
O veredicto:
Kant: "A verdade e o erro ... só podem ser encontrados no julgamento" e isto é assim porque "os sentidos nunca erram, não porque eles sejam sempre capazes de julgar correctamente, mas porque nunca julgam de todo". (Itálico meu)
28 Fevereiro 2009
um juiz às esquerdas
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Pedro Arroja
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23:20
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um filho da mãe dele
Noam Chomsky é um velho patife, travestido de respeitável intelectual pela pior esquerda das últimas décadas. Ele é um bom exemplo dos ditos "intelectuais" ocidentais do século XX, sempre prontos a compreender as ditaduras comunistas e a castigar as democracias liberais, onde, aliás, vivem regaladamente.A entrevista, hoje publicada, que lhe fez a Isto É, prova que a idade não lhe trouxe qualquer respeitabilidade e que Chomsky continua a ser um reles aldrabão e um inqualificável crápula. A entrevista, rica em patifarias, percorre todos os lugares comuns da extrema-esquerda contemporânea: a crítica aos EUA e, por ela, às democracias ocidentais, e a exaltação das conquistas "democráticas" da Bolívia e da Venezuela, com Morales e Chávez. No meio do lixo, vale a pena realçar um sintoma evidente da esclerose avançada que ataca o prestigiado "intelectual". Diz ele: "Nos Estados Unidos, o país mais rico do mundo, a política económica é definida por pessoas que levaram o país à ruína (...)". Bem visto, de facto.
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rui a.
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20:31
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Estava comprado
Então e a tradição protestante, como é que chega à verdade?
A resposta é: por julgamento (que resulta da litigação). Não pretendo elaborar agora sobre este ponto, excepto para remeter o leitor para outra afirmação que fiz no mesmo sentido quando escrevi que, para a tradição protestante, "a verdade está na justiça".
O meu propósito neste post é outro e o seguinte. Na Filosofia moderna, o filósofo mais representativo da tradição católica, aquele que sustentava a tese de que se chega à verdade pela razão, é Descartes, ele próprio um católico fervoroso. No outro extremo, numa antítese radical, David Hume, o empiricista, sustentava que é impossível chegar à verdade pela razão, que só se chega lá pelos sentidos, e que, portanto - ao contrário do que pretendia Descartes - a verdade é uma questão de julgamento e, por isso, subjectiva: "Eu acho (julgo) que isto é verdade..." ou, alternativamente, "Eu acho (julgo) que isto não é verdade...". Não deve parecer surpreendente que Hume seja originário da Escócia, à época, como ainda hoje, um dos países mais profundamente protestantes.
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Depois de Descartes e Hume surgiu Kant. O sentido da obra de Kant é largamente o de arbitrar, ou julgar, entre estas duas teses opostas, a saber: Chega-se à verdade pela razão ou pelo julgamento? (por outras palavras, é a verdade objectiva ou subjectiva?). Kant propõe-se ser o juiz entre o católico Descartes e o protestante David Hume.
Qual foi a sentença?
Não é meu propósito indicá-la agora (fá-lo-ei mais tarde em adenda ao post). Gostaria apenas que o leitor reparasse na composição do tribunal. Como partes litigantes, um católico, de um lado, um protestante do outro. E o árbitro ou juiz? O atributo essencial da justiça é a imparcialidade, pelo que será adequado perguntar se o árbitro deste jogo é imparcial. A resposta é que Kant era um homem de cultura profundamente protestante, a tal ponto que ficou conhecido para a história como o "filósofo do protestantismo".
O que é que acha que vai saír daqui?
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Pedro Arroja
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19:56
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a candeia
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Pedro Arroja
em
15:50
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Portugal-Inglaterra
Por outro lado, o objectivo último de uma teoria é o de explicar o funcionamento de sociedades concretas e prever a sua evolução e reacção perante instituições ou circunstâncias exógenas. Por isso, importará num dado momento responder à questão: Quais são, na prática, as sociedades católicas e quais são, na prática, as sociedades protestantes?
Para começar, elas devem ser procuradas dentro da esfera de influência do cristianismo, com sede na Europa Ocidental. Utilizando a França como país-fronteira, as sociedades predominantemente católicas estão a sul (Portugal, Espanha, Itália) e as sociedades predominantemente protestantes a norte (Inglaterra, Alemanha, Holanda, países nórdicos). E sendo necessário apontar o país mais genuinamente católico, no primeiro caso, e o país mais genuinamente protestante no segundo caso, a escolha deverá recaír sobre Portugal (seguido da Espanha) no lado católico, e na Inglaterra no lado protestante. Portugal, recolhido no seu canto da Península, não sofreu o embate directo das ideias protestantes que vinham através da França; foi a Espanha que resistiu ao embate, e a linha da frente foi a Catalunha, que ainda hoje possui as marcas da influência protestante. Por seu lado, a Inglaterra é o país onde o movimento protestante teve as suas origens mais remotas (John Wycliffe, 1320-84) e que, vivendo afastado do continente, onde o catolicismo teimou em prevalecer, mais conseguiu distanciar-se da influência católica. Portugal e Inglaterra são, por isso, talvez, os países que mais aproximam a sociedade católica e a sociedade protestante, respectivamente, idealizadas na sua forma pura. Todos os outros, como a Alemanha, a Austria, a Suíça, a Holanda etc., misturam elementos das duas culturas, com predomínio de uma delas (católica no caso da Áustria, protestante no caso dos outros países citados).
Questão diferente é a de saber porque é que os países do norte da Europa foram os países activos da Reforma religiosa do século XVI e se tornaram protestantes, enquanto os do sul foram os líderes da Contra-Reforma e permaneceram católicos. Existem razões históricas: Portugal e Espanha, na altura, dividiam o mundo entre si pelo Tratado de Tordesilhas e era a Igreja Católica - a antecessora da ONU - que garantia o direito internacional, convindo portanto aos dois países estarem de bem com a Igreja. A minha convicção é que existem outras razões mais profundas que explicarão a coincidência do catolicismo em países temperados e quentes e do protestantismo em países frios. O Joaquim já sugeriu que podem ser razões de ordem biológica, e eu tendo a suspeitar que ele tem razão, ficando a aguardar a sua contribuição nesta matéria.
A distinção entre países católicos e protestantes também coincide com a distinção entre países latinos e, arrumando os protestantes todos num saco, países anglo-saxónicos. Eu prefiro a primeira distinção à segunda, porque a língua não é a origem de uma cultura, é a sua expressão e, embora retroagindo sobre a cultura, não é ela que talha o espírito do homem e lhe confere as marcas distintivas de uma certa maneira de ser e de fazer - enfim, de uma cultura. Esse trabalho de talhar o espírito do homem foi feito pela religião, como argumentei aqui.
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Pedro Arroja
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11:59
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revolta dos professores
Pelo contrário, num país de tradição protestante, o sinal equivalente é dado pela revolta da classe dos juristas, com os juizes à frente. Os juristas são a elite e, portanto, a classe mais conservadora desta sociedade. Os protestos dos juristas, podendo embora assumir várias manifestações concretas, terão um denominador comum, o de que "não conseguem julgar" .
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Pedro Arroja
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01:20
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27 Fevereiro 2009
somos nós
O que aconteceria nesta sociedade se, por alguma razão - como, por exemplo, a introdução da democracia - o povo decidisse avaliar os professores?. O mínimo que se pode esperar é que os professores decidam travar a batalha da sua vida, porque colocar o povo a avaliar os professores equivale a inverter a ordem natural da sociedade. Nesta sociedade são os professores que avaliam o povo, não o povo que avalia os professores. Não apenas os professores não reconhecem ao povo capacidade para os avaliar, como o povo não é capaz de avaliar ninguém. Não é de mais relembrar que o povo da sociedade católica possui uma incapacidade radical de julgamento.
Numa sociedade de tradição católica, o triunfo de uma política de avaliação dos professores seria um dos mais eloquentes sinais de que a cultura da sociedade estaria a mudar em direcção a uma cultura diferente. Pelo contrário, o falhanço da política de avaliação dos professores seria um dos sinais mais eloquentes de que a cultura da sociedade permanece distintamente católica.
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Na tradição católica é diferente. Não há possibilidade de subversão da sociedade através do sistema de educação. Pelo contrário, os professores são a elite da sociedade e, portanto, também a classe mais conservadora da sociedade. Na luta que tem vindo a ser travada recentemente em Portugal sobre a avaliação, tudo indica que a avaliação vai falhar e os professores vão vencer. Por detrás dos muitos slogans que os professores têm apresentado na sua luta, existe um que é definitivo porque é de natureza cultural, e que é o seguinte: "Aqui, quem avalia somos nós!". É pena que nunca o tenham utilizado.
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Pedro Arroja
em
23:59
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Dúvida
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Ricardo Arroja
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18:51
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uma obrigação
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Pedro Arroja
em
17:57
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Premiar o tóxico
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Ricardo Arroja
em
16:33
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α (alfa)
A definição de elites é importante porque o nosso futuro depende de elites que nos guiem e que nos inspirem. Quem tiver quaisquer dúvidas sobre a importância das elites, na sociedade, pode interromper por aqui a leitura deste post, se prosseguir não diga que não foi avisada.
Como biólogo, não consigo abstrair-me de pensar que noutras espécies animais também existem elites, indivíduos que ocupam o topo da hierarquia social e que são os machos e fêmeas alfa. São indivíduos assertivos, corajosos, perninazes e agressivos na defesa do território. São líderes naturais que protegem a “tribo” e tentam assegurar a sua sobrevivência. Resolvem os conflitos internos e, quando surgem perigos e ameaças externas, estão na primeira linha de defesa. O elevado estatuto hierárquico vem acompanhado de deveres.
Em próximos posts vou tentar dar uma definição generalista de elites que abarque o sentido cultural que lhe atribuiu PA e que, tanto quanto possível, vá buscar as suas origens à etologia.
Vamos pensar...
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Joaquim
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16:14
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veredictos
Como seria de esperar, a definição não é a mesma na tradição católica e na tradição protestante. Na tradição católica pura a verdade é o facto, aquilo em relação ao qual não existe falsificação possível. Assim, nesta tradição, falar verdade significa falar por factos. É diferente o conceito de verdade na tradição protestante pura. Nesta tradição, a verdade é o veredicto, e falar verdade significa falar por veredictos (produzidos por um júri independente, cf. aqui).
E em Portugal, no domínio da política, o que significa hoje em dia falar verdade, que é a questão levantada pelo JM no seu post? Portugal é um país de tradição católica, mas, nas condições actuais, não na sua forma pura. Na realidade, as suas intituições políticas - que são as instituições da democracia liberal - são importadas da tradição prostestante. Por isso, em política, falar verdade em Portugal significa hoje em dia falar por veredictos.
Porém, uma qualificação é necessária. Como tenho repetidamente ilustrado (vg, a propósito dos sistemas de educação e de justiça), sempre que uma instituição de origem protestante é importada em Portugal, ela ganha um outro significado e produz outros efeitos que são geralmente opostos àqueles que ela produzia na sua cultura original. Esta perversidade é o resultado da reacção de defesa e adaptação da cultura católica à intrusão de uma instituição que lhe é estranha.
A questão pertinente é, pois, a de saber em que é que a instituição protestante do veredicto - que é sinónimo de verdade - é modificada quando é recebida na cultura católica de Portugal. A resposta está parcialmente contida no post anterior. Quando os portugueses são chamados a julgar e a produzir um veredicto, a sua parcialidade radical leva-os sempre a decidir a seu próprio favor ou dos seus. Daí que o veredicto - a verdade, na cultura protestante - ganhe um significado muito diferente em Portugal daquele que tem na sua cultura de origem. Nesta, o veredicto é um julgamento pronunciado por um júri independente. Em Portugal, um veredicto é um julgamento pronunciado pelo próprio.
Segue-se que, no regime actual de democracia em Portugal, falar verdade significa falar por veredictos pronunciados pelo próprio - isto é, cada um dizer e acreditar naquilo que lhe vem à cabeça.
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Pedro Arroja
em
15:19
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a favor dos seus
O atributo essencial que caracteriza a justiça é a imparcialidade e é esse atributo que se espera de um juiz de direito, de um árbitro de futebol, de um professor que avalia os seus alunos, de um gestor que num concurso público tem de decidir entre várias propostas alternativas. A falta de sentido de justiça do povo português traduz-se, portanto na sua parcialidade. Chame-se o homem do povo a arbitrar uma contenda, ou a pronunciar julgamento sobre uma situação de conflito, e ele decide sempre a favor dos seus e, em última instância, a favor de si próprio.
Esta característica do povo português é evidente nos milhares de situações da vida em que o homem do povo é chamado a julgar. Nos debates sobre futebol, as decisões do árbitro, quando levantam dúvidas, prejudicam sempre a sua equipa, nunca a equipa adversária, significando que, se fosse ele a decidir, para corrigir tamanha injustiça, ele beneficiaria a sua equipa e prejudicaria a equipa adversária. Na rua, quando envolvido num acidente, a culpa é sempre do outro, nunca sua. A expressão popular segundo a qual, em Portugal "a culpa morreu solteira" significa que ela nunca conseguiu arranjar homem no país que tomasse conta dela.
Na política democrática, a extrema parcialidade do povo português rapidamente infecta o sistema partidário de um vírus que, com o tempo, lhe é fatal - a partidarite. Quando o homem do povo é chamado a julgar entre propostas alternativas dos diferentes partidos, ele pouco lhe interessa saber qual é a melhor, e decide sempre em favor do seu próprio partido. Por isso, quando a democracia eleva o homem do povo a lugares de decisão pública, o resultado não deve surpreender - o nepotismo.
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Pedro Arroja
em
15:02
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"Falar Verdade"
"Falar Verdade" é uma expressão clichê da política portuguesa. Alguns exemplos:
Sampaio alerta para necessidade de se «falar verdade»
A presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, anunciou hoje um fórum chamado “Portugal de Verdade”
Cavaco Silva procurou "falar verdade" aos portugueses em dois anos de mandato
De acordo com a teoria de Pedro Arroja, o povo é que gosta da verdade e sabe identificar a verdade. Um homem de elite, pelo contrário, sabe a verdade, mas recorre a mentiras piedosas para defender valores mais importantes. Senso assim, qual é o significado desta obsessão da classe política pela Verdade? Algumas hipóteses:
1. A classe política portuguesa é dominada for gente vinda do povo, que tem a obsessão própria do povo pela verdade. É uma consequência da introdução da Democracia numa cultura que não está preparada para ela.
2. A classe política portuguesa faz parte da elite. Recorre à mentira quando promete que vai falar verdade. É uma mentira piedosa porque o povo não pode saber que os políticos mentem. Se esta hipótese está correcta, os nossos políticos são mais sofisticados do que aparentam.
3. A classe política portuguesa é dominada por mentirosos compulsivos. Estes políticos que nos dizem que vão falar verdade não partilham nem do gosto pela verdade do povo, nem da capacidade de julgamento das elites. Aproveitam-se quer do amor do povo à verdade, quer da tradição de mentira piedosa das elites. Se esta hipótese estiver correcta, temos que concluir que a nossa cultura é vulnerável à tomada de lugares chave por oportunistas.
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JoaoMiranda
em
13:09
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a galinha
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O poder de uma teoria mede-se pela sua capacidade de explicação dos grandes factos ou tendências que ela visa apreender, e pela sua capacidade de previsão acerca desses grandes factos ou tendências. Por isso, eu considerei um teste à capacidade explicativa da minha teoria dar resposta a esta questão formulada por um leitor.
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É um facto geralmente reconhecido, e notado por muitos autores, a tendência que os portugueses têm para admirar aquilo que é estrangeiro, em detrimento do seu próprio país. Este característica não é sequer distintamente portuguesa, mas verifica-se, em maior ou menor grau, noutros países católicos, como a Argentina, o Brasil, a Espanha, a Itália ou o Perú. A admiração não se exprime, porém, em relação a quaisquer países, como a Tailândia, o Uganda, o Taiwan ou o Senegal. Exprime-se invariavelmente em relação a países de cultura portestante, como a Inglaterra, os EUA, o Canadá, a Suécia, a França, a Suíça, a Alemanha, e, mais recentemente, até a Finlândia. Além disso, trata-se de uma admiração que não é retribuída.
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Por isso, a questão posta pelo leitor está perfeitamente colocada. Porque é que as pessoas dos países C têm tanto admiração e apreço pelos países P, enquanto que a recíproca não é verdadeira? A resposta: por causa das ideias centrais que dominam as suas respectivas culturas, a ideia de justiça no caso dos países P, a ideia de verdade no caso dos países C.
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Começo pelos países C. Nestes países, a cultura ganha a sua unidade em torno da ideia de verdade. Um dos atributos da verdade é que ela é, às vezes, inconveniente, outras desagradável, senão mesmo muitas vezes cruel: "Vou morrer um dia", "Sou defeituoso, nasci sem uma perna", "Sou pobre", Sou um estudante medíocre", "Roubaram-me a carteira". A verdade só às vezes é conveniente, agradável ou justa.
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Nos países P, ao invés, a ideia que une a sua cultura é a ideia de justiça (fairness): "Na fila do supermercado, ninguém me passou à frente" - justo. "Na eleição do presidente, o meu voto teve tanto peso como o dos outros" - justo. "Comprei túlipas, e o produtor vendeu-mas, ao preço de 15 euros cada uma" - justo. "Os governantes do meu país não se aproveitam da situação para enriquecer" - justo. "Ninguém me pressionou para votar no Partido X" - justo.
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A verdade é, por vezes, inconveniente, outras vezes desagradável, às vezes mesmo cruel. A justiça nunca é. Daí que nos países de tradição católica, as pessoas aparentem geralmente uma atitude séria, por vezes carregada e triste que é a atitude própria de quem transporta no espírito muitas verdades desagradáveis e se sente mal consigo próprio e com os outros à sua volta. Pelo contrário, nos países de tradição protestante, as pessoas aparentam geralmente uma atitude despreocupada, leve e alegre, que é a atitude própria de quem não carrega fardo nenhum e se sente bem consigo e com os outros à sua volta.
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A sedução que os países protestantes exercem sobre os portugueses, e mais geralmente sobre os países de tradição católica é, portanto irresistível. Nesses países tudo parece fácil, simples, descontraído, alegre e, sobretudo, justo. Todos podem exprimir livremente aquilo que pensam sem que alguém os repreenda ou penalize Em Portugal, pelo contrário, tudo é difícil, complexo, tenso, pesado, às vezes verdadeiro de mais para ser suportável, e um país onde pensar alto é frequentemente um crime. Julgando assim pelas aparências, que são as aparências do espaço público, e sem penetrar no conhecimento profundo desses países e da sua esfera privada, a propensão do português e, mais geralmente do homem de cultura católica, para considerar que a "a galinha da minha vizinha é melhor que a minha" aparece como sendo perfeitamente compreensível.
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Pedro Arroja
em
08:34
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a conta, por favor
Os portugueses vão começar a pagar pela eleição de Obama. Pois pensavam que era de graça? Que se colocava um socialista radical na Casa Branca e que a factura não ia aparecer? Cresçam meninos.
A análise do primeiro orçamento de Obama é absolutamente clara. O Presidente propõe um aumento de impostos sem precedentes, propõe diminuir as deduções fiscais para doações beneméritas, para juros de compra de habitação própria e, last but not the least, propõe uma diminuição do orçamento da defesa.
As conclusões são muito claras. A recuperação económica vai ser muito mais lenta do que seria previsível. A simples diminuição das deduções fiscais para compra de casa, contribuirão para afundar ainda mais o mercado habitacional e agravar a actual crise. A bolsa de valores não irá recuperar tão cedo e as empresas europeias que vivem do mercado norte-americano podem começar, ou continuar, a despedir.
Por fim a defesa. A UE vai ter de desviar recursos enormes do Estado de Bem-estar Social para a sua própria defesa, se ainda for a tempo de o fazer.
A América tem sido um farol do mundo, para o bem e para o mal, agora que a sua luz tremelica e ameaça apagar-se, estamos todos muito mais desorientados e sob maiores ameaças. Não se estava mesmo a ver?
PS: Volta George, estás perdoado.
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Joaquim
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07:32
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26 Fevereiro 2009
ocasionalmente
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Pedro Arroja
em
20:32
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tempera a verdade com o julgamento
Utilizarei a forma de expressão por excelência da cultura católica, seguindo o modelo do seu grande filósofo, S. Tomás de Aquino - o diálogo. Imagino o diálogo com um jovem adulto de vinte e tal ou trinta e poucos anos de idade, chamado António.
-António: Qual é a principal característica do homem de elite português?
-PA: A verdade. A ideia mais importante da nossa cultura católica, aquela que nos confere unidade, é a ideia de verdade. Portanto, o homem de elite português é, em primeiro lugar, o homem verdadeiro, o homem genuíno, o homem em que tudo nele respira verdade.
-António: E a segunda característica mais importante?
-PA: Julgamento. Capacidade de julgamento ou sensatez. É esta característica que faz dele um homem de elite e o distingue do povo, porque verdade também existe no povo. Portanto o homem de elite é o homem verdadeiro e sensato, o homem que tempera a verdade com o julgamento.
-António: E como é que se chega à verdade, pelos livros?
-PA: Pelos livros e pela reflexão, mas isso é só metade do processo. Se você quer ser um homem de elite, leia e medite. Leia sobretudo os clássicos da nossa civilização ocidental e cristã, os gregos, os romanos, os clássicos da era cristã, S. Agostinho, S. Tomás, Descartes, Locke, Hume, Kant, Tocqueville, etc. Não esqueça a Bíblia e o Catecismo. Lendo e meditando, você adquire sabedoria e aproxima-se da verdade. Mas não chega, falta a outra metade.
-António: E em que é que consiste a outra metade?
-PA: Em misturar-se com o povo. Não esqueça que o povo português é muito sabedor, é um povo que, em certo sentido, vive obcecado pela verdade. O que lhe falta é julgamento. Por isso, você tem muito a aprender com o povo. E só com o povo você pode praticar aquela qualidade de carácter que distingue a elite do povo - a capacidade para julgar.
-António: Como assim?
-PA: Observe o povo, fale com o homem e a mulher do povo, veja a forma como o povo se exprime, as suas manifestaçoes religiosas, as festas populares, analise a arte popular e oiça a música popular. Vai encontrar aí expressões de imensa sabedoria, embora quase sempre com falta de critério. É olhando para essas formas de expressão do povo, escutando o povo, e perguntando: "O que é que está ali a mais -, o que é que está ali de bizarro, de mau gosto, de injusto, de feio, de irracional, de ofensivo, de alarve, de calão - ou, o que é que falta ali - de harmonioso, de justo, de belo, de gentil, de sóbrio, de racional?" é que você vai praticar a sua capacidade de julgamento. Isto você não consegue praticar nos livros, excepto na literatura, na arte e na religiosidade popular.
-António: Tem escrito que a nossa elite está entre os professores ... só os professores é que podem ser elite?
-PA: Não, é uma força de expressão, um arquétipo. Os professores, pela natureza da sua missão, estão vocacionados, mais do que quaisquer outras pessoas, para procurar a verdade e a transmitirem aos outros com critério.
-António: O que é que quer dizer "com critério"?
-PA: Quero dizer com julgamento. Um professor não ensina às crianças do ensino básico cálculo diferencial, nem os Lusíadas. Elas precisam saber primeiro aritmética e história de Portugal, pelo menos. Aquilo que caracteriza o professor é a sua missão de procurar a verdade, e ser capaz de comunicar a verdade de forma selectiva.
-António: Quer dizer que a verdade não deve ser dita a todas as pessoas e em todas as circunstâncias?
-PA: Claro que não. Isso é o que faz o povo, não um homem de elite. Aquilo que caracteriza o homem de elite é precisamente a capacidade para julgar perante quem e em que circunstâncias deve comunicar a verdade, e perante quem e em que circunstâncias não deve comunicar a verdade, calando-se ou até, em certos casos excepcionais, falando mentira.
-António: Estou desconcertado ... um homem de elite a calar-se ou a mentir ... quer dar-me um exemplo?
-PA: Já lhe dei o exemplo acima das crianças do ensino básico. Tome outro: você é casado, tem três filhos menores, o seu patrão é um brutamontes que trata mal toda a gente. Você um dia chama-lhe brutamontes e ele despede-o - a sua mulher e os seus filhos vão sofrer. Você disse a verdade, faltou-lhe foi julgamento, porque considerações superiores se levantavam aqui acima da comunicação da verdade - a segurança da sua família. Quanto à mentira: um doente terminal pergunta ao médico se vai morrer brevemente, e o homem de elite responde-lhe que não, que para a semana estará melhor.
-António: Voltemos aos professores. Só eles é que podem ser elite?
-PA: Não. Qualquer homem pode ser elite - a elite brota do povo -, um médico, um jurista, um engenheiro, até um electricista e um homem do povo. Aquilo que ele tem de fazer é usar a missão do professor como modelo - procurar a verdade e comunicá-la aos outros com critério, isto é, com julgamento.
-António: Para encerrar esta primeira parte da conversa, gostaria de lhe colocar três perguntas sobre temas que andam em discussão na sociedade portuguesa, e para as quais gostaria de uma resposta breve e definitiva.
PA: Diga ...
-António: Pode um homem de elite português ser a favor do aborto?
-PA: Não, porque um homem verdadeiro assume as consequências dos seus actos, e convive com elas.
-António: Pode um homem de elite ser homossexual?
-PA: Não, porque um homossexual não é um homem verdadeiro.
-António: Pode um homem de elite ser favorável à eutanásia?
- PA: Não, porque um homem verdadeiro não precisa de ninguém que o ajude a morrer. Ele morre pelos seus próprios meios.
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Pedro Arroja
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19:55
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Brincamos, ou quê?!
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Ricardo Arroja
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17:46
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não é nada disto
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Pedro Arroja
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15:41
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intolerância

Eu pretendo neste post responder à mesma questão do post anterior, mas agora na forma inversa: O que acontece a uma sociedade P que decide adoptar as instituições da sociedade C, que são as instituições de um cesarismo esclarecido - poder pessoalizado, supremo e absoluto, censura, organização corporativa da sociedade? Por outras palavras, o que acontece à sociedade P que decide tornar-se uma sociedade C?
A resposta, em termos gerais, é idêntica à anterior: aquilo que de bom existe na sociedade C vai tornar-se mau na sociedade P, na realidade, o melhor da sociedade C vai tornar-se o pior da sociedade P; e pior da sociedade P, que até aí permanecia privado e discreto, vai passar a ser exibido em público, reunindo nesta sociedade aquilo que de pior existe em cada uma.
Sob certos aspectos já respondi à questão formulada em posts anteriores. Assim, já demonstrei que a classe dos professores, que é a elite da sociedade C, se converte na classe intolerante e destruidora que conduz à ruptura da sociedade P. Mostrei também que o sistema de educação, em que assenta a sociedade C, é o sistema por onde se desmorona a sociedade P. O meu propósito neste post é o de analisar um ponto específico que é o de saber o que acontece na sociedade P quando ao povo se retira a liberdade de expressão e se institui a censura, que é uma instituição típica da sociedade C.
Acontece intolerância pública. Como defendi em post anterior, aquilo que distingue e elite do povo na sociedade P é a sua sabedoria. É esta capacidade da elite para transmitir ao povo aquilo que está certo e o que é verdade, protegendo o povo do erro que resulta da sua ignorância generalizada, que permite à sociedade P aparecer em público, na sua forma pura, como uma sociedade conhecedora.
Porém, quando se retira ao povo a liberdade de expressão, e se institui a censura, a verdade deixa de poder emergir vitoriosa do confronto com o erro. Não é mais possível distinguir o verdadeiro do falso, o justo do injusto, porque só uma das partes é admitida na contenda. Apenas uma das partes litigantes passa a possuir expressão pública, e é ela que ganha a contenda, adquirindo o estatuto público de verdade. A intolerância fica instalada.
Esta intolerância manifesta-se em público de diferentes maneiras, pela rejeição de opiniões e comportamentos divergentes, pela discriminação explícita em que aqueles que não partilham a verdade são excluídos da sociedade, pela supressão de todas as instituições que possam ser fontes alternativas da verdade, pela perseguição dos dissidentes até ao esmagamento total.
Publicada por
Pedro Arroja
em
15:12
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indecência

Neste post eu retomo o modelo puro da sociedade católica e da sociedade protestante que tenho vindo a desenvolver, para colocar a seguinte questão: o que é que acontece a uma sociedade C que adopta as instituições da sociedade P, que são as instituições da democracia-liberal? Por outras palavras, o que é que acontece à sociedade C que decide tornar-se uma sociedade P?
Publicada por
Pedro Arroja
em
12:22
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Altruísmo
Publicada por
Ricardo Arroja
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09:55
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titubiâncias
Ou o BPP está insolvente ou não está. Se não está, o governador do BP deve responsabilizar-se perante os clientes e investidores do BPP. Se está insolvente, o Governador deve pedir a falência da instituição, para que todos os credores tenham um tratamento justo e equitativo.
Deixar o BPP no purgatório, é mais uma “discrepância” da D. Constância.
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Joaquim
em
09:12
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Desavergonhados
Publicada por
Ricardo Arroja
em
08:28
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peccata mundi
Os juristas nunca se deveriam pronunciar sobre temas económicos porque metem tanta água que acabam por fazer uma triste figura. Em última análise, acabamos todos a pensar que se sabem tão pouco de economia pouco saberão de Leis.
Vem isto a propósito da opinião de Vital Moreira sobre a necessidade de baixar os impostos, em tempo de crise:
Propor cortes gerais nos impostos e nas contribuições da segurança social quando, em consequência da recessão económica, se assiste a uma verdadeira hemorragia orçamental (menos receita e mais despesa), bem como das finanças da segurança social (menos contribuições e mais despesas sociais), deveria parecer uma política contranatura --, pelos vistos excepto para a direcção e os economistas do PSD.
Um risco que tem de ser evitado no combate à crise é o de "morrer da cura", em consequência de maus remédios ou de excesso de medicamentação, saindo da recessão com as finanças públicas tão degradadas (em termos de défice e de dívida pública) que constituíssem um pesado fardo para a retoma.
Julgo que não vale a pena contestar estas afirmações porque são totalmente contrárias às medidas que têm vindo a ser tomadas em quase todos os países da OCDE. Gostaria apenas de fazer uma análise médica do respectivo conteúdo
Para Vital, o Estado assume uma dimensão antropomórfica, quase como uma divindade plebeia. Um ente ou ser que tem sentimentos, emoções e sangue que lhe corre nas veias. O Estado está a sofrer uma hemorragia e pode morrer da cura. Não podemos consentir que o Estado fique deficiente, arrastando um pesado fardo.
Esta linguagem histriónica recorda-me alguns sermões paroquiais, quando o padre afirma que “nossa Senhora está sofrer pelos nossos pecados” ou que “temos de rezar pelo sofrimento do mundo”.
A verdade, se é que esta interessa, no meio de uma linguagem tão própria da populaça, é que os impostos estão a provocar uma “hemorragia no bolso dos contribuintes” e que estes “não conseguem arrastar esse fardo”. Fosque-se, são os contribuintes que têm sangue a correr nas veias, não é o Estado.
Publicada por
Joaquim
em
05:46
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o povo e a elite
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Retomo a analogia dos triângulos, que reproduzo na imagem. A sociedade católica (C) representada pelo triângulo delta assente sobre a sua base (à esquerda), a sociedade protestante representada pelo triângulo invertido (à direita). Os pontos pertencentes à região A junto ao vértice representam, em ambos os casos, a elite, e os da região B junto à base, o povo. A parte superior do triângulo é para ser agora interpretada como a parte visível da sociedade, aquela que tem exposição pública (a elite, no caso da sociedade C, o povo no caso da sociedade P), enquanto a parte inferior é para ser interpretada como a parte "escondida" ou invisível da sociedade, aquela que não tem exposição pública, permanecendo no domínio privado (o povo, no caso da sociedade C, a elite no caso da sociedade P). Em posts anteriores, já estabeleci que a elite natural da sociedade C é a classe dos professores e a elite natural da sociedade P a classe dos juizes.
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O porta-voz natural da sociedade C, a sua imagem pública, é a sua elite, enquanto na sociedade P é o povo (parte superior dos triângulos). Do mesmo modo, a sociedade C reserva ao povo uma posição discreta, privada, sem visibilidade pública, enquanto a sociedade P reserva esta posição à elite (parte inferior dos triângulos).
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Porquê? É a esta questão que me proponho responder neste post.
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A sociedade C possui uma base larga, assenta no povo, e a sua elite emerge do povo, estreitando o triângulo para cima. A ideia que une esta sociedade é a ideia de verdade, por isso a maior qualidade do povo nesta sociedade é a sua sabedoria. A elite, emergindo do povo, vai buscar ao povo aquilo que ele tem de melhor - a sabedoria. E o que é que e lhe dá em troca? Dá-lhe julgamento, que é aquilo que o povo nesta sociedade não possui de todo.
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Como já foi notado anteriormente, em resultado da sua formação católica, o povo da sociedade C é um povo que leva o seu liberalismo e a sua tolerância ao extremo, aceitando todas as opiniões e todos os comportamentos dentro de limites muito amplos, como o da não violência. Esta tolerância extrema retira-lhe a capacidade de julgamento e o sentido da justiça, impedindo-o de distinguir o bem do mal, o justo do injusto, a graça da ofensa, a palavra do palavrão - em suma, a decência da indecência. É esta capacidade de julgamento que a elite lhe fornece, censurando a indecência. Se esta sociedade fosse representada em público pelo seu povo apareceria aos olhos de quem a observa como uma sociedade feita largamente de pessoas indecentes, embora sábias. Sendo representada pela elite - os professores -, ela aparece aos olhos de quem a observa como uma sociedade de pessoas sábias e decentes (porque decência é o melhor que se pode conseguir onde falta o julgamento).
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A sociedade P assenta numa base estreita, a elite, que submerge do povo afunilando o triângulo para baixo. A ideia que une esta sociedade é a ideia da justiça e a maior qualidade do povo é o seu sentido de justiça. A elite nesta sociedade, submergindo do povo, vai buscar ao povo aquilo que ele tem de melhor - julgamento. E o que lhe dá em troca? Sabedoria, que é aquilo que o povo nesta sociedade não possui de todo.
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Como já foi notado anteriormente, em resultado da sua interpretação plural das Escrituras, o povo da sociedade P é de um pluralismo extremo aceitando todas as correntes de opinião dentro de limites muito amplos, e que só excluem a intolerância. Este pluralismo extremo retira ao povo a capacidade para saber onde está a verdade, para distinguir entre o verdadeiro e o falso, entre o sábio e o charlatão, entre o genuíno e a mera imitação - em suma, entre a sabedoria e a ignorância. Compete à elite decidir onde está a verdade, pronunciando julgamento entre posições (claims) diferentes e frequentemente opostas, e transmitindo ao povo a sabedoria que ele genuinamente não possui. Se esta sociedade fosse representada em público pela sua elite - os juizes - ela apareceria aos olhos do observador como uma sociedade feita largamente de pessoas intolerantes, embora justas. Sendo representada pelo povo, ela aparece aos olhos do observador como uma sociedade de pessoas justas e conhecedoras (porque conhecimento é o melhor que se pode conseguir onde falta a sabedoria).
Publicada por
Pedro Arroja
em
01:20
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25 Fevereiro 2009
Chafarica!
Leitura recomendada. Clique aqui.
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Publicada por
Ricardo Arroja
em
21:08
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Bravo! Bravo!
Publicada por
Ricardo Arroja
em
17:50
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Torre de Babel
Publicada por
Ricardo Arroja
em
15:44
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os factos
Gostaria, porém, de voltar ao tema da notícia do Público de hoje para perguntar, e responder, à questão: Porque é que existem 38 mil processos por julgar nos tribunais fiscais? A resposta é que existem tantos processos por julgar nos tribunais fiscais - como de resto nos outros tribunais do país -, porque os juizes portugueses não sabem julgar. E nem se pense que a situação é passível de reforma, porque o problema só se resolve quando se suspender a causa que lhe dá origem - a democracia. A Dra. Manuela Ferreira Leite tinha razão quando declarou que, para fazer certas reformas em Portugal, era necessário suspender a democracia.
Ao fazer a afirmação peremptória de que os juizes portugueses não sabem julgar eu devo ser mais específico para não parecer ofensivo. Em primeiro lugar, os juizes são parte do povo português, partilham a mesma cultura, e uma característica desta cultura - não é de mais insistir -, é a sua falta de sentido de justiça, a sua incapacidade radical para julgar, e os juizes portugueses, sendo parte dessa cultura, não podem ser excepção. Em segundo lugar, nesta incapacidade para fazer justiça, os juizes são tanto vítimas da cultura portuguesa como agentes activos dela.
Começo pelo seu papel de vítimas. A nossa é uma cultura dominada pela ideia de verdade e nós somos exímios a apurar a verdade, dando atenção a todos os pormenores, considerando todos os detalhes, retratando todas as circunstâncias, ouvindo todas as restemunhas com relevância para a determinação da verdade, ainda que as mais distantes. O resultado é que o processo quando chega às mãos do juiz para julgamento tem frequentemente dezoito volumes e catorze mil páginas. A questão óbvia é, então, a seguinte: qual é a pessoa que consegue ler, e ponderar adequadamente, catorze mil páginas de um processo, contendo milhares de factos - alguns importantes, a maioria de pormenor -, milhões de detalhes, centenas de circunstâncias e nuances, dezenas de testemunhos frequentemente incoerentes e, pelo menos, metade deles contraditórios? Ninguém, não há ninguém neste mundo que o consiga fazer.
E é precisamente esta conclusão que me conduz ao papel dos juizes como agentes activos desta cultura que é incapaz de julgar. Um julgamento - ou a justiça - não se faz assim, em processos de dezoito volumes e catorze mil páginas, contendo milhares de factos, pormenores, testemunhos e circunstâncias, cujo ruído torna impossível distinguir aquilo que é importante daquilo que é trivial e acessório. Um julgamento - ou a justiça - faz-se com base em dois ou três factos que são essenciais ou principais no processo. Isso exige, porém, não a atitude mental do português - e do juiz português - com a sua concentração excessiva e minuciosa nos factos (2), importantes e não importantes, a qual torna impossível distinguir o essencial do acessório. Isso exige uma atitude mental radicalmente diferente, uma atitude de afastamento (detachment) que é a atitude típica dos povos de cultura protestante - e, portanto, também dos seus juízes - , e que os leva a perguntar: "O que é que é importante aqui?". Tendo seleccionado os dois ou três factos - no máximo, meia dúzia, às vezes, apenas um - que são essenciais ou importantes no processo, a justiça passa a ser imensamente fácil de fazer na esmagadora maioria dos casos.
Publicada por
Pedro Arroja
em
12:27
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Duas culturas, a mesma fé nas palavras?
Barack Obama foi ao Congresso fazer um "discurso de esperança". Não sei até que ponto os americanos acreditam na retórica, mas a ideia geral é mudar a economia através da fé nas palavras. O que é certo é que uma jornalista portuguesa em Washington acreditou no poder das palavras de Obama: Obama devolve esperança que América vai recuperar e “emergir mais forte do que nunca”. Note-se que o objectivo do discurso (mudar as percepções dos agentes económicos através da retórica) é dado como atingido no título da notícia. A mera declaração de intenções é interpretada como prova de que o resultado foi atingido.
Para um caso mais extremo de fé nas palavras, vale a pena ler este texto de Jaime Quesado, Gestor do Programa Operacional Sociedade do Conhecimento. Note-se que a ideia original que o texto pretendia transmitir é "inovação e criatividade geram desenvolvimento". Essa ideia transformou-se noutra bastante mais cómoda: "falar sobre inovação e criatividade é o mesmo que ser criativo e inovador e leva ao desenvolvimento".
Publicada por
JoaoMiranda
em
11:04
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new tool

A Wikipedia pode ser uma ferramenta de análise transcultural.
Ver em First Order Goods.
Publicada por
Joaquim
em
08:32
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Uma bandalheira
Publicada por
Ricardo Arroja
em
08:16
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