30 junho 2017

mais lido

Segundo as estatísticas do Blogger o post mais lido do Portugal Contemporâneo no último ano e meio foi este.

E o mais lido da última semana foi este.

29 junho 2017

Medo

Lê as estatísticas do divórcio e a pessoa fica com medo de perder o marido ou a mulher.

Lê as notícias sobre o cancro, e fica com medo que um dia lhe toque a si.

Lê sobre os actos terroristas e fica com medo que  rebente uma bomba no metro.

Lê sobre o desemprego e fica com medo do futuro.

Lê sobre as acusações de corrupção e fica com medo de tomar decisões.

Lê sobre a violência doméstica e fica com medo de se casar e constituir família.

Lê sobre o défice e a dívida pública e fica com medo do aumento dos impostos.

Lê sobre os raptos de crianças e a pedofilia e fica com medo que aconteça aos seus filhos.

Lê sobre maus tratos aos velhos e fica com medo da velhice.


Uma pessoa com medo, aquilo que mais quer é protecção. E em lugar de a pedir a Deus - o que não lhe ocorre fazer porque Ele entretanto foi banido do espaço público - pede-a ao Estado.

O Estado totalitário  faz o seu percurso.

Como acabar com isto, pergunta o Joaquim num post anterior?

Talvez só com uma desgraça - uma desgraça que faça as pessoas darem-se conta que, nas situações mais difíceis da vida,  o Estado, afinal, não protege nada.


PS. O que é isso da "protecção de Deus"?
       É o seguinte.
Deus está em todas as obras da criação, mas em primeiro lugar nas pessoas porque Ele próprio resolveu revelar-se através de uma pessoa humana. Portanto, a "protecção de Deus" é, em primeiro lugar, a protecção das pessoas umas às outras, a qual se consegue mais eficazmente através de um forte sentido de comunidade.
É isso o mais chocante em Pedrógão Grande. A comunidade local estava tão enfraquecida e abandonada (como reconheceu o Presidente da República) que não conseguiu defender-se daquilo que começou por ser um vulgar fogo na região. E, quanto ao Estado estar lá para proteger as pessoas...bom, quanto a isso...é melhor nem falar.

livrai-nos do mal

"Pai nosso que estás nos céus...
 (...)
 ...Mas livrai-nos do mal.
 Ámen"
(Jesus Cristo, Mateus 6: 9-13)

Não deve existir cultura mais anti-cristã do que esta que se focaliza no mal e que anda à procura do mal para o trazer a público.

Que efeitos produz esta cultura nos cidadãos, nos seus comportamentos e atitudes?

Que tipo de pessoa eu me vou tornar se em cada dia, repetidamente e anos a fio, ao abrir um jornal ou a televisão para saber o que se passa à minha volta no meio onde vivo, é o mal que maciçamente me entra pela casa e pelo espírito dentro?

Muitos efeitos, mas o principal - de longe, o principal - é o medo. E se não estiver desperto, eu acabarei a viver uma vida de medo.

Por exemplo, Kant, o chamado filósofo do protestantismo, e um luterano convicto, era um homem extremamente medroso.

Pelo contrário, Cristo era um homem sem medo. Quando entrou em Jerusalém, acompanhado dos apóstolos, ele sabia bem ao que ia.

Cristo foi um homem feliz, um homem perfeitamente realizado. Nunca pensava no mal e, por isso,  nunca tinha medo. Ninguém consegue ser feliz com medo.




para homens

Chora no Parlamento, chora no local dos incêndios... Quando é que acaba a choradeira?

Que condições emocionais tem esta mulher para tomar decisões?

Por alguma razão a tradição diz que o trabalho de chefiar forças de polícia e outras forças de segurança é um trabalho para homens.

a concentração no mal

Nas 95 teses que postou na porta da igreja, Lutero poderia ter indicado pelo menos algum dos inúmeros bens que a Igreja trouxe ao mundo e de que continuava a ser portadora no seu tempo. Mas não. As suas teses diziam respeito exclusivamente aos males que ele via na Igreja da altura.

Foram os males que chamaram a atenção pública - os bens nunca o fariam - e que puseram toda a vida da Igreja sob discussão pública. A partir daqui a divisão da comunidade estava consumada - uns a acusarem a Igreja, outros a defendê-la - e o cisma tornou-se inevitável.

Foi a concentração no mal que chamou a atenção do público.

E porquê?

A vida é feita de bem e de mal, mas o bem prevalece largamente sobre o mal. O mal é raro, exprime-se em acontecimentos raros e inusitados. O bem é vulgar, o mal é excepcional. Mas precisamente por ser excepcional é que chama a atenção do público, algo que o bem - sendo vulgar - nunca será capaz de fazer.

Estava dado início com Lutero a uma cultura (protestante) que é pública precisamente porque põe o ênfase no mal. Kant - o filósofo do protestantismo - daria seguimento a esta cultura ao dar o título de Crítica - que significa dizer mal - às suas principais obras. É esta cultura protestante, centrada no mal, e oriunda da Alemanha que nas últimas décadas tem invadido Portugal.

Quem abrir um jornal ou escutar um telejornal verá que 80 a 90% das notícias dizem respeito ao mal - incêndios, mortes, corrupção, violência, acusações infundadas, burlas, roubos, etc. O bem, para ser reportado, precisa de ser heróico ou absolutamente extraordinário, como um milagre. E, no entanto, a vida é feita muito mais de bem do que de mal, e seria impossível de outro modo.

A comunicação social hoje em dia passa uma imagem do país que é exactamente o contrário daquilo que ele é - algo que o Chesterton há mais de um século já tinha observado na sua muito democrática Inglaterra.

artigo indispensável sobre conservadorismo e liberalismo




28 junho 2017

no banco dos réus

Esta semana tive uma experiência que nunca tinha tido na vida.

Estive toda a manhã de Segunda-feira no banco dos réus do Tribunal de Matosinhos.

Compareci perante uma juíza de instrução criminal, um magistrado do Ministério Público, dois advogados (um de defesa, outro de acusação) e ainda um escrivão.

Local do Crime: Porto Canal.

Crimes imputados: ofensas à honra

Acusações: Três, movidas respectivamente por Paulo Rangel, eurodeputado e advogado; pela sociedade de advogados Cuatrecasas (de que o primeiro era director à altura); e, ainda, pelo Ministério Público.

A juíza vai agora decidir se vou a julgamento ou não.

A parte que mais gratamente relembro do meu depoimento, que durou mais de duas horas, foi aquela em que referi o exemplo que esta cena representaria para as gerações futuras.

Eu gosto de imaginar um jovem - como todos nós já fomos - a observar-nos naquela situação. Acompanhado de uma pessoa madura que se mantém silenciosa. O jovem a enumerar todos os males que encontra neste mundo, e a exprimir todos os sonhos de um dia o vir a mudar para melhor - sonhos como todos nós já tivemos, uns que se realizaram, outros não. A condenar o egoísmo que reina no mundo e a necessidade de modificarmos os nossos comportamentos e de fazermos bem aos outros. E isto sempre perante o silêncio do adulto.

Só depois de muito tempo, e quando o jovem fala pela sétima vez em fazer bem aos outros, é que o adulto o interrompe para lhe dizer:

-Fazer bem aos outros!? ...Deixa-te disso, pá!....

E, perante o ar incrédulo do jovem, acrescenta:

-Estás a ver aquele ali, o que está sentado no banco dos réus?.... Ele também anda a fazer bem aos outros...

E a concluír:

-Tu ainda tens desculpa porque és um puto... Agora aquele já tem idade para ter juízo... tão cristão, tão cristão... e afinal não aprendeu nada com o exemplo de Cristo...

uma cultura pública

O Joaquim regressou em forma com este artigo, acerca do qual gostaria de fazer algumas observações.

A cultura moderna (ou protestante) é uma cultura predominantemente pública, por oposição à cultura tradicional (católica) que é uma cultura predominantemente privada. Lutero deu o pontapé de saída. Em lugar de discutir com os seus pares e os seus superiores, privadamente e no seio da Igreja, as críticas  que lhe dirigia - em muitas das quais tinha razão - resolveu postá-las na porta de Igreja, expondo-as em público e abrindo-as à discussão pública.

Em breve, ninguém se entendia acerca da verdade, da ausência dela, ou do grau de verdade presente nessas críticas. Formaram-se correntes de opinião ou partidos, que viriam a dar lugar às seitas luteranas, dividindo o luteranismo de uma maneira muito mais feroz do que Lutero tinha dividido a Igreja Católica.

É neste ambiente em que ninguém se entende acerca do que é a verdade, que Kant - um luterano convicto - vem declarar que não se pode chegar à verdade (Nota do autor: Não se pode chegar à verdade? Pode, pode. Pode-se chegar pelo menos a essa - a de que não se pode chegar à verdade).

A verdade é então substituída pela opinião, que qualquer um pode ter, porque não exige a vivência das situações,  conhecimento, estudo ou qualquer reflexão. E a opinião passa a ser um direito individual. "Pigs do fly", é a minha opinião e eu tenho direito a ela.

Quanto ao autocrata de que fala o Joaquim, o homem que na comunidade  deveria arbitrar a discussão pública sobre qualquer assunto, ou até remetê-la para a esfera privada quando ela aí pertence, o homem com autoridade para dizer "Cala-te!" a qualquer dos participantes no debate, essa figura já existe, está aí à frente de todos, e só não a vê e não a imita quem não quer.

É a figura do Papa da Igreja Católica.

O Papa Bento XVI (já antes como Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, sob João Paulo II) fez isso várias vezes, por exemplo, aos teólogos da libertação: "Calem-se!". E eles calaram-se.

Como é que a Igreja iria explicar ao mundo que, tendo Cristo andado a pregar o amor entre os homens, viessem agora uns teólogos sob a sua jurisdição pregar a luta (de classes) entre eles?

Embora o Papa só tenha ganho impopularidade com isso, o certo é que os teólogos da libertação não conseguiram pôr os padres e as pessoas umas contra as outras, dividindo a Igreja.

O bem prevaleceu.

POLITIZAÇÃO DA VIDA QUOTIDIANA

POLITIZAÇÃO DA VIDA QUOTIDIANA


A democracia liberal politiza os cidadãos quando os chama a escolher entre líderes políticos, partidos políticos, e programas partidários.

Esta politização, que não tem a mesma dimensão nos regimes autocráticos, tem, sem dúvida, vertentes muito positivas. Quando invade, porém, todos os aspetos da vida quotidiana, torna-se perniciosa. Cria crispação e até ódio entre diferentes grupos sociais e simples cidadãos, que passam a ser olhados como inimigos; alguém que constitui uma ameaça existencial ao nosso modo de vida e que, em última instância, poderá ser necessário eliminar.

Basta refletir sobre o Brexit, no RU, a eleição de Donald Trump, nos EUA, os diferentes populismos que grassam na Europa, e até na retórica inflamada que, entre nós, procurou denegrir o governo de Pedro Passos Coelho, para perceber que as emoções têm falado mais alto do que a razão e que há uma polarização que era inédita na vida política, pelos menos até há bem pouco tempo.

Alguns analistas têm apontado as redes sociais como responsáveis por esta crispação política, na medida em que permitem a qualquer um destilar vitríolo sobre pessoas que não conhecem e assuntos que nunca estudaram. E realmente assim é, mas todo este fel, não me parece ser a causa, mas sim a consequência da politização da vida quotidiana.

O mesmo fenómeno, aliás, permeou a maior parte dos chamados MSM (main stream media) que albergam, atualmente, “assassinos de carácter” profissionais, devotados a difamar os adversários políticos, que tratam, na realidade, como inimigos. Dedicam-se, por exemplo, a fabricar notícias baseadas em alegadas denúncias anónimas, as chamadas Fake News, com o propósito claro de influenciar a opinião pública a favor das sua causas.

A exibição de uma “cabeça decapitada” do presidente Donald Trump, por uma colaboradora da CNN, é talvez o ponto mais baixo a que se pode chegar. Influenciando depois todos os que veem estas imagens quando estas se tornam virais na internet. O atentado perpetrado no estado da Virgínia, a 14/06/2017, contra o Partido Republicano, parece fruto deste clima político.

Carl Schmitt, em 1932, já tinha alertado para o perigo da “politização total” da sociedade, como uma espécie de estadio final das democracias liberais, e proposto uma salvaguarda autoritária, na figura de um presidente que pudesse decidir pelo coletivo quando este estivesse, por assim dizer, democraticamente bloqueado por visões irreconciliáveis.

Não tendo simpatia por soluções autocráticas, não deixo, porém, de admirar a quase profética análise de Carl Schmitt, proferida ainda antes da segunda guerra mundial. Em Portugal, António Salazar foi essa figura autocrática, chamada a apaziguar um País já então dilacerado por um excesso de politização, embora de natureza radicalmente diferente da atual.

Estejam ou não previstas entidades autocráticas tutelares para resolver graves crises políticas, a verdade é que elas aparecem quando é necessário, para repor a segurança e a ordem.

Alertar para os aspetos perniciosos da politização da vida quotidiana, é, portanto, fazer a profilaxia de soluções de último recurso que acarretam sempre um custo elevado e um desfecho incerto.

A vida quotidiana está politizada porque o Estado invadiu todas as esferas da nossa atividade. O Estado está presente na fecundação, na gravidez, no parto, nos primeiros anos de vida, na escola pré-primária e primária, no liceu e nas universidades, na regulamentação da atividade profissional, nas empresas, nas relações laborais, na saúde e na doença, nos relacionamentos pessoais, e até na morte.

Em tudo o que se envolve, o Estado favorece os “amigos” e prejudica os “inimigos”, alimentando grupos que se digladiam e que passam a constituir uma ameaça mútua. Os velhos reclamam políticas que prejudicam os jovens, os empregados exigem medidas que prejudicam os desempregados, as empresas procuram rendas à custa dos contribuintes, a banca quer garantias dos cofres do Estado, enfim... todos procuram benesses num jogo de soma zero que só pode alimentar ódios.

O outro deixa de ser o irmão com quem podemos colaborar para o Bem Comum para passar a ser uma ameaça existencial. A confiança, esse elemento fundamental do desenvolvimento, é corrompida pela politização da vida quotidiana. Paradoxalmente, a falta de confiança clama por mais intervenção estatal e regulamentação que, em última análise vai destruir ainda mais a confiança restante; é um ciclo perverso e fatal para a sociedade.

É fácil percebermos quando a politização democrática ultrapassa os limites do razoável, basta perguntarmo-nos se numa situação concreta, em análise, perspetivamos os nossos concidadãos em termos de amigo/inimigo.

Os conflitos entre os encarregados de educação e os professores são frequentes e muitas vezes envolvem violência, a relação médico-doente deteriorou-se ao ponto de ser necessária a presença da polícia em muitas circunstâncias. E até os próprios agentes da autoridade se sentem inseguros no exercício das suas funções.

O cidadão que começou a trabalhar para a Uber é inimigo dos taxistas, o inquilino é inimigo do proprietário, e o trabalhador, claro está, é inimigo do patrão.

Questões do foro íntimo, como o aborto, são administradas pelo Estado que disponibiliza interrupções voluntárias da gravidez a partir dos 16 anos de idade, sem autorização nem conhecimento dos pais. Não será de antecipar um desagrado veemente, por parte dos respetivos encarregados de educação, num caso destes?

Por fim, uma referência à liberdade de expressão e à chamada ditadura do politicamente correto. Qualquer um pode ser apelidado de racista, xenófobo, misógino, sexista, ou homófobo, e atacado verbal e fisicamente pelo estigma destas acusações. A sociedade pulverizou-se em grupos que se digladiam porque se consideram inimigos. Porquê?

Porque se politizou a vida quotidiana!

Será possível reverter esta situação?

Penso que sim, se percebermos o ponto de rutura a que se chegou e a ameaça que essa rutura implica para a democracia liberal. Politizar tudo não enobrece a política, pelo contrário. Cria ruído, uma cacofonia que irrita e desorienta.

Recuperar o espaço de privacidade pessoal, familiar, e social, é, quanto a mim o caminho a seguir e a via para deixarmos de olhar para os outros na perspetiva política de amigo/inimigo e passar a vê-los com irmãos.


Todos “iguais aos olhos de Deus”, com um direito inalienável à busca da felicidade, sem que essa felicidade seja conquistada à custa da infelicidade alheia. A vida não tem de ser um jogo de soma zero.

o Estado Ocidental está islamizado


22 junho 2017

a incúria

(Transcrição de e-mail dirigido aos visados)


Exmos. Senhores
Dr. Manuel Delgado, Secretário de Estado da Saúde
Prof. Dr. Fernando Araújo, Secretário de Estado Adjunto e da Saúde
Dr. António Oliveira e Silva, Presidente do Conselho de Administração, Hospital de S. João


Caros Senhores,

Tomei conhecimento no início do mês de mais um anúncio da construção da Ala Pediátrica do HSJ:

http://www.dn.pt/lusa/interior/hospital-de-s-joao-com-nova-ala-pediatrica-concluida-em-2020-8524882.html

É o segundo este ano -  e o ano ainda só vai a meio.

O primeiro foi feito em Janeiro,

https://www.publico.pt/2017/01/19/local/noticia/ministerio-da-saude-disponibiliza-21-milhoes-de-euros-para-ala-pediatrica-do-sao-joao-1758957

e era obviamente falso, como se veio a confirmar pouco depois:

https://dre.tretas.org/dre/2904631/despacho-1952-A-2017-de-7-de-marco


O que esperar deste? O mesmo. Nenhum passo concreto foi dado para concretizar a obra . É puro espectáculo para a comunicação social.

Na realidade, não deve existir obra no país mais anunciada por Governos - o vosso e anteriores -, e nunca concretizada.

A única instituição que anunciou a obra e a começou foi a Associação de que sou Presidente. Infelizmente, logo que o vosso Governo tomou posse tratou de impedir o seu progresso, não desocupando o espaço que a Administração do HSJ se vinculou a desocupar em Protocolo assinado com esta Associação e o consórcio de construtoras. A obra está parada há 15 meses à espera que os Senhores cumpram, ou dêem ordens para cumprir,  aquilo a que estão vinculados.

Venho por este meio, mais uma vez, solicitar que o façam a fim de que esta Associação possa prosseguir a obra.

O Estado deve dar o exemplo a respeitar os compromissos que assume. Mas os Senhores parecem não dar importância a isso. Não fazem nem deixam fazer - ou melhor, neste caso é por ordem inversa, não deixam fazer nem fazem.

As condições em que estão alojadas as crianças doentes deterioram-se a cada dia. Chove lá dentro e o ar condicionado não funciona:

https://www.publico.pt/2017/01/19/local/noticia/sucessivas-falhas-no-internamento-do-sao-joao-comprometem-bemestar-das-criancas-1758777

Eu receio que seja necessária uma tragédia com algumas semelhanças com aquela que acaba de ocorrer em Pedrógão Grande - em que a principal será a incúria -  para que os Senhores façam alguma coisa.

Não compreendo como conseguem viver todos os dias com este fardo.

Nesta data estou a dar conhecimento desta missiva à comunicação social que, infelizmente, parece ser a única instituição capaz de vos fazer mexer.

Com os melhores cumprimentos.

Pedro Arroja
Presidente

morte não-assistida

Mas se isto se faz em tão pouco tempo, por que é que não fizeram antes para prevenir a tragédia?

Claro. Um Parlamento que utiliza o seu tempo para discutir a morte assistida, depois é natural que não lhe sobre tempo para discutir os assuntos relativos à morte não-assistida.

21 junho 2017

contra o celibato

"Como foi possível?; como chegámos aqui?; o que falhou?".

Foi possível - e chegámos aqui - porque proteger os homossexuais contra o celibato e proteger as crianças órfãs contra  casais adoptivos heterossexuais (duas das primeiras leis aprovadas pelo Parlamento nesta legislatura) é mais importante do que proteger todos os portugueses contra os fogos florestais (nenhuma lei aprovada pelo Parlamento nesta legislatura).

O que falhou? O sentido das prioridades.

Trovoada Seca

marina disse...

o que é fantástico é as esganiçadas não darem sinal de vida. tb é fantástico a forma benevolente como os merdia tratam o Costa ( pede explicações quem as tem de dar? absurdo) , tb é fantástica a figura patética da ministra ( uma sopeirinha do partido? figurinha mais triste).



Claro que as meninas do BE não dão sinais de vida. A prioridade delas - a primeira lei que fizeram aprovar no Parlamento nesta legislatura -, foi a de permitir o casamento aos homossexuais. Comparado com isso, fazer leis que protejam as florestas não tem importância nenhuma.

De facto, um dos episódios mais engraçados desta triste história é o Primeiro Ministro a pedir informações (por Despacho!) que ele próprio deveria dar. E o Presidente da República, na noite de Sábado, a anunciar a causa do incêndio: Trovoada Seca. (Duas horas depois, a PJ já tinha encontrado a árvore atingida pelo raio)

A comunicação social portuguesa continua simpática. Mas aqui os nossos vizinhos do lado prevêem Trovoada. E não é Seca.   

20 junho 2017

facilmente enganáveis

Coitados... os jornalistas são pessoas facilmente enganáveis.
A razão é que - na sua maioria - publicam tudo aquilo que lhes dizem.
E, então, se vier de fonte oficial...
A cabeça deles, aparentemente, não serve para nada.

A propósito: afinal, não houve trovoada (seca)  nenhuma onde, segundo a comunicação social, a PJ descobriu uma árvore atingida por um raio.
Mas se, em semanas, a PJ não descobriu o Pedro Dias numa floresta limpa como é que ia, em poucas horas, descobrir uma árvore atingida por um raio numa floresta a arder?

PS. E quanto mais se procuram ilibar mais se enterram. Então e se a Protecção Civil tivesse dito que era um traque? Vocês teriam reportado: "Grande Traque em Pedrógão Grande".

18 junho 2017

E agora?

O Governo é o responsável pela redução do défice.
O Governo é o responsável pelo aumento do crescimento económico.
O Governo é o responsável pelo boom no turismo.
O Governo é o responsável pela diminuição do desemprego.
Praticamente, tudo aquilo que no último ano e meio tem acontecido de bom - e não foi pouco -  no espaço público de Portugal tem sido responsabilidade e mérito do Governo.

E agora?

O Jornal Oficial pergunta: O que é que falhou neste Sábado?

Nada. Absolutamente nada - as falhas são de "há décadas", não do último ano e meio, porque em ano e meio não é possível fazer nada.

Foi o raio do raio e o raio da árvore.

A propósito: Qual é a árvore?


11 junho 2017

O nosso Presidente

O nosso Presidente - segundo ele próprio - foi ao Brasil receber o Presidente do Brasil, a pedido deste:

“Houve um pedido do senhor Presidente da República Federativa do Brasil, supondo que podia estar em São Paulo amanhã [domingo] de manhã, e pediu para ser recebido", informou o Presidente, acrescentando que depois "surgiu um problema no programa do senhor Presidente da República Federativa e, pedindo muita desculpa, disse que não estava com disponibilidade de horário para poder aparecer". (aqui)

08 junho 2017

Nem com a CMVM

Creio que uma boa parte do sucesso económico de Portugal durante o Estado Novo se deveu ao escrupuloso cumprimento dos contratos em que o Estado dava o exemplo - um exemplo que depois passava a toda a sociedade.

Muitos contratos, especialmente em pequenos negócios, nem sequer eram passados a escrito. Eram fechados com base na palavra dada.

A revolução democrática do 25 de Abril alterou radicalmente esta cultura de cumprimento dos contratos e da palavra dada. Em breve o Estado se tornaria o principal caloteiro do país e o maior incumpridor.

Quando Salazar faleceu em 1968 o Estado pesava apenas 16% na economia (20% à queda do regime em 1974). A pequenez do Estado não o impedia de ser o maior exemplo de cumpridor contratual.

Hoje, o Estado pesa 50% na economia e o seu exemplo é ainda maior, mas agora como incumpridor. Se o Estado, com este peso, não cumpre os seus compromissos, como se pode esperar que os outros agentes económicos - pessoas e empresas cada vez mais dependentes dele - o façam?

Como pode uma empresa que tem o Estado como cliente pagar atempadamente aos seus fornecedores, se o Estado não lhe paga a horas? A cultura do incumprimento é inevitavelmente repercutida sobre toda a sociedade.

Quem são os responsáveis?

Os gestores públicos e os políticos - uns confundem-se com os outros - que estão à frente das instituições do Estado. Mas eles só são incumpridores para com os outros, porque, quanto a eles, pagam-se respeitosamente os seus vencimentos de funcionários públicos com avanço, ao dia 25 de cada mês, cinco dias antes do que seria devido.

O lamento da Presidente da CMVM tornado público ontem é muito significativo. A CMVM é o órgão do Estado que tem por missão zelar para que todas as operações realizadas nos mercados financeiros sejam feitas de forma limpa.

Mas nem com a  CMVM o Estado consegue ser limpo em matéria financeira. Não entrega à CMVM o dinheiro que lhe pertence.


07 junho 2017

essa figura tutelar


O Salazar fez do lema "tornar o Estado uma pessoa de bem" o principal lema dos seus primeiros anos de governação. E conseguiu.

Os países que acompanham Portugal nesta estatística são reveladores da sua cultura comum.

Precisam de um Pai que lhes dê o exemplo e que os ponha na ordem quando transgridem.

Sem essa figura tutelar, nunca se tornarão adultos pelos seus próprios meios.

Comportam-se como uns irresponsáveis e uns meninos mimados, que querem tudo para eles e nada para os outros.