Há dois reparos a fazer à interessante (e tentadora) crítica que o Pedro Arroja tem vindo a fazer nos seus últimos posts à democracia liberal, nomeadamente ao princípio igualitário na formação da soberania partilhado entre pessoas com idades e experiências de vida muito diferentes. A primeira, colhida no próprio liberalismo que o Pedro critica, tem a ver com a dimensão da soberania: se esta for, como se pretende para um Estado Liberal, funcionalmente reduzida, os malefícios de más escolhas, eventualmente provocadas por eleitores imaturos, serão naturalmente reduzidos a um mínimo humanamente aceitável. É o problema do “tira estado, mete estado”, que cada vez mais me parece ser o mais relevante das democracias liberais e que, se não for controlado, continuará a provocar graves abusos de poder. Na maior parte dos casos, diga-se em abono da verdade, provocados pelas gerações mais velhas e marcadas por experiências pretéritas nefastas (tomem-se em consideração as consequências da subida ao poder na Europa das gerações do “Maio de 68”). O segundo ponto tem a ver com a própria dinâmica social: um jovem com 18, 20 anos de idade pode, de facto, ser levado a fazer escolhas políticas pouco racionais, provocadas pela emotividade própria da idade, mas sempre poderá corrigir as suas escolhas à medida que o tempo for passando e se for tornando mais maduro e eventualmente mais sensato. Uma sociedade humana deve ter isto em consideração: as diferentes etapas da vida e os modos distintos como a olhamos à medida que o tempo vai passando por nós. A representação política não sairá diminuída se tiver essas diferenças em conta e, pelo contrário, mostra-nos a nossa História recente que foram muitas vezes os mais novos a impor algum bom senso político aos mais velhos. Basta pensarmos no que aconteceu no pós 25 de Abril de 74 nos liceus de Portugal. 31 Março 2010
nos liceus de portugal
Há dois reparos a fazer à interessante (e tentadora) crítica que o Pedro Arroja tem vindo a fazer nos seus últimos posts à democracia liberal, nomeadamente ao princípio igualitário na formação da soberania partilhado entre pessoas com idades e experiências de vida muito diferentes. A primeira, colhida no próprio liberalismo que o Pedro critica, tem a ver com a dimensão da soberania: se esta for, como se pretende para um Estado Liberal, funcionalmente reduzida, os malefícios de más escolhas, eventualmente provocadas por eleitores imaturos, serão naturalmente reduzidos a um mínimo humanamente aceitável. É o problema do “tira estado, mete estado”, que cada vez mais me parece ser o mais relevante das democracias liberais e que, se não for controlado, continuará a provocar graves abusos de poder. Na maior parte dos casos, diga-se em abono da verdade, provocados pelas gerações mais velhas e marcadas por experiências pretéritas nefastas (tomem-se em consideração as consequências da subida ao poder na Europa das gerações do “Maio de 68”). O segundo ponto tem a ver com a própria dinâmica social: um jovem com 18, 20 anos de idade pode, de facto, ser levado a fazer escolhas políticas pouco racionais, provocadas pela emotividade própria da idade, mas sempre poderá corrigir as suas escolhas à medida que o tempo for passando e se for tornando mais maduro e eventualmente mais sensato. Uma sociedade humana deve ter isto em consideração: as diferentes etapas da vida e os modos distintos como a olhamos à medida que o tempo vai passando por nós. A representação política não sairá diminuída se tiver essas diferenças em conta e, pelo contrário, mostra-nos a nossa História recente que foram muitas vezes os mais novos a impor algum bom senso político aos mais velhos. Basta pensarmos no que aconteceu no pós 25 de Abril de 74 nos liceus de Portugal.
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rui a.
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30 Março 2010
sem classes
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Joaquim
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sociedade bolo de aniversário
A sociedade bolo de aniversário, a mais moderna, só tem uma camada social, da qual se podem destacar algumas estrelas (poucas). Ler Mais...
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Joaquim
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sociedade bolo de noiva
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Joaquim
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09:14
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29 Março 2010
PSD
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Ricardo Arroja
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fazer contas
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Ricardo Arroja
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28 Março 2010
Imprensa escrita
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Ricardo Arroja
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27 Março 2010
duas vitórias
A vitória de hoje de Pedro Passos Coelho no PSD tem algum paralelismo com a tomada do CDS por Manuel Monteiro em meados da década de 90. Surge como um projecto de recuperação de um partido exangue e nos limites da decadência política; tem como protagonista principal um antigo líder da estrutura juvenil do partido; é feita contra um baronato instalado e anquilosado que tem perdido eleições sucessivas; aposta num discurso renovado à direita com ligeiras conotações liberalizantes; é ostensivamente contra Cavaco Silva; tem fortes apoios nalguma comunicação social escrita; levou ao desespero José Pacheco Pereira; e, por último, tem até alguns entusiastas que partilharam, então, as alegrias da vitória com aquele outro líder. Esperemos agora - e digo isto sem a mais leve ponta de ironia - que Pedro Passos Coelho dê ao seu partido um destino substancialmente diferente do que Manuel Monteiro conseguiu dar ao CDS.
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26 Março 2010
oráculo
Neste post, num único post, António Nogueira Leite consegue predizer cinco consequências que decorrerão da eleição de amanhã no PSD: que Pedro Passos Coelho a vencerá (o que é até bastante provável); que, uma vez líder do partido, Passos o consigará unir (o que é bem menos provável); que, com o PSD unido em torno de si, Passos convencerá os portugueses que fez daquele saco de víboras rastejantes um projecto político sério e credível, e uma alternativa de governo para Portugal (improbabilíssimo); que Paulo Portas perderá o sono dos (in)justos com o novo líder laranja (quem sabe?); que a migração de votos do PSD para o CDS terminará amanhã com a elementar e justíssima ascensão de Passos Coelho à chefia do laranjal (tenho as minhas dúvidas...). Tudo isto neste singular e único post de nove linhas. É de homem!
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25 Março 2010
é preciso mudar para que tudo fique na mesma
Desisti, há algumas semanas, de comentar o PSD. O motivo é simples: saia quem sair vencedor da eleição de amanhã, o PSD continuará igual a si mesmo, em guerra civil interna, e sem oferecer ao país nada que justifique um segundo de atenção. Fundamento o que digo: nenhum dos candidatos conseguiu ultrapassar a lógica de clan que tem dividido o partido desde o abandono de Cavaco, nenhum dos candidatos apresentou um programa de governo alternativo ao governo socialista e ao Estado Social, nenhum dos candidatos assumiu um programa de vocação liberal e conservadora. Em suma, o que se tem discutido são perfis mediáticos e “carismas” televisivos. Ora, não é disso que o país precisa, nem será isso que tornará o PSD um partido respeitável.
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15:45
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os frutos da paixão
O Professor Cardoso Rosas está cheio de razão: a Universidade portuguesa está em saldos, a vender cursos a pataco a analfabetos funcionais. Cursos que não têm qualquer utilidade e que são oferecidos por instituições públicas de interesse mais do que duvidoso, criados sem qualquer análise ou estudo de mercado. O diagnóstico também é certeiro: a Universidade pública precisa de alunos para ter financiamento e de racios de “êxito” escolar para que esse financiamento se mantenha ou mesmo aumente.Apesar de tanta sensatez, o Professor Rosas não foi onde deveria ir, isto é, à origem do problema: como chegou a Universidade portuguesa a este estado e com quem? A resposta é elementar: com António Gutrerres e a sua conhecida “paixão pela educação”, e com o investimento público socialista no ensino superior dos últimos quinze anos. Em suma, como todos os tontos apaixonados que gastam o que têm e o que não têm com as vítimas da sua volúpia, António Guterres comprometeu o país com novas instituições de ensino superior desnecessárias e uma infinitude de cursos inúteis e de professores excedentários para as justificar.
A “paixão pela educação”, mito socialista de inspiração rousseauniana que supostamente levaria o país a patamares nunca vistos de desenvolvimento e bem-estar social, levou o governo a criar uma oferta de ensino público completamente divorciada da procura e das necessidades do mercado de trabalho, que tem sido regiamente sustentada pelo orçamento de estado. Teve ainda outra nefasta consequência: a quase extinção do muito frágil ensino superior privado, de resto, intencionalmente anunciada pelos seus ministros do sector, Marçal Grilo e Oliveira Martins, que poderia bem ter sido uma alternativa e um complemento ao ensino público, poupando assim muitos milhões de euros ao contribuinte português.
Como se sai, agora, deste pântano de doutores analfabetos e de universidades públicas inúteis e cheias de cursos desnecessários, ao qual acresce um ensino privado genericamente desacreditado e falido (e sem o orçamento de estado para o sustentar...), é que o Professor Rosas não responde. Esperemos que o faça num próximo artigo.
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14:37
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na Lua
Fitch said Portugal's austerity plan, while "credible", does not go far enough to control surging debt.
Via Telegraph
Risco da dívida portuguesa tem hoje a maior subida do mundo após corte da Fitch.
Via DN
O ministro das Finanças considerou hoje que a decisão da Fitch de cortar do "rating" da dívida pública era "esperada", tratando-se de uma correcção para os níveis das restantes agências, não se estando a fazer sentir no imediato.
Via JN
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Joaquim
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07:31
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todos vão pagar
O presidente do grupo Sonae, Belmiro de Azevedo, disse hoje que é cada vez mais evidente que o país está desgovernado, considerando que todos vão pagar a conta da descida do 'rating' de Portugal.
...
A principal consequência da descida do 'rating' é o previsível aumento dos custos de financiamento do país no exterior, que depois se vão repercutir nos custos dos empréstimos externos que os bancos contraem e, finalmente, na despesa das famílias quando contraem empréstimos bancários.
Via DN
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Joaquim
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06:52
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24 Março 2010
PEC amargo
NEW YORK (AP) -- Stocks are falling in early trading on renewed concerns about European debt problems after a major ratings agency slashed its view on Portugal.
A report showing continued growth in the manufacturing sector is having little effect on trading Wednesday. Investors are also awaiting a report on sales of new homes.
European markets are mostly lower as Fitch Ratings says Portugal's recovery will be slower than other countries that use the euro. Debt problems in Europe have been one of the few drags on stocks in recent months.
The Dow Jones industrial average is down 23.28, or 0.2 percent, at 10,865.55. The Standard & Poor's 500 index is down 3.11, or 0.3 percent, at 1,171.06, while the Nasdaq composite index is down 8.23, or 0.3 percent, at 2,407.01.
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Joaquim
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13:54
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23 Março 2010
uma asneira (II)
O problema que agora se vive no seio da Europa é um problema, essencialmente, económico. Entre os anos 2000 e 2007, os custos unitários do trabalho na Alemanha mantiveram-se estagnados – na verdade, até diminuíram residualmente no acumulado do período. Pelo contrário, no mesmo período, os custos unitários do trabalho nos restantes países da zona euro aumentaram cerca de 11%. A fonte é a OCDE. E no caso dos países, agora, mais afectados pela crise orçamental – Portugal, Grécia, Irlanda e Espanha – em todos, sem excepção, esses mesmos custos unitários do trabalho aumentaram mais do que na média da zona euro. A situação mais flagrante foi a Irlanda que, no espaço de oito anos, em face do aumento dos custos laborais, viu a sua competitividade reduzida em mais de 25%. No que diz respeito a Portugal, essa perda de competitividade foi de 17%. Ou seja, comparando com a Alemanha, muitos países que em 2000, provavelmente, já não eram competitivos contra os alemães agravaram ainda mais os seus termos de troca desde então.
A principal consequência desta quebra de competitividade entre países que partilham a mesma moeda, e entre os quais cada país conduz uma parte significativa do seu comércio externo – em Portugal, por exemplo, mais de 50% das nossas importações e exportações são conduzidas dentro da zona euro –, foi a ascensão meteórica da Alemanha enquanto principal potentado económico da Europa. Já o era e ficou a sê-lo ainda muito mais. A prova desse domínio avassalador é a diferença entre o saldo da balança comercial alemã, cerca de 140 mil milhões de euros – de acordo com a última edição da “Economist” – e o saldo apresentado pelo país que segue em segundo lugar nesta classificação, a Holanda, cerca de 35 mil milhões. É claro que a diferença entre Alemanha e Holanda, se colocada em perspectiva, ou seja, face ao respectivo PIB, se atenua, mas mesmo assim, a Alemanha mantém a liderança. Pelo contrário, Portugal regista um défice comercial próximo dos 10% do PIB, na Grécia há um défice de 18% (talvez mais, porque, entretanto, se soube que as contas foram aldrabadas) e na Irlanda só não há défice comercial porque lá estão muitas delegações europeias de multinacionais norte-americanas.
Em suma, se vingar uma atitude paternalista, a Europa avançará no sentido de maior integração política e os riscos de incumprimento em países como Portugal e Grécia serão, na prática, eliminados. Se, pelo contrário, a integração política não se concretizar e não passarmos do que já foi feito, então, estas crises, como a de agora, serão cíclicas. Lendo a imprensa internacional, é curioso observar quão extremadas estão algumas posições editoriais. A revista “Economist” está muito céptica quanto à possibilidade de uma maior coesão política. Pelo contrário, a revista “Newsweek” está muito convencida de que se trata do cenário mais provável. Nesta discussão, eu estou mais do lado da “Newsweek” pela simples razão de que a Alemanha, se conseguir disciplinar os ímpetos despesistas dos países que tomar sob sua custódia, tem muito mais a ganhar do que a perder. Dada a sua posição dominante no comércio intra europeu, e tendo perdido a liderança mundial para a China, a Alemanha precisa de um mercado europeu integrado e aberto para cimentar a sua liderança enquanto potência económica e, a prazo, também, enquanto potência política. Aliás, bem vistas as coisas, os alemães, através do euro, estão a conseguir atingir aquilo que, no passado, não atingiram pela via militar. E, portanto, do seu ponto de vista, não será inteligente mudar de estratégia. Podem até perder uma batalha, mas estão a ganhar a guerra."
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Ricardo Arroja
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15:00
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consequências trágicas
Adalberto Campos Fernandes contextualizou o momento presente do ponto de vista social, político e económico, lembrando que vivemos um período de «condicionalismo extremo em termos orçamentais». E «quando existem condicionalismos orçamentais e não se fizeram os trabalhos de casa nos tempos que os precederam, naturalmente que o risco das medidas avulsas e das medidas intempestivas cegas podem facilmente repercutir-se sobre as organizações».
Notando que em algumas áreas da Saúde os profissionais abundam e o desemprego prolifera, mas, noutras, as carências são evidentes, o orador apontou esta como outra possível causa de descontentamento. E aproveitou a ocasião para criticar fortemente a abertura de novos cursos de Medicina, que considera «um erro de consequências que podem ser trágicas para a qualidade do ensino médico». Na sua opinião, a falta de médicos em Portugal é um «mito», admitindo apenas a carência de clínicos «sectorialmente nalgumas especialidades e nalguns domínios de actividade». E ao invés de se «atomizar o ensino médico», entende que se devia estar «numa fase de concentração universitária para termos faculdades de Medicina de dimensão internacional com potência de meios e recursos financeiros».
Via Saúde SA
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Joaquim
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08:03
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22 Março 2010
A A Ah
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Joaquim
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06:54
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21 Março 2010
Estado Providência
O Estado Providência só pode ser construído de baixo para cima (bottom-up).
O contrário, que foi o que se passou em Portugal, apenas conduz à exploração dos mais fracos pelos menos escrupulosos.
PS: Conceito a desenvolver nos próximos posts.
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Joaquim
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16:15
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inépcia
O âmbito da política são as coligações de interesses, ajudar os amigos e prejudicar os “inimigos”. A procura da verdade e a ética não fazem parte desse domínio.
A única garantia que os cidadãos têm de que o poder não é abastardado é elegerem líderes que sejam cidadãos exemplares, os melhores dos melhores. Quando assim não acontece, o espectáculo político torna-se degradante e o país sofre as consequências.
Estamos a passar por um desses momentos. José Sócrates recusa-se a comparecer na comissão de inquérito parlamentar ao negócio da TVI e acusa os seus adversários de participarem numa coligação negativa para o destruírem. Sócrates tem razão, o PSD e o BE não estarão preocupados com o Bem e a Verdade. Pretendem apenas tirar dividendos políticos da situação, para o que, convenhamos, têm total legitimidade.
O dever da verdade e a questão dos princípios diz respeito ao cidadão Sócrates e a quem o elegeu. Infelizmente o cidadão Sócrates deixou acumular dúvidas sobre o seu carácter e ao fazê-lo deu o flanco a ataques políticos.
Um líder com a experiência do primeiro-ministro devia saber prever este desfecho que obviamente não dignifica o alto cargo que ocupa, mas que é da sua única e exclusiva responsabilidade.
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Joaquim
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09:20
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Portugal no balde
Em Portugal, o número de abortos continua a aumentar, tendo atingido 19.572 em 2009. Mais 1.000 do que em 2008.
Este aumento aconteceu em todos os países em que o aborto foi legalizado. Não vale a pena falar da crise, nem do facto da legalização ser ainda recente. Os números falam por si.
Simultaneamente, a taxa de natalidade desceu para 10,5 por mil habitantes, menos de metade do que seria necessário para manter a população actual.
Não é evidente que estamos a trilhar um caminho sem regresso?
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Joaquim
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08:36
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20 Março 2010
sexo axilar ou axial?
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Joaquim
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10:01
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massa
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Joaquim
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08:27
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justiça socialista
Será justo que os desempregados paguem aos almeidas?
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Joaquim
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08:08
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desemprego e reforma
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Joaquim
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08:00
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19 Março 2010
The Economist supports Obamacare
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Joaquim
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18:09
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as leis são como as salsichas
As leis são como as salsichas, é preferível não assistirmos ao seu fabrico.
Otto Von Bismark (o mestre da Realpolitik)
O PEC expôs com dureza os mecanismos internos da política. O poder serve sempre coligações de interesses, ajuda os amigos e prejudica os inimigos. Ler Mais...
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Joaquim
em
06:47
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PECado
Portugal é um dos países com os salários mais baixos da UE-15. Por esse motivo, os subsídios de desemprego não podem ser muito inferiores aos salários, que já são de sobrevivência. Os argumentos do PS, nesta matéria, são moralmente degradantes.
Não é possível avaliar da justiça destas medidas sem atender a alguns factos. Portugal é um dos países da OCDE onde a diferença entre o subsídio de desemprego e a remuneração líquida anteriormente auferida pelo trabalhador é menor. Num contexto de desemprego elevado, como o actual, não repensar o regime de subsídio de desemprego implica pôr em causa a própria sustentabilidade financeira desta prestação social, pelo que a proposta do PS é do mais elementar bom senso. Podemos, é certo, discutir como pomos estes princípios em prática, podemos também discutir como distribuimos os sacrifícios; enfim, podemos discutir muita coisa - só não podemos é negar que algo semelhante a isto é necessário.
Via Jugular
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Joaquim
em
06:33
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18 Março 2010
sim ou sopas?
March 15 (Bloomberg) -- European Commission President Jose Barroso said the Portuguese government’s Stability and Growth Program is “a credible document.”
...
EUOBSERVER / BRUSSELS - The European Commission has said member state growth assumptions in budgetary plans submitted to Brussels are overly optimistic, suggesting upcoming national deficits could be worse than governments predict".
Publicada por
Joaquim
em
16:43
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17 Março 2010
controlo de despesas na saúde
Sabe quanto é que o PS vai cortar no SNS?
Descubra aqui
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Joaquim
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22:12
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não à discriminação sexual
"Eu imponho o limite" é o nome campanha lançada pelas enfermeiras holandesas, cansadas dos pedidos de favores sexuais por parte dos pacientes.
Liderado pela União das Enfermeiras Holandesas, o movimento já tem um site, onde as profissionais podem denunciar doentes mais atrevidos. A campanha teve início depois de uma enfermeira, de 24 anos, ter sido assediada por um paciente de 42. A jovem decidiu apresentar queixa contra o doente, que alegadamente terá conseguido favores sexuais de outras enfermeiras.
Via ionline
PS: É profundamente injusto que os doentes não assediem também as auxiliares de acção médica. Não devemos tolerar a discriminação sexual.
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Joaquim
em
18:24
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socialismo
Fracos com os fortes e fortes com os fracos.
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Publicada por
Joaquim
em
12:36
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16 Março 2010
25 anos
Em trinta e seis anos de existência, o PSD só por duas vezes esteve unido sem contestar o chefe: com Francisco Sá Carneiro após a vitória da AD e com Cavaco Silva depois da sua primeira maioria absoluta. Fora esses dois momentos, o primeiro que durou pouco mais de um ano e o segundo que atingiu a olímpica meta de oito, o PSD esteve sempre envolvido em trapalhadas, conspirações contra o chefe e contestações para todos os gostos e paladares. São, pelo menos, vinte e cinco anos de gloriosas trapalhadas que não terminarão certamente com a eleição próxima de Passos Coelho ou de Paulo Rangel (Castanheira Barros está excluído à partida), tão-pouco com a norma de cortiça que Santana Lopes, num momento de regressão política, fez aprovar no extraordinário Congresso Extraordinário do fim de semana passado. O que seria, portanto, natural é que o PSD se desmembrasse em tantos partidos quantos os grupúsculos que o compõem. Era já muito boa altura de isso acontecer. Mas, na falta dessa higiénica medida, o que tem sucedido de há quinze anos para cá é a migração dos votos para o PS e para o CDS. À esquerda, mesmo com todos os escândalos e fracassos da governação socialista, a tendência não parece esmorecer, e à direita, com Portas, a coisa só poderá agravar-se. De todo em todo, o que sobrará do partido quando as suas “elites” perceberem que o próximo líder não está fatalmente ungido para ser primeiro-ministro de Portugal é uma incógnita. Veremos quem ficará então para lamber as feridas.
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rui a.
em
10:03
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not talking about a revolution
Nestas condições, os Estados nacionais puderam intervir aumentando as suas despesas e substituindo em parte a deficiência da procura privada. Foi esta a mensagem de Keynes e foi esta a política do New DEal de Roosevelt. A situação agora é diferente. Os Estados não estão em condições de ajudar como então. Eles próprios estão muito endividados e com as contas desequilibradas. A sua capacidade de actuação é muito mais limitada.
Por isso, se uma nova vaga da crise financeira se produz, e isso pode acontecer ainda este ano, pode ser o descalabro. Ainda que sem este cenário, a agência de rating Moody's tem o sobrolho carregado, mesmo em relação aos países considerados de menos risco.
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Pedro Arroja
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08:05
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15 Março 2010
Cortar a eito
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Ricardo Arroja
em
15:02
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o grande cisma
Há um grande cisma, em Portugal, entre a intelligentsia e a populaça no que diz respeito à liberdade de expressão. A intelligentsia considera-a um direito sagrado, mas a populaça, pelo contrário, até rejubilava se alguns canários levassem umas chibatadas na praça pública. Gostaria de submeter quatro argumentos em abono desta tese:
- A “norma da rolha”, uma iniciativa populista que recolheu imediatamente o apoio de 2/3 dos delegados do PSD.
- A alegada tentativa de José Sócrates de assalto a alguns órgãos de comunicação social. A populaça acredita que ele mente, mas não o penaliza nas sondagens.
- Trinta anos de alegada “asfixia democrática” na Madeira, tantas vezes legitimada nas urnas.
- A saudade que a populaça nutre por Salazar e pela governação por “comando e controlo”, por oposição às contingências da democracia.
A ascensão de líderes populistas, como Santana e Sócrates, teria de evidenciar este cisma. São líderes que comunicam o sentimento popular. Ler Mais...
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Joaquim
em
13:59
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Ócio?
Publicada por
Ricardo Arroja
em
08:56
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estamos em marcha atrás
Belmiro disse que "há um consenso entre os agentes económicos de que o Governo é o mais ineficiente". E sobre as medidas previstas no PEC não teve dúvidas em afirmar que "estão a subtrair fundos ao sector privado, continuando o regabofe. Estamos a andar em marcha atrás, sem esquecermos que, em termos de capital humano, quem está nos lugares são os inimputáveis e os burocratas".
Ao nível fiscal, o patrão da Sonae aponta o dedo ao incumprimento por parte do Estado: "O Governo não é um sujeito de bem, foge às responsabilidades e acaba por incentivar os privados também a serem incumpridores".
Já sobre a questão das contas públicas o empresário evocou a Grécia para logo de seguida acrescentar sobre Portugal: "Com um governo irresponsável tudo pode acontecer, não podemos ter amadores a gerir o país".
Via DE
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Joaquim
em
07:13
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esfolamento fiscal
Paulo Portas não quis dizer de forma implícita como irá votar o Programa de Estabilidade e Crescimento, mas garantiu que se o Governo mantiver os actuais cortes nas deduções fiscais "merecerá o voto contra do CDS".
Em conferência de imprensa no Parlamento, o presidente do CDS/PP criticou o PEC por “cortar a eito nos benefícios fiscais”, naquilo que resumiu ser um “plano de esfolamento do contribuinte”.
“Este ataque fiscal é inaceitável face aos nossos compromissos eleitorais”, explicitou o líder do CDS/PP, denunciando um aumento da carga fiscal para a classe média e em matérias “essenciais” como a Saúde e a Educação.
Via JN
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Joaquim
em
07:05
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santana lopes
Errar todos erramos e quem não tenha errado em política que se atreva a atirar a primeira pedra. Contudo, quem não aprende com os erros que comete só pode queixar-se de si próprio. Ora, se até hoje era legítimo olhar para Santana Lopes como alguém que cometera uma ingenuidade a meio de um percurso político brilhante, a partir de hoje há que reconhecer que Santana não é mais do que uma vítima de si mesmo.
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rui a.
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00:30
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14 Março 2010
diferente
"Dir-se-à que o socialismo (...) tende para as verdade que a tradição cristã sempre solenemente ensinou, e delas em certa maneira se aproxima. É inegável que as suas reivindicações concordam às vezes muitíssimo com as reivindicações dos católicos que trabalham na reforma social" (QA: 113).
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Pedro Arroja
em
23:41
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o grande vencedor do congresso do psd
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rui a.
em
22:14
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rolha
Formalmente, a “norma da rolha” do PSD não tem nada em comum com a alegada tentativa do PS de controlar os órgãos de comunicação social, mas, no fundo, o que se pretende é o mesmo: calar vozes incómodas.
Quando uma comissão de inquérito se propõe avaliar o comportamento de Sócrates nesta matéria, a norma da rolha só pode retirar autoridade moral ao PSD e reforçar a posição do PS.
Confirma-se, o PSD é o pior inimigo de si próprio.
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Joaquim
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21:21
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ao ataque
Não é possível a duas culturas viverem em conjunto. Uma acabará por dominar a outra. Não demorará que a Grécia já só possa fazer aquilo que a Alemanha deixar, e não tarda que o mesmo suceda aos outros países católicos em dificuldades. A Zona Euro foi uma enorme ratoeira em que os PIIGS se deixaram caír. É nesta situação de fragilidade económica e financeira que o protestantismo retomou a sua ofensiva velha de cinco séculos sobre a Igreja Católica, começando, naturalmente, pelo país mais vunerável, porque é aquele que está cercado de protestantismo - a Irlanda.
A pressão que está a a ser exercida sobre o Cardeal Sean Brady, chefe da Igreja Católica da Irlanda, para que se demita ilustra na perfeição o exagero a que se chegou. Em 1975, quando ainda era um mero padre Brady de 36 anos (hoje, tem 71), e portanto estava no escalão mais baixo da hierarquia, ele foi chamado para secretariar uma reunião onde o seu superior hierárquico - o bispo - procurou resolver uma questão de pedofilia envolvendo um outro padre.
A acusação que agora impende sobre o Cardeal Brady, 35 anos depois, e que leva à exigência da sua demissão, é a de que ele teve conhecimento do crime de pedofilia e não o denunciou. Esta acusação só pode provir da cultura protestante, e revela total incompreensão, ou má-fé, do que é a Igreja Católica.
Não me parece sequer relevante que o padre Brady tenha estado nessa reunião por ordem do seu superior hierárquico - o bispo. Mais importante é a incompreensão revelada pela disciplina a que está sujeito um padre católico. Um padre católico não pode andar a denunciar crimes de que tem conhecimento. Ele tem conhecimento todos os dias de crimes no confessionário - uns que são meros pecados veniais, outros que são mortais. Tem de os guardar para si e partilhá-los com Deus. Não lhe compete andar a denunciá-los à polícia. A Igreja não é nenhuma bófia.
Aquilo que, em última instância, se pretende com a demissão do Cardeal Brady é violar o segredo do confessionário, sob pena de, no futuro, um padre ser ele próprio implicado criminalmente quando tenha conhecimento de um crime, e não o denuncie. Acabar com o segredo do confessionário, escusado será dizer, é pouco menos do que acabar com o clero e com a própria Igreja.
A forma como a Igreja tem lidado com os casos de pedofilia é a forma própria de lidar com eles, sejam os seus autores padres ou leigos. Trata-se de lidar com os casos no máximo sigilo, nunca os denunciado em público, procurando resolver os problemas dentro da instituição, chamando os responsáveis à razão, disciplinando-os no caso de estarem sob a sua hierarquia, e procurando reparar os danos sobre as vítimas.
A Igreja procura fazer da humanidade uma família. E um pai de família, ou uma mãe, que tenha conhecimento de um caso de pedofilia por parte de um filho, não começa por denunciar o filho à polícia.
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Pedro Arroja
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20:11
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Parece um milagre
Desde a Reforma inventaram-se mil razões para roubar a Igreja. O objectivo, para quem a roubava, era apoderar-se dos seus bens e impedir a sua expansão, se possível arruinando-a. Num momento em que a Igreja Católica conhece uma nova fase de afirmação (v.g., os católicos decidem as eleições americanas; os anglicanos no Reino Unido convertem-se, em parte, ao catolicismo), que começara já com o Papa João Paulo II, e que se intensifica sob a liderança de Bento XVI, descobriu-se uma nova razão para esvaziar os cofres da Igreja.
A nova razão teve origem, como não podia deixar de ser, nos países de grande influência protestante ou rodeados dessa influência, como a Irlanda. Descobriu-se que havia padres pedófilos e os processos contra as dioceses católicas chovem aos milhares, arruinando muitas delas, sobretudo nos EUA, tanto mais que as indemnizações aos alegados ofendidos, que poderiam ser pagas em preces a Deus, são invariavelmente estabelecidas em dinheiro. Para quem, como os protestantes, fez a Reforma por causa das indulgências, a ideia de que os pecados não podiam ser trocados por dinheiro, o mínimo que se pode dizer acerca destas indemnizações pecuniárias aos ofendidos, é a de que não são muito originais.
Já desde há algumas semanas que se tinha dado um passo significativo, lançando suspeitas sobre o envolvimento do irmão do Papa, que também é padre. Hoje o The Times de Londres, esse baluarte de isenção informativa anti-católica, deu o passo decisivo. Envolveu o Papa. (Ver também aqui)
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Pedro Arroja
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00:15
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13 Março 2010
votos católicos
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Pedro Arroja
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20:35
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ao socialismo
A resposta é que cada país concreto contém elementos destas três correntes de pensamento em graus diversos, cada uma puxando a sociedade na sua direcção e, consoante a sua força relativa, imprimindo a cada país concreto um carácter mais socialista, ou mais liberal ou mais católico. Voltarei a este tema, mas o meu propósito agora é salientar outro ponto.
Quer o liberalismo quer o socialismo emanam ambos do pensamento ou cultura protestante, e essa é a marca de origem comum que os opõe ao catolicismo, e que em última instância se traduz na sua oposição radical à autoridade pessoalizada (Papa). O liberalismo é mais antigo que o socialismo, o primeiro sendo uma manifestação do protestantismo britânico (Locke, Hume, Adam Smith, etc.), o segundo uma manifestação do protestantismo germânico (Marx, Hegel, etc.).
Entre os dois, o maior adversário do catolicismo, e aquele com o qual o catolicismo tem maior dificuldade em se reconciliar, é o liberalismo. A razão é que a doutrina social da Igreja assenta na ideia central de comunidade, que é uma ideia rejeitada pelo liberalismo para fundar uma sociedade. Na realidade, o liberalismo funda-a no seu oposto - o indivíduo. Não há reconciliação possível. A única comunidade importante para o liberalismo é o mundo - e é porque não há outra maior -, e daí o seu internacionalismo expresso modernamente na ideia da globalização.
O socialismo, tal como o catolicismo, parte da ideia de comunidade para estruturar a sociedade, só que a comunidade-chave do socialismo é a nação, enquanto a do catolicismo é a família. O socialismo parte da nação para forma comunitárias internacionais e até mundiais, e é nisso que se traduz o internacionalismo socialista. O catolicismo partilha com ele este caminho - também é internacionalista, na realidade ambiciona ser universal - mas antes de chegar à nação, põe a família e todas as comunidades intermédias como comunidades prioritárias. Não há dúvida que este ênfase comum na ideia de comunidade coloca o socialismo mais próximo do catolicismo do que o liberalismo.
O ponto a que pretendo chegar é o seguinte, voltando aos três paradigmas. Um país católico que se abra espontâneamente a essas correntes protestantes do pensamento social que são o liberalismo e o socialismo, caminha mais facilmente em direcção ao socialismo ou em direcção ao liberalismo? A resposta é, agora, óbvia - ao socialismo.
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Pedro Arroja
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19:07
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Modelos sociais (xiii)
Visto de avião é assim. Mas se você descer lá abaixo...
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Pedro Arroja
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13:43
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Bullying
Primeiro, é claro, é necessário definir precisamente aquilo de que estamos a falar. O bullying é aquele fenómeno em que um matulão (ou grupo de matulões), aproveitando-se do seu poder físico (ou de grupo) maltrata e abusa outras pessoas. Ocorre frequentemente na Escola, entre adolescentes, mas pode ocorrer em qualquer outro local (emprego, etc.). É uma forma de abuso do poder (físico ou de grupo).
Passo agora à descrição.
No país socialista, a principal instituição educativa é o Estado. Se existem na sociedade comportamentos inaceitáveis por parte dos cidadãos, a responsabilidade pertence ao Estado democrático e, em última instância, a quem ele representa - a sociedade. Compete, portanto, à sociedade, através do Estado, corrigir esses comportamentos. A solução para o problema do bullying consiste, portanto, em melhorar o sistema de educação, em última instância, inscrevendo nos programas de ensino a disciplina de Bullying onde são tratadas as diferentes matérias relativas aoo fenómeno, e os jovens desencorajados de o praticar.
O país liberal acredita na responsabilidade individual e, portanto, atribui a responsabilidade do bullying não à sociedade, mas directamente aos seus autores. Mas o país liberal também acredita nas soluções sociais espontâneas, aquelas que resultam do livre entendimento entre as pessoas, e desconfia fortemente da autoridade, a qual - na sua versão extrema do anarquismo - deveria mesmo desaparecer. Portanto, no país liberal, é preciso falar com os bulls, tentar persuadi-los por argumento racional e, em última instância, à maneira do homem de negócios, striking a deal with them (v.g., se vocês não maltratarem ninguém, no final do ano oferecemo-vos um prémio monetário por bom comportamento).
O país católico lida com os abusos de poder, em última instância, pela violência (Cat: 2242, transcrito aqui). Os bulls normalmente não se fazem na escola. Começam a fazer-se na família, com o irmão mais velho a bater no irmão mais novo, o jovem adolescente encorpado a fazer troça das ordens que a mãe lhe dá, ou a maltratar a empregada doméstica. E como é que se lida com esta situação na família? Colocando à frente do bull um bull ainda maior - o pai. Se o bull persistir nos seus comportamentos, apanha dois borrachos do pai e o assunto está resolvido. Na escola, a solução não é diferente. É colocar em frente aos bulls um grupo de contra-bulls ainda maior que lhes barrem o caminho. E se eles insistirem, que lhes preguem uma coça.
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Pedro Arroja
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12:34
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12 Março 2010
ucdização
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rui a.
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22:03
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desequilíbrios-2
Origem do PIB (Portugal, %):
Agricultura: 3%
Indústria: 25%
Serviços: 72%
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Pedro Arroja
em
16:47
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Dívidas astronómicas
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Ricardo Arroja
em
16:45
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pena capital
Políticas socialistas restabelecem (de facto) a pena de morte. Execuções seguem-se a julgamentos populares e decorrem na praça pública, a pontapé.
Ler aqui e aqui.
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Joaquim
em
13:53
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Relações sexuais (xii)
O país liberal está baseado na prossecução do interesse-próprio. Este país valoriza a diferença, porque só na diferença existem oportunidades de negócio. Por isso, este país não valoriza a homossexualidade. O modelo sexual prevalecente é o modelo heterossexual, mas as relações sexuais entre um homem e uma mulher assemelham-se a relações de negócios. A própria relação pessoal que conduz à sexualidade tem frequentemente origem no mundo profissional, entre dois colegas de trabalho ou parceiros de negócios. As relações sexuais são rápidas, superficiais, indo directo ao assunto, e terminam logo que uma das partes perca o interesse, deixando a mulher frequentemente em situação de desvantagem. Existe falta de intimidade nas relações sexuais, tal como nas relações pessoais. As relações sexuais são mecânicas e falhas de intensidade, quase por dever de ofício. A figura do giggolo é talvez aquela que melhor representa o role model da sexualidade masculina no país liberal.
O país católico assenta no amor ao próximo e isso, desde logo, deixa antever a intensidade da sua vida sexual. Este é o país onde cada homem e cada mulher ambiciona dar amor ao outro, como um acto de caridade. A ideia é tornar o outro feliz, mais do que a si próprio. Neste país de sexualidade reprimida, as relações sexuais entre um homem e uma mulher são precedidas de longos períodos de namoro feito de jogos de sedução, de olhares e insinuações, de bilhetes trocados e beijos escondidos. os preliminares da relação sexual são tão importantes como a sua concretização. Quando, finalmente, eles se encontram a sós, as tensões, os desejos, os sentimentos tanto tempo reprimidos, tornam a relação sexual de uma intensidade indescritível. O role model da sexualidade masculina no país de tradição católica é o padre. É no padre que estão reunidos os extremos que, combinados num adequado equilíbrio, maximizam a intensidade da relação sexual. Por um lado, o padre é o profissional do amor ao próximo; por outro, a sua sexualidade é absolutamente reprimida. Não há homem que saiba amar como um padre, porque ele é o profissional do amor. E não há homem também mais carente, mais ardente e mais desejoso de amor físico do que ele. Uma mulher que consiga levar um padre ao pecado, vai ser recompensada. Ele levá-la-à ao céu.
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Pedro Arroja
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12:26
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560,00 €
Cerca de 560,00€ por cabeça. Ler Mais...
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Joaquim
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05:57
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11 Março 2010
Relações pessoais (xi)
No país liberal é o interesse que domina as relações entre as pessoas. As pessoas têm necessidade umas das outras por interesse-próprio, para obterem um emprego ou venderem um produto. As relações pessoais tendem a assemelhar-se a relações de negócio, rápidas, superficiais e contratuais, durando apenas enquanto durar o interesse das partes, e não envolvendo nunca intimidade. Mesmo as relações de família tendem a ser contratualizadas, e a família tende a desfazer-se logo que cesse o interesse de, pelo menos, uma das partes. Os divórcios são frequentes.
No país católico, as relações de família e de negócios tendem a interpenetrar-se. A comunidade é pequena e todos se conhecem. Todos precisam uns dos outros e todos valorizam cada um no desempenho das suas respectivas funções (padeiro, informático, advogado, etc.). A característica principal das relações pessoais é a amizade - uma forma do amor cristão ao próximo. O elevado sentido comunitário encoraja o espírito associativo e de família. O casamento é encorajado e os divórcios são raros.
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Pedro Arroja
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20:30
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Reforma e velhice (x)
No país socialista existe um sistema nacional de pensões de reforma, para o qual todos são obrigados a contribuir durante a sua vida activa, e do qual receberão a sua pensão de reforma. As contribuições são obrigatórias e as condições em que cada pessoa se pode reformar são fixadas pelo Estado - idade da reforma, montante da pensão, etc. Os idosos que perderam a autonomia e que não diponham de outras soluções, terão à sua disposição uma rede de lares para idosos gerida pelo Estado, onde acabarão os seus dias.
No país liberal cada um é suposto prover para a sua própria reforma através de poupanças realizadas durante a sua vida activa e aplicadas em produtos financeiros disponíveis no mercado (depósitos bancários, acções, fundos privados de pensões, rendas de imóveis). A velhice é um risco maior no país liberal porque, na ausência de poupanças adequadas, um homem fica â mercê de instituições privadas de solidariedade que disponibilizam hospícios para os desalojados, em condições de impessoalidade não muito diferentes dos lares de idosos do caso anterior.
No país católico, a reforma é, em parte, assegurada pelo próprio, através de poupanças durante a sua vida activa e, em parte, por arranjos comunitários espontâneos (família, caixas de pensões, associações de assistência mútua, etc.), ou institucionais (v.g., Igreja, Junta de Freguesia). Os idosos vivem os seus últimos anos no seio da família e da comunidade com funções activas numa (v.g., cuidar dos netos, funções domésticas) e noutra (v.g., assistência aos pobres e doentes) e, em casos de incapacidade, em instituições comunitárias próximas da sua família e dos seus amigos. A pessoalidade no tratamento dos velhos é uma característica do país de inspiração católica que resulta do seu sentido comunitário.
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Pedro Arroja
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19:42
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desequilíbrios
Número de Divórcios por 100 casamentos:
1990: 12.9
2008: 60.4 (+368%)
(Fonte: Público, 5 de Março de 2010)
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Pedro Arroja
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17:13
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Criatividade (ix)
Não é fácil ser criativo num país socialista. A economia é dominada pelo Estado e por grandes empresas públicas. Este é o reino da burocracia, todas as tarefas, todos os produtos, todos os procedimentos estão estandardizados e obedecem a prescrições rígidas. O Estado e as empresas públicas sobrevivem mesmo sem inovar, porque não estão sujeitos à disciplina das perdas. Os empregados comportam-se como funcionários públicos, fazem aquilo que lhes mandam fazer. Ninguém deseja ver perturbada a paz, a segurança, o rame-rame que se vive num departamento do Estado ou numa empresa pública. O homem inovador tem mais probabilidades de ser visto aqui como um perturbador da orrem estabelecida, do que como um herói, e acabar despedido.
No país liberal existe uma grande pressão à inovação. A inovação cria novos produtos, melhora os produtos existentes, inventa novas tecnologias e processos de produção mais baratos, e que dão mais lucros à empresa. Porém, tudo isto se processa dentro de uma grande empresa, às vezes muito grande. O homem inovador tem acima de si vários escalões da hierarquia, que não são necessariamente receptivos às suas ideias visionárias; e, ao seu lado, tem dezenas de colegas que competem com ele para a próxima promoção, e que não serão propriamente adeptos de o ver subir a ele. Finalmente, se o inovador conseguir vingar dentro da organização, e a inovação tiver sucesso comercial, os lucros são da empresa, não do inovador.
Total liberdade criativa possui o empresário do país católico, porque na sua empresa familiar ele é que é o patrão. Não apenas liberdade, mas também o interesse, porque no caso da inovação ter sucesso é ele que beneficia por inteiro. É certo que os recursos da empresa familiar, como o dinheiro, o tempo, etc., ao dispôr do empresário familiar não são grandes. Porém, não é o dinheiro, nem o tempo nem qualquer outro recurso que pode inovar. Só existe um recurso que pode inovar, que é a cabeça do ser humano, e essa o empresário familiar trá-la sempre consigo. A economia de país católico é propensa à criatividade e a uma criatividade realista, que é aquela que visa satisfazer melhor, ou mais barato, as necessidades de pessoas que ele próprio conhece - os seus vizinhos.
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Pedro Arroja
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16:15
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Flexibilidade (viii)
O catolicismo responde às necessidades da população local (procura), geralmente através da pequena empresa familiar (oferta). Quando as necessidades da população local se alteram, o empresário, que vive no meio dela, pode conhecer e acompanhar essa alteração desde o primeiro sinal, e gradualmente ajustar-se a ela. Esta é a economia em que a oferta mais perto está da procura - na realidade, convive com ela - e onde mais intimamente a conhece. Ao mesmo tempo, a empresa familiar, sendo pequena, possui uma capacidade de ajustamento que não está presente nem no Estado nem na grande empresa privada. O desemprego ou a obsolescência dos recursos nesta comunidade é muito pouco provável.
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Pedro Arroja
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15:20
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O trabalhador (vii)
No país socialista, a vida do trabalhador está dependente do Estado. Desde que exista uma necessidade, e ela possua uma escala suficientemente nacional, compete ao Estado organizar a produção para a satisfazer. A natureza da produção, a sua localização e as condições em que será efectuada (tecnologia, salários, horários, empresa pública ou privada, etc.) serão determinadas pelo Estado. O trabalhador segue as decisões do Estado, as quais determinarão onde vai viver, o que vai fazer e em que condições exerce o seu trabalho. Neste país os trabalhadores devem estar preparados para emigrar dentro das fronteiras nacionais à procura de emprego.
No país liberal, a vida do trabalhador está dependente do mercado. Neste país, a produção é feita para o mercado mundial. É o mercado internacional que selecciona quais os bens a produzir, os locais (vilas, cidades, países) onde eles se vão produzir, e as condições em que serão produzidos. O local onde o trabalhador vai viver, o tipo de emprego que vai obter, e as condições em que o vai desempenhar são determinadas pelo mercado. O liberalismo impõe a máxima mobilidade aos trabalhadores, a qual pode ir até à emigração para o estrangeiro.
No país católico, a vida do trabalhador está dependente da comunidade local. A produção é organizada para satisfazer as necessidades da comunidade local. Aquilo que se produz é determinado pelo mercado local, eventualmente corrigido pela intervenção subsidiária da autoridade política local. Cada trabalhador é livre de organizar a produção como lhe aprouver, normalmente sob a forma de uma empresa familiar. Este país não favorece a emigração nem para outras localidades do país, menos ainda para o estrangeiro. Este é um país propenso a que um trabalhador se torne empresário.
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Pedro Arroja
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14:39
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