02 abril 2013

hierarquia de prioridades

Entre deixar os filhos passar fome e pagar ao Fisco, um desempregado decidiu não pagar.

16 comentários:

Anónimo disse...

E de repente ,sem querer-o este desempregado alinhase com aquele outro que tampouco queria (ou podia) pagar impostos...e lá que se foi para Luxemburgo.
Definitivamente esta crise esta començando a fazer estranos companheiros de rota.

Unknown disse...

Caro Joaquim, acha mesmo que isto é sinónimo de mudança?

Então o homem é matemático/informático. Na área abunda emprego e ele está desempregado. Refugia-se na leizinha para não pagar impostos, em vez de dizer que são imorais, por defeito.

Está visto que é só mais um socialista a quem o dinheiro acabou.

Anónimo disse...

O Parvalhoti está desactualizado ou vive noutro mundo.
Na área da informática conheço bem, e até em multinacionais muita gente vive hoje debaixo da a espada de Damocles. Dos meus conhecimentos directos 1 emigrou, vários estão parados, enquanto as empresas ainda aguentam... portanto olhe em volta ou dê-me indicações sobre onde encontro esse abundante emprego.

marina disse...

a um estado que impede a sobrevivência dos cidadãos , foi onde 36 anos de merdacracia nos conduziram. tá bonito.

muja disse...

A mim ocorrem-me duas coisas:

A primeira é que não é preciso esse tal direito de resistência para coisa nenhuma. O Brandão Ferreira no Adamastor já apelou claramente à desobediência civil - esta é a parte que o Púbico gosta - e... ao estabelecimento do estado de sítio. Disso o soviete venéreo já não gosta...

A segunda, é que acho este caso muito estranho. Há aqui muita coisa que importaria compreender bem:

- O que é um desempregado? Como sabeis, há muita gente por esse mundo fora que vive exclusivamente daquilo a que alguns chamam biscates, outros freelancing e outros "contractors" (no RU, por exemplo).

- Esse tal direito de resistência, aplica-se aos funcionários públicos? Como podem eles exercê-lo em relação ao IRS, se lho recolhem logo na fonte?

- O Sr. diz que era "gestor de sistemas informáticos" e que ganhava à roda de 2000 Euros. Não sendo eu estranho ao métier, acho estranho no entanto que não encontre que fazer. Também importaria saber a razão de ter cessado a ocupação. O "haver miúdos a trabalhar de graça" é sobretudo em coisas relacionadas com o design e áreas criativas relacionadas com a informática. Não é gente com "formação em Matemática" e muito menos gente com experiência profissional.

- Diz o mesmo Sr. que estando-se desempregado, tem-se muito tempo, pelo que decidiu ocupá-lo a ler a Constituição. Acho estranho. Até porque se em vez disso tivesse decidido ocupar-se a ler um livro de programação, por exemplo - assunto que lhe não será de todo estranho, tendo em conta a ocupação prévia e a formação referida e com cujo o conhecimento poderia, estou certo (eventualmente teria que mudar de sítio, embora não de país), encaixar uns 800 euros por mês pelo menos. No caso improvável de que não encontrasse de todo quem o quisesse, poderia ainda realizar os tais "biscates" em regime de freelancing e até remotamente para o estrangeiro, já que a natureza do trabalho o permite. Enfim, está em condições melhores que a generalidade para fazer pela vida. Gostaria de perceber porque não o faz e se dedica, em vez disso, a ler Constituições (talvez pense que haja melhor futuro na área do Direito, o que, olhando para quem manda, talvez seja compreensível) - o que nos traz ao último ponto que eu gostava de ver esclarecido:

- Na notícia diz-se que o Sr. já esteve "associado a organizações como o Movimento dos Sem Emprego"; assim sendo, gostaria de saber se paga quotas em algum partido ou organização sindical ou política, ou se as pagou no último ano e meio; e se sim, qual ou quais.


muja disse...

Ó anónimo, deixe lá nome de gente, ou contacto, que terei todo o prazer em lhe enviar os que me chegam às mãos. Evidentemente, não vou procurar por si.

Agora, a informática é um assunto vasto e diverso. Quem nele está, está melhor apetrechado para se adaptar e aprender coisas novas que, aliás, é sempre necessário fazer tendo em conta o ritmo a que evolui e sob pena de se ficar desactualizado. Talvez o Sr. em causa tenha dedicado o seu tempo a outras causas em vez de fazer isso - cf. o meu último ponto acima.

Sem dúvida que em emigrando ganha-se mais. Mas é uma escolha que se faz. Qualquer uma implica sacrifícios: ou passar pior, ou passar sem a família e a terra de que se gosta.

Anónimo disse...

mujahedin مجاهدين, agradeço. Informática é vasto mas pode apontar a tecnicos em hardware. Indique aqui que, assim como assim, mujahedin مجاهدين não é nome em que confie cegamente:)

Olhe Contractor/Freelancer sou (tento ser) eu. E já me passou pela cabeça a resistência a pagar impostos. Repare, ainda desempregado aceitei um trabalho de 400 euros. Tive de pagar 124 de Segurança Social. Fiquei com 276 e não sei de ainda terei de pagar IRS. E é tudo assim... E logo que facturar mais de 10.000 ano (a fortuna de 833 euros brutos x 12meses sem férias ou desemprego) Lá vão 32% para SS+ 25% IRS + 23% IVA. A brincar, sobre o meu trabalho o estado arrecada 70%. É pesado. E não sei bem o que fazer para ganhar o minimo para viver ( e pagar o IMI, Seguros obrigatórios, etc)
Com o mercado como está, imagina o que custa achar o que fazer, vender 1 serviço?

Mas a politica é assentar-nos esta mochila às costas, com o dobro do peso suportável, e dizer "agora caminhem e empreendam (e nada de economias paralelas)".

PQP a todos!

Anónimo disse...

Sem dúvida que em emigrando ganha-se mais. Mas é uma escolha que se faz. Qualquer uma implica sacrifícios: ou passar pior, ou passar sem a família e a terra de que se gosta.

...
Hum
Este Mujahedin até parece um acomodado resignado.
Quando um Mujahedin que se preçe ja teria apelado a uma guerra santa contra o desemprego ou uma qualquer primaveira arabe...Enfím.

muja disse...

Aqui para o anónimo logo de cima:

Acomodado é a puta que te pariu ó cabrão. Eu também emigrei e bem me custou. Não recebo um cêntimo de merdas sociais nenhumas. E ainda pago impostos para essa ladroagem, de "biscates" que vou fazendo aí, percebes?

E não ando para aí com merdas, nem a ler Constituições. Ao contrário desse, li outras merdas que me tornaram útil e portanto "empregável". E ainda leio. Porque não se sabe o dia de amanhã. Tanto é que também já fui despedido depois de emigrar. E não foi precisa "justa causa" nenhuma. Simplesmente queriam alguém melhor, e pronto. E não me pus a ganir, nem fui a correr pedir subsídios a ninguém. Aguentei com as poupanças que tinha até me tornar melhor e me orientar novamente. E ainda arranjo tempo para plantar as couves que como...

E bem vejo a maior parte da malta que ficou lá. Continua na mesma vidinha... Cafézito ao final da tarde, muitos a "estudar" (curiosamente, os mais perto da política), minis ao fim-de-semana, e depois ganem. Mas ir trabalhar para outra cidade? Mexerem-se? Tá quieto... Ler? Estudar (a sério)? Aprender? Sim, sim, mas agora dá a bola e amanhã praia. Não são todos, claro. Mas são muitos. E o ganir é proporcional à boa-vai-ela...

Acomodado, diz-me este... Olha que sim senhor...
Resignado, talvez. Resignado a ver essa merda a ir pelo cano abaixo, quanto muito... e a ouvir os mesmos que andam na vidinha e a ganir a dizer que sou extremista quando digo que é preciso parar de votar e que desde o 25A que transformaram o rectângulo numa choldra.






muja disse...

Para o anónimo sério, agora:

V. quer vagas para técnicos de hardware, é isso? Isso agora é mais do domínio da electrotécnica, que não é bem o meu.

Mas de que género? Arranjar PCs ou coisas mais empresariais, tipo redes e servidores?

Eu nunca disse que a coisa está fácil, agora, uma pessoa por-se a ler constituições em vez de fazer pela vida, é que acho estranho.

muja disse...

E tem razão em dizer que roubam. Pois roubam. Não foi o deixar de pagar os impostos que me fez espécie. Foi o deixar de fazer alguma coisa.
Foi o achar que isto é agit-prop basicamente. Se fosse num governo xuxa, a notícia não saía, basicamente. Mas a malta alombava na mesma.

Porque se lhe perguntassem se alinhava numa de desobediência civil à séria, como propõe o Brandão Ferreira, com direito a invasão pacífica das esquadras de polícia e tudo, e a exigência de estado de sítio, aposto que o gajo dizia que não, porque não se pode suspender a democracia - os mesmos gajos que lhe espetaram com os impostos que se recusa agora a pagar...

Quem não os conhecer que os compre...

Anónimo disse...

mujahedin: redes e servidores... Quanto ao assunto do tópico: sem dúvida deve ser agit prop. Isso não me preocupa: o que não dá é para suportar este sufoco, a canga, sem fazer alguma coisa, seja lá o que for.

Quanto ao trabalho na área, seja TI ou outras, por vezes há um mundo que não aparece nas notícias... moro num prédio classe média/alta oinde há três casais de reformados e 6 casais em idade activa, com filhos pequenos. Tudo de áreas de engenharia e afins no privado. Pois repare 3 pais de família ficam por casa. Ainda não estão desempregados, estão apenas suspensos num mercado parado. Claro que deviam vender já tudo e emigrar, não é? Até quando as empresas os aguentarão? Isto era inimaginável há 3 anos. E depois vêm este alucinados exigir mais horas de trabalho, e o diabo. Ou como agora que a pretexto da prevenção do suícidio querem impor mais taxas e regras (ainda matam as nossas vinícolas, um dos poucos sectores onde Portugal podia crescer, se deixarem...)

muja disse...

Pois, lá nisso concedo que até emigrar, hoje em dia, é luxo. Não é coisa de somenos, e custa mais a uns que a outros. Embora no tempo da outra senhora, também não emigravam os homens primeiro, deixando as famílias para trás? E mais nem era porque faltasse trabalho... Trabalho até havia, a paga é que não era muita... Hoje, claramente, estamos muito melhor: nem a paga é boa, nem o trabalho abunda.

Mas também há-de V. convir que gestor de sistemas informáticos desempregado, há-de arranjar coisa mais útil em que empregar o tempo, do que a ler constituições...

É que eu quando escrevi, não era para dizer que havia muito trabalho a gerir sistemas informáticos! Era a dizer que quando não há precisão daquilo que se sabe fazer, o melhor é aprender a fazer outra coisa que se saiba útil e necessária nos tempos que correm.
Dei o exemplo da programação, por ser coisa que se aprende bem sozinho, coisa barata de aprender e haver ainda quem desse conhecimento necessite e esteja disposto a pagar por ele, ainda que pouco. Para gestor de sistemas informáticos não há-de ser coisa nova, nem inalcançável (até me espantava que não possuísse já alguns rudimentos, pelo menos, a não ser...).

Se o homem fosse pescador, por exemplo, era bem pior. E olhe que esses, a miséria não lhes vem só de agora.

Portugal poderia crescer em muitos sectores! Eu diria mesmo em todos, de tão pequenos que são. Houvera quem quem quisesse e soubesse guiá-lo e providenciar condições para que isso pudesse acontecer.

Cfe disse...

"Esse tal direito de resistência, aplica-se aos funcionários públicos? Como podem eles exercê-lo em relação ao IRS, se lho recolhem logo na fonte?"

Está para nascer o funcionário público desempregado...

muja disse...

Então e o desempregado paga IRS de que rendimentos?

Anónimo disse...

Mais de dois anos à procura, e entretanto, após a divulgação do caso, já conseguiu um emprego: http://expresso.sapo.pt/desempregado-que-recusava-pagar-impostos-ja-tem-trabalho=f797914

Concordo com o Mujahedin...

Acho este caso um pouco estranho.