31 outubro 2016
29 outubro 2016
o fracasso da terceira via III
O FRACASO DA TERCEIRA VIA - III
Quando vemos um comboio a alta velocidade em direção a uma parede, devemos
agitar a bandeira vermelha, o mais possível. Ora, eu penso que a chamada
terceira via (3ª via) é a ideologia que conduz esse comboio, a UE, para o
desastre.
Que fazer?
É necessário conciliar os êxitos da globalização com os valores que nos são
mais caros. A comunidade, claro, mas também a oportunidade de cada um buscar a sua
felicidade e de se realizar como ser humano.
Comecemos pela globalização. Vou partir do princípio que o seu impacto, em
termos económicos é positivo. E chamar a atenção apenas para os aspetos
negativos.
O principal, quanto a mim, é alocar o risco de investimentos globais a
entidades nacionais, chamando os contribuintes nacionais a resgatar entidades
multinacionais.
Isto aconteceu especialmente com os bancos, na Islândia e na Irlanda, mas
também um pouco por todo o mundo. Em Portugal, por exemplo, um volume
significativo de imparidades bancárias foi registado além-fronteiras.
Para travar o movimento antiglobalização, é necessário que todas as operações de financiamento global sejam
securitizadas a nível global, por sindicatos bancários ou entidades
supranacionais.
Um segundo aspeto, talvez menos relevante, mas ainda com grande impacto, é
a necessidade de revogar a legislação
internacional que uniformiza os mercados e facilita as economias de escala,
mas que prejudica as pequenas empresas nacionais.
Este tipo de regulamentação deve obedecer ao princípio da subsidiariedade,
cabendo a cada Estado tomar as medidas que considere necessárias e equilibradas.
Relativamente a preservar valores, identidades e soberania nacional, julgo
que há alguns aspetos essenciais.
A imigração tem de ser controlada, de modo a não
descaracterizar as comunidades. O contrário tem incentivado uma xenofobia e
racismo que julgávamos extinto. Como?
Deixando a decisão sobre aceitar mais imigrantes às comunidades locais.
Autarquias e distritos, de modo a envolver as populações neste processo. Julgo
que não pode ser o Estado, de forma ditatorial, a impor quotas.
A iniciativa individual tem de ser defendida. Em particular o
empreendedorismo, a possibilidade de cada um desenvolver os seus projetos num
quadro de competição saudável.
Para que isto aconteça, o Estado não pode garantir monopólios a quaisquer
entidades, públicas ou privadas. O mercado só funciona quando é livre, o
contrário é garantir rendas que saem caras a todos.
O quadro de desequilíbrio fiscal entre as PME’s nacionais e as
multinacionais tem de ser alterado. De todos os problemas da globalização, este
é o mais fácil de resolver, como? Isentando as startups de impostos até um
limite de faturação previamente determinado. 1 M€ parece-me razoável.
Se não for possível atacar os problemas que enunciei, de frente e de forma
decidida, estou convencido que a globalização, como a conhecemos, terminará a
curto prazo.
A UE, por seu turno, entrará num processo irreversível de desintegração.
28 outubro 2016
o fracasso da terceira via II
O FRACASSO DA TERCEIRA VIA – II
A proposta era aliciante, colher os frutos da globalização ao mesmo tempo
que se preservavam os valores da social-democracia (a Comunidade, a
Oportunidade, a Responsabilidade e o Rigor – CORA em inglês), na perspetiva do
Anthony Giddens (AG).
O que fracassou, porém, nestes últimos 20 anos? Por que razão o sonho não se cumpriu?
Se me permitem uma metáfora, foi porque se “injetaram esteroides nas empresas globais e se manietou a iniciativa
individual a nível nacional”, desequilibrando a balança a favor das
entidades supranacionais em detrimento das locais.
Os acordos económicos, a livre circulação de capitais e pessoas, são o
terreno ideal para as multinacionais e basta ver como estas cresceram, em 20 anos,
para apreciar o resultado – foram os tais “esteroides”.
As economias de escala que geram, contudo, penalizam as empresas locais e
dificultam a tarefa dos empreendedores. Muitos passaram de patrões a empregados
dessas mesmas multinacionais.
Por outro lado, as multinacionais
escapam facilmente ao fisco, através das suas complexas teias, selecionando
as jurisdições fiscais que mais lhes convêm. Os locais, sem esta possibilidade, arcam com taxas que não os deixam
ser competitivos.
Por fim, e com o propósito de preservar os tais valores do centro-esquerda,
o Estado “3ª via” opera um transvase
enorme de recursos, dos produtores (nacionais, claro) para os consumidores
que, por sua vez, vão engrossar as receitas das multinacionais – chegaria a ser
irónico se não fosse trágico.
Os recursos redistribuídos pelo Estado não contribuem, porém, para a coesão
da comunidade, nem para mais e melhores oportunidades, nem para maior
responsabilização. Porque perpetuam dependências e vidas sem propósito e sem
possibilidade de singrar no seu próprio país. O elevado desemprego juvenil, em
quase todo o mundo Ocidental, é a prova deste facto.
As migrações, a precaridade laborar e a insegurança, são outros fatores, a
somar aos já enunciados, que contribuem para uma insatisfação profunda que está
a alimentar a demagogia e os populismos.
Os mentores do Brexit, o Sr. Trump e a Srª Le Pen, não são liberais nem
neoliberais, nem sequer amigos da liberdade. São pessoas que veem oportunidades
onde “o sonho de alguns se está a tornar no pesadelo da maioria”.
Para ultrapassar esta onda de demagogia e populismo é preciso denunciar o
falhanço da 3ª via e propor alternativas.
No próximo post é o que farei.
o fracasso da terceira via - I
O FRACASSO DA TERCEIRA VIA - I
A terceira via (3ª via) é um movimento que se iniciou no começo dos anos
90, nos EUA, como resposta às políticas de Ronald Reagan. Os seus principais
protagonistas políticos foram o presidente Bill Clinton (1993 a 2001), nos EUA,
e o primeiro-ministro Tony Blair (1997 a 2007), no RU.
Em 1998, o sociólogo Anthony Giddens (AG), publicou o best-seller “The
Third Way” que se tornou a referência doutrinária por excelência, deste
movimento, e a que recorro como principal ferramenta de análise.
O que é, em síntese, a 3ª via?
É a resposta política da social-democracia à globalização, reconhecendo
esta enorme oportunidade de criação de riqueza, mas sublinhando a necessidade
da intervenção do Estado para garantir um conjunto de valores fundamentais para
o centro-esquerda.
Valores que AG destacou como sendo a
Comunidade, a Oportunidade, a Responsabilização, e o Rigor (Accountability).
CORA, em inglês.
AG sublinha, porém, que a intervenção do Estado não deve ficar submetida a
ditames ideológicos. Nomeadamente no fornecimento de serviços que podem ser
disponibilizados pelo sector privado.
Para AG, a sobrevivência da social-democracia dependia também da própria
reforma do Estado que necessitava de se libertar de interesses particulares, de
se desburocratizar e de descentralizar.
Quase 20 anos após a publicação do “The Tird Way”, é possível fazer um
balanço?
As democracias Ocidentais beneficiaram com a globalização, preservando os
seus valores e a soberania das suas populações?
Limitando-me a um certo consenso posso responder afirmativamente ao
primeiro quesito – sim, beneficiaram com a globalização. Mas à custa da
subversão dos valores que procuravam preservar e de uma importante perda de
soberania popular que se manifesta agora por uma rejeição da própria globalização.
Rejeição que se evidenciou, da forma mais contundente possível, com o Brexit.
Neste sentido, a 3ª via fracassou brutalmente.
As comunidades perderam coesão
social. Há menos oportunidades, especialmente para os jovens. E não há
responsabilização, nem rigor, nas instituições que suportam o tecido social.
Este fracasso abriu as portas à demagogia e ao populismo que, neste
momento, ameaçam as democracias liberais e capitalistas que se supunha serem o
“Fim da História”.
Por este motivo, é essencial tentar compreender as razões deste fracasso;
como foi essencial, no passado, perceber as causas do fracasso do comunismo.
Os defensores da globalização, entre os quais me conto, têm obrigação de
proceder a esta análise, sob pena de regressarmos a nacionalismos serôdios e a
políticas mercantilistas que julgávamos extintas.
No próximo post irei expor o que, no meu entender, são as causas do
fracasso da 3ª via.
Subscrever:
Mensagens (Atom)