28 setembro 2014

Peço

É agora altura de perguntar: Mas, então, o sistema católico de afectação de recursos, que é baseado no pedido e se concretiza na dádiva, é aplicável a comunidades de dimensão maior que a família, por exemplo, a cidade ou o país?

Suponha que  eu  sinto a necessidade de que se construa um Hospital para crianças  na minha cidade.

Na solução liberal, eu arranjo o dinheiro (meu e/ou tomado de empréstimo), construo o Hospital e depois facturo os pais das crianças que a ele acorrem, para me ressarcir do investimento e eventualmente obter um lucro.

Na solução socialista, arranjo um lobby e procuro influenciar o sistema político para que o Estado o construa.

Na solução católica, peço.

Peço? Mas peço a quem?

De preferência ao dono de uma construtora, porque só as construtoras sabem fazer hospitais pediátricos.

Se eu sinto a falta de um Hospital que trate os meus filhos e os meus netos em condições condignas - e não dentro de contentores - , ele também deve sentir a mesma necessidade. Se a necessidade é real (e não uma imaginação minha), há-de haver um dono de construtora que se vai comover com o meu pedido.

E dir-me-á que sim.

Mas a obra custa, digamos, 20 milhões, e ele não pode dispor de 20 milhões para dar o hospital à cidade (comunidade).

Também eu não, caso contrário não andaria a pedir, eu próprio puxaria dos 20 milhões e dava  o Hospital à cidade.

Ele faz a obra por 15 milhões, abdicando do seu lucro e  pagando do seu bolso (ou da sua empresa) uma parte dos custos, e até facilita o pagamento, por exemplo em 5 anos.

E agora?

Se quero ter o Hospital pediátrico na cidade vou ter de arranjar 15 milhões, ao ritmo de 3 milhões ao ano.

Como faço?

Peço.

Vou junto de outras pessoas, de preferência pessoas em posição de autoridade, como pais ou avós de família, empresários,  administradores de empresas, e peço-lhes para contribuírem para o pagamento da prestação anual. Eu, evidentemente, também o farei. Também pedirei a jornalistas e a padres  para que divulguem a obra.

Se a obra fôr realmente uma necessidade (e não uma imaginação minha) eles vão-se deixar comover - como aconteceu comigo -, e contribuem, cada um na medida das suas possibilidades, uns em dinheiro outros em espécie. A uma empresa de tintas peço para que dê as tintas de borla, a outra de cimentos para que  forneça o cimento gratuitamente (e a prestação anual que era de 3 milhões vai descendo, já só é agora de 2,7 milhões). E, por aí adiante, continuo a pedir.

Este Hospital pediátrico será feito. Muito mais rapidamente do que pela via liberal ou socialista.

E o Hospital é pertença da  comunidade, não de qualquer empresário, nem do Estado, ainda que seja o Estado a tutelá-lo e passe a ser o seu proprietário formal.

A obra começa em Janeiro.

É assim a solução católica de afectação dos recursos. Também funciona em comunidades mais vastas do que a família. E, em Portugal, que é um país católico, funciona admirável e maravilhosamente bem.


51 comentários:

Anónimo disse...

Pois. E as crianças, onde estão?...

Anónimo disse...

Pede a Deus que não caia lá o teu filho.
Já seria uma...
Só por ela já teria valido o esforço.
PA

Vivendi disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Vivendi disse...

Parabéns.

Que sirva de lição aos socialistas que faliram o país com tanta obra mas esqueceram-se de fazer hospitais para servir as nossas crianças que atravessam momentos extremamente sensíveis.

Que sirva de lição aos liberais que convivem com a comunidade apenas para obter lucros e não se interessam em resolver os problemas delicados da comunidade.

Que sirva de lição aos comentadeiros que pensam que o PA é apenas divagações.

Os seus escritos no Portugal Contemporâneo fizeram-o encontrar um caminho novo e especial que permitiu-lhe chegar bem mais longe do que aqueles que carregam o peso de ser presidente da república ou rei e que teimam continuadamente em não chegar a lado nenhum.

Diogo disse...

Esta ideia da caridade ser a grande solução para os nossos problemas sociais e económicos, não está mal vista de todo.

Mas eu entendo antes a coisa assim:

Faço parte de um clube para o qual contribuo pagando as minhas quotas.

Faço parte desse clube e pago as quotas porque o clube proporciona-me a mim e aos meus, segurança social, saúde, educação, segurança, estradas, etc.

A isto, chama-se Estado Social e as minhas quotas são os meus impostos.


Mas, e isto é um grande mas - certa rapaziada que controla a finança tomou conta do galinheiro.

E, em vez das minhas quotas, e as dos outros, servirem os sócios do clube, passaram ir diretamente paras os bolsos de parasitas.


Fernando Madrinha - Jornal Expresso de 1/9/2007:

[...] "Não obstante, os bancos continuarão a engordar escandalosamente porque, afinal, todo o país, pessoas e empresas, trabalham para eles. [...] os poderes do Estado cedem cada vez mais espaço a poderes ocultos ou, em qualquer caso, não sujeitos ao escrutínio eleitoral. E dizem-nos que o poder do dinheiro concentrado nas mãos de uns poucos é cada vez mais absoluto e opressor. A ponto de os próprios partidos políticos e os governos que deles emergem se tornarem suspeitos de agir, não em obediência ao interesse comum, mas a soldo de quem lhes paga as campanhas eleitorais." [...]

Anónimo disse...

Se eu metesse a minha boquinha na tua pichota tu até ganias, cabrão do caralho.

Neyhlup Josand disse...

PA, não sei se ria ou se chore!

Então queria fazer um crowdfunding para fazer um Hospital Pediátrico?

Pergunte ao AF do CHSJ se já conseguiu muito por essa via para o Hosp. Pediátrico.

Você não conhece os Portugueses. Eles não são as pessoas com quem costuma relacionar-se.

Mas pode começar por uma coisa mais pequena e aí já lhe daria mais crédito. Um crowdfunding para um Lar de Idosos ou um Centro de dia. Nesse caso até me voluntario para o ajudar na campanha de angariação. Até porque são mais necessários agora do que hospitais pediátricos. E os nossos velhos têm mortes em condições miseráveis.

Mas prepare-se... para juntar 1 milhão de euros vai demorar uns 10 anos... e perceberá que isso de pedir é engraçado no papel...

PS: acredito que esteja a dizer isso do coração, simplesmente acho que não conhece os Portugueses

Neyhlup Josand disse...

E já agora... nesse caminho de angariação de fundos, quantos favores ficaria a dever a lobbies?

Já esteve nalguma campanha eleitoral?

Acho que devia sujar as mãos(entrar numa eleição) antes para perceber que o que está a propor é puro lirismo.

Se quer chegar ao Poder reze que ele lhe caia no colo, caso contrário, pela via democrática/eleitoral esqueça isso.

jorge gaspar disse...

Não tenciono continuar a escrever comentários neste blog e tinha dito a mim mesmo que não o voltava a fazer.
Volto comentar para dizer, que tendo em conta que o Pedro é economista, e que parece ter algum conhecimento dos principios económicos, me faz confusão algumas das coisas que diz.

Preciso sendo assim de colocar algumas questões ao Pedro.
O Pedro compreende a noção de recursos escassos?
O Pedro compreende que a base da economia, é a análise de como é feita a afectação de recursos escassos?
O Pedro compreende que bem económico, é o bem pelo qual existe procura, e que é escasso (finito)?

Se o Pedro percebe tudo isto (e penso que não poderá ser de outra forma) como é possivel pensar que a solução que propôs neste post, significaria uma boa solução? (seja como solução económica, ou social. De todos os pontos de vista é uma má solução para toda a gente)

O Pedro sabe que caso esse sistema de afectação de recursos fosse possível (duvido que seja, visto que não conheço nenhum exemplo de uma obra de tal importância realizada dessa forma)
surgiria muito mais depressa do que podem imaginar, exactamente os mesmos problemas que aconteceram nos sistemas socialistas.
Não havendo como calcular a necessidade de tal hospital não poderiamos saber se o investimento faria sentido ou não.

"Se a obra fôr realmente uma necessidade (e não uma imaginação minha) eles vão-se deixar comover"

Mas se é realmente uma necessidade, não seria necessário o Pedro pedir, alguém faria o hospital com o objectivo de ter lucro. Logo se o Pedro pede é porque não é necessário.
Ok o Pedro pode dizer que se há pessoas que precisam então é necessário.
Então mas como se organiza a sociedade? Se um precisa, todos precisam?
Mas isso, é exactamente o discurso socialista "de todos de acordo com a possibilidade, para todos de acordo com a necessidade"

Aquilo que o Arroja está a defender é um arranjo socialista de sociedade em nome do catolicismo. E isso chama-se manipular.

O Pedro sabe que nesse sistema todos os problemas e erros do socialismo seriam reais.

Quem constrói o hospital, não faz outros trabalhos. Deixa de fazer outro trabalho qualquer para fazer o hospital. O dinheiro para fazer o hospital é dinheiro que em vez de ir para outro sitio qualquer vai pró hospital.
Se o hospital for um erro, esse erro será sentido por toda a gente. As pessoas ficarão mais pobres, a qualidade de vida será menor.
Imaginemos que o Pedro achava ser necessário construir-se uma estrada para ligar a cidade A a B, e que conseguia convencer pessoas a investir e a fazer essa estrada. Se a estrada não fosse realmente necessária aconteceria exactamente aquilo que aconteceu com as auto-estradas do Sócrates.
Como é óbvio era o dinheiro dos investidores que iria á vida, mas esse dinheiro , seria dinheiro que em vez de ir para algo produtivo foi para algo sem grande interesse. Toda economia sentiria esse erro.
O Pedro pode dizer outra vez que se não fosse necessária que os investidores não a faziam. Então, mas se assim é, não existe necessidade desse sistema de organização visto que investimentos necessários já são realizados tendo em vista o lucro.

Parece-me assim, que o modelo de sociedade que o Pedro propõe, é o modelo de sociedade socialista, com apenas um ou outro arranjo diferente.
Não defende planeamento central, mas também não sabe explicar porque razão investidores ficariam tão comovidos com a possibilidade de darem dinheiro á comunidade.
Num mundo em que metade dele vive em cidades urbanizadas essa ideia não faz qualquer sentido. Ainda assim, o problema não é ser uma ideia completamente lunática, o maior problema é o facto do Pedro ainda não ter compreendido porque razão o sistema socialista é o pior de todos os sistemas.

Ou o Pedro estudou, mas nada percebeu, ou está a querer manipular meia dúzia de ignorantes (daqueles que escrevem uma coisa nos seus blogs, e depois defendem exactamente o contrário num outro blog qualquer).
Esperemos que não tenha percebido

Anónimo disse...

"Não tenciono continuar a escrever comentários neste blog e tinha dito a mim mesmo que não o voltava a fazer."

Também acho, deixe-se ficar quietinho e não se incomode. Não sei se conseguiremos sobreviver sem si, mas faremos o possível.


"Volto comentar para dizer"

Ah, mas afinal das duas uma: ou tem saudades nossas ou é masoquista.


"Preciso sendo assim de colocar algumas questões ao Pedro."

Você é dos meus, todo práfrentex! Eu também trato muitos professores que conheço, especialmente mais velhos que eu, por tu cá tu lá! É bué da moderno e baril!


"O Pedro compreende que bem económico, é o bem pelo qual existe procura, e que é escasso (finito)?"

Fez bem em esclarecer-lhe. É que se calhar no tempo em que "o Pedro" aprendeu economia, essa ideia não era conhecida, e ele nunca se actualizou. Quanto é que aposta que depois do seu esclarecimento, ele vai já a correr enviar um email a todos os seus alunos e ex-alunos da Universidade a fazer uma adenda à matéria que ensinou? Isso mesmo, Gaspar!


"em vez de ir para outro sitio qualquer vai pró hospital"

Esclareça-me só: este "pró" é do novo Acordo Ortográfico?


"Esperemos que não tenha percebido"

Fique tranquilo, durma sossegado, porque lhe garanto que você não percebeu mesmo nada.

Francisco disse...

Foi assim que se contraíram centenas de Lares de Idosos, Creches, jardins de Infância e ATLs por esse país foram através dos Centros Sociais Paroquiais

zazie disse...

Exacto, o Josand já disse tudo.

Isto de megalomanias não leva a lado nenhum.

zazie disse...

Só altero um detalhe ao que o Josand disse:

Centro de Dia, não. O que mais há é Centros de Dia a granel, cheios de artistas e animadoras para pessoas saudáveis e com 60 anos.

Centro de Internamento, sim. Para os acamados.

Porque é aí que a vergonha existe e essa vergonha não é visível e não tem ninguém que deles se ocupe.

Anónimo disse...

Portanto, a comunidade sente necessidades e haverá alguém, em abstracto,que juntará gentes de boa vontade capazes de financiar a resolução daquelas necessidades.
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A Igreja já faz isso há muito tempo. Pede ao Estado, às pessoas e, sobretudo, desenvolve negócios nas áreas da saúde e educação cujos lucros revertem em parte para financiar necessidades prementes.
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Na Igreja eu entendo quem é que pede. Há uma estrutura, uma hierarquia, sem outras ocupações, e com excelente reputação social, que trata disso.
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Num país não sei bem como isso se passa, isto é, quem é a pessoa que se pode disponibilizar a 'pedir'.
Teria que ser uma pessoa muito credível, influente e de elevada reputação da região que estabelecesse interesse por parte dos financiadores (construtores etc).
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Há pouca cultura em Portugal de valorizar os Beneméritos. Passam o telejornal a revelar assassinatos incriveis, e não há um minuto para testemunhar pessoas que fizeram o bem.
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A figura do Benemérito é muito importante e que se perdeu quase por completo. Ninguém reconhece alguém e como não somos santos, era bom recomeçar a valorizar os Beneméritos. O reconhecimento público é importante para fomentar e aumentar a quantidade de gentes a apoiar os 'pedidos'.
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Os Prots nisso são implacáveis. Não há bombeiro ou policia salvador que não seja reconhecido publicamente pelas maiores patentes do país.
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E isso cai bem em pessoas de bom caracter mas que não são santas.
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Posso dar o testemunho da existência de dois empreiteiros de grande dimensão da região que colaboram com a Igreja nos moldes que o PA referiu. Não cedem todo o lucro, mas fazem a coisa em boa conta. Quem pede? a hierarquia da Igreja.
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Quem pede no caso de um país?
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Rb

zazie disse...

Há pouca cultura em Portugal de valorizar os Beneméritos. Passam o telejornal a revelar assassinatos incriveis, e não há um minuto para testemunhar pessoas que fizeram o bem.

É verdade. É o jacobinismo. Chamam-lhe "a cardidadezinha" em tom depreciativo.

Mas, disseste outra coisa certa- A counidade sente a necessidade..."

Sim, é preciso que seja primeiro a comunidade a sentir a falta.

De outro modo é coisa impensada para abrilhantar ego.

zazie disse...

E outra coisa- um hospital não é apenas mais um mega mamarracho no centro de uma cidade.

Não basta haver patos-bravos. Um hospital precisa de máquinas e de recursos.

Anónimo disse...

«Não basta haver patos-bravos. Um hospital precisa de máquinas e de recursos.»
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Isso. Mas eu penso que esse tema será dos próximos a analisar pelo PA. Eu estou convencido que a gestão de negócio num sistema de economia católica tem a ver com o cooperativismo. Uma cooperativismo mais moderno, claro. Mas penso que é a chave para juntar o personalismo católico que induz a criação de negócios pequenos para uma escala que só o coorperativismo pode dar. Passar das cooperativas de produtores para cooperativas comerciais...
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Rb

zazie disse...

Sim, de acordo.

Anónimo disse...

Vivendi disse...
Parabéns.


O Vivendo dá os parabéns, a propósito de quê? Que obra é que vai começar em janeiro e onde?

zazie disse...

Este é um assunto acerca do qual nada sei.

Ao que parece é apenas uma ala nova para o Hospital de S. João. Portanto, os recursos são os estatais e apenas conta a empreitada.

Anónimo disse...

Tem a ver com a ala pediátrica do São João? De acordo com esta notícia, a ala pediátrica vai custar 16 milhões. Qual a percentagem da contribuição privada? E que mantém o equipamento e paga ao pessoal? O único papel do estado é mesmo o de ser "proprietário formal", isto é, no papel?

http://www.dgsi.pt/jtrc.nsf/c3fb530030ea1c61802568d9005cd5bb/6bacb5dababaefb78025747a004e4b21?OpenDocument

A iniciativa é meritória, e se o Pedro Arroja está metido no assunto, parabéns. Não me venham é com a história de isto ser feito por sermos um país católico. Mecenato e união de esforços a sério é nos paises protestantes, não é nos paises católicos. O Porto, e o Norte em geral, são, ao que se diz, bastiões do catolicismo e tem gente com muito dinheiro. Quanto é que deram até agora os nossos capitães de indústria e comércio?

Vivendi disse...

https://www.youtube.com/watch?v=r9EoyPxlaeM

http://www.publico.pt/local/noticia/concurso-para-adjudicacao-da-nova-ala-pediatrica-do-s-joao-lancado-este-mes-1626941

Ricciardi disse...

Optimo.
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Pensei que o post era feito em abstracto, mas afinal, tem mão de um homem de boa vontade. Por acaso é o mesmo homem que escreve o post. E isto responde basicamente às minhas perguntas.
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Muitos parabens, sinceramente, pela iniciativa PA.
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Godspeed.
.
Rb

Anónimo disse...

"Há pouca cultura em Portugal de valorizar os Beneméritos. "

Quais beneméritos? Se houvesse beneméritos, a obra já estava feita. O Pedro Arroja é generoso e parece ser boa pessoa, mas isso não significa que tenha bom senso ou que conheça o seu país. São os paises protestantes que têm maior tradição de mecenato. Ainda vão acabar por ter de pedir aos paises nórdicos, que têm os cidadãos que mais dão, mesmo a paises estrangeiros, na Europa sobretudo os paises do sul. Sabem quantas ambulâncias e equipamentos médicos já foram dados por cidadãos suecos ou noruegueses a Portugal? Também é comum nos Estados Unidos os mecenas financiarem a construção de escolas e hospitais. E cá e nos paises católicos em geral?

Ricciardi disse...

Não duvide anónimo.
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Quando uma pessoa inteligente é tocada pela ideia divina de fazer o bem, a obra nascerá.
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Rb

Anónimo disse...

Não tem a ver com nenhuma ideia divina, tem a ver com dinheiro para cimento, tijolos, equipamento e pessoal. O dinheiro não aparece por vontades divinas, ou este "país católico que funciona admirável e maravilhosamente bem", já estaria cheio de pediátricos.
Não vale a pena atirarem ao mensageiro. Falem antes com os Beneméritos. É por aí que a obra aparecerá, ou não.

zazie disse...

É uma iniciativa com mérito e também nem estava muito a par.

Portugal perdeu a tradição devido ao jacobinismo.

A mais nada.

E depois, com a socialização de tudo, é o "pede ao Estado que o Estado dá".

zazie disse...

O que eu não estava a perceber era a questão da ala.
Porque aquilo esteve em contentores mas depois inauguraram uma ala pediátrica.

Donde também não percebi pela maquete se é acréscimo ou outra ala nova.

Para o caso, não interessa.

Anónimo disse...

zazie, eu não sei onde mora e não posso falar da sua experiência sobre construções feitas pela comunidade. Mas na minha terra, tivemos de pedir à Câmara Municipal para construir um centro de saúde, há cerca de trinta anos. Não sei bem a que tempos se refere, quando fala de antes do jacobinismo, mas nunca ali houve hospital nem centro de saúde pago por ninguém e as pessoas de lá não tinham dinheiro para o construir nem para o manter, nem para pagar aos médicos e restante pessoal.

André Miguel disse...

Julgo a ideia interessante e a explorar.
Até Peter Drucker escreveu umas coisas sobre o voluntariado, as causas comunitárias e afins, como umas das soluções para muitos dos problemas sociais. Pena que ele não tenha aprofundado a coisa, mas o Prof. PA está no bom caminho.

zazie disse...

Antes da Revolução Francesa

":OP

zazie disse...

E também não disse que a Saúde tem toda de ser privada ou ficar entregue às mãos da aldeia.

zazie disse...

Disse e repito (como o Diogo-comuna aliás exemplificou) que os beneméritos passaram a ser pessoas desprezadas por causa da "caridadezinha".

E isto sim, é recente. Veio com a Revolução.

Anónimo disse...

Antes da revolução francesa? Depois da revolução francesa os portugueses começaram a ter a saúde paga pelo Estado? Ora essa. Ó zazie, até há quarenta ou cinquenta anos, não estou a falar do século XIX, o estado pouco investia em instalações de saúde na maior parte do país. A saúde era quase toda privada, com médicos particulares nos seus consultórios, vá lá que muitos médicos levavam pouco. Mas acredite que os hospitais públicos, onde os havia, não tinham grandes condições, nem serviam a maior parte da população.

zazie disse...

Este não sabe ler.

Depois da Revolução de Abril.

Ainda não percebeste que caridadezinha é uma palavra abrilista e que há muito mais caridade para além de hospitais?

Se arranjasses um nome e um cérebro na Feira da Golegã ias ver que fazias progressos.

jorge gaspar disse...

"Fique tranquilo, durma sossegado, porque lhe garanto que você não percebeu mesmo nada"

Podias ter respondido simplesmente áquilo que disse no comentário.

"Também acho, deixe-se ficar quietinho e não se incomode. Não sei se conseguiremos sobreviver sem si, mas faremos o possível."

Então concordamos os dois. Não volto a comentar outro post qualquer deste blog. Conseguirão sobreviver bem sem mim, tal como eu conseguirei viver bem sem vocês. A mim não me enganam mais, mas conseguirão continuar a enganar outros.

"Você é dos meus, todo práfrentex! Eu também trato muitos professores que conheço, especialmente mais velhos que eu, por tu cá tu lá! É bué da moderno e baril!"

Um professor trata-se por você obrigatoriamente?
Tratar uma pessoa por tu é ser moderno e baril?
De que gruta é que este saiu?

"Quanto é que aposta que depois do seu esclarecimento, ele vai já a correr enviar um email a todos os seus alunos e ex-alunos da Universidade a fazer uma adenda à matéria que ensinou? Isso mesmo, Gaspar!"

O pessoal das academias está cada vez mais arrogante e autoritário.
São os senhores todos poderosos do nosso país. Reis do conhecimento e principes das ideias.
Quem se atreve a colocar em causa esse poder é esmagado.
Resta-nos aos comuns mortais sermos guiados por eles.

Esclareça-me só: este "pró" é do novo Acordo Ortográfico?

esse "pró" significa "para o". Desculpe-me, ter me permitido a mim próprio o uso de linguagem tão vulgar, sua majestade.

"Fique tranquilo, durma sossegado, porque lhe garanto que você não percebeu mesmo nada."

E comentar aquilo que disse? Isso não, que obriga a pensar e faz doer a cabeça.

Felizmente tu percebeste tudo. É de pessoas como tu que o mundo anda á procura.
Recordas-me aqueles bonitos discuros dos lideres comunistas.
Eles também sabem sempre tudo, são tal como tu, os messias dos nosso tempos.


jorge gaspar disse...

Quanto á noticia sobre a nova ala pediátrica do hospital de São João:
"vai ser construída e oferecida pela comunidade de todos os portugueses ao hospital."

Mas o hospital é estatal, e por isso vai ser uma oferta de alguém, que ninguém sabe quem (que não representando todos, não representa a comunidade), ao estado. Para mim o estado não é a comunidade, portanto é uma obra de alguém para o estado, sem se saber bem quais os objectivos desse alguém.

Estamos portanto a observar um novo tipo de socialismo. É o chamado socialismo voluntário.
Os ordenados dos médicos, professores, restantes funcionários públicos, pensionistas, a dívida, e os empréstimos aos bancos, não permitem que o estado faça obra. Então a comunidade faz obra pelo estado.
Este socialismo é ainda mais espectacular que o outro.

Mas quem gere o hospital? Quem paga os ordenados dos funcionários do hospital?
Quem pagará os funcionários dessa nova ala?
Quem serão os médicos pedriáticos dessa nova ala? Serão aqueles cubanos que vêm para cá trabalhar, mas quem recebe o ordenado é o estado cubano?
Quem pagará as máquinas dessa nova ala?
Quem paga os serviços médicos da nova ala pediatrica? Paga a associação humanitária?

«mas “o montante financeiro que se conseguiu acumular é muito reduzido. A tarefa da associação é angariar praticamente a totalidade do financiamento e depois pagar o hospital, que em princípio será um pagamento a dez anos”»

O montante financeiro que se conseguiu acumular é muito reduzido mas a associação pretende angariar a totalidade do financiamento e depois pagar o hospital?
Alguém conseguiu compreender alguma coisa?
Só posso concluir que não se percebe quem realmente financia a nova ala, nem sequer se existe realmente dinheiro para isso.

"Dos órgãos sociais da nova associação fazem também parte o director da Faculdade de Medicina do Porto, Agostinho Marques, presidente da Assembleia-geral, e Manuel Eanes, presidente do Conselho Fiscal."

"A direcção, além de Pedro Arroja (presidente), inclui António Ferreira, presidente do Conselho de Administração do Hospital de São João, e Caldas Afonso, director do Serviço de Pediatria do mesmo hospital, entre outros."

Com tanto funcionário público no meio disto, começo a desconfiar sériamente de dinheiros públicos metidos ao barulho, seja directamente seja indirectamente.
Daqui por algum tempo, vamos ver se não estavamos todos aqui a falar de investimento público camuflado. A ser investimento público, que não seja de forma camuflada.

Amigo anónimo, não precisas de te esconder no anonimato. Para camuflado, já basta esse socialismo.

Mais uma vez não insultei ninguém no meu comentário. Coloquei algumas perguntas que penso serem pertinentes.
Quem não tem medo das ideias não tem medo do confronto de ideias. Não receia que as suas ideias sejam postas á prova. Defende-se argumentando, clarificando. Não se esconde no anonimato, nem se vinga através do insulto.
Quem pensa ter encontrado outro caminho diferente, tem vontade de provar a virtude desse caminho.

Como é óbvio não tenho visto nada disso por aqui. Veremos desta vez

jorge gaspar disse...

O projecto de angariação de fundos para a construção da nova ala de pediatria do hospital de São João começou em 2009.
Passaram-se 5 anos.
Em 2013 a associação afirmou que tinham angariado uma ínfima parte do necessário, no entanto andam á 5 anos a anunciar o começo da obra.

«Em Dezembro de 2009, o Tribunal de Contas rejeitou a adjudicação do projecto de arquitectura para a construção do Hospital Pediátrico Integrado do S. João e a administração teve de recomeçar o processo. A responsabilidade do desenho do edifício tinha sido entregue à sociedade "Aripa - Ilídio Pelicano Arquitectos, SA", mas os juízes do Tribunal de Contas consideraram a adjudicação nula, alegando que foram "subvertidas as regras concursais".» publicado em 2010-04-10 pelo Jornal de Notícias

Excertos da Noticia do público de 03/03/2014 :

"O presidente da Associação Humanitária “Um Lugar para o Joãozinho”, oficialmente constituída a 13 de Janeiro, anunciou nesta segunda-feira que ainda este mês será lançado o concurso para a adjudicação da nova ala pediátrica do Hospital de S. João, Porto."

"permitem-me alimentar a esperança de que, ainda antes do início do verão, estarei em condições de anunciar a data do início das obras, e que o lançamento da primeira pedra possa ainda ocorrer este ano”, afirmou Pedro Arroja, que falava na sessão de apresentação da associação."

«“O Estado português encontra-se numa situação financeira que não lhe permite lançar novas obras e novos investimentos.»

"Pedro Arroja referiu que a nova ala pediátrica do Hospital do São João custa 16 milhões de euros e demora um ano e meio a construir."

«“o montante financeiro que se conseguiu acumular é muito reduzido.»

O estado portugês não está em condições de investir numa obra de 16 milhões de euros. Menos de 0,01 % do pib Português
Cerca de 0,25% do défice Português previsto para este ano.
0,02% da despesa pública total do estado Português em 2013.
11% do custo da conclusão da autoestrada do marão
0,7% do custo da nacionalização do BPN até ao final de 2013.

O socialismo não consegue fazer uma obra absolutamente necessária de 16 milhões.
O socialismo voluntário anda á 5 anos a dizer que a obra vai começar.

Lá para 2020/2030 o socialismo conseguirá levar Portugal ao abismo. Resta-nos o socialismo voluntário, para nos tirar de lá. De preferência com muitos académicos iluminados.









Neyhlup Josand disse...

Caro Pedro Arroja: O comentador Jorge Gaspar já lhe colocou umas perguntas pertinentes e que eu reforço, só para lhe mostrar como esse modelo é incompatível com sociedades modernas e com estruturas da dimensão dum Hospital Central como é o caso do CHSJ. Embora eu discorde dele quanto a serem socialistas ou de qualquer outra natureza. Um político terá sempre de ser pragmático e não se deixar vincular a ideologias que lhe limitem a acção do que julgue entender como necessário, limitado claro pelo Direito e pela Moral como é óbvio.

Assim:

Há quantos anos andam a angariar dinheiro para o Joãozinho?

Estando o CHSJ integrado no SNS e tendo sido construído o CMIN(Centro Materno Infantil do Norte) na mesma cidade e cobrindo a mesma população, o que terá levado o CHSJ a querer fazer a Obra , duplicando a oferta? Reforço que o CHSJ está integrado no SNS tal como o CMIN e tendo em conta a evolução demográfica, ter os dois serviços é redundante.

Podiam fazer um crowdfunding para evitar inundações no CHSJ e susbtituirem a canalização ao invés de andarem a "botar Obra" desnecessária. Arrisca-se a ter uma parede muito bonita e ao lado baldes e mais baldes a amparar a chuva...

Olhe um exemplo, ali na região de Sintra, Queluz e afins... tem lá um Hospital, o Amadora Sintra, que está a abarrotar pelas costuras, não há uma alma penada que lance uma iniciativa comunitária?


Não entendo... se o português é "comunitário" como é que não pululam iniciativas dessas pelo país fora, em casos que são aberrantes como é o caso dos arredores de Lisboa, onde a oferta hospitalar é miserável(melhorou um pouco com o Hosp de Loures?

Com isto apenas quero dizer que há coisas que à Escala comunitária até pode funcionar como um Lar de Idosos, uma Escola primária , secundária ou um Centro de Saúde. Quando a coisa ultrapassa uma certa escala a intervenção tem mesmo de ser estatal, até porque o sector privado, neste momento, não conseguiria assegurar o que o SNS assegura( e estão a tentar a todo o custo dificultar a vida ao grupo Mello na aquisição da ESSaúde, uma coisa incompreensível mas pronto...)


Agora um Hospital é uma organização gigantesca, com milhares de profissionais, exigindo uma articulação com vários tipos de entidades formativas como escolas de enfermagem, medicina, farmácia, tecnologias da saúde. Departamentos de Imagiologia, Blocos, Internamentos, Urgências, Consultas Externas, além dos serviços de Apoio como Informática, Aprovisionamentos, Limpezas, Cozinhas...
Quanto é que imagina que custa fazer um Hospital como o Santa Maria, os CHUC ou o São João? Quantos anos levaria para juntar uns 500 milhões de euros?
Conhece muitos investidores portugueses com jeito para a filantropia? E quantos com capacidade para aguentar um Investimento destes ? 500 milhões na Construção mais 500 para assegurar o contrato programa. 1000 Milhões duma penada.

É que já para juntar para uma Ala Pediátrica,já lá vai em 5 anos e ... se bem que o Joãozinho era mesmo para ser um Hospital não é verdade? Imagine para um Hospital?

Mais corrupto ou menos corrupto, temos de perceber que o Estado é, nos dias de hoje e nas condições que as pessoas esperam viver, imprescindível nestas grandes obras em Portugal, se as quisermos em tempo útil e com um grau de conflitos éticos aceitável( o que esperarão muitos dos beneméritos?).

Neste momento seria impensável tirar o Estado da equação, tendo em conta a menor experiência e capacidade do sector privado, pelas características da população portuguesa sendo que mais de metade da população é isenta e não paga taxas moderadoras. Deduz-se que seriam incapazes de pagar um plano de saúde. E Portugal é um país pequeno, com pouco capital , com poucos investidores, pelo que a única entidade com capacidade para estas Obras seria mesmo o Estado. É o país que temos! Seria bom que estivéssemos cheios de pessoal cheio de vontade e dinheiro mas não temos.

Neyhlup Josand disse...

Como nota final, estas acções são claramente de enaltecer, como solução de melhorar, nunca de recurso e a iniciativa de recolha deve partir da Entidade Hospitalar, por exemplo, sob pena de juntarem umas massas para algo completamente desnecessário ou arriscarem-se a estarem ao serviço dalgum interesse obscuro( e não se trata de jacobinismo mas de conhecer o meio em que se está).
Aconselho contudo dirigirem as louváveis iniciativas para algo mais necessário ao país, nomeadamente Lares de Idosos e Unidades de Cuidados Continuados, de Convalescença, Média e Longa duração. Até porque exigem menor financiamento e levam a menor desgaste dos angariadores. Isso sim é extremamente necessário e o Estado ou a rede de organizações Privadas não está a assegurar...

Agora esperar da "Comunidade" a capacidade para obras faraónicas( e o Hospital é uma obra gigantesca se estivermos a falar de São João ou semelhantes) e delegar-lhe a responsabilidade de o fazer é uma utopia tal como outra qualquer. Pode não ser utopia noutro lado qualquer do Mundo mas em Portugal é. o Conjunto de Comunidades pode ser o Estado e a Comunidade por si só pode não ser capaz de o fazer sozinha tendo de partilhar responsabilidades com outra Comunidade.

Definamos as regras e escrutinemos a moral e as capacidades dos líderes e dos modelos de liderança mas não queiramos destruir o Estado ou a iniciativa privada só por ideologia.

Neyhlup Josand disse...

Mas se por acaso se sentir desafiado por estes comentários de "Não és capaz", "Não vais conseguir" e "Deixa-te disso" e decidir arrancar com mais força para esse desígnio... tanto melhor ;)

Se decidir usar as suas forças para algo para velhos e pessoas dependentes eu até me junto a si ;)

zazie disse...

Em que anos é que julgam que foram construídos os grandes hospitais de Portugal?

Se calhar pensam que foi depois do 25 de Abril.

O de S. João até é cópia do de Santa maria. Anos 40- com ligação a universidade.

Tudo obra do Estado Novo.

Neyhlup Josand disse...

Zazie: Ninguém negou o mérito do Estado Novo, até porque a grande maioria dos edifícios do Estado foi praticamente construído no Estado Novo, desde a rede de Escolas Primárias às Estações de Correios e os Hospitais, o que é de maior valor ainda, tendo em conta que não necessitámos de nos afundar em empréstimos.

Mas foi construído com dinheiro dos contribuintes, pela iniciativa do Estado.

Sabia que o Hospital São João até foi construído sem Urgências?
Ah e tecnicamente não foi nos anos 40 mas 50 :)

zazie disse...

Sim. O comentário não era para ti. Era para o que foi comprar o cérebro.

A propósito e só um detalhe, já que parece que és daí do Porto.

Como foi? eles não inauguraram já uma nova ala pediátrica?
Isto não é segunda obra depois disso?

zazie disse...

Desculpe tratar por tu.

Anos 40 o arquitecto alemão que foi o mesmo de Santa Maria. Acho que era isso que queria dizer.

Anónimo disse...

Zazie, sabe como era a rede de saúde pública há quarenta anos no país? Sabe quantos hospitais, grandes e pequenos, e centros de saúde construiu o Estado depois disso pelo país, mesmo considerando os distritos de Lisboa e Porto, já que parece não ter olhos para mais nada?

Neyhlup Josand disse...

Não sou do Porto mas conheço razoavelmente :)

Isto corresponde à Ala Pediátrica/Hospital Pediátrico.

Não foi inaugurado ainda.

Olhe o arquitecto era um tal de Hermann Distel, na altura muito requisitado como arquitecto de hospitais( como perfeito ignorante da obra dele permito-me a aleivosia de o tratar por "Tal").

Na realidade não são bem gémeos verdadeiros uma vez que o Santa Maria é maior e com as obras( as cirurgias plásticas lolol) entretanto efectuadas, são já mais aparentados com gémeos falsos.

Tem aqui neste blogue um bocadinho da História da Construção do CHSJ: http://doportoenaoso.blogspot.pt/2010/08/o-porto-onde-eu-nasci-e-cresci2.html

Neyhlup Josand disse...

Já agora, e fazendo um pouco de contrição pois, à semelhança do Ricciardi Rb, tenho algum receio de regimes assumidamente não democráticos, pela lotaria do ditador que nos poderia calhar(em vez dum Salazar ou Caetano podia ter-nos calhado um Mussolini ou Ceausescu) é de enaltecer o regime que vigorou em Portugal, com o nome de Estado Novo, pela concretização prática duma intenção de melhorar o bem estar dos Portugueses e da absoluta superioridade do Modelo face a todos os outros testados em Portugal, como se comprova por exemplo no desenvolvimento económico e social, como se pode constatar pelos gradientes de evolução 1933-1974 e 1974-2014, não sendo esta a prática jornalística quando apresentam dados e comunicam ideias acerca desta altura.

Para os que desconhecem o que foi feito nos 40 anos do regime do Estado Novo, tenho sempre à mão este link do Portadaloja:

Comparações entre ontem e hoje: o Estado Novo e a Democracia partidária
http://portadaloja.blogspot.pt/2014/03/comparacoes-entre-ontem-e-hoje-o-estado.html

Anónimo disse...

"Ou o Pedro estudou, mas nada percebeu, ou está a querer manipular meia dúzia de ignorantes"

"Com tanto funcionário público no meio disto, começo a desconfiar sériamente de dinheiros públicos metidos ao barulho, seja directamente seja indirectamente."

"Mais uma vez não insultei ninguém no meu comentário. Coloquei algumas perguntas que penso serem pertinentes."

zazie disse...

Ok. Obrigada pela informação, Josand.

jorge gaspar disse...

Amigo anónimo, não considero ofensas, chamar a alguém de ignorante ou funcionário público. Também não considero ofensivo tratar alguém por tu.
Tu consideras isso ofensivo, mas não nos podemos submeter á vontade de cada qual.
Queres acrescentar alguma coisa á minha argumentação? Ou preferes continuar com pormenores?

As teorias do Pedro Arroja, são tão válidas como as teorias do Zé da mercearia, ou do António taxista. A diferença é que o Pedro é professor, e em Portugal existem castas profissionais.
mandar bitaites para o ar, também os taxistas mandam. A diferença é que a esses só lhes é pedido que conduzem um carro.

O Pedro agora concluiu que Adam Smith era homossexual. Conclui assim, que as ideias dele foram influenciadas pelo facto de ser homossexual, e que portanto não são válidas.
Isto não é argumentar, não é nada. É mandar bitaites para o ar e esperar que os outros aceitem esses bitaites como verdades absolutas. O inacreditável, é o facto de haver quem leve a sério aquilo que ele diz.

Se o Pedro descobrir que Galileu era homossexual voltaremos a ter o sol a andar á volta da terra.
Se descobrir que Einstein era homossexual , vai imediatamente concluir que a teoria da relatividade, foi feita para ser uma teoria moral perfeitamente adaptada a ele.
O nivel académico em Portugal está cada vez pior.

Depois diz, que a a cultura católica "é uma cultura de tudo - não exclui nada" e lá vão os mesmos de sempre aceitar estas tretas como verdades absolutas.
A cultura católica, é feita pelos católicos, e os católicos não aceitam tudo. A ideia de que é positivo que uma qualquer comunidade aceite tudo é uma ideia que não faz sentido nenhum. Se a cultura católica aceitasse tudo, e fosse uma cultura de tudo, Portugal já tinha desaparecido á centenas de anos (nem sei se teria existido Portugal).
Aliás, se perguntarmos aos católicos e conservadores que problemas existem em Portugal e na Europa, uma das respostas que darão, é que em Portugal e na Europa se aceita tudo (ausência de valores, de ideais, etc).

Do ponto de vista económico também não faz sentido que se aceite tudo.
Aceitar tudo significa aceitar tudo o que de errado existe. Aceitar tudo, implica cometer os mesmos erros vezes e vezes sem conta. Aceitar tudo é estupido de todos os pontos de vista possíveis e a cultura católica definitivamente não aceita tudo.

"A Família é a principal instituição económica da cultura católica e é pelo estudo da família que deve começar a Teoria Económica verdadeira - e não pelo indivíduo, ao qual se segue a empresa, como acontece na Ciência Económica convencional de raiz anglo-saxónica"

Mas na cultura protestante também existe familia e também é a familia o pilar fundamental da cultura protestante.
No entanto a familia é feita de individuos. São os individuos que decidem formar familia. É o homem e a mulher que decidindo viver juntos, decidem ter filhos, e decidem tomar conta deles até estes puderem ser autónomos. O Pedro acha que a familia é uma construção católica. A familia é uma construção dos individuos.
O Milton Friedman respondeu uma vez a uma pergunta sobre individualismo dizendo que a sociedade Americana não era individualista, era uma sociedade familiar.
Eu não conheço nenhum caso de sociedades desenvolvidas que não sejam sociedades familiares mas o Arroja só viu isso na cultura católica.

Eu já topei o Pedro. Converteu-se ao socialismo mas quer defendê-lo de forma dissimulada. Descobriu uma forma de o fazer sem pôr em causa os seus valores, e sem pôr em causa as ideias daqueles que o Têm seguido.
Assim, ao dizer que a cultura católica é uma cultura de tudo, permite pois, que tudo possa ser defendido.

O Pedro separa as suas ideias das ideias socialistas (mais do que o liberalismo) como forma de dissimular ainda mais a sua conversão ao primeiro.