27 janeiro 2013

Não existe mesmo

O que o PA procura explicar com sucesso e eu e os austríacos concordam é que a actual moeda imposta por elites porventura disfuncionais (como se pode ver pelas bolhas e crises que o "seu" sistema impõe às populações) de facto "não existe" ou seja, não é uma verdadeira moeda (o facto de a maior parte da dita moeda existente constituir um passivo dos bancos devia tornar isso claro, mas que sabem a maior parte dos economistas? Mais vale perguntar a crianças). Foi o próprio Greenspan que deixou escapar isso mesmo afundado nas variadas e confusas tentativas de saber o que é e como medir moeda hoje em dia, dada a total subversão do que aquilo que devia ser. Moeda é aquilo que as pessoas, livremente, acabam a seleccionar como bem de troca, o que não quer dizer que não se possa analisar que características tal bem o tornam particularmente sujeito a ser utilizado como bem de troca e que propriedades passa a ter quando assim é utilizado. E o que seleccionaram ao longo de milénios em todas as culturas e tempos foram os metais. Só o deixam de usar quando o poder e os intelectuais do poder usam esse poder para monopolizar e extrair o rendimento de todos para exercer a sua bondade (historicamente a primeira motivação foi financiar as guerras sobre em que km2 do planeta manda quem e outras coisas assim essencias à vida).

39 comentários:

Ricciardi disse...

Mas isso quer dizer, caro CN, que se alguém não tiver ouro não pode comercializar ou comercializa mal?
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Claro que não. Se eu lhe vendo os meus conhecimentos e vc os quer adquirir tem de vc ter especificamente OURO para eu os transmitir ou terá v.exa. de ter alguma coisa que me interesse ter?
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Foi assim que começaram as trocas. De forma directa. O dinheiro, a moeda, só veio facilitar as coisas por questões de medidas fraccionárias na transacções de bens ou serviços.
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Se vc impuser o OURO como medida das transações, será este o bem mais valioso. Deixa de ser a troca de bens em si para passar a ser o meio de pagamento. Ora, seria isto que geraria uma corrida desenfreada às minas por esse mundo fora, elevando o preço para níveis estratósféricos. E o dominio pela fonte, as minas, seria o negócio dos négocios.
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Vc repare o que se passa com o petroleo. As guerras que geram. Na verdade os produtores de ouro negro impõem o preço que quiserem. Seria assim que aconteceria tambem com o ouro.
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Rb

zazie disse...

Isso é verdade e até aqui estamos de acordo.

Por isso é que eu insisto. o CN tem de defender um valor intrínseco a esses metais preciosos.

E o valor é estável porque nunca existiu uma única civilização que achasse que esses metais não eram uma raridade preciosa.

zazie disse...

O ouro tem o papel semântico do significado, perante o significante.

Pronto, parece pomposo mas é isto mesmo.

Tem de haver uma "âncora" perante os diversos usos de algo.

Essa âncora é o padrão, ou é o equivalente ao simulacro do papel-moeda nas trocas comerciais.

Se alguém disse que tem uma fortuna em casa, não a encontra por papel guardado e nem sequer por moedas enterradas.

Mas se tiver diamantes, prata ou ouro, equivalente à dita fortuna,enterrados no quintal, então não há simulacro.

zazie disse...

O resto, da imposição de padrão e das minas é o problema, por isso mesmo eu deixei uma pergunta e volto a repeti-la, a ver se o CN responde.

Portugal tinha reservas de ouro sem haver padrão ouro. Era um bem preciso porque o PIB tinha um equivalente material que não era apenas brincadeiras com taxas de juro.

A minha pergunta é a seguinte:

Por que motivo não hão-de ter os bancos as mesmas reservas em ouro (e muitos têm-nos- a UBS tem caves na Suíça cheias de lingotes de ouro) como "âncora" das transacções e especulações financeiras?

Ricciardi disse...

Mas há mais uma coisa. Alegam que a emissão de dinheiro (QE) é prejudicial. Se um governo emitir papel a mais, para além da produção de riqueza com o exterior, o mesmo desvaloriza, o que quer dizer que os preços sobem. A consequencia imediata de imprimir notas é mesmo essa. Mas é uma consequência que o mercado regula de forma eficaz.
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Não pode, pois, um governo emitir mais moeda do que a justa conta. Se o fizer de forma desmedida terá consequencias imediatas. A prazo vai dar ao mesmo. Se os preços sobem as pessoas necessitarão de mais moeda para comprar o mesmo.
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A utilidade em poder regular a emissão de moeda, tem a ver com as crises (que geram desempregos massivos) ou com necessidades urgentes (financiar guerras, epidemias etc). É um instrumento muito eficaz de curto prazo. Não resolve o problema, mas mitiga o sofrimento da população se for acompanhado por outras medidas direcionadas ao problema concreto.
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Por exemplo as medidas de Keynes foram imensamente eficazes naquela altura. Não quer dizer que sejam sempre eficazes. Os motivos das crises podem não ser os mesmos e podem requerer respostas diferentes. Mas até nisso ele tinha a consciencia de que a emissão de moeda serviria como medida de curto prazo tendo que ser reposta a verdade assim que houvesse sinais de retoma.
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Rb

Ricciardi disse...

Os austriacos desconsideram a pessoa humana. Esperam que o ciclo depressivo se auto-ajuste. Não consideram a realidade: o desemprego, a politica, o voto popular, a insatisfação que gera revoluções etc.
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É , pois, uma escola teórica, com lógica intelectual, mas completamente arredada do mundo real.
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Rb

zazie disse...

Tu tens razão nisso.

Mas responde-me lá à pergunta porque, já vi que o CN não vai responder.

zazie disse...

Vou repetir até lerem:
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Portugal tinha reservas de ouro sem haver padrão ouro. Era um bem preciso porque o PIB tinha um equivalente material que não era apenas brincadeiras com taxas de juro.
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A minha pergunta é a seguinte:

Por que motivo não hão-de ter os bancos as mesmas reservas em ouro (e muitos têm-nos- a UBS tem caves na Suíça cheias de lingotes de ouro) como "âncora" das transacções e especulações financeiras?

Ricciardi disse...

Não percebi bem a pergunta, mas, vejamos, eu concordo que os emprestimos que a banca faça acima da cobertura por depositos seja de facto garantida, como tu dizes, por activos com valor intriseco - o ouro por exemplo, mas não só).
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Quer dizer, se os bancos querem emprestar mais do que aquilo que recebem em depositos devem ter uma percentagem de reservas de ouro ou diamantes ou prata ou divisas de outro país civilizado em carteira.
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E deviam, na própria instituição, contabilizar de forma distinta os depositos provinentes de emprestimos que ela própria concedeu. Tipo DO emprestimo vs DO normal. Porque se os emprestimos entram em DO normal podemos estar a alimentar a curto prazo rácios desvirtuados aonde os DO provinenetes de emprestimos entram no calculo para obtenção de mais emprestimos sobre os emprestimos. É claro que isto tem um fim, mas dá origem a muitas virtualidades.
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Rb

Ricciardi disse...

Mas agora, Zazie, responde-me tu.
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Qual é a maior riqueza que podia servir de padrão e que não é manipulavel ou controlavel pelas potencias militares e económicas do mundo?
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Rb

zazie disse...

Exacto. Era a isso que me referia.

Então agora explica-me lá esta parte.

Se os bancos podem fazer isso e muitos o fazem, porque motivos os "Estados"/"Países" não o hão-de fazer também?

O que eram as nossas reservas de ouro no tempo do Salazar?

Não era padrão-ouro, pois não?

Portanto, vamos a ver se percebes onde eu quero chegar...

(O CN ou não leu, ou leu e fingiu que não leu).

zazie disse...

Resposta:

o petróleo.

zazie disse...

Acho que pensavas que era a água.

O padrão, no sentido de âncora, ou é uma operação matemática- como agora, ou tem de ser um bem escasso, com valor intrínseco universal.

Portanto, no segundo caso, acho que o ouro faz sentido mas tem o problema das minas e precisa sempre de Estado para o certificar como liga com quilates universais.

Ricciardi disse...

Não. Tudo o que for escasso não serve de medida de padrão para as pessoas comercializarem. Pelos motivos que acima adiantei. O controle das potencias sobre a fonte dos recursos escassos. A elevação do preço pela procura desenfreada. etc.

A maior riqueza, aquela que pode servir de padrão, e não pode ser manipulavel é a pessoa humana.
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A emissão de dinheiro deve estar em relação com o crescimento da população, no qual devem ser computadas as crianças, porque consomem e gastam desde que nascem.
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O dinheiro serve as pessoas, não se justifica por si próprio, não é?
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Portanto, o dinheiro faz sentido se houver pessoas. Se a produção de dinheiro estiver indexada ao numero de pessoas nascidas e falecidas, não pode haver melhor padrão do que esse.
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Os financistas nunca o entenderão. Eu sei. É um conceito diferente.
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Rb

zazie disse...

Então e tinhas pessoas para troca, caso um banco falisse?

ehehehehe

zazie disse...

Quantos escravos levavam os accionistas?

CN disse...

Estou em viagem de comboio. Vou tentar responder a algumas questões.

zazie disse...

Boa viagem, CN

CN disse...

"Se vc impuser o OURO como medida das transações, será este o bem mais valioso"

O meu argumento é que a prata e ouro acabariam (e provavelmente acabarão) por ser utilizados como o meio de troca preferencial assim exista liberdade monetária.

"Vc repare o que se passa com o petroleo. As guerras que geram. Na verdade os produtores de ouro negro impõem o preço que quiserem. Seria assim que aconteceria tambem com o ouro."

Não, porque a quantidade de ouro existente ao cimo da terra é muito maior que a que é possível extrair anualmente e não tem ou teria outra utilidade significativa que servir como meio de troca (não é consumido).

A produção (fluxo) de petróleo é muito maior em relação a qualquer Stock médio existente, e é consumido.

Nada de significativo ganharão assim os detentores de minas cuja produção envolve muitos recursos e com custos por unidade de peso que variam muito, e no fim produzirem de 2% a 3% do stock de ouro já existente.

zazie disse...

CN:

E por que motivo não podem bancos e Estados, terem reservas de ouro como equivalentes?

Para isso é preciso padrão ouro?

Não. E Portugal tinha.

Eu não sei essa parte da História europeia das reservas de ouro e penso que tinha muito mais interesse saber-se do que andar sempre com os exemplo da América.

CN disse...

"Por isso é que eu insisto. o CN tem de defender um valor intrínseco a esses metais preciosos."


Para responder a isto e ao CGP coloquei a referência ao teorema da regressão de Mises. Uma moeda começará por ser uma mercadoria com um qualquer valor diverso (que não o monetário) e aos poucos começa a ser usado com frequência como meio de troca indirecta até que se torna em pleno uma moeda porque aceite universalmente como meio de troca.

Já uma moeda totalmente abstracta e oor fiat, nascida do céu sem qualquer ligação a qualquer outra moeda já existente não terá qualquer forma possível de ser valorizada, só se tiver ligação a outra moeda já existente e cujo teorema da regressão de mises faz recuar até ao ponto original de uma mercadoria que tinha um qualquer valor diverso, é que essa moeda fiat pode sustentar-se.

Imaginemos que era legal e eu emitia CNs. Imprimira uns certificados e escrevia 100 CNs. Que diferença isso faria de escrever 1000 CNs? Quem me aceitaria 100 CNs e depois 1000 CNs sendo o tamanho da nota,etc, o mesmo que o de 100 CNs? Faço-me entender?

zazie disse...

Até aqui estamos de acordo.

Avance lá um niquinho mais para a outra questão que eu coloquei.

Sff. e não se debruce da janela.

CN disse...

CN:

"E por que motivo não podem bancos e Estados, terem reservas de ouro como equivalentes?

Para isso é preciso padrão ouro?

Não. E Portugal tinha."

Acho que não percebo a questão. Os Estados acabaram com o ouro como moeda, depois de o roubarem nacionalizando as reservas existentes nos bancos. Por todos os meios, incluindo pagar a economistas para provar que não passa de uma relíquia sem qualquer uso útil, mas o facto é que o continuam a usar como reserva monetária. Alguns bancos centrais como o de Inglaterra conseguiram a proeza de vender quase todas as suas reservas e a preços entre 250 e 300 usd a onça, agora a cerca de 1685 Usd a onça.

O que não existe nem pode existir legalmente porque a lei proíbe, é o uso de ouro e prata como meio de troca, passível de definir preços de contratos e crédito irrevogavelmente resolvidos em ouro ou prata (ou seja, contraparte não poderá substituir a resolução de um contrato substituindo o valor por uma liquidação na moeda-fiat declarada - isto são as tender laws).

zazie disse...

CN:

O que eram as barras que o Estado Português tinha guardadas como reservas?

O que são os lingotes guardados em caves na Suíça por alguns bancos.

São tesouros deles?

Nada têm a ver, num caso com "dinheiro do Estado"; noutro, com equivalente a dinheiro do banco?

zazie disse...

Esses lingotes que Portugal tinha precisavam de padrão-ouro ou tiveram de ser trocados por "papel" pelo facto do padrão-ouro ter acabado?

zazie disse...

Portanto, se eles usam como reserva monetária e outros não usam, como é que se pode dizer que essa garantia só existia se o padrão fosse ouro?

O que v. diz é outra coisa- v. fala no uso de ouro como moeda de troca sem ela estar aprovada como "euro" ou " escudo" ou dolár, ou outra moeda.

Mas isso é outra coisa.

Vamos primeiro à questão da dita "ãncora".

A dita "ãncora"- por equivalente em ouro, não precisa de fazer dele moeda oficial.

zazie disse...

Por outras palavras: o que é o fiat money?

zazie disse...

É uma moeda fiducuiária em que algo que não é, passa por se tornar aquilo que devia ser.

Um significante sem significado, portanto.

Ora, assim sendo, se houver equivalente em reserva de ouro (pelos Estado que "fazem dinheiro do nada; pelos bancos, que fazem o mesmo) essa fiat money passava a ser algo mais que um simulacro.

Porque existia equivalente em ouro.

Não é assim?

Anónimo disse...

Zazie, não percebeste nada do que eu disse.
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Rb

zazie disse...

Se calhar, não. Mas esquece.

Anónimo disse...

Há apenas umas 20 ou 30 pessoas no mundo que percebem bem o «segredo» do dinheiro.
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O ouro nunca funcionaria, como não funcionou, como moeda de troca e para o bem da humanidade. Durante algum tempo cria uma ilusão de estabilidade, Mas é o próprio valor intrinseco do metal que acaba com o comercio de outros bens, levando os países à ruina económica.
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Porque a troca é mesmo isso. Um bem por outro equivalente. Se no meio está uma nota que as partes aceitam para quantificar o peso relativo dos bens, muito bem. Mas se no meio estiver um metal precioso será o dominio da fonte deste metal que ditaria o comercio.
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O caro CN fala de quantidades por extrair na terra e que o metal não é consumido. Nada de mais errado. A quantidade a extrair seria regulada por quem a controla, com as consequencias nos preços que isso significa. Quanto a não ser consumido, pois, meu caro, não pode, mas pode e seria açambarcado.
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Não sei se sabe, mas diz-se nos meios próprios que existem várias minas descobertas e não exploradas para que os preços não baixem.
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Agora, há um movimento para voltarmos ao tempo do garimpo. O movimento mundial do ouro tem sido estranho. Em 5 anos o ouro subiu 500%. Os preços do ouro são determinados por CINCO pessoas no mundo. Todas elas com interesses na mineração. Não me perguntem a 'raça' deles que eu não digo. Ao ponto de haver acusações formais em Inglaterra de manipulação na cotação.
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A cotação diária do ouro tem sido efectuada sem se saber a respectiva produção e consumo.
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O facto da Alemanha ter exigido, há poucos meses, o repatriamento de parte do seu stock de ouro detido no Fort Knox gringo, é revelador do que se espera que venha a acontecer. O açambarcamento começou e só vai parar quando o povo já o tiver em quantidade perigosa. Depois disso, e não faltará muito tempo, o ouro ditará as regras: quem o tiver açambarcado, claro; quem o produzir, claro; quem dominar as fontes, claro.
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Rb

CN disse...

Zazie

Falemos de notas que simplifica.

Na história da emissão de notas, estas representavam quantidades de ouro específicas depositadas. Um contrato de depósito.

No fundo, podia depositar ouro físico de 1 grama e receber uma nota representativa de 1 grama de ouro ou prata.

A nota facilita facilita o transporte e os pagamentos.

O que desde cedo os banqueiros fizeram em conluio com os estados, foi emitir mais notas que o ouro depositado.

É preciso dar crédito ao soberano ou algum industrial. Emite-se notas representativas de ouro físico depositado embora não o tenha depositado, isto porque, era difícil que todas as pessoas fossem ao mesmo tempo reclamar a troca definitiva da nota pelo ouro físico. Mas mais tarde ou mais cedo o excesso de emissão tornava perceptível o perigo de se poder ir reclamar a troca e não existir, daí as corridas aos bancos. Geralmente depois de uma bolha rebentar.

E isto, de crise em crise, e de necessidade de financiamento em financiamento do estado, até declarem o fim do parão-ouro.

Declararam que as pessoas deixavam de poder trocar as notas por ouro e os bancos centrais ficaram como todo o ouro existente pertencente de direito às populações.

Assim sendo os estados e bancos centrais passaram a emitir puro fiat money cujo valor era derivado pelas pessoas do seu anterior valor (teorema da regressão) e pela obrigação legal de o usar para contratos e pagar impostos.

Mas depois existem taxas de câmbio e dívidas entre países diferentes. A verdade é que o ouro continua a ter valor e credibiliza a emissão de fiat money e ter boas reservas de ouro, com ter reservas de fiat money de países fortes (usd, franco suíço) o faz.

Mas a diferença para um verdadeiro padrã-ouro é cada nota ou depósito à ordem ser apenas uma representação de ouro efectivamente depositado e da sua propriedade. Notas ou depósitos serem ouro ou prata existente e alocado ao proprietário da nota ou depósito.

CN disse...

"O caro CN fala de quantidades por extrair na terra e que o metal não é consumido. Nada de mais errado. A quantidade a extrair seria regulada por quem a controla, com as consequencias nos preços que isso significa. Quanto a não ser consumido, pois, meu caro, não pode, mas pode e seria açambarcado. "

Veja se percebe: o ouro, devido à relação entre produção e stock é o menos manipulável das mercadorias existentes na civilização.

Se isso fosse verdade para o ouro, teria de exponencialmente ser ainda mais verdade para qualquer outra mercadoria ou matéria-prima existente.

Ricciardi disse...

Precisamente por isso é que não pode ter um recurso escasso como padrão. Tem de haver intervenção humana. Umas vezes para bem outras para mal. Umas vezes emitem massa a mais mas o mercado reflecte isso imediatamente nos preços e cotação da moeda.
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Portanto, o papel de um BC é essencial para mitigar estas coisas. Não é por acaso que eles só emitem dinheiro se a inflação estiver sob controlo. A experiencia ensinou-nos a ter cuidado com a produção de moeda.
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Mas se não fosse a intervenção de um BC como o BCE o mercado não teria acalmado. Nem os EUA poderiam ter saido daquela situação de 2008 sem intervenção do FED.
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Quer dizer, sair saia, mas saia com custos sociais, económicos elevadissimos. Porque a correção se fosse feita à maneira austriaca os EUA tinham falido. Portugal tinha falido.
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Rb

Anónimo disse...

E repare, eu sei, os austriacos defendem isso mesmo. Que o ciclo se complete. Que o país vá à falência. Que o desemprego chegue ao seu limite. O mercado ajustaria estas coisas em baixa e retomaria o crescimento no futuro. O problema é que isto desconsidera a realidade, compreende? a realidade é que não queremos falir. Não queremos pessoas a passar fome de morte. Os governates querem ser reeleitos. Pretendemos não declarar que não pagamos a ninguém. E para isso foi preciso que o BCE estivesse por trás a financiar-nos. Como? emitindo moeda. E pode emitir ilimitadamente? Não. Não pode. Por isso é que temos de fazer reformas.
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Rb

CN disse...

"Ricciardi6:55 PM
Precisamente por isso é que não pode ter um recurso escasso como padrão. Tem de haver intervenção humana. Umas vezes para bem outras para mal. Umas vezes emitem massa a mais mas o mercado reflecte isso imediatamente nos preços e cotação da moeda."


Não, eu demonstrei que não é.

E é precisamente porque o ouro não tem intervenção humana (incapacidade de criar ou destruir) ou antes, a menor relativamente a outras alternativas (devido à relação entre produção e stock) que o ouro acaba a ser selecionado.


Quanto ao resto, a crise, o FED, ainda há muito tempo para lá ir. Para já ainda estamos no questão de saber o que a Moeda é.

CN disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
zazie disse...

Está interessante a conversa.

O CN, pelo menos confirmou o que eu disse, que seria mais "sólido" com correspondência em lingotes de ouro.

Claro que isso é diferente do ouro ser usado como moeda pela população.

Mas aí entra o outro problema que o morgadinho já levantou.

..........

Já agora, se percebeu a ideia dele em relação à indexação às pessoas, comente.

Eu li por alto e estou num leilão.

CN disse...

Onde está escrito esse outro problema?

"Mas aí entra o outro problema que o morgadinho já levantou."