Mas se o juiz-desembargador Pedro Vaz Patto não reconhece, nem mesmo à Assembleia da República, a liberdade de expressão para se pronunciar sobre certas matérias - como a eutanásia -, como é que havia de me reconhecer a mim a liberdade de expressão para me pronunciar sobre os conflitos de interesses do eurodeputado Paulo Rangel (cf. aqui), que agora parecem ser objecto de grande atenção mediática (cf. aqui e aqui)?
06 abril 2019
como é que havia?
“Muito poucas outras leis nos fariam estar aqui num dia de chuva a meio da semana. O que nos move é sabermos que estão em causa os alicerces da nossa civilização e da nossa ordem jurídica. Esta não é uma questão como outra qualquer. Uma questão tão importante como esta não pode ser votada por esta assembleia”, defendeu o juiz Pedro Vaz Patto (cf. aqui).
05 abril 2019
04 abril 2019
Juiz Pedro Vaz Patto
Como é bom o espaço público ou político de uma sociedade livre e democrática. Alguém diz ou faz alguma coisa que eu não aprovo, e eu tenho a faculdade de saltar para o espaço público e com toda a liberdade exprimir-me sobre aquilo que os outros dizem ou fazem e eu não aprovo.
Assim faz o juiz-desembargador Pedro Vaz Patto no pleno uso da sua liberdade de expressão. Chega ao ponto de ir junto da Assembleia da República, que é o símbolo da sociedade livre e democrática, dizer que ela não tem legitimidade para se exprimir sobre certos assuntos da vida em sociedade (cf. aqui), que é uma maneira de fazer uso da sua liberdade de expressão para impedir que os outros se exprimam.
Como eu invejo a liberdade de expressão do juiz-desembargador Pedro Vaz Patto na esfera pública ou política.
Já na esfera judicial de uma sociedade democrática - certamente, da portuguesa - tenho hoje uma visão radicalmente diferente acerca da liberdade de expressão, e uma visão para pior, muito pior - na realidade, uma visão tenebrosa. E da qual faz parte o juiz Pedro Vaz Patto.
O juiz Pedro Vaz Patto condenou-me de uma forma que eu considero bastante injusta (cf. aqui) sem nunca me ouvir e me dar a liberdade de lhe exprimir e fazer ver o erro em que estava a cair, e que se traduz de uma forma muito simples - o juiz Pedro Vaz Patto gosta da liberdade democrática de expressão para si e faz abundante uso dela, mas não para os outros, certamente que não para mim.
O alerta da sua colega Paula Guerreiro, apesar de excelente, não foi suficiente. Eu teria sido muito mais persuasivo em fazer-lhe ver as vantagens em aderir à jurisprudência democrática do TEDH, à qual de resto está vinculado.
A liberdade de expressão democrática não envolve apenas a liberdade de ir junto do Parlamento dizer aquilo que nos apetece, mesmo que seja contra a democracia. Envolve também a liberdade de criticarmos os políticos, mesmo quando eles são eleitos democraticamente.
Assim faz o juiz-desembargador Pedro Vaz Patto no pleno uso da sua liberdade de expressão. Chega ao ponto de ir junto da Assembleia da República, que é o símbolo da sociedade livre e democrática, dizer que ela não tem legitimidade para se exprimir sobre certos assuntos da vida em sociedade (cf. aqui), que é uma maneira de fazer uso da sua liberdade de expressão para impedir que os outros se exprimam.
Como eu invejo a liberdade de expressão do juiz-desembargador Pedro Vaz Patto na esfera pública ou política.
Já na esfera judicial de uma sociedade democrática - certamente, da portuguesa - tenho hoje uma visão radicalmente diferente acerca da liberdade de expressão, e uma visão para pior, muito pior - na realidade, uma visão tenebrosa. E da qual faz parte o juiz Pedro Vaz Patto.
O juiz Pedro Vaz Patto condenou-me de uma forma que eu considero bastante injusta (cf. aqui) sem nunca me ouvir e me dar a liberdade de lhe exprimir e fazer ver o erro em que estava a cair, e que se traduz de uma forma muito simples - o juiz Pedro Vaz Patto gosta da liberdade democrática de expressão para si e faz abundante uso dela, mas não para os outros, certamente que não para mim.
O alerta da sua colega Paula Guerreiro, apesar de excelente, não foi suficiente. Eu teria sido muito mais persuasivo em fazer-lhe ver as vantagens em aderir à jurisprudência democrática do TEDH, à qual de resto está vinculado.
A liberdade de expressão democrática não envolve apenas a liberdade de ir junto do Parlamento dizer aquilo que nos apetece, mesmo que seja contra a democracia. Envolve também a liberdade de criticarmos os políticos, mesmo quando eles são eleitos democraticamente.
22 mil euros
Quem vir este comentário (cf. aqui) produzido num canal televisivo local e com diminuta audiência e souber que, passado quatro anos, o Tribunal da Relação do Porto acaba de condenar o seu autor a pagar 22 mil euros por o ter produzido (cf. aqui) (*), provavelmente não vai acreditar.
Em certo sentido, foi um comentário pioneiro, e o pioneirismo paga-se. Alertava para o imenso poder das grandes sociedades de advogados, que a minha condenação no TRP veio agora confirmar. É uma condenação contra a jurisprudência do TEDH que Portugal está vinculado a respeitar, e a uma pena pecuniária que é absolutamente desproporcional. Na realidade, existe também jurisprudência do TEDH sobre a proporcionalidade das indemnizações, a qual foi igualmente ignorada.
São 22 mil euros, assim repartidos: 10 mil para o Paulo Rangel, 5 mil para a Cuatrecasas e 7 mil para o Estado português. Entretanto, passaram 4 anos sobre o comentário e as crianças continuam nos mesmos barracões metálicos contra os quais eu me insurgia. E o dinheiro, em lugar de ir para o benefício das crianças, acaba nas mãos de quem, desde o início, obstaculizou a obra.
O pioneirismo consistiu em alertar a opinião pública para o perigo que as sociedades de advogados representam para a democracia. Têm os pés nos três poderes do Estado, no legislativo, enquanto deputados; no judicial, enquanto advogados; no executivo, enquanto membros dos partidos no poder. Corrompem tudo à sua volta. Em Espanha já compram, sem vergonha, os serviços de juízes do Supremo (cf. aqui).
O recente episódio do Arlindo Marques revela uma das facetas das grandes sociedades de advogados. Não fosse o clamor público que se levantou em volta do Arlindo Marques, e a levou a bater em retirada com o rabo metido entre as pernas, e a Cuatrecasas teria arruinado o Arlindo Marques e tinha-o calado para sempre (cf. aqui).
Em Portugal, a opinião pública vai finalmente despertando (cf. aqui e aqui, para além do comentário em baixo da Joana Amaral Dias).
____________________________
(*) O artigo contém uma imprecisão. A juiz-desembargadora Paula Guerreiro foi originalmente designada a relatora do processo. Porém, acabou a votar vencida e o relator passou a ser o seu colega, juiz-desembargador Pedro Vaz Patto.
Em certo sentido, foi um comentário pioneiro, e o pioneirismo paga-se. Alertava para o imenso poder das grandes sociedades de advogados, que a minha condenação no TRP veio agora confirmar. É uma condenação contra a jurisprudência do TEDH que Portugal está vinculado a respeitar, e a uma pena pecuniária que é absolutamente desproporcional. Na realidade, existe também jurisprudência do TEDH sobre a proporcionalidade das indemnizações, a qual foi igualmente ignorada.
São 22 mil euros, assim repartidos: 10 mil para o Paulo Rangel, 5 mil para a Cuatrecasas e 7 mil para o Estado português. Entretanto, passaram 4 anos sobre o comentário e as crianças continuam nos mesmos barracões metálicos contra os quais eu me insurgia. E o dinheiro, em lugar de ir para o benefício das crianças, acaba nas mãos de quem, desde o início, obstaculizou a obra.
O pioneirismo consistiu em alertar a opinião pública para o perigo que as sociedades de advogados representam para a democracia. Têm os pés nos três poderes do Estado, no legislativo, enquanto deputados; no judicial, enquanto advogados; no executivo, enquanto membros dos partidos no poder. Corrompem tudo à sua volta. Em Espanha já compram, sem vergonha, os serviços de juízes do Supremo (cf. aqui).
O recente episódio do Arlindo Marques revela uma das facetas das grandes sociedades de advogados. Não fosse o clamor público que se levantou em volta do Arlindo Marques, e a levou a bater em retirada com o rabo metido entre as pernas, e a Cuatrecasas teria arruinado o Arlindo Marques e tinha-o calado para sempre (cf. aqui).
Em Portugal, a opinião pública vai finalmente despertando (cf. aqui e aqui, para além do comentário em baixo da Joana Amaral Dias).
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(*) O artigo contém uma imprecisão. A juiz-desembargadora Paula Guerreiro foi originalmente designada a relatora do processo. Porém, acabou a votar vencida e o relator passou a ser o seu colega, juiz-desembargador Pedro Vaz Patto.
03 abril 2019
uma belíssima influência
Há alguma área onde defenda maior cedência de soberania?
-A Justiça em Portugal está muito maltratada. Temos problemas de corrupção graves, temos agora problemas no domínio da violência doméstica. As nossas decisões judiciais demoram uma eternidade, são uma enorme desvantagem para as nossas empresas e pessoas. No domínio institucional, a Europa pode ser uma belíssima influência.
(aqui)
-A Justiça em Portugal está muito maltratada. Temos problemas de corrupção graves, temos agora problemas no domínio da violência doméstica. As nossas decisões judiciais demoram uma eternidade, são uma enorme desvantagem para as nossas empresas e pessoas. No domínio institucional, a Europa pode ser uma belíssima influência.
(aqui)
Joana Amaral Dias
A Joana Amaral Dias que se cuide pelo comentário televisivo que fez esta semana (cf. aqui).
É crime.
Por ter dito essencialmente a mesma coisa há quatro anos, eu fui condenado esta semana pelo Tribunal da Relação do Porto a indemnizar o Paulo Rangel em dez mil euros.
É crime.
Por ter dito essencialmente a mesma coisa há quatro anos, eu fui condenado esta semana pelo Tribunal da Relação do Porto a indemnizar o Paulo Rangel em dez mil euros.
o acórdão
Conheci ontem o acórdão do Tribunal da Relação do Porto referente ao meu case study (cf. aqui) e que tem por centro este comentário televisivo (cf. aqui).
-O tribunal de primeira instância de Matosinhos tinha-me absolvido em Junho do crime de difamação agravada ao Paulo Rangel. O TRP condena-me agora numa indemnização de 10 mil euros ao Paulo Rangel e em 5 mil euros de multa.
-O tribunal de primeira instância tinha-me condenado pelo crime de ofensa a pessoa colectiva a uma indemnização de 5 mil euros à Cuatrecasas e 4 mil euros de multa. O TRP mantém esta condenação.
Em cúmulo jurídico, a multa total é fixada em 7 mil euros.
O total é, portanto, 22 mil euros em indemnizações mais a multa, a que é necessário acrescentar ainda juros e custas judiciais.
A decisão dividiu os juízes. O juiz relator, Pedro Vaz Patto, e outro juiz, cuja assinatura é ilegível, votaram a favor da condenação. A juiz Paula Guerreiro (que inicialmente havia sido designada como relatora), invocando a jurisprudência do TEDH, votou vencida contra a condenação.
Na sua declaração de voto a juiz Paula Guerreiro lembra que Portugal já foi várias vezes condenado no TEDH por decisões judiciais como esta, que fazem prevalecer o direito à honra sobre o direito à liberdade de expressão e cita um acórdão do STJ (cf. aqui) para chamar a atenção dos seus colegas para o erro jurisprudencial que estavam a cometer. Mas não os conseguiu demover.
Tratava-se também de um caso em que o Tribunal estava em dúvida (há crime ou não há crime?), mas o princípio de Justiça in dubio pro reo foi esquecido. A tradição liberal do TRP, que foi dos primeiros tribunais superiores portugueses a acolher a jurisprudência democrática do TEDH, encontrou uma excepção, vá-se lá saber porquê.
Fica-se agora sem saber se no TRP é o direito à liberdade de expressão que prevalece sobre o direito à honra, como manda a jurisprudência democrática do TEDH, ou se é o direito à honra que prevalece sobre o direito à liberdade de expressão, como mandava a jurisprudência do Estado Novo e da Inquisição.
É a incerteza, que é o pior que pode acontecer à credibilidade da Justiça. Eu diria mesmo, antes a Inquisição do que a incerteza, porque ao menos sabemos aquilo com que contamos.
Adenda em 16/07/19:
A situação de conflito de interesses em que se encontrava o eurodeputado Paulo Rangel e que é denunciada no meu comentário televisivo, é agora ilegal no país, em virtude de uma lei aprovada pela Assembleia da República em Junho deste ano: "Com as novas incompatibilidades hoje aprovadas, os deputados que sejam simultaneamente deputados e advogados têm de suspender funções se tiverem, nas sociedades de advogados a que pertencem, processos que envolvam alguma entidade do Estado" (cf. aqui).
Em suma, o acórdão premeia o vilão e penaliza quem o denunciou publicamente.
Falta acrescentar que o juiz Pedro Vaz Patto convive com o eurodeputado Paulo Rangel no seio de uma instituição privada - o juiz como presidente da Assembleia Geral (cf. aqui), o eurodeputado como membro da Comissão de Honra (cf. aqui).
-O tribunal de primeira instância de Matosinhos tinha-me absolvido em Junho do crime de difamação agravada ao Paulo Rangel. O TRP condena-me agora numa indemnização de 10 mil euros ao Paulo Rangel e em 5 mil euros de multa.
-O tribunal de primeira instância tinha-me condenado pelo crime de ofensa a pessoa colectiva a uma indemnização de 5 mil euros à Cuatrecasas e 4 mil euros de multa. O TRP mantém esta condenação.
Em cúmulo jurídico, a multa total é fixada em 7 mil euros.
O total é, portanto, 22 mil euros em indemnizações mais a multa, a que é necessário acrescentar ainda juros e custas judiciais.
A decisão dividiu os juízes. O juiz relator, Pedro Vaz Patto, e outro juiz, cuja assinatura é ilegível, votaram a favor da condenação. A juiz Paula Guerreiro (que inicialmente havia sido designada como relatora), invocando a jurisprudência do TEDH, votou vencida contra a condenação.
Na sua declaração de voto a juiz Paula Guerreiro lembra que Portugal já foi várias vezes condenado no TEDH por decisões judiciais como esta, que fazem prevalecer o direito à honra sobre o direito à liberdade de expressão e cita um acórdão do STJ (cf. aqui) para chamar a atenção dos seus colegas para o erro jurisprudencial que estavam a cometer. Mas não os conseguiu demover.
Tratava-se também de um caso em que o Tribunal estava em dúvida (há crime ou não há crime?), mas o princípio de Justiça in dubio pro reo foi esquecido. A tradição liberal do TRP, que foi dos primeiros tribunais superiores portugueses a acolher a jurisprudência democrática do TEDH, encontrou uma excepção, vá-se lá saber porquê.
Fica-se agora sem saber se no TRP é o direito à liberdade de expressão que prevalece sobre o direito à honra, como manda a jurisprudência democrática do TEDH, ou se é o direito à honra que prevalece sobre o direito à liberdade de expressão, como mandava a jurisprudência do Estado Novo e da Inquisição.
É a incerteza, que é o pior que pode acontecer à credibilidade da Justiça. Eu diria mesmo, antes a Inquisição do que a incerteza, porque ao menos sabemos aquilo com que contamos.
Adenda em 16/07/19:
A situação de conflito de interesses em que se encontrava o eurodeputado Paulo Rangel e que é denunciada no meu comentário televisivo, é agora ilegal no país, em virtude de uma lei aprovada pela Assembleia da República em Junho deste ano: "Com as novas incompatibilidades hoje aprovadas, os deputados que sejam simultaneamente deputados e advogados têm de suspender funções se tiverem, nas sociedades de advogados a que pertencem, processos que envolvam alguma entidade do Estado" (cf. aqui).
Em suma, o acórdão premeia o vilão e penaliza quem o denunciou publicamente.
Falta acrescentar que o juiz Pedro Vaz Patto convive com o eurodeputado Paulo Rangel no seio de uma instituição privada - o juiz como presidente da Assembleia Geral (cf. aqui), o eurodeputado como membro da Comissão de Honra (cf. aqui).
31 março 2019
à Pessoa
A nossa missão (cf. aqui)
"A Casa de Saúde da Boavista é uma Instituição Católica que se preocupa e dedica a prestar especial atenção à Pessoa e em particular a esta enquanto Doente. É em torno deste que se centram todos os nossos esforços, no sentido de lhe assegurar um serviço de cuidados médicos de excelência e um atendimento, tratamento e acompanhamento totalmente personalizados e humanizados, respeitando de forma integral a sua dignidade enquanto Pessoa, em todas as suas necessidades".
(sublinhados meus)
Conforme notei em baixo, a diferença para o Hospital de S. José é que este último não se dedica a prestar especial atenção à Pessoa. Dedica-se a prestar especial atenção ao Público.
(sublinhados meus)
Conforme notei em baixo, a diferença para o Hospital de S. José é que este último não se dedica a prestar especial atenção à Pessoa. Dedica-se a prestar especial atenção ao Público.
diferença fatal
O ex-secretário de Estado João Vasconcelos morreu esta semana vítima de ataque cardíaco (enfarte do miocárdio). Tinha 43 anos.
Eu tinha uma coisa em comum com o João Vasconcelos - doença das artérias coronárias, uma doença silenciosa e que possui uma grande carga hereditária - e estive em risco de me acontecer o mesmo que lhe aconteceu a ele.
Dias antes, o João Vasconcelos tinha ido aos serviços de urgência do Hospital de S. José. Fizeram-lhe um electrocardiograma e mandaram-no para casa (cf. aqui).
É aqui que a minha história começa a divergir da do João Vasconcelos, com um happy ending a meu favor.
Depois de um episódio de dôr no peito (angina de peito, que terá sido o que levou também o João Vasconcelos ao S. José), eu dirigi-me, por indicação do meu amigo Joaquim, directamente a um cardiologista - Dr. Vasco Gama do Porto Heart Centre da Casa de Saúde da Boavista, que é especializado em cardiologia de intervenção (cf. aqui).
O Dr. Vasco Gama também me fez um electrocardiograma. Só que o electrocardiograma não é suficiente para detectar a doença coronária. O Dr. Vasco Gama disse-me então para ir a casa buscar a roupa porque tinha de ficar internado durante um dia para fazer um cateterismo (cf. aqui). Este, sim, é o exame que revela conclusivamente a doença coronária, caso ela exista.
Era um terça-feira. Voltei à tarde para o cateterismo. Foi no final do exame que o Dr. Vasco Gama me informou que a minha vida estava em grande risco (como já estaria a do João Vasconcelos quando foi ao Hospital de S. José) e tinha de ser operado imediatamente.
Já não saí da Casa de Saúde da Boavista. Fui operado quinta-feira de manhã (14 de Março) e domingo estava em casa.
Qual a diferença que eu vejo entre a experiência do João Vasconcelos e a minha própria experiência para além de eu estar vivo e ele não?
Eu fui tratado de forma pessoalizada na Casa de Saúde da Boavista ao passo que, na urgência do Hospital de S. José, o João Vasconcelos só pode ter sido tratado como "mais um".
Esta diferença foi-lhe fatal.
Eu tinha uma coisa em comum com o João Vasconcelos - doença das artérias coronárias, uma doença silenciosa e que possui uma grande carga hereditária - e estive em risco de me acontecer o mesmo que lhe aconteceu a ele.
Dias antes, o João Vasconcelos tinha ido aos serviços de urgência do Hospital de S. José. Fizeram-lhe um electrocardiograma e mandaram-no para casa (cf. aqui).
É aqui que a minha história começa a divergir da do João Vasconcelos, com um happy ending a meu favor.
Depois de um episódio de dôr no peito (angina de peito, que terá sido o que levou também o João Vasconcelos ao S. José), eu dirigi-me, por indicação do meu amigo Joaquim, directamente a um cardiologista - Dr. Vasco Gama do Porto Heart Centre da Casa de Saúde da Boavista, que é especializado em cardiologia de intervenção (cf. aqui).
O Dr. Vasco Gama também me fez um electrocardiograma. Só que o electrocardiograma não é suficiente para detectar a doença coronária. O Dr. Vasco Gama disse-me então para ir a casa buscar a roupa porque tinha de ficar internado durante um dia para fazer um cateterismo (cf. aqui). Este, sim, é o exame que revela conclusivamente a doença coronária, caso ela exista.
Era um terça-feira. Voltei à tarde para o cateterismo. Foi no final do exame que o Dr. Vasco Gama me informou que a minha vida estava em grande risco (como já estaria a do João Vasconcelos quando foi ao Hospital de S. José) e tinha de ser operado imediatamente.
Já não saí da Casa de Saúde da Boavista. Fui operado quinta-feira de manhã (14 de Março) e domingo estava em casa.
Qual a diferença que eu vejo entre a experiência do João Vasconcelos e a minha própria experiência para além de eu estar vivo e ele não?
Eu fui tratado de forma pessoalizada na Casa de Saúde da Boavista ao passo que, na urgência do Hospital de S. José, o João Vasconcelos só pode ter sido tratado como "mais um".
Esta diferença foi-lhe fatal.
30 março 2019
27 março 2019
criminalidade legal
O caso do Arlindo Marques é um caso paradigmático e que pode fazer escola.
Uma grande sociedade de advogados - a Cuatrecasas - a vender os seus serviços de criminalidade legal a um grande cliente, tendo como alvo o Arlindo Marques.
Acusava-se, intimidava-se, coagia-se, chantageava-se e procurava-se extorquir uma pessoa inocente. Tudo isto é crime se perpetrado por qualquer pessoa, excepto por advogados que gozam de um regime de imunidade.
Desta vez a coisa saiu-lhes mal. O grande risco envolvido na venda de serviços de criminalidade legal como faz a Cuatrecasas é a possibilidade de o caso vir a público.
E este veio com toda a força. Ameaçava desabar sobre a Cuatrecasas e o seu cliente. Uma e outro fugiram enquanto era tempo.
A debandada foi ridícula e humilhante. Tiveram o que mereciam.
Uma grande sociedade de advogados - a Cuatrecasas - a vender os seus serviços de criminalidade legal a um grande cliente, tendo como alvo o Arlindo Marques.
Acusava-se, intimidava-se, coagia-se, chantageava-se e procurava-se extorquir uma pessoa inocente. Tudo isto é crime se perpetrado por qualquer pessoa, excepto por advogados que gozam de um regime de imunidade.
Desta vez a coisa saiu-lhes mal. O grande risco envolvido na venda de serviços de criminalidade legal como faz a Cuatrecasas é a possibilidade de o caso vir a público.
E este veio com toda a força. Ameaçava desabar sobre a Cuatrecasas e o seu cliente. Uma e outro fugiram enquanto era tempo.
A debandada foi ridícula e humilhante. Tiveram o que mereciam.
26 março 2019
escangalhar a rir
Diz um leitor do PC numa caixa de comentários em baixo (cf. aqui):
"Ao ler o comunicado no jornal, quem não conhece a história fica abananado: então o Arlindo persistente no crime e para o castigar tiramos a queixa? Isto é de um tipo se escangalhar a rir. É não há um jornaleiro que pegue no tema? Que pergunte ?"
De facto, segundo a Cuatrecasas, o Arlindo Marques para além de difamar a Celtejo, ainda cometeu mais uma série de crimes e malfeitorias recentes (cf. aqui).
Mas, como retribuição, a Cuatrecasas, em lugar de lhe pôr mais uns quantos processos judiciais em cima, decide retirar-lhe o único que lhe tinha posto.
Ahahahahah!
Que trapalhões!... Que patifórios!... Que saloios!...
É para dizerem este tipo de baboseiras e fazerem esta figura de palermas que o Estado português atribui a eito à Cuatrecasas contratos por adjudicação directa que, no caso do Banco de Portugal, podem chegar ao milhão de euros (cf. aqui)?
"Ao ler o comunicado no jornal, quem não conhece a história fica abananado: então o Arlindo persistente no crime e para o castigar tiramos a queixa? Isto é de um tipo se escangalhar a rir. É não há um jornaleiro que pegue no tema? Que pergunte ?"
De facto, segundo a Cuatrecasas, o Arlindo Marques para além de difamar a Celtejo, ainda cometeu mais uma série de crimes e malfeitorias recentes (cf. aqui).
Mas, como retribuição, a Cuatrecasas, em lugar de lhe pôr mais uns quantos processos judiciais em cima, decide retirar-lhe o único que lhe tinha posto.
Ahahahahah!
Que trapalhões!... Que patifórios!... Que saloios!...
É para dizerem este tipo de baboseiras e fazerem esta figura de palermas que o Estado português atribui a eito à Cuatrecasas contratos por adjudicação directa que, no caso do Banco de Portugal, podem chegar ao milhão de euros (cf. aqui)?
A derrota total!...
Eu, se fosse à Celtejo - e ao grupo Cofina em geral - arranjava outros advogados, porque os da Cuatrecasas claramente não prestam.
Que vergonha!... Que falhanço!... Que humilhação!... A derrota total!...
Que vergonha!... Que falhanço!... Que humilhação!... A derrota total!...
já seria grave
De acordo com a mandatária da empresa [que é a Cuatrecasas], Arlindo Marques não se pronunciou nesta audiência mas "não se coibiu de trazer para o domínio público o documento de trabalho em discussão entre advogados, o que só por si já seria grave, mas mais grave se afigura porque o fez de forma absolutamente distorcida e descontextualizada", sustenta.(cf. aqui).
Quer dizer, o Arlindo Marques trouxe a público as palhaçadas jurídicas escritas pelos advogados da Cuatrecasas... eles ficaram muito tristes...e desistiram do processo...
Ahahahaha...coitadinhos...
(Nota: o comunicado que serve de base à notícia, embora em nome da Celtejo, é escrito pela Cuatrecasas).
Ahahahaha...coitadinhos...
(Nota: o comunicado que serve de base à notícia, embora em nome da Celtejo, é escrito pela Cuatrecasas).
o rabo entre as pernas
A Cuatrecasas, em nome da Celtejo, desistiu do processo contra o Arlindo Marques.
Ahahahah. Que valentões, os advogados da Cuatrecasas!
A notícia, veiculada pelo Jornal de Negócios (um jornal do grupo ao qual pertence a Celtejo) é de morrer a rir e o comunicado que lhe serve de base foi obviamente redigido pelos mauzões da Cuatrecasas (cf. aqui).
É do género, em relação ao Arlindo Marques: "Agarrem-nos senão ainda lhe batemos mais!"
No fim, o pior que se pode fazer aos advogados da Cuatrecasas num assunto destes é trazer o caso a público. Mostrar à saciedade aquilo que, na realidade, eles são - uma associação de malfeitores. Em seguida, eles metem o rabo entre as pernas, e desaparecem.
São uns cobardes, que é também aquilo que geralmente são os malfeitores.
Enfim, uns advogados de vão-de-escada, metem processos que depois retiram!...
Ahahahahahah... não sabem o que é que andam a fazer...
Pela minha parte, fico com muita pena de não ter conhecido o mauzão dos mauzões que eles lá têm, aquele de quem a própria ex-mulher diz que é um advogado do diabo...deve ser cá uma fera!...(cf. aqui).
Enfim, uns advogados de vão-de-escada, metem processos que depois retiram!...
Ahahahahahah... não sabem o que é que andam a fazer...
Pela minha parte, fico com muita pena de não ter conhecido o mauzão dos mauzões que eles lá têm, aquele de quem a própria ex-mulher diz que é um advogado do diabo...deve ser cá uma fera!...(cf. aqui).
22 março 2019
Ooops
Ooops, descobri agora que, sem o pretender, revelei no post anterior que na família também se salvam vidas.
É que eu estava convencido que na família era só homens a bater em mulheres.
É que eu estava convencido que na família era só homens a bater em mulheres.
21 março 2019
Só uma
Quando, num dia da semana passada, o médico cardiologista, após fazer-me um exame às artérias coronárias, estando eu ainda deitado na marquesa, me pegou no braço e disse, calma mas firmemente: "O senhor teve muita sorte. A sua vida tem estado em grande perigo. O senhor já não pode sair daqui. Vai ter de ser operado imediatamente", eu reagi com calma.
Era um caso muito interessante. Eu já poderia ter morrido de ataque cardíaco e teria ido para a cova muito convencido de que era uma pessoa perfeitamente saudável.
Excepto, talvez, por umas dores no peito que vinha a sentir nos últimos dias sempre que fazia exercício físico (nos dias mais recentes, bastava caminhar), às quais não atribuí grande importância, sempre convencido que era uma espécie de atleta olímpico.
Mas a minha mulher atribuiu. E falou a um dos filhos que é médico e ao Joaquim, que também é. Foram eles que me pressionaram para ser examinado imediatamente e foi o Joaquim que me indicou o cardiologista.
Por isso, quando o Dr. Vasco Gama, que é assim que ele se chama, me transmitiu aquela mensagem, acrescentou: "Pode agradecer ao Dr. Sá Couto e ao seu filho por estar vivo". E eu pensei: "E à minha mulher também..." porque estamos em tempo de não se poder discriminar contra as mulheres e as meninas do Bloco de Esquerda às vezes andam por aqui à procura de um homem que possam meter na prisão.
Nessa tarde, já deitado numa cama da Casa de Saúde da Boavista, eu continuava a meditar sobre a ironia da situação, que era a de que eu já poderia estar morto, tendo ido para o outro mundo convencido que era um homem perfeitamente saudável.
Ora, quem morre assim de surpresa, e aparentemente saudável, deixa certamente muitas coisas por dizer. E, no meu caso, deixaria eu muitas coisas por dizer?
Não, surpreendentemente, não. Só consegui encontrar uma. A seguinte.
"Eu tenho uma grande convicção - adquirida durante o meu julgamento do ano passado - que a Cuatrecasas mexe fortes influências no Ministério Público do Porto e que, portanto, e pelo menos neste aspecto, o nosso sistema de Justiça não é um sistema limpo".
Era isto que eu teria levado comigo e que gostaria de ter exprimido. Não era muito nem era importante. Quanto ao resto, teria dito em vida tudo aquilo que tinha para dizer.
Era um caso muito interessante. Eu já poderia ter morrido de ataque cardíaco e teria ido para a cova muito convencido de que era uma pessoa perfeitamente saudável.
Excepto, talvez, por umas dores no peito que vinha a sentir nos últimos dias sempre que fazia exercício físico (nos dias mais recentes, bastava caminhar), às quais não atribuí grande importância, sempre convencido que era uma espécie de atleta olímpico.
Mas a minha mulher atribuiu. E falou a um dos filhos que é médico e ao Joaquim, que também é. Foram eles que me pressionaram para ser examinado imediatamente e foi o Joaquim que me indicou o cardiologista.
Por isso, quando o Dr. Vasco Gama, que é assim que ele se chama, me transmitiu aquela mensagem, acrescentou: "Pode agradecer ao Dr. Sá Couto e ao seu filho por estar vivo". E eu pensei: "E à minha mulher também..." porque estamos em tempo de não se poder discriminar contra as mulheres e as meninas do Bloco de Esquerda às vezes andam por aqui à procura de um homem que possam meter na prisão.
Nessa tarde, já deitado numa cama da Casa de Saúde da Boavista, eu continuava a meditar sobre a ironia da situação, que era a de que eu já poderia estar morto, tendo ido para o outro mundo convencido que era um homem perfeitamente saudável.
Ora, quem morre assim de surpresa, e aparentemente saudável, deixa certamente muitas coisas por dizer. E, no meu caso, deixaria eu muitas coisas por dizer?
Não, surpreendentemente, não. Só consegui encontrar uma. A seguinte.
"Eu tenho uma grande convicção - adquirida durante o meu julgamento do ano passado - que a Cuatrecasas mexe fortes influências no Ministério Público do Porto e que, portanto, e pelo menos neste aspecto, o nosso sistema de Justiça não é um sistema limpo".
Era isto que eu teria levado comigo e que gostaria de ter exprimido. Não era muito nem era importante. Quanto ao resto, teria dito em vida tudo aquilo que tinha para dizer.
20 março 2019
Traquinices do Joãozinho (X)
Oh Papá...espera aí, espera aí, espera aí!... Não vás já!... Telefonaram-me da Cuatrecasas a perguntar se lá no céu os sacos também são azuis... E o Dr. Juncker pergunta se há lá Cartaxeiro...
Traquinices do Joãozinho (IX)
Pois é, Papá...o juiz de Matosinhos não devia ter decidido que tu és o meu Papá... Já não tens idade para isto... Estiveste quase a quinar e os médicos dizem que foi por minha causa... Oh Papá... e diz-me lá outra coisa...esse hospital onde estiveste é de freiras ou do Estado?... deve ser de freiras... senão tinham-te metido num contentor...
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