando logo pelo P, convenhamos que não há um clima favorável ao investimento. Também aqui, porém, há um défice de gestão porque os empresários deviam fazer lóbi por uma liberalização económica e o que vemos é exatamente o contrário, querem mais socialismo.

Enquanto consumidores tropeçamos também diariamente no défice de gestão. Os gestores tornam a vida dos consumidores um verdadeiro inferno. Incomodam-nos com patetices, inventam burocracias desnecessárias e roubam-nos tempo precioso de que precisamos para outras atividades.

Em particular, os oligopólios da energia e das telecomunicações, os bancos e as seguradoras, por exemplo, têm amplo espaço para melhorar os seus serviços. Mas também as pequenas empresas que não conhecem os seus clientes, que não mostram flexibilidade, que não assumem responsabilidades, têm um défice de gestão.

São necessárias associações cívicas que alertem o País para este problema e que ajudem a encontrar soluções. Portugal é um país estagnado, em grande parte pela carência de gestores profissionais com visão do futuro.

18 dezembro 2018

questões

Associação Joãozinho lista questões (cf. aqui)

17 dezembro 2018

a que horas?

As notícias sobre a ala pediátrica do HSJ saíram hoje em catadupa.

Três, nem menos.

(i) A Assembleia da República recomenda ao Governo que desbloqueie o assunto  (cf. aqui)
    (Esta já tem barbas, cf. aqui)

(ii) A pediatria oncológica vai passar para dentro do edifício principal (cf. aqui).
     (Esta já tinha sido dada há semanas, cf. aqui).

(iii) O anteprojecto (whatever that means) será entregue Quarta-feira (cf. aqui)
      (Já agora, a que horas?)

Tudo isto é reacção ao anúncio de que o Presidente da República vai à ala pediátrica do HSJ no Dia de Natal, pressão sobre a Associação Joãozinho para a reunião de amanhã, ou as duas coisas ao mesmo tempo?

As duas coisas ao mesmo tempo.

última oportunidade

A administração do HSJ e o Governo têm amanhã (cf. aqui) a sua última oportunidade para acabar com o boicote à obra e a má-fé, que dura há três anos, e mostrarem-se cooperantes para que os trabalhos de construção da ala pediátrica do HSJ possam recomeçar imediatamente. (cf. aqui)

corrupção

Gestão não rima com corrupção! Dito por outras palavras, a corrupção impede e até destrói uma boa gestão. Vejamos porquê.

O lucro das empresas depende da utilidade que criam para os clientes. Em última análise, é essa utilidade que se traduz em vendas e receitas, viabilizando a empresa e garantindo o seu futuro.

Há, porém, muitas oportunidades de incrementar lucros que passam ao lado do eixo da “transformação de recursos em utilidade” e que parasitam o eixo da “transformação de influência ou da compra de influência em oportunidade”.

Quando se compram boas-vontades para obter licenças e alvarás ou quando se ganham concursos que foram apenas simulados ou quando se conseguem eliminar concorrentes, na secretaria, entramos na via parasitária, isto é: na corrupção.

A corrupção, claro está, pode alavancar exponencialmente os lucros, mas faz da organização um travesti, que, por mais glamoroso que seja, não é o que alega ser. E do gestor uma autêntica “drag queen”, se me permitem esta metáfora.

O foco da empresa corrupta desvia-se da utilidade que cria para os clientes e entra no domínio dos jogos de interesse que tantas vezes acabam na polícia e nos tribunais, destruindo pessoas e marcas.

Assistimos a isto mesmo em Portugal, no passado recente. “Gestores” que passaram de bestiais a bestas à velocidade da luz, destruindo centenas de milhões de Euros de valor e, nalguns casos, as próprias empresas. São tantos os casos que não vale a pena destacar nenhum, estão todos no domínio público.

Os clientes, o foco de qualquer boa gestão, foram esquecidos, os trabalhadores enganados e o País defraudado, talvez por dezenas de anos.

Por isto digo e repito, gestão não rima com corrupção.

o gestor Supertuga

O #GestorTuga é uma espécie de campeão olímpico do decatlo, tanto corre como salta à vara ou arremessa pesos. Se fosse músico era o homem dos sete instrumentos, que tanto toca o cavaquinho como sopra na gaita de beiços ou surra no bombo.

Esta pluridisciplinaridade permite-lhe que tanto gira um banco como uma companhia de aviação ou uma funerária. Diz que é “tampo para qualquer tacho” e tal parece. Não é um tufão... não é um tsunami... é o gestor Supertuga.

Argumenta que os princípios da gestão são sempre os mesmos e que, portanto, está capacitado para “bem montar qualquer sela” – passo a expressão.

Como médico e cirurgião geral e vascular, eu poderia argumentar que estou capacitado para qualquer intervenção porque os princípios da cirurgia são sempre os mesmos. Podia, mas não o faço para não cair no ridículo e porque teria de enterrar rapidamente todos os erros que cometesse.

Obviamente, o gestor Supertuga não tem receio de cair no ridículo e os seus erros costumam ser amparados pelas mais altas excelências da pátria, que o fazem, claro está, a bem do País e sem qualquer interesse pessoal.

Algumas destas excelências também têm vocação para gestores Supertuga e quando são obrigados a abandonar os seus cargos institucionais, dispõem-se logo a gerir qualquer coisinha que lhes apareça, mesmo que nada percebam do assunto.

Mas então os tais princípios da gestão são ou não são sempre os mesmos? Ouço já o coro das comadres...

Sim, os princípios são os mesmos, mas os princípios não passam de ferramentas que o gestor emprega em contextos específicos que necessitam de ser profundamente conhecidos para garantir bons resultados.

Na estranja, muitos CEO’s foram subindo na hierarquia das empresas ao longo de anos de trabalho e quando chegam ao topo conhecem tão bem o “negócio” como as palmas das suas mãos.

Em Portugal, esse “elevador” está avariado desde o tempo dos descobrimentos. “O sapateiro não deve subir além do chinelo” e os altos cargos devem ficar para o gestor Supertuga.

O fininho que aterra na organização, vindo sabe-se lá de onde, sem visão e sem sentido de missão e, portanto, totalmente incapaz de criar utilidade para os clientes da empresa.

Mas capaz de arrasar tudo à sua volta. Não é um tufão... não é um tsunami... é o gestor Supertuga.


Jordan Peterson

É agora altura de eu dizer qual é a maior semelhança entre o Jordan Peterson e eu próprio.

É que ele acabará, como eu acabei, no catolicismo (cf. aqui).

Existe uma diferença que o desfavorece. É que ele nasceu fora do catolicismo, e ainda julga viver fora dele, ao passo que eu já nasci nele.

A consequência é que ele vai demorar mais tempo do que eu demorei a chegar ao mesmo destino.

16 dezembro 2018

vindo de quem vinha

Sentou-se à minha frente com um jornal na mão, eu estava a escrever no blogue, e disse-me:

-Este Jordan Peterson diz muitas coisas que tu já andas a dizer há anos...

Vindo de quem vinha, fez-me parar, suspender a respiração, levantar a cabeça e abrir os olhos. A minha surpresa era que a frase me parecia um elogio.

-Gostava mais do que tu dizias e escrevias quando fazias como ele, em abstracto, do que agora que escreves e falas sobre coisas e pessoas...

-Por alguma razão o Jordan Peterson é canadiano...e não há nenhum Jordan Peterson português...

-Devias ter ficado no Canadá...

-Não estou arrependido... 

-Mas ele está a influenciar muita gente...já vendeu milhões de livros...e é um sucesso no youtube...

-Mas não em Portugal...meia dúzia de pessoas, se tanto... veio cá porque, como é muito popular no mundo inteiro e os portugueses gostam de imitar tudo... também o convidaram...
(cf. aqui)

-Ele fala da verdade, da responsabilidade e do carácter, das diferenças entre homem e mulher, da importância da tradição e da religião...coisas de que tu já falas há muito tempo...


-Mas fá-lo de uma maneira intelectual e abstracta, própria da cultura protestante de onde vem...em Portugal isso não pega...em Portugal é preciso um caso concreto, um exemplo envolvendo pessoas, para fazer passar as mesmas ideias...A cultura católica é uma cultura do concreto...

No final, pedi-lhe que me indicasse um vídeo do Jordan Peterson onde, em termos das ideias que defende, ele se parecesse mais comigo:

Indicou-me este.

Há muito tempo que eu não recebia um elogio, especialmente vindo de quem vinha. Este ano, então, só tenho recebido pancadaria. E da oficial.

as moscas

Ontem fui fazer uma palestra sobre a obra do Joãozinho perante uma audiência de cerca de 50 pessoas. Na audiência estava um pequeno grupo de cidadãos de algumas das antigas colónias portuguesas, como S. Tomé e Príncipe e Guiné.

A meio da palestra, e para exemplificar as condições em que vivem as crianças internadas na ala pediátrica do HSJ, referi, en passant, vários episódios, como a infestação de moscas que lá ocorreu este Verão, apelando à audiência para imaginar crianças doentes, algumas recém-nascidas, assediadas por uma infestação de moscas (cf. aqui).

A parte portuguesa da audiência ficou em silêncio e boquiaberta quando me referi às moscas. Mas esse foi precisamente o momento em que os africanos desataram a cochichar e a rir.

Só no final compreendi a razão. Para eles, era normal. Que luxo, em Portugal só haver infestações de moscas na pediatria do S. João.

Para as vítimas

Há quem fale do "realismo católico" para salientar uma das características da cultura dos países influenciados pelo catolicismo, como Portugal. É uma descrição incompleta, porque o catolicismo não é só uma coisa - é cada coisa e a sua oposta, cada uma delas levada ao extremo, e ainda todos os graus intermédios entre os dois extremos.

Significa isto que em Portugal, que é um país imensamente influenciado pelo catolicismo, se podem encontrar as pessoas mais realistas deste mundo, mas também as mais fantasistas, e ainda todos os graus intermédios entre estes dois extremos. A fantasia é uma maneira de desligar o espírito da realidade, e do o libertar. Apropriado seria, portanto, falar do "realismo e  fantasismo católicos".

Uma das maneiras da cultura católica exprimir o seu fantasismo é através das anedotas. E eu queria aqui contar uma anedota da minha adolescência. Era uma altura em que os jovens (e os adultos também) se entretinham frequentemente a contar anedotas. Tratava-se de uma forma de entretenimento, que é menos frequente hoje, em parte porque o catolicismo também é hoje menos influente na sociedade portuguesa.

Muitas vezes, as anedotas têm a realidade como inspiração, para logo depois se desligarem dela dando largas à liberdade do espírito e à fantasia. Esta que tenho para contar inspirou-se nas cheias que avassalaram Lisboa em 1967 e que terão causado entre 500 e 700 mortos (cf. aqui). Eu próprio andei com um irmão no meio das águas, eram nove da noite.

Regressávamos de uma classe de ginástica do Benfica que alugava um ginásio à Escola Marquesa de Alorna, ali ao Bairro Azul. A classe terminava às 20:30 e voltávamos para casa pelo trajecto habitual: Metro da estação de S. Sebastião até à Rotunda (hoje Marquês), e depois, da Rotunda até Entrecampos, onde terminava então a linha. De Entrecampos até nossa casa em Alvalade eram cerca de 800 metros, que percorríamos a pé.

Nesse dia, como chovia muito, tínhamos saído de casa com galochas. E foi no regresso, ao emergir da estação do Metro de Entrecampos, que tivemos um dos maiores prazeres da nossa criancice. A água dava-nos pela cintura, fazendo-nos sentir a inutilidade das galochas e o prazer de caminhar sobre as águas como nunca mais viríamos a sentir na vida. Chegámos a casa sem problemas, bastante felizes pela aventura, e só no dia seguinte soubemos da tragédia pelo jornais e a televisão.

Salazar alimentava o mito de que Portugal era um país pobre, talvez para afastar do Estado aqueles que sonhavam aproveitar-se dele. O Estado salazarista era um Estado pequeno (16% do PIB) e pobre. De tal modo que, quando a tragédia ocorreu em Lisboa, e conhecendo a generosidade dos portugueses, rapidamente se gerou uma enorme onda de solidariedade vinda de todas as partes do país, em favor das vítimas das cheias. A maior parte do dinheiro era entregue ao Governo.

Um mês depois, no Palácio de S. Bento, entrou o Cardeal Cerejeira para uma reunião com Salazar. Fecharam-se os dois no gabinete deste último e ali permaneceram durante horas.

Estranhando a demora, o porteiro aproximou-se do gabinete e começou e ouviu a voz de Salazar: "Para mim...para ti...para as vítimas...   Para mim...para ti...para as vítimas...". E o porteiro ali ficou intrigado, sempre a ouvir "Para mim...para ti...para as vítimas...   Para mim...para ti...para as vítimas...".

Até que resolveu espreitar pelo buraco da fechadura e deparou-se com um espectáculo inusitado. Um montão de notas em cima da mesa,  Salazar sentado de um lado, o Cardeal Cerejeira do outro. O porteiro não conseguia acreditar no que via.

Salazar tirava uma nota da mesa, metia-a no bolso, e dizia "Para mim...". Depois, tirava outra nota, dava-a ao Cardeal Cerejeira, que a metia no bolso, e dizia: "...Para ti..."; e, finalmente, fazia um manguito e dizia "...Para as vítimas..."

o espírito e a realidade

O presidente da Associação de Pais do HSJ, Jorge Pires, já ameaçou criminalizar os administradores do HSJ por maus tratos a crianças, e bem assim os políticos que lhes estão por cima na hierarquia. Não sei se já o fez ou se é mera ameaça (cf. aqui).

Uma coisa é certa. A única pessoa criminalizada em torno da ala pediátrica do HSJ é o presidente da Associação Joãozinho, a única instituição que pôs a obra no terreno e só não a  concluiu porque a administração do HSJ, a mando do Governo, mandou bloquear a obra.

Está condenado por uma crime de ofensas à sociedade de advogados Cuatrecasas, assessora jurídica da administração do HSJ, num processo que corre agora o seu recurso no Tribunal da Relação do Porto.

Prepara-se agora um outro processo judicial, envolvendo os mesmos intervenientes, com pequenas nuances. O alvo já não será o presidente da Associação Joãozinho, mas a própria Associação Joãozinho. Os acusadores são os mesmos, e só trocam de funções.

No primeiro processo, os acusadores eram os advogados da Cuatrecasas, tendo os administradores do HSJ como testemunhas. Agora, os acusadores serão os administradores do HSJ, tendo a Cuatrecasas como advogados.

S. Tomás de Aquino definiu a verdade como a adequação do espírito à realidade.

Anda por aqui alguém com o espírito desligado da realidade. E eu não ficaria surpreendido que fosse o meu.

a solução garantida

Já afirmei várias vezes, pelo conhecimento de insider que tenho da situação, que o objectivo deste Governo desde que tomou posse (e desta administração do HSJ, nomeada por este Governo) é o de não deixar fazer a ala pediátrica do HSJ, nem a fazer.

Ora a solução garantida para que a ala pediátrica nunca se faça, é o HSJ pôr a Associação Joãozinho em tribunal pela disputa do espaço (cf. aqui). O assunto andará nos tribunais durante anos e a ala pediátrica nunca se fará.

Fica feliz o Governo porque protege o CMIN (Hospital de Santo António, uma quinta do PS) da concorrência. Ficam felizes os advogados da Cuatrecasas porque é nos tribunais que eles ganham a vida.

-E as crianças?...

-As crianças!?... Ora... as crianças... mas isso dá algum dinheiro a alguém ... ou votos a algum partido?...

Os assuntos conexos

Na Sexta-feira, dia 7, a Associação Joãozinho recebeu uma carta do HSJ a pedir-lhe a devolução do espaço destinado à construção da ala pediátrica do HSJ (cf. aqui).

Invocava a Cláusula 7ª do Protocolo (cf. aqui) assinado entre as duas instituições e um consórcio de construtoras, sem nunca referir o seu incumprimento da Cláusula 1ª através do qual bloqueou o avanço da obra.

Na realidade, o prazo de  3 anos a que se refere o Protocolo ficou suspenso no dia em que a obra parou. Desse prazo, decorreram apenas 4 meses, o tempo efectivo de duração da obra (entre 2 de Novembro de 2015 e 2 de Março de 2016).

A carta, embora assinada pelo presidente do HSJ,  era obviamente escrita pelos advogados da Cuatrecasas e previa-se o seguimento. Se, no prazo de 90 dias, a Associação não devolver o espaço, o assunto seguirá para tribunal.

Esta semana, as expectativas do seguimento em tribunal foram confirmadas. A Associação Joãozinho voltou a receber a mesma carta do HSJ, excepto na morada. Os advogados da Cuatrecasas tinham-se enganado e enviaram a primeira carta para a morada profissional do presidente da Associação, quando o Protocolo prevê que as notificações sejam feitas para a sede de cada uma das instituições (a sede da Associação Joãozinho é no HSJ, no gabinete de engenharia do estaleiro da obra).

À carta do HSJ, a Associação Joãozinho respondeu que estava disponível para uma reunião de trabalho a fim de tratar do assunto a que ela se referia (Cláusula 7ª do Protocolo) e assuntos conexos (cf. aqui).

Os assuntos conexos são vários e objecto de todo um dossier do conhecimento do HSJ, mas o mais importante é o do incumprimento pelo HSJ da Claúsula 1ª do Protocolo (cf. aqui).

Esta Sexta-feira, o HSJ, em nova carta, aceitou o convite da Associação Joãozinho. Recusava que fosse na sede da Associação Joãozinho e propunha que fosse no gabinete da administração do HSJ. E dispunha-se à reunião para tratar "...da Cláusula 7ª do Acordo de Cooperação...",  sem qualquer referência aos assuntos conexos.

Mais uma esperteza saloia da Cuatrecasas.

Para que é que a administração do HSJ aceita, afinal, esta reunião?

Para poder dizer que falou com a Associação Joãozinho antes de a pôr em tribunal.

15 dezembro 2018

Dia de Natal

Presidente da República passa o Dia de Natal nos contentores que servem de ala pediátrica no HSJ (cf. aqui).

Terça-feira

A Associação Joãozinho e a administração do HSJ reúnem-se na próxima terça-feira às 10:00, nas instalações do HSJ, para tratar do assunto da ala pediátrica.

Participará na reunião o presidente da Associação de Pais, Jorge Pires.

já percebi tudo

Será que a administração do HSJ, actuando a mando do Governo, vai conseguir passar para a opinião pública a mensagem de que o entrave à construção da ala pediátrica é a Associação Joãozinho?

Duvido que consiga. É tarde demais. O mais provável é que se vire o feitiço contra o feiticeiro.

Seguramente na cidade do Porto, e depois da intervenção pública do Presidente Rui Moreira, toda a gente já sabe que a verdade é exactamente ao contrário: é a administração do HSJ que, actuando a mando do Governo, é o entrave à construção da ala pediátrica desde há quase três anos.

São muitos, alguns minuciosos, os sinais que tenho observado a este respeito. O mais significativo esta semana foi um encontro ocasional com um antigo colega de Faculdade.

Foi ele que me viu:

-Olá Pedro ... lá te tenho visto na televisão por causa do Joãozinho...

Eu ia explicar-lhe as duas versões que correm na comunicação social - a do Governo/administração do HSJ e a da Associação Joãozinho -, mas ele interrompeu-me logo:

-Não precisas explicar...já percebi tudo...os gajos não vos deixam fazer a obra...

A intensidade com que foi pronunciada a palavra "gajos" deixava entender o que lhe ia na alma.

14 dezembro 2018

em tribunal

(continuação daqui)

Cláusula 7ª
Incumprimento do Acordo

1. Esgotado o prazo referido na Cláusula 2ª, sem que a obra se encontre concluída, a Associação compromete-se a devolver ao CHSJ a qualquer momento e sob pedido deste, a parcela cedida à Associação.

2. Na situação referida no número anterior, a Associação dará ao CHSJ, no prazo de 90 dias e a pedido deste, o imóvel na situação em que ele se encontrar, não lhe podendo reclamar o pagamento de qualquer quantia a título de indemnização, compensação custos ou encargos de qualquer natureza, nomeadamente compensação por enriquecimento sem causa"

Quer dizer, não cumprindo a cláusula 1ª do Protocolo relativa à cedência do espaço, e impossibilitando o avanço da obra, o HSJ - com a Cuatrecasas agindo na sombra - prepara-se agora para pôr a Associação Joãozinho em tribunal para a tirar do espaço (cf. aqui) sob o argumento de que decorreram três anos e a obra não foi feita (cf. aqui).

E prepara-se também para lançar para a opinião pública a seguinte mensagem: "Nós não fazemos a obra porque a Associação Joãozinho não sai do espaço".

Os portugueses têm várias expressões adequadas para as pessoas que agem assim.


Nota. Sobre este assunto, terei mais desenvolvimentos na próxima Terça-feira.

Na forja

Eu vou agora explicar para os leitores do Portugal Contemporâneo aquilo que a administração do HSJ, assessorada e aconselhada pela sociedade de advogados Cuatrecasas, se prepara para fazer com a carta que enviou à Associação Joãozinho a semana passada (cf. aqui).

No Protocolo assinado entre o HSJ, a Associação Joãozinho e o consórcio construtor, o HSJ cede o espaço à Associação Joãozinho para que esta faça a ala pediátrica do HSJ. A Associação Joãzinho paga a obra às construtoras e no final, oferece o edifício ao HSJ.

A cedência do espaço é o tema da Cláusula 1ª do Protocolo:

Cláusula 1ª
Objecto

1. O CHSJ cede gratuita e temporariamente à Associação a utilização de uma parcela de um imóvel, parcela essa melhor identificada no Anexo I ao presente Protocolo.

2. A Associação envidará os seus melhores esforços para realizar até à sua conclusão final, a expensas suas e sem qualquer encargo para o CHSJ, a execução pelo LSAS [consórcio construtor], do projecto pertencente ao CHSJ de remodelação e ampliação do corpo poente do polo do Porto do Centro Hospitalar de São João".

A Cláusula 2ª acrescenta que o prazo de cedência do espaço é de 3 anos, sendo renovável por períodos de um ano:

Cláusula 2ª
Duração

A cedência da parcela identificada no Anexo 1 é feita pelo prazo de 3 anos a contar da data do início do Acordo, conforme Cláusula 13, renovável por períodos de um ano, através de comunicação do CHSJ à Associação com 60 dias de antecedência antes de esgotado o prazo.

A obra começou a 2 de Novembro de 2015 com o HSJ a desocupar as velhas construções existentes no perímetro da obra,  onde tinha serviços a funcionar, e o consórcio construtor avançando com os respectivos trabalhos de demolição.

A 26 de Novembro mudou o Governo, e a 11 de Dezembro o HSJ parou os trabalhos de desimpedimento do espaço, deixando no local a funcionar, até hoje, o Serviço de Sangue.

A construtora continuou com os trabalhos de demolição nos espaços entretanto desocupados até que, chegando ao Serviço de Sangue, ficou bloqueada e viu-se obrigada a interromper os trabalhos a 2 de Março de 2016 por falta de frente-de-obra.

É esta a situação actual. O nº 1 da Clásula 1ª do Protocolo está por cumprir, o HSJ nunca cedeu completamente o espaço à Associação Joãozinho para que esta pudesse fazer a obra.

(Continua aqui)



13 dezembro 2018

projeto


"Aquilo que está em curso é a revisão do projeto. Não temos ainda projeto que possamos executar. Mesmo que pudéssemos lançar a obra amanhã, não existe ainda projeto. O projeto que existia não estava revisto, não estava em condições de ser executado. É muito relevante que se diga isto, porque por vezes tendemos a confundir o que são os meios financeiros, o que é procedimento concursal e aquilo que é a inexistência de um verdadeiro, efetivo projeto que permita sustentar aquilo que queremos e precisamos", sustentou. (cf. aqui, ênfase meu)

Para mim, a parte mais deliciosa é o último período. Nós não podemos confundir meios financeiros, procedimento concursal e aquilo que é a inexistência (...).


o que é a gestão?

“Gerir é tornar as pessoas úteis”

Cheguei a esta definição por dedução das definições de gestão propostas pela Mary Parker Follett: ‹‹Gerir é a arte de concretizar objectivos através das pessoas›› e do Fredmund Malik: ‹‹Gerir é transformar recursos em utilidade››.

Uma vez que o objetivo da gestão é sempre criar “utilidade” para o “consumidor”, o envolvimento dos colaboradores nesse propósito torna-os socialmente “úteis” e esse deve ser um dos focos mais importantes da gestão.

Os colaboradores não são apenas pessoas com um perfil que obviamente interessa à empresa e que esta se propõe explorar para maximizar os seus lucros. São seres humanos que vivem integrados na sociedade, com as suas famílias, com ambições e sonhos que pretendem realizar.

Cabe à gestão conhecer os seus colaboradores, contactar diretamente com eles, coordenar as suas atividades e integrá-los na equipa.

Transformar recursos em utilidade é um esforço coletivo para o qual todos os trabalhadores contribuem e todos se devem sentir estimulados a dar o seu melhor. Todos se devem sentir úteis, à empresa, às suas comunidades e à sociedade em geral.

Não há ninguém insignificante nas empresas bem geridas, tal seria um desperdício de recursos. Todos são “significantes”, importantes para a equipa.

Cada colaborador, com a sua individualidade, diversifica o grupo, enriquece o todo e tem potencial para melhorar os bens e serviços da empresa.

Tenha a gestão a humildade e a visão necessária para transformar esses recursos em utilidade para os seus clientes.

12 dezembro 2018

Top

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Do último dia: este.

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Juanito

Junio de 2009: Juanito nace en el Hospital de San Juan.

Es un milagro de San Antonio I (cf. aqui).

El milagro del vino verde

Lo que llamó la atención de San Pedro no fue tanto la situación de los niños en el Hospital de San Juan en Oporto, pero más el vino (cf. aqui). El vino verde. A San Pedro le gusta mucho el vino verde.

Hacia unos meses que San Pedro habia estado en la Casa del Vino Verde haciendo una palestra sobre "El liberalismo en el cielo", garantizando a su audiencia que hay vino verde en el cielo, y del bueno. Es producido por el sector privado en régimen de competencia perfecta.

En la ocasión, el Presidente de la Casa del Vino Verde, el Señor Don Manuel Piñero, le ofreció unas quantas botellitas en agradecimiento por la información de haber vino verde en el cielo.

Pero, ahora, le horrorizaba a San Pedro una idea.

De su móvil, llamó al Señor Don Manuel:

-Manuel... no puedo creer... vas a ofrecer vino verde a los niños del San Juan por Navidad?

-Hey...hombre...qué pasa...!?

-Mira...Manuel...dar vino a niños enfermos es pecado!...No tendrás perdón del Señor!...

-No... hombre... te calma...voy a ofrecer dinero...dinero vivo...

Y San Pedro, ahora más tranquilito, pero muy curioso:

-A quien, Manuel...a quien?...confiesa!... 

-Mira...hombre...no sé ...a mi solo me pedieron para organizar el concierto...es mi secretaria que tien los contactos...

San Pedro y Don Manuel se quedaron entonces por media hora hablando sobre la Asociación de los Ninõs del Hospital de San Juan.

Al fin, acordaron que los ingresos del espectáculo serian utilizados para comprar algún material necesario en la pediatria del San Juan. No habría donaciones en efectivo. Dinero vivo, nada.

Y así fue como San Pedro evitó que el Señor Don Manuel emborrachase a los niños del San Juan con su vino verde.

A teoria da captura

O ideal de gestão que o Joaquim expõe num post em baixo encontra frequentemente na prática muitas excepções, como ele admite, ao escrever: "Gerir utilidade para os consumidores confere à empresa uma função social importante. Mas essa função tem de ser desempenhada pela gestão no respeito por valores humanos fundamentais" (cf. aqui).

No sector público, uma das excepções mais frequentes é explicada pela chamada "teoria da captura". A razão é que a propriedade de uma instituição pública é muito difusa - todos os cidadãos do país - não dando a cada um qualquer incentivo a controlar a gestão, e aplicando-se o ditado popular "Aquilo que é de todos não pertence a ninguém".

Num vídeo (cf. aqui) o juiz Sérgio Moro explica com o caso concreto da "Operação Lava Jato" em que consiste a teoria da captura.

Uma empresa pública brasileira - a Petrobras - foi capturada por interesses privados e, em lugar de ser gerida em função do bem público, era governada pela prevalência de interesses particulares - dos políticos que nomeavam a administração, dos próprios administradores e das altas direcções da empresa, de fornecedores que criavam ou mantinham empresas sobrefacturando a Petrobras, etc.

A Petrobras que, sendo de todos não era de ninguém, foi apropriada por alguns e passou a existir para satisfazer primeiramente os interesses particulares destes,  e só em segundo lugar, e distantemente, para servir o interesse público do povo brasileiro em nome do qual tinha sido criada.

11 dezembro 2018

Volta para de onde saiu

Uma leitora que acompanha desde o início (Março de 2016) aquilo que escrevo sobre o Joãozinho neste blogue, sintetizou a história do Joãozinho numa frase (cf. aqui, caixa de comentários):

Volta para de onde saiu

Não é fácil decifrar a frase para quem não tenha acompanhado a história desde o princípio, tanto mais que alguns capítulos cruciais  foram escritos em inglês ou em castelhano.

Procurarei dar aqui algumas pistas para o entendimento da frase, mas sem ir ao ponto de explicar o seu significado, um mistério que deixo ao leitor resolver.

O Joãozinho nasceu no HSJ em 2009 e aí viveu até ao início de 2014, altura em que foi constituída a Associação Joãozinho. A partir daí passou a viver no meio do público e fora do HSJ. Porém, teve uma curta vida de liberdade e tranquilidade neste seu novo ambiente.

A partir de meados de 2015 várias forças começaram a congregar-se para levar o Joãozinho de volta para o HSJ, e essas forças ganharam a máxima intensidade ao longo do último ano: o HSJ, os partidos políticos - em unanimidade, a julgar pela votação recente na AR -, o Governo, a própria Ordem dos Médicos, o "sistema" inteiro.

Estas forças congregadas visaram, desde essa altura, acabar com a liberdade e a autonomia do Joãozinho, acabando com a própria Associação Joãozinho, e levando-o de volta para de onde ele saiu - o HSJ.

O grande enigma, que está contido naquela frase, e que eu não revelarei, é o seguinte: Por que é que o "sistema" quer  o Joãozinho de volta ao HSJ, e não à solta e a viver junto do público?

Quem conseguir responder a esta questão compreenderá tudo o que se passa sobre o Joãozinho e, em particular, que ele envolve uma batalha decisiva entre o público e o "sistema" em torno de um dos maiores males que o "sistema" contém.

Já me ocorreu em sonho que o Joãozinho - numa daquelas concretizações da "teoria dos efeitos não-pretendidos" - poderá vir a tornar-se um dia o símbolo da reforma política e administrativa pela qual cada vez mais portugueses anseiam.

Fredmund Malik

“Gestão é a transformação de recursos em utilidade”


Tudo o que satisfaz uma necessidade ou desejo tem utilidade e estamos dispostos a pagar um preço pelo seu consumo.

Gerir é reunir todos os recursos necessários, seja capital, matérias-primas, trabalho ou quaisquer outros “inputs”, e processá-los de forma a criar essa tal “utilidade” que Daniel Bernoulli (1700-1782) definiu como a “satisfação total” que se retira do consumo de um determinado bem ou serviço.

Na minha perspectiva, esta definição de gestão, do Fredmund Malik, é seminal para o entendimento do que é a gestão e da tarefa dos gestores a todos os níveis da organização.

Para recrutar capital, acionista ou dívida, as empresas têm de ser lucrativas, mas a o lucro deve ser visto como resultado da criação de valor e não como o objetivo primordial da gestão. O “curtoprazismo”, o economicismo e a financeirização, são sinais de desorientação estratégica que constituem uma espécie de doença infantil da gestão, tantas vezes fatal para as empresas.

Gerar utilidade para os consumidores confere à empresa uma função social importante. Mas essa função tem de ser desempenhada pela gestão no respeito por valores humanos fundamentais.

Condições de trabalho perversas ou atentados ecológicos, quando colocados no prato da balança, podem destruir valor e criar um “saldo negativo de utilidade” que seria o contrário do objetivo de uma boa gestão.

A definição de gestão do Ferdinand Malik pode, portanto, ser ampliada para respeitar estes princípios:

“Gestão é a transformação de recursos em utilidade, no respeito dos valores humanos e da função social da organização”.

Um atrapalhador

A parte do artigo do Expresso (cf. aqui) reservada a assinantes diz que o presidente do HSJ termina o mandato a 31 deste mês e que não se sabe ainda se vai ou não ser reconduzido.

Mas eu sei.

Conseguiu, durante o seu mandato, não fazer a ala pediátrica nem a deixar fazer, prolongando por mais três anos a estadia de crianças doentes em contentores metálicos. Nunca, na sua já longa história, o HSJ recebeu uma onda de publicidade negativa como sob a sua presidência, da qual demorará anos a recompor-se.

Um atrapalhador por excelência.

em cuatrecasês

A carta anterior, escrita em cuatrecasês, tem a seguinte tradução:

-"cedemo-vos" significa "que nunca vos cedemos";

-"a parcela de um imóvel" significa  "uma parcela de terreno";

-"de modo a que envidassem os vossos melhores esforços" significa "de modo a que construíssem";

-"corpo poente do polo do Porto do Centro Hospitalar de São João" significa "ala pediátrica do Hospital de S. João"

-"encontra-se esgotado o prazo de três anos" significa "o prazo de três anos nem sequer foi iniciado";

-"pedir a devolução" significa "pedir que nos devolvam aquilo que nunca vos cedemos".

A parte mais interessante da carta é aquela  que se refere à cedência "... de um imóvel...de modo que envidassem os vossos melhores esforços..."

Um imóvel para envidar esforços é um ginásio. Se isto vai para tribunal, estou feito. Onde é que eu vou agora arranjar um ginásio para devolver ao HSJ?

cedemo-vos

Porto, 5 de Dezembro de 2018

Nos termos do Acordo de Cooperação que celebrámos em Julho de 2015, cedemo-vos a utilização de uma parcela de um imóvel que se situa nas nossas instalações, de modo a que envidassem os vossos melhores esforços para realizar a remodelação e ampliação do corpo poente do polo do Porto do Centro Hospitalar de São João.

Ora, como é certamente do Vosso conhecimento, encontra-se já esgotado o prazo de três anos pelo qual vos foi cedida a utilização da mesma.

Assim, vimos por este meio, nos termos dos nºs. 1 e 2 da Cláusula 7ª do referido Acordo, pedir a devolução da referida parcela.

O Presidente do Conselho de Administração
Centro Hospitalar Universitário de S. João, EPE
Dr. António Oliveira e Silva




10 dezembro 2018

Nunca virá

"Serve a presente [carta] para o informar da minha total disponibilidade para, à sua conveniência, o receber para tratarmos do assunto a que se refere a sua carta de 5 do corrente, e assuntos conexos." (cf. aqui)

Nunca virá. Não tem coragem.

em modo-vivo

O fantasma em modo-vivo (cf. aqui).

09 dezembro 2018

O clímax


"Temos esperança de que o impasse na construção da nova ala pediátrica vai finalmente acabar e que as obras vão avançar com a máxima celeridade possível, sob tutela do Governo e do Conselho de Administração do centro hospitalar, num quadro de investimento público no Serviço Nacional de Saúde". (cf. aqui)

Esta é a mensagem, expressa esta semana pelo organizador do abaixo assinado "Pelo Joãozinho", Júlio Roldão. É também a mensagem do Governo (administração do HSJ incluída) e da sua Maioria Parlamentar. 

Em síntese, a mensagem é a seguinte. O Parlamento aprovou por unanimidade e o Governo já decidiu. A obra será começada brevemente, logo que estejam cumpridos uns meros procedimentos. Não existem obstáculos.

A realidade é bem diferente. Nem o Governo, nem a administração do HSJ, tencionam iniciar esta obra. O projecto arquitectónico da obra está em revisão e pronto somente em Junho e o início da obra está prometido para "depois do Verão", isto é, quando a administração do HSJ e o Governo já lá não estiverem (as eleições são a 6 de Outubro).

O que é que vem a seguir, em termos de mensagem?

Afinal, ainda existe um obstáculo. É o único que falta ultrapassar para que a obra possa começar imediatamente. É a Associação Joãozinho que está no terreno com o seu estaleiro da obra e é preciso tirá-la de lá. 

Quando é que esta mensagem será lançada para o público?

Esta semana e provavelmente já a partir de amanhã.

Ainda que carregando o odioso da situação, será dada vida ao fantasma. Ele vai tornar-se o centro das atenções.  E o fantasma provavelmente não voltará mais ao modo-morto. Será um período crucial para decidir se a obra é feita rapidamente (pela Associação Joãozinho), ou remetida para as calendas gregas (pelo Governo/administração do HSJ).

Aproxima-se o clímax da guerra mediática "Gobierno vs. Arroga". É a guerra entre a mentira e a verdade. Existe um caso antigo em que a verdade perdeu, talvez para que possa ganhar desta vez.