01 outubro 2014

É Lisboa

Sendo a cultura católica uma cultura de tudo, e Portugal um país de tudo - uma cultura e um país, portanto, que são imitadores e integradores por excelência - e tendo-se os portugueses dedicado, nas últimas décadas, a imitar a social-democracia nórdica, então, nós também havemos  de ter em Portugal um sítio ou uma região onde o tratamento que é dado aos velhos mais se aproxima àquele que é dado na Noruega.

Sim, temos. É Lisboa, a região mais socialista. Veja como, em geral, os velhos aí são tratados e fica a saber como eles são tratados na Noruega.

E a região de Portugal (continental) onde os velhos mais são tratados à maneira católica, isto é, no seio da família?

O Norte.

De resto, a diferença de indicadores socio-económicos entre a Noruega e Portugal, a que me referi no post anterior, tem a sua correspondência no país na diferença entre a região de Lisboa e a região Norte. Os indicadores são favoráveis a Lisboa, mas a qualidade de vida  está no Norte - precisamente devido ao peso e à significância da informalidade familiar, que não se vê nas estatísticas, mas que torna a vida melhor e mais fácil nas mil e uma coisas do dia-a-dia.

(É um liboeta que o afirma, e fá-lo porque é verdade).

15 comentários:

zazie disse...

Não acredito.

O mal é geral.

Tenho conhecimentos do que se passa no Alentejo e são cenas de horror.

Er o mesmo no Norte. Há uma data de denúncias de mortes, espancamentos, deixar a pão e água e sedarem em todo Portugal.


E estou a falar apenas das instituições. O que se passa em casa então nem se sabe.

zazie disse...

Na Maia:

http://sicnoticias.sapo.pt/pais/2013-04-19-familiares-de-ex-utentes-e-antigos-funcionarios-de-lar-na-maia-denunciam-maus-tratos-a-idosos

É no país inteiro e a grande parte nem se sabe.

Eu já disse que o que se passa com os internamentos dos velhos por cá só tem comparação com o Ceausescu.

Mas ninguém pega no tema porque esbarram com a assistência estatal a fazer o mesmo.

Nem a polícia se mete com assistentes sociais.

zazie disse...

Basta fazer pesquisa no Google e ver como é geral.

e isto apens nos casos em que há denúncia.

Na maior parte nem há.

A senhora de que falei, que foi internada um mês num lar no Laranjeiro e veio semi-morta ainda se encontra internada em S. José.

Duvido que tenha havido denúncia.

zazie disse...

As estatísticas deles hão-de basear-se nas oficiais.

E essas são mesmo um pavor.

http://sicnoticias.sapo.pt/pais/2013-05-08-numero-de-chamadas-para-a-linha-do-cidadao-idoso-aumentou-10-entre-2011-e-2012

Pode é responder que no Norte da Europa já vão tendo eutanásia e isso ajuda a melhorar as estatísticas.

Há-de ser.

Cfe disse...

Desculpe-me.

Eu não sei o que se passa dentro dos lares mas dentro das casas portuguesas eu sei porque durante muitos anos de minha vida trabalhei num ramo em que ia conferir medidas nas casas das pessoas.

Os espaços são limpos e razoavelmente organizados e os idosos são tratados de igual maneira aos restantes residentes da habitação.

Cfe disse...

Via as vezes rudeza nos modos dos filhos - e muito mais as filhas - com os pais isso via, mas que isso era o modo inato de tratar terceiros da pessoa em questão não tenho dúvida.

De resto a característica que sempre admirei foi a autenticidade, a liberdade de dar opinião a tudo e mais alguma coisa e até de dizer palavrões. Perdi a conta das vezes em ouvi chamarem palavrões aos familiares duma maneira que soava como amigável e amorosa.

Pode parecer ridículo mas foi o que testemunhei.

zazie disse...

Pois então está a leste da percentagem de avós espancados pelos netos que têm de ser internados para tratamento.

zazie disse...

Isto mudou e os bairros sociais a RSI são um cancro social.

Essa gente não tem valores nem respeita nada nem ninguém.

O espelho delas está na porcaria dos graffiti com que sujam tudo.

Metam uma coisa na cabeça- o povo português- o bom povo português, já era.

cfe disse...

Minha experencia e da Povoa de Varzim, v.conde, Barcelos, e Esposende onde não tantos bairros sociais

cfe disse...

Gente de 1 linha, independente da instrução e posses. Claro que sempre com excessoes

Rui Alves disse...

Caro Cfe

Conheço bem as paragens que mencionou :-)

E da realidade que eu conheço, existem vínculos familiares fortes nessas terras. Já de outras terras não sei, e por tal não me reconheço com legitimidade para falar.

Mas daquilo que conheço concordo consigo. Até na sua curiosa menção aos palavrões. E não pense que é ridículo.

Um dos aspectos mais curiosos da cultura minhota é de facto como o palavrão pode ser interpretado num contexto carinhoso.

Por exemplo, um pai que conscientemente se desleixe da sua própria saúde (por exemplo fumando ou bebendo demais, não cuidando da alimentação), candidata-se a ser brindado pelos filhos, ou mais depressa ainda pelas filhas, com esse tipo de tratamento.

Algo como "$#%&#, você ainda não largou a #@%&# do tabaco?"

Mas tal, em vez de ofensivo, é considerado uma legítima manifestação de preocupação pelo pai. Algo do género "ela está a falar assim porque se preocupa comigo, e está a ver se é desta que eu tomo juízo".

Concordo com isto? Não, e na cultura de onde eu emergi isto seria suficiente para deserdar (LOLOL). Contudo, ao fim de uns anos imerso numa cultura tão espontânea e frontal, ficamos aculturados e aprendemos a achar piada.

Neyhlup Josand disse...

Rui Alves.

Isso dos palavrões é encarado assim desde criança. Toda a gente sabe que é um palavrão mas é usado a maioria das vezes para acentuar uma expressão e como substituto.

Por exemplo: isto é grande comó _ _ _ _ alho.

_ _ _ _-se pá, eu aqui a esforçar-me por ti e tu a ...

Em Lisboa não é assim tanto e o uso do palavrão é mal visto, mesmo que sem malícia. Mas são variações nacionais que tendem a esbater-se e não é significativo.

Rui Alves disse...

Caro Josand

O tipo de expressões a que você se refere existe em qualquer parte do país.

Mas no Porto, no Minho, dizem-se palavrões em circunstâncias que em qualquer outra parte do país, incluindo as ilhas, seriam inadmissíveis. O exemplo que eu dei, a filha que com palavrões manda um raspanete ao pai, é inaceitável em Lisboa, no Alentejo ou na Madeira, não importa que seja com as melhores intenções.

Mais um exemplo: se estiver em alguma lota na zona do Porto, em dia de grande movimento, é bem possível que ouça coisas do género "F----se, que hoje a pescada está tão cara!", em alto e bom som.

Agora experimente dizer algo semelhante numa lota madeirense. Ou melhor, não experimente. :-)

Neyhlup Josand disse...

Rui Alves: expressei-me mal.

Eu conheço bem o uso cultural das expressões por já ter vivido quer em Lisboa quer no Porto. No Porto é mais aceite, não generalizando pois não é aceite em qualquer ocasião, mas em privado e entre amigos não é nunca encarado como uma proposição de força ou irritação, como é mais vulgarmente usado em Lisboa. No Porto é mais tipo "vírgula" mas não se exagere porque não é assim tão caricatural.

Mas é engraçado um pormenor, lembro-me de na rotunda do Marquês , aí há uns 10 anos, ter feito uma manobra mal feita e me terem insultado assim: "Ó patife, devias ser preso!"
No Porto seria: Ó meu FDP e se fosses pró Ca _ _ lho!

Mas isso de tratar os pais assim não é assim tão comum a não ser talvez ali nas Caxinas ali em Vila do Conde.

Nos filhos que respeitam os pais, ainda se tratam sem essas expressões.

Os outros... nem os tratam porque já os mandaram há muito para os Lares e nem ao fim de semana vão lá vê-los.

Se estiverem em casa pela altura das festas, toca a levá-los às Urgências dia 22 e 23 de Dezembro a ver se deixam fazer o almoço e jantar de Natal em paz.

cfe disse...

As Caxinas rebentam com a escala.