11 maio 2018

a impopularidade

A semana está a chegar ao fim e eu vou publicar a seguir os posts mais populares da semana, em que a popularidade é medida pelo número de partilhas. O ranking desta semana é o seguinte, mas merece um comentário especial:

Primeiro
Segundo
Terceiro
Quarto
Quinto


Esta foi uma semana em que o Portugal Contemporâneo me pôs nervoso até a mim. E a razão é o primeiro post que teve um número de partilhas absolutamente extraordinário e que atingiu o máximo ontem em que foi partilhado à velocidade do vento. Só para dar uma ideia, esse post teve mais partilhas esta semana do que os quatro seguintes todos juntos, e qualquer destes foi bastante popular.

Como o post tem por tema a minha pessoa e uma característica da minha personalidade, foi precisamente isso que me pôs em alvoroço: estaria eu a tornar-me popular?

Nem dormi sossegado.

É que quem fôr de volta ao post e o ler com atenção - um post em que eu termino dizendo "É isso que me dá prazer" - irá concluir, ou pelo menos foi essa a conclusão que procurei transmitir, que aquilo que me dá prazer é precisamente o contrário - a impopularidade. Foi essa característica da minha personalidade que o meu filho sagazmente retratou.

Nunca fiz nada deliberadamente para ser assim. Mas sou assim.

Foi Deus que me fez assim.

de graça

As notícias que hoje vieram a público, com grande destaque no JN, mas que também são tratadas no Público, dizem que o Ministério das Finanças decidiu assumir a liderança do dossier relativo à ala pediátrica do HSJ.

A razão para que tenha feito isso já a expliquei anteriormente (cf. aqui).

E o Ministério das Finanças começa por resolver o mais premente de todos os problemas - tirar as crianças dos "miseráveis" contentores onde se encontram há mais de dez anos.

Para isso, vai distribuí-las pelo Hospital de Santo António, que tem uma novíssima ala pediátrica (chamada Centro Materno-Infantil do Norte - CMIN) recentemente inaugurada e que custou 60 milhões de euros (cf. aqui). No que respeita às crianças com cancro, serão tratadas no IPO que fica do outro lado da rua onde se situa o HSJ.

Perfeito.

E quanto à construção da nova ala pediátrica do HSJ?

Deixou de ser um problema urgente. Há hospitais por todo o país que necessitam de coisas mais urgentes. A conclusão é a de que, enquanto se mantiverem as restrições orçamentais - e elas estão para durar vários anos -, não haverá dinheiro público para a ala pediátrica do HSJ.

Aquele dinheiro do Estado que o Ministro da Saúde, o Secretário de Estado Fernando Araújo e o presidente do HSJ diziam que já tinha chegado ao HSJ para fazer a ala pediátrica, mas que só faltava a autorização do Ministério das Finanças, na realidade nunca chegou. E a autorização, essa,  nunca vai chegar.

E o HSJ  - o Hospital central da região Norte albergando a mais conceituada Faculdade de Medicina do país - fica sem Serviços de Pediatra para sempre?

-Não...claro que não...,

diria eu, se fosse Ministro das Finanças, ao Ministro da Saúde e ao presidente do HSJ.

-Far-se-á quando houver folga orçamental... A propósito, vocês não têm lá no Porto uma Associação que vos quer oferecer a obra de graça? 

a berba

Pois. O senhor Ministro - mais o seu subordinado, o presidente do HSJ -  andou por aí a propagandear que a Associação Joãozinho não tinha "berba" para fazer a ala pediátrica. Agora é  muito embaraçante admitir que, afinal, quem não tem a "berba" é ele (cf. aqui).

boa notícia

Segundo o JN, que faz hoje do assunto tema de capa (cf. aqui), o Ministério das Finanças está a assumir liderança na resolução do problema da ala pediátrica do HSJ.

É uma boa notícia.

10 maio 2018

os melhores

Eu posso ter exagerado no post anterior quando disse que despertei de uma certa sonolência a fazer uma conta de cabeça enquanto a Dra. Maria José Barros falava. É que, contas de cabeça, eu consigo fazê-las até a dormir. Já digerir uma afirmação, ainda por cima repetida,  feita com plena convicção, e cheia de crueldade,  é que é mais difícil.

Aconteceu a meio do depoimento da Dra. Maria José Barros.

Ela tinha acabado de elogiar muito o Dr. Paulo Rangel, a sociedade Cuatrecasas e a altíssima qualidade dos seus profissionais. E foi então que referindo-se a todos eles, e ao período em que fora administradora do HSJ, e falando no plural, afirmou perentoriamente:

-Sim... porque nós só contratávamos os melhores!...

Foi aí que eu senti um abalo:

-Os melhores!?...

Mas antes que eu pudesse acalmar a minha estupefacção, ela voltou a dizer:

-Nós só contratávamos os melhores!...

E eu, no silêncio a que está condenado o réu:

-Os melhores!?...

Era a expressão "os melhores" que me incomodava. E não tinha nada que ver com a reputação da Cuatrecasas - ou de quaisquer outros prestadores de serviços do HSJ -, porque eu até admito que ela, e os seus pares, considerassem os advogados da Cuatrecasas os melhores e lhes pagassem como se paga aos melhores.

Aquilo que me desconcertava é que a profunda convicção da Dra. Maria José Barros, salpicada de um certo orgulho, de que só contratava os melhores, não tinha correspondência na qualidade dos serviços que ela prestava aos doentes que estavam à sua guarda, enquanto administradora do HSJ.

Esses não eram seguramente "os melhores".

Que o dissessem as crianças que já então estavam internadas em contentores metálicos há anos.

a razão

As testemunhas iniciam o seu depoimento identificando-se perante o juiz. E quando a Dra. Maria José Barros (cf. aqui) disse a sua data de nascimento, a sua idade coincidia, mais ano menos ano, com aquela que eu lhe atribuía.

Logo depois precisou que tinha sido administradora do HSJ entre Janeiro de 2012 e Setembro de 2013, em período anterior, portanto, ao início do meu envolvimento no Projecto Joãozinho (Janeiro 2014).

E foi neste momento que eu dei um pequeno salto no banco dos réus. E bem precisava porque a sessão estava a ser bastante sonolenta como devem ser todas as sessões em que desfilam umas atrás das outras, testemunhas abonatórias de uma pessoa ou de um instituição. A tal ponto que, por mais de  uma vez, já tinha sentido necessidade de disfarçar um persistente bocejo - uma necessidade, devo acrescentar, que não fui só eu a sentir.

E o meu salto no banco dos reús foi simultâneo a uma pequena conta de cabeça. A Dra. Maria José Barros tinha-se tornado administradora do HSJ muito jovem, ainda na casa dos 30 anos. Ora, o HSJ é o segundo maior hospital do país, gerindo um orçamento anual de mais de 350 milhões de euros, e deve ser o sonho de qualquer gestor hospitalar com mais de 30 anos de experiência para coroar a sua carreira.

Que razão poderia explicar a ascensão da Dra. Maria José Barros àquele lugar em idade tão precoce, ainda por cima sendo a sua formação em Direito, e não em Gestão?

Foi ela própria que, mais adiante, durante o seu depoimento, forneceu a razão:

E a razão foi:

(i) Experiência profissional: tinha 32 anos de carreira como gestora hospitalar.
(ii) Meritocrática: tinha ganho, no ano anterior,  o Prémio da União Europeia para o melhor gestor hospitalar.
(iii) Partidária: tinha sido assessora do Dr. Paulo Rangel quando este foi Secretário de Estado da Justiça.
(iv) Fundacional: tinha sido fundadora do HSJ.
(v) Empresarial: tinha acabado de investir 15 milhões de euros no HSJ.


(Publicarei a primeira resposta acertada)

um mês

Faz hoje um mês que rebentou o escândalo sobre a situação das crianças internadas no HSJ (cf. aqui).

Nada aconteceu. Não fazem nem deixam fazer. E eu decidi hoje desencadear o processo administrativo que anunciei aqui.

Era a última coisa que esperava fazer para poder dar às crianças internadas no HSJ uma instalação nova que as liberte das condições "miseráveis" e "indignas" (palavras do presidente do HSJ) em que a administração do HSJ e o Ministério da Saúde as mantêm há mais de uma década.

Mas tem de ser. Não há outra maneira. Só cumprem quando coagidos pela força.

O advogado da Associação Joãozinho actuará de forma mecenática. Mas a Cuatrecasas deve estar a rir-se: mais negócio do seu cliente HSJ.

Transcrevo a seguir um momento do diálogo entre o advogado Adriano Encarnação e o director da Cuatrecasas-Porto, Filipe Avides Moreira, durante a 5ª sessão do meu julgamento (cf. aqui) na passada Sexta-feira:

-Haveria interesse da Cuatrecasas na não-construção da ala pediátrica?

-Não. Nada.


Como se está a ver mais uma vez.

Eles vivem de criar obstáculos, problemas e sarilhos na expectativa de, mais tarde, serem chamados e pagos para os resolver. É assim que,  em parte, se explica aquela facturação de 300 milhões de euros ao ano de que eles tanto se orgulham..

Reproduzo agora o momento de outro diálogo ocorrido na Sexta-feira passada, mas entre o magistrado do Ministério Público e a advogada da Cuatrecasas, Raquel Freitas:

-Como actuam face ao cliente... decidem em nome do cliente?

-Sim.

Perante a insistência na pergunta e a mesma resposta - Sim - , e com o advogado Adriano Encarnação já em pânico a fazer também a pergunta em simultâneo com o magistrado pela terceira vez, a Dra. Raquel Freitas, vendo que lhe tinha fugido a boca para a verdade, corrigiu atabalhoadamente a resposta - e que correção!:

-Não.

Enfim, só visto porque contado ninguém acredita.

hot

Contemporary Portugal is hot today.

O Batata

"Quem é o Batata?", pergunta um leitor numa caixa de comentários em baixo (cf. aqui).

O Batata Cerqueira Gomes, ou simplesmente Batata, é uma figura social conhecida da Foz (Porto) (imagem aqui).

o espanhol

Num post em baixo (cf. aqui, caixa de comentários) decidi atribuir o Prémio de Consolação ao Manolo, citando-o também.

O Manolo falhou o Primeiro Prémio por escassos sete minutos, mas merece uma consideração especial porque é o leitor do Portugal Contemporâneo que mais vezes tem acertado nas Perguntas que coloco.

Como alguém já comentou: "Esse Manolo sabe-a toda".

Parece ser espanhol.

Será um advogado da Cuatrecasas de Barcelona ou de Madrid?

Não sei.

Mas uma coisa parece-me razoavelmente certa: existe um espanhol que anda de olho nisto.

o irmão do Batata

Eu tinha esta lista de testemunhas (cf. aqui) incompleta, mas entretanto já a corrigi.

É que na Sexta-feira fui surpreendido no Tribunal por mais uma testemunha - como se já fossem poucas...- que não estava na lista.

Para variar, é advogado. Mas o mais surpreendente é que me disseram que é irmão de uma conhecida figura da Foz (do Porto): o "Batata".

Faça o favor de ir à lista e procurar adivinhar quem é.

(Publicarei a primeira resposta acertada)

vizinhos!

Há coisas do arco da velha.

Descobri na Sexta-feira em Tribunal que sou vizinho de uma das testemunhas de acusação (cf. aqui) que pertence à Cuatrecasas. Vivemos a 200 metros de distância.

Que surpresa!

Adivinhe qual:

(i) José de Freitas
(ii) Filipe Avides Moreira
(iii) Quequé
(iv) Vasco Moura Ramos
(v) Paulo Rangel

(Publicarei a primeira resposta acertada)


calado

Têm passado tantos advogados pelo meu julgamento (cf. aqui), e têm falado tanto e tão bem,  que eu já lhes perdi a conta. Mas há um que se distingue de todos os outros. Tem falado muito bem calado.

Adivinhe quem é, entre os seguintes:

(i) Adriano Encarnação
(ii) Filipe Avides Moreira
(iii) Ricardo Encarnação
(iv) Pedro Magalhães
(v) Raquel Freitas


(Publicarei a primeira resposta acertada via caixa de comentários)

09 maio 2018

amuado

O Papá Encarnação não me fala.

Na passada Sexta-feira, depois do almoço, de regresso ao Tribunal, estavam o Papá Encarnação, o filho e o Nuno Cáceres sentados, num banco corrido do átrio, a conversar.

Entrei e, ainda ao longe, o Papá Encarnação, assim que me viu, voltou a cara.

Avancei, passei juntos deles e, dirigindo-me aos três, disse "Boa tarde". Só o Nuno Cáceres me retribuiu o cumprimento.

O Papá Encarnação baixou a cara e não me falou. E o filho também não.

Não percebo por que é que o Papá Encarnação não me fala. Parece amuado, mas eu nunca lhe fiz mal. Ele é que me quer fazer mal a mim. Ou, então, como estávamos na área do crime, pode-me ter confundido com algum rambo que andasse por ali àquela hora. E aos rambos não se fala.

uma cultura de paradoxos

A nossa cultura é uma cultura de paradoxos e um dos autores que, no último século, melhor a compreendeu foi Chesterton que, vindo de fora, olhou para ela como quem entra numa casa pela primeira vez, e fica deslumbrado com tudo aquilo que lá existe. Ao passo que aqueles que lá nasceram, e sempre viveram nela, há muito que não reparam nessas coisas. Na realidade, depreciam-nas.

Talvez por isso, Chesterton ficou conhecido para a história do pensamento social como o Mestre do Paradoxo. Ele interiorizou de tal modo a nossa cultura - que não era a sua cultura original -, que ele próprio se tornou um paradoxo.

Num artigo muito simpático a meu respeito em baixo (cf. aqui), e que analisa muito bem o que  se propunha analisar, o Rui Albuquerque termina numa nota de pessimismo. Na ausência de duas teorias da sociedade importadas - o liberalismo e o socialismo - aquilo que fica em Portugal é um deserto de ideias.

É sobre este ponto que eu não estou exactamente de acordo e para o qual gostaria de contribuir.

O liberalismo e o socialismo são teorias da razão. O portuguesismo, pelo contrário, é uma teoria do coração. Utilizo aqui o termo "portuguesismo", não para falar de uma teoria nacionalista qualquer, mas para falar da mais universal de todas as teorias - um paradoxo ao qual voltarei noutra ocasião.

É que o termo adequado e verdadeiro seria outro, mas afugentaria desde já metade dos leitores, e eu ainda só vou no quarto parágrafo. A aversão a esse outro termo, sobretudo quando mencionado em público é, de resto, o paradoxo dos paradoxos da nossa própria cultura e um paradoxo criado pelos intelectuais.

A teoria do portuguesismo, sendo uma teoria baseada no coração, e não na razão, é muito menos impressiva do ponto de vista racional do que as teorias do liberalismo ou do socialismo. Nestas, se A é maior que B e B é maior que C, então A é maior que C. Na teoria do portuguesismo, pode acontecer que a conclusão seja a de que C é maior que A.

A teoria do portuguesismo é uma teoria muito mais rebuscada e surpreendente do que o liberalismo ou o socialismo - e a surpresa está precisamente no paradoxo. Um exemplo, que vai aos fundamentos desta teoria: se eu olhar para um homem e para uma mulher (ou para dois homens), existe muito mais igualdade entre eles do que diferenças. No entanto, as diferenças são muito mais importantes do que a igualdade que existe entre eles.

A teoria do portuguesismo existe, e é muito mais rica e interessante do que as teorias do liberalismo e do socialismo. Nós é que nunca a quisemos desenvolver - e este é outro dos seus paradoxos. Porquê? Talvez por medo dos paradoxos que iríamos encontrar porque não é propriamente a coisa mais fácil deste mundo essa de racionalizar paradoxos. Ou talvez por medo que, uma vez racionalizada, ela seja destruída.

Limitar-me-ei aqui a apresentar algumas das suas traves principais, e a compará-las com as suas homólogas do liberalismo e do socialismo, sem qualquer preocupação de ser exaustivo.

Na teoria do portuguesismo o modo de relacionamento preferencial entre os seres humanos é o amor (em sentido lato), ao passo que no liberalismo é o interesse e no socialismo é o poder.

Na teoria do portuguesismo a unidade económica e social fundamental é a família, ao passo que no liberalismo é a o indivíduo e no socialismo é o Estado.

Na teoria do portuguesismo, a relação económica primordial é a dádiva, ao passo que no liberalismo é a troca e no socialismo é a imposição.

Na teoria do portuguesismo, a governação visa o bem-comum, ao passo que quer no liberalismo que no socialismo visa bens partidários ou sectoriais (v.g., os pobres, os empresários, etc.).

Estas são já traves suficientes para mostrar que existe uma teoria do portuguesismo, e ideias abundantes para desenvolver em torno delas, e talvez mais interessantes até do que aquelas que se podem desenvolver acerca do liberalismo e do socialismo.

PS. Já agora, para ilustrar a nossa cultura como uma cultura de paradoxos, em relação com a obra do Joãozinho e o julgamento a que estou a ser sujeito por causa dela - e que me tem ocupado neste blogue -, aqui vão dois paradoxos: 1) no processo judicial, o mecenas é que é o réu; 2) no julgamento, os réus estão a ser os acusadores.


à velocidade da luz

As profissões muito corporativas têm duas características muito interessantes.

Em público, passam uma imagem de grande unidade entre os seus membros.

Em privado, é muito diferente.

Existem, entre os seus membros, rivalidades, ressentimentos, rancores e invejas que, não podendo exteriorizar em público, eles exteriorizam ao exagero em privado. De tal modo que, quando vejo dois ou três membros de uma profissão muito corporativa a almoçarem em conjunto, a minha conclusão imediata é a de que eles só podem estar a falar mal de algum colega.

Adivinhe agora, dentre os nove posts que publiquei neste blogue nos últimos dois dias (7 e 8 de Maio), aqueles dois que se propagaram à velocidade da luz, em termos do número de partilhas.

(Só publicarei a primeira resposta acertada que mencione os títulos dos dois posts)

08 maio 2018

o responsável

Quem tenha ouvido os advogados da Cuatrecasas em Tribunal - falta apenas um, mas que já não poderá acrescentar grande coisa -, chegará à conclusão de que o responsável pela elaboração deste Protocolo (cf. aqui e seguintes), que visava paralisar a obra do Joãozinho, o qual deu origem a este comentário televisivo (cf. aqui), o qual, por seu turno, deu origem a este processo judicial (cf. aqui), foi:

(i) Dr. Paulo Rangel.
(ii) Dr. Avides Moreira
(iii) Dra. Raquel Freitas
(iv) Dr. Vasco Moura Ramos
(v) Ninguém

(Publicarei a primeira resposta acertada via caixa de comentários)

o autor de raiz

No seu depoimento em Tribunal, a advogada Raquel Freitas afirmou que o Protocolo (cf. aqui e seguintes) que viria a dar origem a este processo judicial (cf. aqui), teve a intervenção dela própria, do seu colega Avides Moreira e também do colega Vasco Mouras Ramos (segundo a contar da esquerda, aqui).

Quando, porém, o Tribunal procurou saber quem tinha sido o autor principal ("o autor de raiz", foi a expressão utilizada no Tribunal) a sua resposta foi:

(i) Avides Moreira
(ii) Ela própria
(iii) Vasco Moura Ramos
(iv) Não se lembrava.

(Publicarei a primeira resposta acertada via caixa de comentários)

encerramento

Uma empresa, sobretudo uma empresa multinacional, ainda que muito antiga e reputada está exposta à ocorrência de eventos possuindo uma carga negativa tal que podem acabar com ela de uma só vez. Estou a pensar, por exemplo, no Banco Barings, no próprio BES, mais recentemente na Cambridge Analytica.

É esse também um risco para a sociedade de advogados Cuatrecasas, uma sociedade multinacional e centenária.

Procure acertar em qual dos eventos seguintes que nos últimos anos impactaram negativamente a Cuatrecasas aquele que, na opinião da advogada Raquel Freitas, "podia ter levado ao encerramento da sociedade" (sic)?

(i) A declaração unilateral de independência da Catalunha.
(ii) A associação da Cuatrecasas à mafia russa.
(iii) A condenação a pena de prisão do patrão Emílio Cuatrecasas por fraude fiscal.
(iv) O envolvimento da Cuatrecasas no esquema da Afinsa (esquema piramidal em selos)
(v) Este comentário  televisivo no Porto Canal (cf. aqui).

(Publicarei a primeira resposta certa via caixa de comentário)

O Professor Paulo Rangel

Em todos os testemunhos abonatórios que na passada Sexta-feira foram produzidos no Tribunal de Matosinhos a respeito do Professor Paulo Rangel, a parte que mais me impressionou foi a que diz respeito à sua carreira académica, e que hoje legitimamente lhe garante o título de Professor.

O tema foi focado por quase todas as  testemunhas mas sobressaiu nos depoimentos dos advogados Avides Moreira, Pedro Magalhães, Nuno Botelho e Nuno Cáceres.

E como foi a carreira académica do Professor Paulo Rangel?

Em síntese, foi assim:

Foi um brilhante aluno de Direito na Universidade Católica do Porto, onde ficou como Assistente das cadeiras de Ciência Política e Direito Constitucional. Entretanto, chegou a estar seis meses na Alemanha para aprender alemão.

Mais tarde, inscreveu-se no Mestrado em Direito da Universidade de Coimbra. Aí conheceu o Professor Gomes Canotilho que mais tarde o viria a considerar "um dos juristas mais eminentes da sua geração" (Nuno Botelho).

A tal ponto que "O Professor Canotilho esteve [recentemente] nos 50 anos do Professor Paulo Rangel" (Nuno Cáceres).

O Professor Gomes Canotilho considerou-o, na altura,  um aluno de Mestrado de tal maneira brilhante e profundo, e de tal modo acima do grau de Mestre,  que lhe sugeriu que fosse mas era fazer imediatamente o Doutoramento.

E ele assim fez. Foi inscrever-se no Doutoramento em Direito da Universidade Nova de Lisboa recomendado pelo Professor Gomes Canotilho.

Hoje, o Professor Paulo Rangel é Professor na Universidade Católica do Porto e na Oporto Business School.

Perante este eminente percurso académico, veja se consegue acertar:

O Professor Paulo Rangel:

(i) Fez o Mestrado e fez o Doutoramento.
(ii) Fez o Mestrado mas não fez o Doutoramento.
(iii) Fez o Doutoramento mas não fez o Mestrado.
(iv) Não fez nem o Mestrado nem fez o Doutoramento.


(Será publicada a primeira resposta acertada via caixa de comentários)